Sussurro
4 Capítulo 4
—Bem, então porque não o jogamos? Você poderia começar explicando as regras.
— Vejo que temos uma pessoa decidida aqui, mas primeiro devo explicar as duas opções.
— Pode começar. — Ela disse enquanto se recostava no fundo de sua jaula em busca de conforto.
— A primeira delas é você se tornar uma lauter, como fazer isso? Muito simples, apenas peça. Fácil não? Durante sua transformação seus cabelos negros se tornarão grisalhos, seus lábios carmesim ficarão entre o branco e o cinza, sua pele morena também perdera a cor, seus pés com o tempo desaparecerão, seu corpo definido não terá importância pois perderá os músculos e você ficara ''pele e osso''. Por último e não menos importante, a dor! Não podemos esquecê-la serão horas, dias, semanas, até mesmo meses cada transformação tem seu tempo. Imagine você se contorcendo de dor, gritando de agonia, enquanto passa por isso haverá uma plateia te observando, esperando que você sofra mais e mais, para satisfazê-los, deixá-los felizes!
— Pode descartar essa opção, estou decidida a jogar o jogo! — Falou Karen bravamente.
— Nem o conhece e decide que quer jogá-lo, você tem mesmo coragem querida.
— Pois bem agora explique-me sobre ele.
— É tão simples quanto a primeira opção, quando o jogo começar você voltará para sua casa como se nada tivesse acontecido, estará viva novamente, seus amigos e parentes nunca vão saber que você esteve fora, lá seria como se o tempo nunca tivesse passado. Então antes de voltar, um determinado tempo de vida será estimado a você para consertar o erro cometido em vida, caso você descubra o erro e o arrume terá vencido o jogo então irá para o limbo, se não descobrir ou descobrir e não arrumá-lo voltará para o inferno onde sua alma queimará intensamente para sempre, sem possibilidade alguma de reencarnação, conhecerá apenas a dor.
— Como é decidido o tempo de vida? — Perguntou a mulher.
— É decido pela corte.-Falou Handrick com um sorriso malicioso nos lábios.
— Ah claro, a corte como poderia me esquecer deles né, somos amigos a tanto tempo, bobeira minha ter perguntado. — Ironizou Karen a espera de uma explicação mais detalhada.
Rindo com a frase da mulher Handrick respondeu:
— A corte soma o total de seis pessoas sendo três mulheres e três homens, um conjunto criado pelo Deus do submundo milênios atrás. As pessoas quem compõe a corte possuem vida eterna, são elas quem julgam pessoas como você.
Houve um breve silêncio antes que ele continuasse.
— Todos os membros se juntam e veem toda a sua vida, eles assistem seus 22 anos já vividos, conhecem você, seus segredos, seus medos e sonhos, seus erros e conquistas. A partir disto eles estimam seu tempo em vida novamente.
— Legal bela explicação, mas quem são os seis? — Perguntou Karen impaciente.
— Já vamos conhecê-los. — Disse Handrick, estalando os dedos.
E como num passe de mágica ele e a mulher dirigiram-se para uma sala oval. No chão havia uma estrela hexagonal envolta por um circulo. As paredes eram revestidas da mistura de cores azul meia-noite, com o marrom sienna.
Karen estava sentada no centro da estrela, de mãos dadas envolta dela haviam seis pessoas, uma em cada ponta, quem ela deduziu ser a corte e entre os homens estava Handrick com aparência mais séria, vestia uma capa acompanhada de um capuz, ambos na cor preta.
— Quem são vocês? Apresentem-se!! — Falou Karen.
— Silêncio!! — Ordenou alguém a suas costas.
Ela tentou se levantar, mas não conseguiu era como se alguma força a empurrasse para baixo. Tentou falar novamente, em vão pois já estava sem voz. Aquilo fazia parte do ritual. Karen apenas olhava a seu redor, os homens e mulheres intercalados ainda de mãos dadas com capas pretas e vermelhas e capuz cobrindo-lhes o rosto.
De repente todos levantaram as mãos e disseram:
— Ons weet dit in jou gedagtes en jou lewe!!
Ela sabia o que estavam falando, no momento pensou '' até que não foi ruim ter feito o trabalho de faculdade em afrikaans'', foi o tempo dela traduzir a frase ''Chegamos em sua mente. E conhecemos a sua vida'' antes de desmaiar.
Quando acordou não estava na sala, se encontrava numa aconchegante cama, deitada, coberta até o quadril, ela estava em seu quarto na sua cama, em sua casa. Fechou os olhos, suspirou e falou em voz alta com certo alivio.
— Aquilo foi mesmo um sonho!!
Ouviu-se uma gargalhada. Ela virou a cabeça lentamente para a esquerda, as pupilas já dilatadas, gotas de suor formando-se em sua testa. Seu medo estava em sua frente materializado, era Handrick sentado numa poltrona marrom, com as pernas cruzadas, ele a encarava com um sorriso no rosto.
— Aquilo não foi um sonho. -Disse ele tentando conter o riso. -E se fosse, eu diria que era mais um pesadelo. A propósito antes que eu me esqueça, todos concordaram, você tem seis dias, começando de amanhã para consertar seu erro.
— Seis? Isso é muito pouco tempo, como...
— Que o jogo comece!! — Exclamou ele antes de estalar os dedos e ir embora.
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