De repente os holofotes que até o momento estavam focados em Karen se direcionaram para o outro lado da sala, onde se via pessoas espalhadas por duas arquibancadas de quatro andares e pelo menos dez metros de comprimento cada, aos olhos de Karen havia ao menos duzentas e cinquenta pessoas naquele local, que até pouco tempo atrás parecia estar deserto. Mas aquelas realmente seriam pessoas? Se fossem, estariam vivas?

— Então viu como não estamos sozinhos querida!— Exclamou Handrick com certo ''ar'' de satisfação.

— Onde estavam essas pessoas, impossível que em todo esse tempo elas nem ao menos fizeram um barulho sequer, não houve um sussurro!-Disse Karen indignada.

— Ah minha doce jovem, nós nunca estamos sozinhos. Mesmo em casa no silêncio da noite nós não estamos sozinhos, durante um pacifico almoço na cozinha, ou num jantar a sós na varanda. Durante um filme de terror, comédia ou romance eu lhe digo que nós jamais estamos sozinhos. As pessoas podem não nos ver, mas nós sempre estamos lá. Debaixo de suas camas, do outro lado do box no banheiro, escondidos na dispensa de suas casas, não importa onde ou quando nós sempre estamos lá....

— Impos...-Karen começou a falar, mas foi interrompida.

— Ã ãn, é muito feio interromper as pessoas enquanto elas falam onde estão seus modos?— Perguntou Handrick com olhar de reprovação.

— Não me venha dizer o que são modos, você me prende nesta gaiola, me trata como um animal, põe fogo em meu corpo e ainda quer me dizer sobre o que são modos ou não!! Faça-me o favor né. -Gritou Karen furiosa.

Porém seus gritos assustaram as pessoas nas arquibancadas criando um grande alvoroço, mas ao invés destas também começarem a discutir, tamparam seus ouvidos agacharam e começaram a gritar.

— Viu o que você fez, está satisfeita? Assustou meus queridos bebês!! Realmente disseram-me que você é má, só não me disseram o quanto. -Ele disse e depois estalou os dedos, fazendo com que as criaturas parassem.

— Como você pode chamar estas coisas de bebês? Eu nem ao menos sei se elas são humanas, para início de conversa isso ai- ela apontou o dedo para as coisas na arquibancada da direita- nem tem pés, seus rostos são disformes e as roupas que estão usando não passam de trapos velhos postos em seus corpos ossudos e magros. -Reprovou Karen.

— Além de não ter modos é mal educada, como pode dizer isso dessas pobre criaturas. E caso você não saiba— ele fez uma pequena pausa, para criar suspense- você pode ficar igual a elas querida, ou pensa que seus cabelos negros não vão esbranquiçar como os deles, que seus lábios vermelhos e carnudos não irão afinar e perder esse tom chegando ao branco, se você realmente acha que suas unhas não irão cair, por ora está muito enganada!!— Disse Handrick com um sorriso malicioso.

— Do que você está falando? Is..isso, não pode ser verdade— Gaguejou Karen, seus batimentos cardíacos estavam acelerados, suas mãos estavam trêmulas e seus dentes batiam numa velocidade assombrosa, a adrenalina havia sido liberada e o medo tomava conta da mulher de olhos castanhos.

— Hmm..., pelo visto esqueci de lhe contar. Bem digamos que você está... qual seria a palavra? Deixe-me ver, ah lembrei, minha querida você morreu!! Sabe morta, enterrada, a sete palmos do chão, essas coisas que as pessoas falam.

— Isso é mentira!!! Impossível, isso é impossível. Este lugar essas pessoas, tudo isso não passa de um pesadelo.

— Como pode falar essas coisas? Não sabe o quanto magoa. Pois bem, qual é a última coisa de que você se lembra?

— Eu estava em casa, descansando no sofá quando a campainha tocou, então me levantei e fui atender a porta.

— Vamos continue, você abriu a porta e então o que houve em seguida?

— Havia um menino de mais ou menos oito anos parado a minha frente, quieto.

— E então qual foi a coisa que aconteceu a seguir?

— Eu tentei fechar a porta e o garoto me impediu.

— E o que mais?— Os olhos de Handrick brilhavam enquanto ele ouvia Karen contar a história que ele já sabia o final, porém que ainda o encantava.

— Quando eu reabri a porta o menino começou a entrar em minha casa e...

— E o que? Vamos continue.

— Ele saltou em minha direção e... oh Deus, suas palavras foram mesmo reais!!- Ela agora estava ajoelhada na gaiola em lágrimas.

— Ah sim, como eu amo essas histórias nunca perdem a magia. Agora, vou lhe dizer como as coisas funcionam, você tem duas opções, pode se tornar um Lauter que são meus bebês, ou você pode jogar o jogo, a escolha é sua.

— E que jogo seria esse?- Ela perguntou enquanto secava as lágrimas que escorriam pela face fria e gélida como de alguém que vive no Ártico.

— O jogo da morte!!!!— Exclamou Handrick eufórico, enquanto levantava os braços como alguém à espera de aplausos.

Notas finais
^^ haha ficou um pouco maior do que eu esperava, mas espero que gostem!!