Suspiro - Sigh
4 Capítulo 4
. Todos pararam estranhando o som enquanto um dos lacaios entrava no corredor que levava para a cozinha com o objetivo de ver o que havia acontecido, ele voltou instantes depois e sussurrou algo no ouvido de Mumfred, Olive observou tentando ler os lábios de Toby, o quase mordomo, ela sabia que algo envolvia Norma, a cozinheira de longa data da família. Mumfred se aproximou de Conde William e sussurrou em seu ouvido. Antes que ele terminasse, Olive se levantou da mesa sem pedir licença alguma e correu em direção a porta do corredor que levava a cozinha. Ela desceu as escadas e abriu a porta da cozinha para ver Sarah, a ajudante de cozinheira, ajoelhada no chão com a cabeça de Norma em seu colo. Toby estava ao lado e os dois levantaram o olhar para vê-la parada ali na cozinha.
— Senhorita, volte para a sala de jantar, está tudo bem por aqui.
Toby logo se levantou para levá-la de volta de onde havia saído.
— Não não, Toby, eu vou ficar aqui com Norma. Liguem para o médico.
Ela se ajoelhou ao lado de Sarah.
— Não acho que seja certo a senhorita se ajoelhar no chão da cozinha, mi lady.
Toby falou em um tom de voz baixo. O rapaz de cabelos penteados para trás negros assim como seus olhos a observou um pouco assustado.
— Toby, está tudo bem.
Olive repetiu se levantando para pegar um pouco de água e passar nos pulsos e pescoço de Norma. Seu pai entrara na cozinha rapidamente seguido por Mumfred.
— Volte, Olive.
Ele ordenou a olhando na pia da cozinha.
— Mas papai...
— Agora, Olive!
Ele ordenou com o tom de voz autoritário.
— Mas é a Norma...
Ela falou baixo.
— Já liguei para Doutor Clark querida. Agora volte para a sala de jantar e participe da conversa.
Olive abaixou o cenho e passou pelo pai e Toby que a observava, até ele via que Olive preferia estar na cozinha com os criados, do que na sala de jantar com as visitas. Ela voltou lentamente pelo corredor vazio e abriu a porta vendo a sala iluminada por lustres nas paredes.
— Com licença. — Olive disse quase em um sussurro tentando desviar o olhar da mãe que a fuzilava, mas ela sabia o que deveria dizer. — Me perdoem por meu ato impulsivo.
Ela comentou sem olhar para ninguém na mesa, Jared se levantou e puxou a cadeira para a irmã, como o costume. Amelia soltou um risinho pelo nariz.
— Sem problemas, querida.
— Claro, sem problemas.
A mulher gorda de Robert Marshall falou sem parar de comer desde a hora que a comida chegara à mesa.
— Acho melhor irmos para a sala, não é?
A condessa falou para todos, que concordaram se levantando enquanto Olive pensava no prato cheio de comida que deixava em cima da mesa, enquanto ainda sentia fome. Todos caminharam em direção aos corredores deixando apenas Olive e Maurício para trás. A menina respirou fundo e decidiu não trocar olhares e muito menos palavras, passou a mão em sua saia e caminhou em direção ao corredor para onde todos já haviam ido.
— O que aconteceu na cozinha? Se é que me permite perguntar.
Maurício falou com sua voz rouca, fazendo com que Olive se assustasse de certa maneira enquanto caminhava com passos firmes em sua frente, mas não rápido.
— Nor...é, quer dizer — Ela se engasgou lembrando que não deveria falar nomes dos empregados a ninguém que não fosse da casa. — Nossa cozinheira não passou muito bem.
Ela comentou sem parar de caminhar enquanto segurava suas mãos na frente do corpo nervosamente. Maurício ainda caminhava calmamente alguns passos atrás dela.
— Achei que filhas do dono da casa não poderiam entrar na cozinha ou dormitórios de empregados.
Olive se segurou para não dar de ombros, pois sua mãe já havia avisado a muito tempo atrás e a repreendido, dizendo que isso era falta de educação e ela não havia criado uma filha mal educada.
— Acho que nem sempre é dessa forma.
Ela comentou ainda sem olhá-lo. Eles se aproximaram da sala de estar quando ouviram Edith dizer.
— Mas onde é que estão esses dois?
Alguns risos atrás da porta e a voz de Thomas Singh.
— Eles são garotos, devem estar conversando apenas, ou já se afeiçoaram um ao outro.
Olive franziu as sobrancelhas esperando ouvir mais enquanto Maurício se encostava-se à parede e olhava para ela com um sorriso malicioso.
— É feio ouvir atrás da porta.
Ele sussurrou. Olive desviou o olhar da porta para ele ainda sem mudar o semblante enquanto o menino sorria com seus olhos acinzentados.
— Eu vou procurar ela.
Olive ouviu a voz de Jared e antes que acontecesse qualquer coisa, ela abriu a porta.
— Com licença.
Ela falou vendo Jared de pé a caminho da porta. Todos a olharam e logo depois surgiu Maurício adentrando a sala atrás ela. Jared franziu as sobrancelhas e olhou interrogativamente para Olive que arregalou os olhos começando a negar algo que nem sabia direito o que era. Jared voltou a se sentar ao lado de Abigail e Olive no sofá ao lado, mas antes que pudesse se aconchegar ouviu a voz de Maurício.
— Senhora Norton, gostaria de saber se Olive poderia me mostrar a casa.
Olive levantou o olhar assim que ouviu seu nome, ela olhou para a mãe que também a olhava e negou lentamente com a cabeça, mas sua mãe sorriu e falou:
— Claro.
Para seu desespero. Olive olhou para as outras pessoas na sala e viu o sorriso de Senhor Singh para sua esposa como se estivessem orgulhosos de seu filho. Olive continuou sentada no sofá quando sua mãe falou novamente.
— Vamos Olive, mostre a biblioteca e o resto da casa para Maurício.
Olive concordou, mas sentiu seu irmão a cutucar, ela olhou para trás e ele fez um sinal com as mãos, apontando de seus olhos para ela, como se dissesse que estaria vigiando. Olive se sentiu ofendida e bateu o pé, passando por todos o mais rápido o possível em direção ao corredor, sendo seguida por Maurício que começava a rir baixo.
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