Suspiro Fatal
7 Capítulo VII
Notas iniciais
Na sala de produção do CLP, os ruídos dos enormes cilindros compressores de substâncias enchiam o ar, dificultando qualquer um que dissesse alguma palavra em tom normal. Os funcionários eram obrigados a, literalmente, gritar quando quisessem falar algo, principalmente os que foram encaminhados para a produção em massa. Muitos terminavam forçando sua voz mais d que deveriam e acabavam por parar na enfermaria, além de que, casos mais graves, eram transferidos imediatamente para o hospital local.
Em parte dos casos que eram diagnosticados graves, sempre intrigava Mattias que passava direto pela enfermaria onde alguns de seus colegas se encontravam repousados. Seu cargo de ajudante fora mudado para operário de máquinas, junto com muitos outros funcionários que fora contratados pelo diretor Davish. Desde o seu pedido para o CLP começar a exportar e vender o gás, o local havia se tornado um grande lugar de movimentação.
Todos que estavam nas macas recebiam soro na veia, oxigênio e algumas doses de um xarope de consistência grossa. Mattias estranhava pois, o que sabia, eram apenas irritações na garganta devido ao esforço para gritar ordens em meio de que todos ouçam, pois ali todos se ajudavam. Ele sabia bem dos efeitos tóxicos do gás em alguém, porém os funcionários recebiam trajes e máscaras adequadas. Seria mesmo o gás?
Não queria mais pensar nos doentes nem em seus colegas. Como qualquer um daquela enfermaria, também trabalhava na sala de produção. E nada o impediria de parar na mesma maca que um funcionário repousou, pois também corria o perigo. Deu meia volta e voltou para a sala que aguardava o seu serviço.
O maquiador apressado, batia mais algumas vezes a esponja de base no rosto da repórter, que estava pronta para mais um dia de trabalho no telejornal. As três câmeras já estavam apontadas para si e o que lhe restava era só sentar e gravar. O editor do andar de cima erguia o polegar para o diretor abaixo, que apenas lançou um olhar para Lince. Entendendo o recado, ajeitou rapidamente o colete bege no corpo.
- Três, dois, um... Ação! — Gritou um assistente.
- Boa Tarde. Hoje discutiremos dicas de uma dieta alimentar balanceável e falaremos um pouco mais dos crimes e desastres que aconteceram em Sidney nos últimos meses.
O diretor havia sorrido maliciosamente para Lince que terminava de citar as manchetes do dia. Mal esperava para o expediente acabar e escapar daquele estúdio com mais uma repórter no carro. A diversão naquela noite já estava garantida.
- Foi confirmado o local onde os dois agentes da delegacia municipal de Sidney tinham sido vistos pela última vez. Nenhum dos funcionários do Centro Linear de Pesquisas quiseram gravar entrevista.
O orgulho de ser uma repórter era perceptível no olhar da moça. Aquela semana havia sido cansativa, mas sabia que a recompensa viria depois. O diretor chefe lhe lançava olhares penetrantes, deixando com que ela pulasse daquele balcão e se atirasse nele ali mesmo. Mas devia se comportar, pelo menos ali. Ainda tinha mais um assunto para transmitir aos telespectadores.
Marlene segurava o rodo e o desinfetante nas mãos enquanto assistia atenta ao noticiário da tarde na televisão. Havia largado a limpeza dos banheiros correndo ao ouvir o que a repórter dizia no momento. Ainda bem que confirmaram, pois estava explícito.
Um estrondo da porta sendo aberta dera um belo susto na zeladora. Ao virar-se vira o policial Henry cruzar os bancos da Sala de Espera e entrar apressado no gabinete do delegado.
- Confirmaram o laboratório onde Scott e Gerard sumiram!
Marlene gritara antes mesmo da porta de madeira ser fechada com um baque oco. Logo concluíra que algo havia acontecido para Henry se encontrar de tal jeito. Ainda nervoso ele é um gato. Decidiu voltar ao serviço antes mesmo que fosse despedida, pois do jeito que as zeladoras andam perdendo emprego, seria melhor prevenir do que remediar. Cruzou o corredor e entrou no toalete dançando com o rodo como se fosse uma profissional da valsa moderna.
Fechando a porta com toda a sua força, decidiu se jogar na poltrona que agora era de James. As mãos grandes cobriam os cabelos, os fios sedosos espalhados pelos dedos. Quem aquele mauricinho pensa que é? Henry pousara os braços nos joelhos e olhava fixo para madeira da escrivaninha.
- Não acredito que Angeline já tenha arrumado outro.
Como um raio cortando sua retina, o policial se levantou de volta. Sacou o celular do bolso e sorriu ao fitar os números brilhantes. Discou o que estava salvo na lista de chamadas recebidas e levou o aparelho até a boca.
- Esta noite sou todo seu.
Depois da mensagem gravada na caixa portal, fechou o flip do celular, guardando-o no bolso novamente. Por dentro estava explodindo de raiva, mas não deixaria que essa bobagem destruísse seu orgulho. Como já dizia o ditado, se perdeu um ônibus espere pelo próximo.
- Angeline não será um problema para mim — sussurrou, caminhando até a entrada da delegacia.
Notas finais
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