Suspiro

5 Capitulo 4


Notas iniciais
Maaaaaais um capítulo o/ wifi dazamiga me ajudando *-* Bom, espero que gostem.

Acordei com a visão meio desfocada e com os membros um pouco dormentes, deitada numa cama confortável num quarto decorado com tons de branco e salmão. Quando minha visão desanuviou, com terrível horror percebi as mesmas imagens intrincadas que eu vi no salão daqueles magos terríveis. Me sentei bruscamente na cama, apenas para descobrir que eu estava apenas de calcinha e sutiã. Ao ver o Daniel sentado no canto da sala com uma expressão que seria cômica se eu não estivesse apenas de roupas intimas, corei violentamente e puxei o cobertor até o pescoço. Ele acabou soltando uma risadinha de lado e eu fiz cara feia, o fazendo levantar e pôr uma mecha solta atrás da minha orelha.

Corei ainda mais do que fosse possível e baixei o olhar o fazendo dar outra risadinha. Levantei o olhar dura e raivosa e ele deu um passo para trás meio surpreso mas depois balançou a cabeça. Respirou fundo e depois soltou o ar aos poucos como se tivesse mil coisas para falar e não soubesse como começar.

– Bem, você deve saber onde está – ele suspirou – O Lucas ficou com a tarefa de te buscar.

– Onde exatamente eu estou?

– No hospital.

– Vocês têm um hospital aqui?

– Bem, sim... Alguns de nós nascemos com o raro e muito difícil de manejar dom da cura. Quer dizer, todos nós nascemos com ao menos uma fagulha dele, mas são poucos os que nascem com o dom definido para isso.

– Como vocês descobrem quem tem esse dom mais definido ou não? Na verdade como vocês veem quem tem qual dom?

– Na maioria das vezes eles detectam através de oráculos que eles mantém aqui.

– Oráculos? Do tipo, profecias?

– Sim.

– Então eu fui detectada assim?

– Sim e não.

– Como assim? Agora você me deixou confusa.

– Bem...

– Pare com isso! – eu abanei com as mãos e ele me olhou assustado.

– Isso o que?

– Pare de falar “bem” – fiz aspas no ar e ele expirou de alívio.

– Desculpe, virou hábito.

– Percebi.

– Be... – o olhei e ele se auto interrompeu – Tá, deixe me ver como te explicarei.

– Anda logo.

– Vejo que já se recuperou não é? Há um tempo atrás, começaram a surgir semideuses com tal poder. Hoje em dia não existem mais, pois nós “magos” – ele sinalizou aspas – Somos terminantemente proibidos a fazer isso, mas, você é uma semideusa e uma maga – arregalei os olhos e ele continuou – A sua mãe faz parte de uma linhagem de magos e a cada três gerações surge um novo mago.

– Mas ela tem dois irmãos e eu tenho uma prima mais velha, como isso é possível? Quer dizer, supondo que minha avó tenha sido uma maga.

– A sua avó foi uma maga e para a surpresa de todos sua mãe também, além de que por incrível que pareça sua prima não seja. Isso ainda é um mistério para todos nós. A sua mãe nunca quis se juntar a nós e tenta ignorar com afinco que nós sequer existimos, mas depois que... – ele pigarreou – Depois que o Lucas descobriu que nós...Bem, que nós ficamos juntos, com toda a raiva dele seus poderes vieram à tona e ele foi recrutado. Mas como isso aconteceu nas férias e diante dos seus poderes, ele conseguiu passar do nível básico para o segundo nível rapidamente e com isso pediu para passar mais um ano no colégio, para se despedir de todos.

“Com isso, ele aproveitou que eu havia acabado de descobrir meus poderes e não pestanejou em manipular os mestres para que eu não dispusesse do mesmo direito que ele e eu não pude voltar para te avisar ou sequer me despedir. Eu tive que esperar por todo esse tempo para poder te procurar novamente e isso foi me destruindo com o tempo. Enfim. Ao passar dos meses, com todas as provocações e com o seu ódio aumentando o seu poder foi se inflamando e ficando cada vez mais forte. Se o Lucas não tivesse sumido bem no dia que você saiu do colégio e se você não tivesse vindo para Alabama bem tranquila, com certeza o pior poderia ter acontecido.”

– O pior?

– Sim. Há magos concorrentes à solta. Eles são como nós, com os mesmos poderes. Mas eles querem no pôr abaixo e atrapalhar a ordem que nós mantemos – o olhei horrorizada – não, eu sou apenas um aprendiz, não faço parte dessas coisas e nem irei querer. É só o costume de falar no plural, mas eu também não apoio o que eles fazem.

– Pois deveria, porque se quer continuar sendo meu aprendiz nesse colégio, você deverá nos apoiar e obedecer à hierarquia meu caro – o tal mestre Salomão adentrou o quarto com uma expressão presunçosa e eu comprimi os lábios com nojo.

Daniel se curvou graciosamente e eu o olhei surpresa. Salomão rasgou um sorriso ainda mais presunçoso e eu torci o canto da boca em desdém o fazendo resmungar baixinho enquanto a mestra de túnica vermelha entrava com uma expressão dura e fria no olhar. Eu levantei a cabeça e devolvi seu olhar hostil a fazendo devolver com mais intensidade possível o que não me intimidou nem um pouco. Ficamos nessa troca de olhares por mais alguns segundos até que ela desistisse e trocasse o olhar de direção. Respirou fundo e começou a avançar um passo para perto da cama mas mudou de ideia e continuou na soleira da porta com os braços cruzados e os punhos fechados. A sala continuou em silêncio até que eu pigarreei e todos tomaram um pequeno susto, me fazendo revirar os olhos.

– Bom, devo assumir que você deve ter se recuperado...

– Sim, estou muito bem obrigada – a interrompi e ela me olhou fria.

– Você será levada para os seus dormitórios e...

– O que vai acontecer com a minha família?

– Eles irão achar que você morreu afogada ao nadar num lago grande e fundo, e como você é inconsequente eles irão aceitar isso fac...

– Eles sabem que eu sei nadar, eu ganhei campeonatos de natação.

– A exaustão te consumiu – deu-me as costas para indicar o fim da conversa – E eu odeio interrupções – me olhou por cima do ombro e eu sorri como quem não sabe de nada.

– Uma última pergunta – ela estacou na porta – Como vou saber quais e qual a intensidade dos meus poderes? – ela deu uma risadinha baixa e eu a olhei desconfiada.

– Você logo verá.

Notas finais
Bom, tá ai, espero que tenham gostado, 2bjs.