Suspiro
11 Capitulo 10
Notas iniciais
Ela foi andando sem rumo pelos corredores. Passando pelas salas lotadas de alunos e respectivamente de professores. Ela ainda não conseguia acreditar que aquela mulher tão fria e cruel era a sua tia. Ela mostrara odiar muito a sua mãe e agora também odiava a sua sobrinha que não viu desde que a mesma tinha três anos de idade. Vejam bem, eu já sabia de tudo isso, mas não podia contar e alertar a Brenda. Isso seria muito ruim para o seu futuro e poderia alterar tudo que ela ainda estava para trilhar e descobrir. Eu sentia muito por ela, mas tinha que ser assim, essa é a regra regida pelo Olimpo que consegue controlar o mundo e manter a ordem. Recentemente eu descobri que não somos apenas nós que o regemos e por isso fico bem desconfiada de tudo que está acontecendo, talvez não sejam apenas os seres humanos que não têm idéia do que acontece por debaixo dos panos.
– Brenda? – Gustavo perguntou parado à porta do banheiro masculino – O que faz por aqui? Não sabe qual é a sua próxima aula?
A garota tomou um breve susto e se segurou no bebedouro próximo a ela. Ele deu um breve sorriso e continuou a olhando, esperando pela resposta.
– Não é isso... – será que poderia contar o que aconteceu? – Eu estava no meu teste de classificação...
– Ah, espero que tenha ido bem, machucou algo? – ele chegou mais perto a analisando.
– Não, e obrigada pela preocupação – deu um sorriso sem humor.
– Você parece perturbada com algo.
– Eu não consegui o dom da cura afinal.
– O dom da cura é algo que as pessoas que manipulam o minimo de espirito conseguem desenvolver – ele falou pensativo – Ou seja, se você pudesse desenvolver o espírito, teria desenvolvido a cura.
– E-e-espirito? – ela perguntou com os olhos arregalados.
– Sim, poucas pessoas sabem dele – ele pôs a mão no queixo – Mas eu sei porque cheguei a tê-lo, mas preferi lidar com a água que era o meu dom mais forte.
– Entendo – ela disse meio atônita.
– Pela sua cara acho que também chegou a tê-lo.
– E-e-eu... – ela olhou pra sua expressão inquisitva e desatou a correr.
– Brenda!! – ele gritou seu nome.
– É proibido gritar no corredor na hora da aula senhor Gustavo – ele ouviu a voz gélida da diretora vermelha e automaticamente paralisou.
– Me desculpe Mestra Mariana – ele respondeu ainda de costas praticamente entendendo tudo.
– Espero que isso não se repita então – ela murmurou virando e pegando o caminho oposto.
O garoto aproveitou para seguir o caminho da Brenda e correu atrás dela. Fui também, ditando levemente a ele onde era pra ir e vendo as suas expressões de confusão. Ao encontrarmos a Brenda sentada num balanço de madeira decorado com flores e folhas ornamentais. Ela estava sentada e encolhida com a cabeça nos joelhos.
– Por que você correu da Mestra Mariana? – ele perguntou.
– Ela... Se chama Mariana? – perguntou meio ofegante.
– Sim.
– Ela... – começou – Se eu te contar você jura que guarda meu segredo?
– Claro – ele se sentou ao seu lado.
– Ela é minha tia.
Ele engasgou-se com a saliva por um instante e ela ficou olhando para o nada, triste.
– Su-sua tia? – perguntou – Tia de sangue?
– Sim, irmã da minha mãe.
– Nossa.
– E ela me odeia – suspirou – Muito.
– Eu pensei que ela gostasse de você, já que releva todas as suas grosserias.
– Sim, eu também achava estranho – começou – Mas ela esclareceu tudo hoje. Tudo porque ela sempre se considerou uma rival da minha mãe na sua infância e agora eu chego para estragar as coisas.
– Por que estragaria? Se você é apenas uma aluna?
– Porque eu tenho total poder do espírito e ela não.
– Você... – ele ficou boquiaberto – Imagino que ela tenha dito para não contar para ninguém?
– Exato.
– Nesse caso, eu agradeço pela sua confiança em mim.
– De nada. Eu precisava contar para alguém ou enlouqueceria.
– Então você não vai poder estudar a cura?
– Não. Ou melhor, não com a mesma intensidade.
– Entendo e lamento. Queria poder fazer algo sobre isso.
– Tudo bem... O pior, é que se eu sair daqui do colégio provavelmente irão me encontrar e matarão a mim e a minha mãe, e se eu ficar não vou poder fazer o que mais quero – enxugou as lágrimas que teimavam em cair.
– Sinto muito mesmo – ele a puxou para um abraço – Se eu puder ajudar em algo...
– Obrigada – ela retribuiu o abraço e olhou para ele.
Os dois ficaram se olhando por um tempo, até que lentamente foram se aproximando sem perder o olhar. Quando ficaram bem próximos o Gustavo segurou em seu rosto e beijou-a. Foi um beijo calmo e lento de forma que ele a puxou para seu colo, segurando depois em seu cabelo castanho. Ótimo, agora mais dois garotos pareciam estar se envolvendo com ela. Essa garota parece ser a rainha abelha, onde os zangões são atraidos pelo mel. Ouvi o sinal tocar e todos os alunos pareceram sair das salas ao mesmo tempo, com uma sensação enorme de alívio. Eles se separaram de susto e eu suspirei. Menos problemas para eu resolver. Acho que está na hora de voltar para o Olimpo e ver o que está acontecendo por lá.
– Ótimo – ele suspirou – Maldito sinal.
Ela levantou.
– Acho que preciso encontrar com a Beah.
– Sim, e eu com o Ricardo – eles foram para caminhos diferentes – Opa – voltaram meio constrangidos e passaram um pelo outro.
Minha hora chegou. Pensei no lugar para onde eu iria e quando abri os olhos me vi cercada pelos deuses.
– Ora ora – ouvi a voz zombeteira de Apolo — Apareceu a Margarida – ele deu uma risadinha.
– Sim – Poseidon murmurou desconfiado – Ultimamente ela tem desaparecido mais do que o normal.
– Andou se perdendo em suas encruzilhadas? – Atena murmurou.
– Não mais do que você – devolvi sorrindo falsa.
– Ui – Apolo riu – Parece que voltou irritadiça.
– Você não sabe como.
– A sua doninha te trouxe problemas?
– Não mais do que a sua querida esposa – sorri para Poseidon.
– É, parece que você perdeu a noção do perigo.
– Você não viveria sem mim e as minhas “ajudinhas” meu caro senhor das águas.
– Fique esperta – ele me olhou estreito e desapareceu.
– Então? Alguma novidade enquanto estive fora?
– Parece que houveram mais alguns problemas na terra que só os três maiores podem resolver.
– Só eles? – perguntei em alerta — Como assim?
– Eles obviamente não revelaram o motivo — Atena bufou – Mas isso está ficando cada vez mais estranho.
– Somos deuses, por que não podemos investigar?
– Por que eles estão com um sistema altissimo de segurança, nem mesmo o mais inteligente dos deuses – ela empinou o nariz – Poderá descobrir.
– Se não consegue, não é a mais inteligente – murmurei satisfeita por eu ter descoberto de tudo.
– Você é tão irritante – ela revirou os olhos.
– Também não gosto muito de você – disse ao sair do salão e fui para o meu.
– Aaaah, poxa, queria mais brigas – ouvi Apolo dizer choramingando.
– Dessa vez não! – ri e fui para casa.
Centralizei minha mente na Brenda e me aliviei por ela estar conversando com a Beatriz dentro da sala de aula. Ótimo, pelo menos por hoje eu não vou ter mais problemas.
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