Suspeita

6 6 ª suspeita: Casal suspeito.


Notas iniciais
está aí um capítulo que eu suei pra sair, após um período sem capítulo nenhum (duas semanas? três?) finalmente suspeita voltou e com toda a força, espero que possam curtir a leitura, deixem seus comentários pessoal, pois são eles que me deixam vivo!

Dia 13 de abril de 2013, sábado, nublado, Simões Filho, IFBA, 17h23min da tarde.

–Queria avisar para não ficarem muito felizes, pois o zodíaco... Está vivo.- Dizia a monstruosa voz.

–DESGRAÇADO! O QUE DIABOS VOCÊ QUER?- Daniel teve um ataque de raiva do outro lado da linha.

–Só quero deixar as coisas mais interessantes, meu caro amigo. A polícia não pode me pegar e por mais que eu tenha certeza de que vocês não conseguirão fazê-lo vou continuar a brincar com vocês, pois assim as coisas ficam mais interessantes.

Sabe, eu tenho um prazer imenso em matar pessoas, é mais divertido que matar animais e bem mais prazeroso do que qualquer besteira que estejam pensando agora, pessoas são inteligentes, oportunas, diferentes, caçar pessoas é o melhor tipo de caçada que existe e é mais divertido ainda quando temos obstáculos interessantes, e vocês são esses obstáculos, sua obrigação é nos entreter, deixar as coisas mais difíceis, e pra tudo ficar mais divertido ainda vou lhes contar qual será nosso próximo passo,, pois ele será o mais bacana de todos, mas para que nosso jogo dê certo é necessário que o atual número de estudantes da sua escola não diminua muito, queremos muitos espetadores no nosso show, por isso vamos começar a caçar todos os que saírem da escola com medo de serem mortos a partir de agora, avisem isso para a diretoria e para os demais, se eles nos desobedecerem só causaram mais mortes, no momento vamos dar uma pausa nos ataques, assim fica mais interessante, vai ser um ataque triplo e muito bem bolado, vocês não perdem por esperar. Até nosso próximo jogo, divirtam-se tentando inutilmente nos pegar. Bye.- E falando isso o monstro desligou.

_____________________________________________________

Daniel estava morto de raiva, assim que a ligação com o zodíaco terminou ele quase jogou o celular no chão, o que ele teria feito caso não viesse a se lembrar do tiro no bolso que o mesmo lhe custou.

Poucos minutos depois daquela enigmática ligação a polícia chegou ao local. Eles fizeram algumas perguntas aos rapazes, e os levariam para a delegacia a fim de começar um interrogatório ainda maior caso já não conhecessem os rapazes e confiassem nos mesmos. Cinco minutos de conversas com os homens da lei e os detetives foram liberados.

Todos estavam tensos, sem ação, até que Daniel sugeriu que todos fossem ao shopping, não para divertirem-se, mas sim para discutirem tudo o que tinha acontecido até o momento. Quarenta minutos depois e lá estavam eles no salvador shopping, mais especificamente na livraria cultura, comendo um lanche para relaxarem. Assim que terminaram de comer começaram a discutir.

–Foi mal ter chamado vocês para discutirem sobre o zodíaco justo aqui no shopping, mas se fôssemos para a casa de alguém com certeza o dono ou a dona da casa iam ficar preocupados ao ouvirem o que vamos falar, sem falar que depois de toda essa aventura doida conversar no meio da rua ou no IFBA mesmo está fora de cogitação, pensei em virmos pra cá por ser um local calmo onde pudéssemos relaxar.- Dizia Daniel- Muito bem, vou começar falando sobre a conversa que tive com aquele maldito de agora há pouco.

Daniel disse aos amigos tudo o que o zodíaco lhe falou ao telefone em detalhes, ele decidiu falar sobre isso apenas agora por conta de que estava muito nervoso para comentar sobre isso no instante e que a ligação acabou, até agora tudo o que os demais sabiam era que o criminoso havia ligado para Daniel,.

Após trinta minutos relatando sobre o que aconteceu e xingando o assassino, enfim Daniel concluíra seu discurso.

–... E depois disso ele desligou o telefone.- Disse o loiro.

–Certo, vamos colocar a cabeça no lugar agora e parar para raciocinar.- Davi iniciou o debate.- O que sabemos até agora?

–Quem ligou para mim era uma mulher, e não estamos enfrentando uma só pessoa, mas toda uma quadrilha ou organização.- Respondeu Daniel.

–Essa coisa de organização faz sentido.- Gabriela dava sua opinião.- Segundo o que Daniel nos relatou o zodíaco referia-se a si mesmo como "nós" e não como "eu", só não entendo por que ele não disse isso antes, já que ele nos dá tantas dicas de como pegá-lo. Só não entendo por que você acha que o zodíaco que te ligou era uma mulher, Daniel.

–É simples. Primeiro, o tom de voz do zodíaco que me ligou era mais fino que o do zodíaco que ligou para Davi, o que também é outra prova de que tem mais de uma pessoa envolvida nisso. Ele pode estar usando algum aparelho para modificar a voz, mas mesmo assim está claro que sua voz era mais fina do que a última ligação. Segundo, a forma que o zodíaco que me ligou falava era claramente feminina, homens geralmente não falam "bye" quando terminam uma ligação, falam?

–Gostei de ver.- Davi deu sinal de positivo.- O próximo passo é saber o número de pessoas que está envolvida nisso. A priori eu diria que são oitenta e oito, por conta do nome da organização ser zodíaco e de existirem oitenta e oito constelações em nosso zodíaco, o que faria todo o sentido se não fosse o fato do número ser muito grande para uma organização de assassinos, são raras as vezes em que tantos deles se unem e mais raro ainda em se tratando de assassinos inteligentes como os do zodíaco. Doze deve ser um número mais razoável, pois é o número de constelações de nosso horóscopo e do horóscopo chinês.

–Sem falar que provavelmente eles estão trabalhando para alguém.- Daniel veio com sua nova suposição.- Quando recebemos a primeira ligação deles enquanto o zodíaco falava de seus crimes duas vezes ele referiu-se a eles como "trabalho" e "serviço", o que indica claramente que eles estão fazendo isso a serviço de alguém.

Adriana, Gabriela e Órion estavam impressionados com o que acabaram de ouvir, em poucos minutos os detetives conseguiram descobrir que seu algoz era toda uma organização, conseguiram levantar o número de participantes da mesma, e concluíram sua hipótese dizendo que eles trabalham para alguém, a inteligência dos dois jovens era digna de aplausos.

–Hu, hu, hu- Risadas de satisfação vinham de Clara.- Engenhosos como sempre, acho que vocês devem estar certos. No entanto, existe outro fator que vocês devem analisar. Quando vocês me pediram pra fazer uma análise dos corpos das oito primeiras vítimas da semana passada eu as levei ao laboratório e fiz o que pediram , tudo estava normal no corpo daqueles estudantes, com exceção das cabeças estraçalhadas, cocaína em grandes quantidades e uma espécie de droga nova da qual eu nunca tinha visto até então.

– E que tipo de droga seria essa?- Pergunto Davi.

–Não sei. Se soubesse a chamaria pelo nome. Mandei amostras dela para São Paulo para ser analisada por um especialista em drogas, o doutor Julien Conors, ele foi meu professor na USP, eu fiquei um tempo esperando os resultados, mas até agora nada, nem mesmo ele conseguiu identificar a droga, porém ele me assegurou de que vai continuar a analisar a droga e me trará resultados assim que possível.

– Acho que vamos ter que esperar esses resultados chegarem antes de tirar qualquer conclusão.- Davi falava depois de beber seu último gole da sua lata de Coca-Cola.

Momentos depois Davi mandou pedir a conta ao garçom que servia a mesa ao lado e dentro de cinco minutos ele apareceu com a mesma em mãos. O rapaz de cabelos castanhos ficou pálido com o que viu.- Qua... Quarenta e três reais e vinte centavos?

– O QUE?- Daniel pulou de susto.- Como assim quarenta e três reais? Mas nós só comemos um salgado e um refrigerante cada, isso é um absurdo! Eu vou falar com o gerente, ele vai ouvir um bocado agora, ah vai.

Em vão Davi tentou impedir seu parceiro de investigações em dar sua queixa, Daniel saiu da mesa furioso e adentrou a gerência do local fazendo uma baita confusão.

Davi estava morto de vergonha enquanto os demais riam da reação inesperada de seu amigo, ele já estava quase dando um treco quando Clara o chamou para conversar. Depois de algumas palavras o jovem detetive deu uma risada irônica e chamou os demais amigos para irem dar uma volta, deixando apenas Clara na mesa.

Após vinte minutos de muita briga e estresse Daniel voltou para a mesa sem resultados satisfatórios, ele já estava tendo um surto de raiva quando avistou Clara sozinha na mesa olhando para ele o que quase o fez dar meia volta, desde eles se separaram era um desafio imenso encarar a ex-namorada. Sem opção ele foi em direção à mesa mesmo a contragosto.

– Onde está a galera?- Perguntou.

– Eles já foram, fiquei aqui para te esperar.

Ele sabia que isso tinha sido armado por sua ex-namorada com a ajuda de Davi, era a cara deles aquilo, jurou para si mesmo que daria um belo soco no amigo assim que o encontrasse, pois Davi, mais do ninguém, sabia que o loiro não gostava de ficar a sós com Clara.

Clara era quase uma princesa em se tratando de beleza, seu olhara era provocante, seu corpo era escultural e seus lábios eram naturalmente convidativos, tudo nela o chamava, no entanto lembrar o passado o fazia manter distância.

– Dar uma volta, né? Diga logo o que você quer...- Daniel evitava olhar para a garota de cabelos negros.

– Pode deixar de ser grosso só por um minuto? eu vim aqui especialmente para conversar com você e sou tratada dessa forma...

– Não tem nada para conversar.

–Ah, tem sim, nós temos assuntos inacabados, eu pedi um tempo e você nem quer se dar ao trabalho de saber?

–Isso foi há seis meses atrás, pedir um tempo, especialmente nesse caso, significa “terminou”.

–Você sabe por que eu fiquei tanto tempo longe, eu estava muito ocupada com o trabalho, mas sempre mandava sms pra você quando eu podia, inclusive de três meses pra cá você não responde nenhuma que eu te mando.

–Clara, sinceramente, nós nunca íamos dar certo e você bem sabe disso. Seus pais são ultra bem sucedidos, um juiz e uma neurocirurgiã, assim que você se formou no curso de patologia da USP com apenas 18 anos eles vieram para cá e daí nos conhecemos, hoje você tem 19, é três anos e meio mais velha do que eu e já trabalha na área ganhando bem mais do que eu poderia sonhara em ganhar como detetive, isso quando eu ganho alguma coisa, já que as vezes estou em casos dos quais não sou remunerado como este que estou trabalhando agora, por exemplo. Você é boa demais pra mim, nós dois sabemos disso, e foi por isso que você pediu seu “tempo”, pra acabar de vez com toda essa loucura.

–Não chame nosso relacionamento de loucura. Eu pedi meu tempo para saber se é isso mesmo que eu queria, pra ver se você me amava de verdade, Dani. Você sempre foi ciumento demais, isso sem falar da fama de mulherengo, eu precisava saber se você me amava mesmo e hoje eu vejo que sim, que você me ama de verdade, você ficou triste quando eu te pedi um tempo, sem falar que você tem dificuldade de me encarar por que gosta de mim, não é verdade, Dani?

Daniel ficou corado ao ouvir essas palavras, ele não esperava que a garota fosse acertar tão precisamente sobre seu atual estado. Depois de alguns segundos calado enfim ele respondeu.

–Odeio quando você está certa. Intuição feminina é fogo.

–Hi, hi, sabia que estava certa.- Ela aproximou-se do rapaz- Então, que tal você parar de me chamar de “ex-namorada”? Se você tirar só o “ex” eu adoraria.

–Você tem ideia da besteira que está fazendo?- Ele repreendeu.

–Sim, eu tenho, estou voltando a namorar o cara mais louco e insano que conheci em toda a minha vida, mas o que tem de mais? Eu também não sou muito boa do juízo mesmo...

Essas foram as últimas palavras que procederam ao beijo que se seguiu, um beijo longo, com gosto de nostalgia, um doce beijo que trazia lembranças de uma época mais feliz, um doce beijo que prometia acender a chama da paixão que um dia fora apagada.

Pouco tempo depois o casal que há pouco se reconciliava saiu da lanchonete onde se encontravam em busca de um local mais privado para terem um tempo juntos. Eles foram para o cinema, para a praça de alimentação, para a área de jogos e tiveram uma tarde como nenhuma outra, repleta de beijos e risadas. Por fim, já ao anoitecer, os dois foram para casa na esperança de se encontrarem o quanto antes.

Dia 13 de abril de 2013, sábado, chuva, Salvador, amaralina, 23h47min da noite.

Mesmo com um dia tão agitado Adriana estava na internet de seu notebook em seu quarto pesquisando qualquer coisa que pudesse ser útil para a investigação. Depois de horas e horas pesquisando em vão Adriana começava a perder as esperanças.

–Ai, ai... Já estou ficando com sono, vou fazer uma última pesquisa e dormir.

“Zodíaco” foi a palavra que a loira digitou no google a fim de saber mais sobre o criminoso de mesmo nome. Ela leu sobre as constelações, sobre horóscopos, sobre uma série nipônica intitulada “saint seya”, mas não existia nada ali que podia ajudar no caso. Adriana abriu todas as dez primeiras páginas que apareceram na pesquisa do google sem nem ao menos olhar a descrição delas. A garota já estava exausta e começou a fechar todas as abas, mas quando já estava para fechar a última algo lhe chamou atenção naquele site singular.

– Um site sobre serial killer’s, mas o que isso tem haver com o zodíaco? Esse google deve estar louco...

A menina começou a ler o texto da página que se seguira da seguinte forma: “Hoje vamos falar sobre um caso incrível que abalou toda a América do sul há quarenta e quatro anos atrás (1969), dentre seus inúmeros nomes destacasse como “o massacre de São Francisco” o nome do serial killer da vez é...”

–“Assassino”... “do zodíaco”?

Continua...

Notas finais
Mais um capítulo suado de suspeita, se gostou dê um "like" na história e deixe seu comentário.