Suspeita

2 2ª suspeita: Pais e filhos.


Notas iniciais
esse capítulo deu mais trabalho que o anterior, revisei umas três ou quatro vezes no mínimo (e não duvido que ainda possua erros) então pessoal, leiam com carinho, curtam a história, e deixem um comentário (só um, nada mais) e deixem uma criança feliz, faça a soa boa ação de hoje XD

Dia 6 de abril de 2013, sol, ifba, campus Simões filho, 13h20min horas da tarde.

5 mortes. 2 revólveres. 2 assassinos. Futuros perdidos. Cadáveres. Sangue. Balas. Morte. Os jovens que viram a cena de imediato entenderam que existia algo de muito errado naquela escola, realmente existia algo por trás daquelas mortes e eles tinham que descobrir.

O clima estava tenso, Davi e Daniel mal podiam acreditar no que viam, porém, por mais que não desejassem aquilo era a realidade e agora sua missão era descobrir o que de fato tinha acontecido naquele cenário de tamanha matança.

–Meu Deus, o que é isso?...-Daniel falava enquanto, junto a Davi, se aproximava dos corpos dos cadáveres no chão, ainda intocados desde ontem.

Davi se agachou para ficar mais perto dos seus colegas mortos, analisou os corpos, até arriscou ver se existia pulsação, o que foi um inútil esforço. Os jovens estavam mortos de fato.

–Dois tiros no peito desse...- Falou ao se referir a um dos rapazes que estavam no canto esquerdo da sala-...um na cabeça desta.- Apontava para a garota loira que estava ao lado do rapaz baleado.-E desse lado?

–Três tiros nesse aqui e dois na menina do lado dele, qual a ligação entre eles?- Daniel virou-se para o professor.

–Bem... Ao que eu sei os dois rapazes, Rodrigo e Augusto, eram amigos, mais não me parece que eles têm ligação nenhuma com as duas meninas, ao menos na minha aula nunca vi eles conversando.

–Aparentemente não existe lógica nisso... Se eles eram amigos, por que se mataram? Com certeza alguma coisa aconteceu.

Um silêncio enorme tomou conta do recinto. As informações que eles dispunham ali eram pequenas demais para levantar alguma hipótese, era simplesmente absurda a idéia de que dois estudantes comuns teriam a coragem de empunhar revolveres em mãos e ceifar a vida de seus amigos e de pessoas das quais se quer tinham contato, apesar de estarem na mesma sala. Os três já estavam ao ponto de ensandecer quando, do nada, uma voz feminina invade a sala.

–Não se esqueçam o que eles gritaram antes de morrer, se esse fato for retirado do diálogo pra acharmos a solução disso aqui, jamais vamos saber o que de fato aconteceu. –A voz que invadira a sala vinha de uma garota loira, com uma altura por volta de um metro e sessenta e sete, usava uma saia jeans com uma meia calça preta por baixo, usava batas pretas com detalhes rosa choque e uma camisa branca enfeitada com uma cruz negra que vinha do ombro até a cintura.

– Quem é você? Estamos no meio de uma investigação, sinto dizem isso mais você não deveria estar aqui- Davi tinha receio de que outras pessoas presenciassem a investigação, especialmente naquele caso, onde todos da sala eram suspeitos.

– Meu nome é Adriana, sou da mesma sala que vocês e estava aqui na hora que Rodrigo e Augusto mataram a si mesmos e as duas meninas, Júlia e Alana.

– Você falou alguma coisa sobre grito não é? Pode falar o que houve em detalhes?- Ávido por saber a verdade, Daniel não hesitava em questionar qualquer um que ele julgasse ter um testemunho válido.

–Sabe, na verdade eu nunca falei muito com Augusto e Rodrigo. Eu sempre achei que eles eram dois pivetes playboyzinhos metidos a filinhos do papai, e de fato eles eram isso mesmo, tanto que eu mesma não esperava ouvir grandes argumentos da parte deles para esse trabalho de debate. Quando começou a aula, os dois já estavam um pouco tensos e se negaram a tirar a mochila das costas quando foram fazer o debate aí na frente da sala. Eles já estavam em grupos diferentes desde o início e pareciam estar esperando algum tipo de sinal. Quando Júlia e Alana se levantaram pra falar os dois explodiram do nada e tirando as armas das mochilas gritando: ”viva Karl Marx!”. O resto vocês sabem como aconteceu...

–Nossa, por essa eu não esperava- Daniel se levantou e seguiu em direção da porta, onde, de pé, estavam o professor e Adriana. –Vamos sair daqui, se quisermos saber mais e achar a resposta pra isso, vamos ter que fazer uma investigação fora daqui.

–é, vamos. — Concordou Daniel.

Os dois jovens detetives se levantaram com pesar e subiram as escadas daquele auditório que mais parecia uma pequena sala de cinema. Ao subirem os degraus centenas de questionamentos passavam pelas cabeças de ambos. ”Quem fez isso?”, “Como eles conseguiram essas armas?”, “O que diabos Karl Marx têm haver com isso tudo?”. Quando os dois já estavam tão imersos em seus pensamentos ao ponto que mal viam o que estava em sua frente, a voz da garota novamente os trouxe de volta a realidade.

–por favor, resolvam esse caso o quanto antes. Eu não acreditava que vocês eram detetives quando Gabriela me contou ou quando os vi ontem na sala, mais vendo agora dá pra perceber que vocês entendem do que fazem. Por favor... Descubram o que levou esses dois a matarem minha amiga!

–Qual delas é sua amiga?- Perguntou Daniel.

– Júlia.

– Vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance mais não posso prometer nada. Nós te avisamos assim que tivermos qualquer pista sobre o que aconteceu aqui.-Apesar da pouca idade, Davi era extremamente inteligente.Apesar de já ter algumas hipóteses formuladas sobre o que de fato poderia ter realmente ocorrido ali, ele sabia que não podia contar nada do que supunha para a loira já que apesar de bela e sensual, ela também era uma suspeita.

–Muito obrigada, vou estar à espera de notícias. –Falou, e seguindo os dois rapazes, rumou em direção de sua sala de aula.

Por volta de duas horas tinham se passado desde o ocorrido. Era hora do intervalo, apelidado carinhosamente pelos alunos como hora do gov, ou seja, hora do lanche do governo. No entanto, Daniel e Davi estavam como a maioria das pessoas de sua sala, sem apetite para comer nada. Sentados nos bancos ornadas por mosaicos no corredor acadêmico, os dois detetives estavam parados a olhar para o nada, tentando achar uma solução para o caso.Vendo que seus amigos estavam extremamente recolhidos graças ao que viram a pouco, Gabriela e sua amiga Adriana se aproximaram dos dois. Daniel foi o primeiro a perceber a presença das duas.

–Ah... Gabriela, já está melhor?

–Um pouco. Desculpe se deixei vocês dois preocupados, eu estava um pouco chocada com aquilo tudo.

– Pode relaxar que nós vamos dar um jeito de descobrir o que está acontecendo, se eu não conseguir, juro que leio qualquer livro deprimente que o professor de português passar, por pior que ele seja. Então podem contar comigo, por que nem mesmo eu que luto a anos com o crime tenho coragem de ler aquilo. – Se tinha uma coisa da qual Daniel era expert era fazer com que as pessoas relaxassem em momentos de tensão com suas piadas infames. Em meio a algumas risadas meio sem graça, logo os amigos retomaram a conversa.

–Ha,há, você é comédia mesmo Daniel...-Já um pouco mais animada, Gabriela começou a se soltar.- Ah é, queria perguntar uma coisa pra vocês.

–Não precisa perguntar gabi, você sabe que meu coração é só seu, mas eu acho que agora não é o momento... – Daniel estava mais do que convicto de que a ruiva ia perguntar sobre ele.

–Não é isso não idiota. Eu queria saber se vocês querem alguma ajuda na investigação, como eu e Adriana já estamos estudando aqui há um mês antes de vocês temos muitas informações sobre a sala e sobre os professores que vocês vão levar muito tempo pra conseguir sozinhos.

–Sem querer cortar o seu barato Gabriela, essa investigação é minha e do Daniel, nós sempre trabalhamos sozinhos e não estamos precisando de ajuda, se quisermos saber de alguma coisa vamos saber por nós mesmos ou vamos pesquisar por aí, sem falar que...

– Que o que? Que eu também sou suspeita?-Esbravejou Adriana.

– Me desculpem, mas como esse caso ocorreu na sala e ao que tudo indica parece ter influências externas aos envolvidos, todos são suspeitos. O professor de português, todos os alunos da sala, os demais professores, funcionários e inclusive e até preferencialmente vocês duas podem ser suspeitos em potencial. — Afirmou o jovem de olhos castanhos.

– Mas o que é isso? Eu acabei de ajudar vocês dando o meu relato do que aconteceu, como acham que eu posso ser uma suspeita? Ainda mais uma suspeita em potencial?- Gritou Adriana.

– Ela tem razão, desde que vocês chegaram aqui e acharam esse caso nós sempre tentamos lhes ajudar, isso que vocês estão fazendo é o mesmo que dar uma facada pelas costas. –Indignou-se a ruiva.

– Desculpe, mas não podemos misturar nossa vida pessoal e nosso trabalho.

–Sigam meu raciocínio- Convidou Daniel. – Se vocês fossem as culpadas por trás desse assassinato, vocês fariam de tudo para nos provar que são inocentes, inclusive nos ajudar na investigação para que nós nunca chegássemos às respostas que queremos. Não fiquem com raiva do Davi, ele é muito precavido e de fato ele tem razão de ser, mas eu tenho uma proposta aqui que creio eu todos vão gostar e que com certeza vai nos ajudar a resolver esse caso.

– E o que você tem em mente?- Gabriela já estava bem nervosa e não estava em condições de aceitar mais alguma brincadeira ou idéia absurda de Daniel.

– Daniel, pelo amor de Deus, não viaja não que nós já estamos com um bocado de problemas com esse caso, reanalíse o que você tem a propor e olhe mesmo se vale a pena dizer isso- Igualmente a Gabriela e Adriana, Davi menosprezava a idéia do amigo, apesar de, diferentemente das duas, ele sabia que mesmo muito brincalhão Daniel era igualmente inteligente e perspicaz a ele.

–Relaxa Davi. — Falava Daniel tentando acalmar o amigo. –O problema em questão não é se elas vão nos ajudar ou não, mas sim se elas são ou não culpadas, certo?

–Certo. E daí?

– E daí que tudo se resolve da seguinte forma. Elas não querem ajudar? Então deixemos que ajudem, se são culpadas ou não só vamos descobrir com o tempo observando as ações delas. Admito que seria muito interessante seguir uma investigação onde os culpados estão bem do nosso lado, fazendo de tudo para provarem que são inocentes.

– Droga, Daniel, por um momento eu pensei que poderia ao menos contar com você e você vem com essa? Sinceramente... – A ruiva simplesmente não agüentava ouvir uma idéia tão louca quanto aquela.

– Diz alguma coisa pra ele er...Davi, certo?

–Sim.

–Diga logo alguma coisa pra esse tal de Daniel, você sabe que eu e Gabriela não somos culpadas, vocês tem que nos deixar ajudar, minha amiga foi uma das vítimas dessa matança.

Davi esboçou um sorriso confiante e até mesmo com uma pitada de sadismo no rosto e seguiu com sua fala. – He, he, he, sinceramente Daniel, quando penso que você está voando e pra você tanto faz o que acontecer, tu me vem com essa carta gigantesca na manga. Muito bem, eu aceito a ajuda de vocês sobre os termos de Daniel, desde que ele não esteja fazendo isso com o intuito único de ficar mais próximo de Gabriela.

– Claro que eu não faria isso, eu sou Daniel, o maior detetive juvenil que a terra já conheceu e não um idiota qualquer que age apenas pelo coração.

As duas amigas se entreolharam, surpresas pelos dois amigos, apesar de tão diferentes, terem chegado a aquele conclusão absurda.Sem terem opção decidiram aceitar a proposta dos rapazes, confiando que com o tempo elas provariam que não eram culpadas pelo caso.

– Muito bem, vendo que parece que vocês não tem uma idéia mais louca que essa e que nunca vão nos deixar ajudá-los sob condições normais, nós aceitamos essa maluquice. –Disse Gabriela, num tom de desprezo.

– Legal, mas saibam de uma coisa.

No mesmo instante, Daniel mudou a expressão alegre de seu rosto adotando uma um tanto negra com doses fartas de desconfiança e até mesmo ódio. Um tom de apreensão estranho tomou o ar e todos prestaram atenção em Daniel esperando com ansiedade e dúvida as palavras que se seguiriam.

– Eu sinceramente espero que vocês duas não sejam culpadas pelo ocorrido, mas tenham certeza que se vocês estiverem por trás disso e só estão tentando nos ajudar para tentar apagar seus crimes da história tenham certeza que eu e Davi vamos procurar vocês até mesmo no mais baixo inferno e vamos acabar com vocês com toda certeza, isso eu juro em nome dos cadáveres que estão no auditório. Eu odeio assassinos e não é por serem bonitinhas que vão sobreviver se forem culpadas.

No mesmo instante em que essas palavras foram proferidas por Daniel a espinha das duas amigas gelou e por um minuto elas ficaram ali, imóveis, simplesmente congeladas no tempo, assim como uma presa que é cercada pelo predador.

– Mas podem ficar tranqüilas. –Seguiu o loiro- Se vocês não são as culpadas que nós dizemos que podem ser, tenham certeza que não lhes farei mal.

– Bem, deixando esse papo sinistro de lado, o que é que vocês sabem que vocês querem nos falar sobre os dois assassinos mirins? – Perguntou Davi.

– Er... –Ainda meio assustada Adriana foi a primeira a falar. – Minha amiga, apesar de não falar com nenhum deles, morava no mesmo bairro que os dois, e se bem me lembro eu sei em que casa os dois moram.

–Onde fica?

– Em Salvador, na graça, se não me engano.

– Beleza, acho que vamos dar uma passadinha na casa dos nossos ex-amados coleguinhas. –Encerrou Daniel.

Dia 6 de abril de 2013, nublado, Salvador, Graça, 17h13min horas da tarde.

Seguindo imediatamente para o local indicado por Adriana para a ex-casa de um dos cadáveres, Daniel e Davi pegaram um ônibus para a graça e desceram no ponto indicado por Adriana, seguindo as instruções dada pela mesma, eles chegaram a uma casa grande, com dois andares, pela fachada, com grama artificial e com um jardim florido pelas mais diversas flores, era notável que aquela casa que ao menos em seu exterior era completamente revestida por mármore branco, mostrava com clareza a ótima situação econômica dos proprietários do local.

–Caramba, é um belo dum casarão isso aqui. –Daniel estava espantado com o tamanho da casa de seu colega.

–segundo Adriana, aqui é a casa do tal do Augusto, realmente, se aquele moleque não é playboyzinho, eu não sei se existe alguém no mundo que o possa ser. –Davi falava enquanto apertava a campainha.

Ding-dong

A porta se abriu e de lá saiu uma empregada um tanto jovem, o que era de se esperar, já que para se cuidar de uma casa daquela dimensão, eram necessários funcionários jovens e enérgicos. A jovem trajava a já natural veste de empregada, toda prata e branca, ela era uma garota morena de cabelos curtos e tão escuros quanto seus olhos, com sua beleza e gentileza visivelmente herdadas por sua árvore genealógica indígena a jovem empregada tratava com cordialidade os dois rapazes.

–Pois não?-Falou a indígena, num tom calmo e suave.

–Nós viemos à procura dos... –Davi logo foi interrompido por seu humorado amigo loiro.

–À procura de uma beleza tão genuína e rara quanto a sua madame, poderia passar-me o teu facebook e celular? Qual a sua operadora?

– hi,hi.-Sem graça perante a um discurso tão enfeitado quanto o de Daniel, a pobre empregada só conseguia responder com tímidas risadas.

– Agora não, Daniel. Estamos à procura dos pais de Augusto Rodin, o senhor e a senhora Rodin, eles se encontram no momento?

–Sim, sim. Esperem um minuto que já, já eu chamo meus amos.

–Certo, muito obrigado.

Neste momento, a porta se fechou e a jovem foi a procura de seus chefes.

Pam

–Daniel, da próxima vez que você ficar paquerando qualquer rabo de saia que você ver pela frente em quanto estivermos resolvendo um caso eu juro que eu...-Neste mesmo instante a porta se abriu novamente, só que desta vez, em vez da empregada, apareceu a mãe do rapaz que há poucos dias tinha sido morto.

– Me desculpem garotos, esse não é um momento bom pra visitas, se querem ver meu filho, saibam que ainda ontem ele...

–Nós já sabemos. -Disse Daniel. — É exatamente sobre isso que viemos falar, seu filho está morto desde ontem, ele trocou balas com outro amigo em plena sala de aula e desde ontem está na cena do crime para ser analisado por especialistas, pois bem...

–Nós somos esses especialistas. –Interrompeu Daniel. — Somos detetives juvenis e a pouco estivemos na cena do crime analisando o que foi que aconteceu com seu filho, temos visto especial do governo para seguir em frente com esse caso e gostaríamos de fazer algumas perguntas à senhora.

– Ah, que bom saber disso, por favor, entrem que eu vou pedir que Lourdes, a empregada, prepare um café enquanto conversamos, quero saber o que está acontecendo o mais rápido possível.

O interior da casa era igualmente grande e luxuoso quanto o exterior. Enquanto os dois jovens seguiam para a sala de estar, precedida por uma outra sala e um corredor que ficava ao lado do quarto do defunto, Daniel e Davi observavam os detalhes da casa. Era impossível dizer a quantidade de obras de arte únicas que estavam presas na parede, todas com assinaturas de artistas famosos da atualidade, os estilos variavam do moderno ao barroco e as paredes eram todas ornamentadas por uma centena de detalhes e cenas angelicais pintadas a mão por alguns grande artista regional do qual os dois nunca tiveram contato. Mesas de mármore, ventiladores de teto, mesinhas, estantes, armários, poltronas e cadeiras eram apenas alguns dos milhares dos objetos importados, caríssimos e igualmente belos espalhados pelo casarão.Ao se sentarem em volta de uma pequena mesa de vidro, própria para um cafezinho matinal, na sala de estar, os três começaram o diálogo.

–Então, senhora Rodin, poderia nos dizer se a senhora viu alguma mudança aparente no comportamento ou até mesmo no vestuário e no modo de falar do seu filho?-Perguntou Davi.

– Ele mudou muito, meu filho nunca teve uma vida muito saudável, pelo menos não aos padrões da minha época de criança.Ele vivia enfurnado no vídeo-game ou no computador, mas de um mês pra cá, desde que ele começou a ter aulas de sociologia ele mudou e mudou muito.

–O que exatamente mudou no seu filho?-Continuou Daniel, incitando a velha senhora a prosseguir com seu relato.

–Basicamente tudo. Ele, que já não passava pouco tempo no computador, agora passava ainda mais, ele vivia falando coisas como:”a classe burguesa é um mal para a sociedade” ou “luta de classes...”, eu já não lembro ao certo tudo o que ele dizia, mas ele passou a ser um grande adepto da filosofia de Karl Marx desde que o mesmo o foi apresentado nas aulas de sociologia.Segundo ele, Marx era um herói, um exemplo a se seguir, alguém que valia a pena morrer pelos seus ideais.

–Alguém que vale a pena morrer?...Muito estranho.- Pensava Daniel em seu íntimo.

–Ele passava dias e noites inteiras sem falar com a família apenas lendo sobre Marx, e a coisa só foi piorando, quando notei, ele tinha virado um marxista maníaco.

–Entendo...Acho que existe muitas coisas para se analisar, mas tenho que pensar com calma em casa antes de falar qualquer coisa- Calculista, Davi suspeitava de que havia uma forma mais eficiente de saber a verdade por trás do estranho comportamento daquele garoto.

–Então, senhora Rodin, seu filho tinha facebook?

–Sim, até mesmo eu tenho um facebook, mas acho que é muito tarde para adicionar meu filho aos amigos...

–Não é exatamente essa a minha intenção, mas voltando ao assunto, ele tinha um computador, tablet ou notebook do qual só ele usava?

–Sim, ele tem um notebook, por que a pergunta?

–É que receio que logo teremos que ir embora, e para continuar a investigação em casa, eu gostaria de levar o notebook comigo, para poder analisar o grau de envolvimento do seu filho com o marxismo para podermos avaliar se ele realmente estava tão maníaco quanto a senhora afirma. –Disse Davi.

– Vocês até podem levar o notebook se quiserem, mas como farão para mexer nele? Ele só é ligado por meio de uma senha que só meu filho sabia.

–Fique tranqüila senhora Rodin, é para isso que serve meu parceiro. – Ao ouvir essas palavras vindas de seu amigo instantaneamente Daniel sorriu com satisfação.

–Certo, podem pegar o notebook no quarto que está ali do lado, está em cima de uma prateleira de livros.

– Muito obrigado senhora Rodin, seu testemunho será de muita importância na investigação. -Finalizando assim o diálogo, Daniel e Davi seguiram para o quarto de Augusto.

Mais duas horas se passaram e agora, na casa de Davi, ele e Daniel estavam analisando o notebook do seu ex-colega.

– Já conseguiu entrar, Daniel?

– Calma, espera mais um pouquinho aí que eu já consigo, dois minutinhos que eu resolvo isso aqui.

Daniel era um mestre com um teclado de computador em mãos. Com esta máquina digital, ele já conseguiu até mesmo acessar contas bancárias de criminosos para saber qual foi seu último saldo e assim tentar descobrir de onde foi que ele roubou aquela quantia de dinheiro afim de ir ao local para conseguir mais pistas sobre o paradeiro do mesmo.Com tamanha habilidade, conseguir descobrir a senha do notebook de um adolescente qualquer era bico.

–Pronto, consegui. –Avisou o loiro.

– Beleza, agora entra na internet.

–Entrar na internet? Mas você não ia só olhar os arquivos do not que falavam sobre Marx?

–Isso eu falei apenas pra não espantar a mãe dele, o que eu quero mesmo é entrar no facebook daquele moleque.

– Entrar no face?

–Exato, a maioria das pessoas que tem um notebook ou um computador particular não se importam em fechar o facebook antes de desligar o computador, já que é somente elas que usam o mesmo, logo, assim que entrarmos no site do face, vamos estar adentrando a página inicial do face do Augusto. -Concluiu Davi.

– Rá, entendi, você quer ver as conversas dele no face pra saber se tem algo suspeito, certo?

–exato, então, vamos lá.

Eles ficaram por horas olhando as conversas do colega. Em suma, no início, ou seja, nas conversas mais velhas, ele só falava de coisas fúteis como futebol ou jogos de vídeo game. Ao correr do tempo os dois detetives foram analisando as conversas mais recentes, de preferência, as que ele tinha como interlocutor o amigo que também morreu em sala de aula. Já passava da meia noite quando eles acharam o que procuravam: algo estranho e fora do normal, eles só não esperavam que fosse algo tão grave assim.

–Ei, olha só isso Davi, finalmente achamos alguma coisa!

–Deixe-me ver!- Respondeu Davi ao seu amigo.

–Rodrigo Richard disse:

–oi, oi, é amanhã o grande dia, ta preparado?

Visualizada às 10:30 de 20/04/13

–Augusto Rodin disse:

preparadíssimo

Só to estranhando... vc naum falo q naum qria falar disso no face?

Visualizada às 10:32 de 03/04/13

–Rodrigo Richard disse:

Sim, eu falei, mas agora nós podemos conversar a vontade por q amanhã tudo acaba, ninguém poderá nos impedir, Marx estaria orgulhoso se nos visse agora

Visualizada às 10:36 de 03/04/13

–Augusto Rodin disse:

Com toda certeza, amanhã vamos morrer pelos ensinamentos de Marx e vamos levar mais duas da maldita classe burguesa conosco!

Visualizada às 10:40 de 03/04/13

Em direção da morte, os dois amigos já em óbito, mostravam seu sorriso sádico e seu ódio macabro pela sociedade.

Continua...

Notas finais
se você não comentar o bicho papão vai te puxar pelo pé quando fores dormir...