Suspeita

14 14ª Suspeita: Fugir ou morrer


Notas iniciais
Olá, galera, tudo certo? Sei que demorei demais pra postar esse capítulo, esse fim de ano foi apertadíssimo e não tive opção, ou era parar suspeita ou era ter consequência pra lá de indesejáveis. Mas... Enfim, me perdoem (vocês não sabem o drama que eu tô passando, snif T.T), pois vou fazer o possível pra isso não se repetir, ao menos não com tanta frequência. De toda forma estamos aqui com esse 14º capítulo, que promete muita coisa e que está começando a levar essa série ao desfecho de todo esse caso, iai, o que será que vai acontecer? Não esqueçam de comentar. ^^

Dia 3 de junho de 2013, segunda-feira, sol, IFBA, campus Simões Filho, 02h04min da tarde.

Os quatro amigos fugiram.

Órion estava em fúria, ele não conseguia aceitar o fato de seus reféns terem escapado e praguejava tudo e todos com os termos mais baixos que poderia imaginar.

Nesse instante seu informante se aproximou o que não foi uma boa ideia, pois Órion o golpeou com um soco na barriga. O estudante caiu de joelhos enquanto o ruivo o olhava com desprezo.

– Vocês não prestam pra nada mesmo, né? – Ele ajeitava as mechas de seus cabelos cor de fogo e voltou-se aos demais jovens – O QUE ESTÃO ESPERANDO? VÃO ATRÁS DELES, AGORA!!!

Como que num passe de mágica todos saíram correndo do local no mesmo instante e dirigiram-se ao terraço na parte de trás do pavilhão administrativo.

Órion por fim ficara sozinho no auditório administrativo. Ele olhava compenetrado para seu revolver arrependendo-se de não ter matado os detetives quando pôde.

– Droga... Nem faz mais sentido pensar nisso... – Dizia ele – Ainda dá tempo de pegá-los.

Não muito longe dali, Daniel, Davi, Adriana e Gabriela estavam a correr pelo atalho da APA Joanes Ipitanga.

Os quatro jovens corriam a toda se batendo em árvores e por vezes chegando a cair no meio do caminho, mas mesmo depois de tantas pequenas avarias nada os parava, pois mais do que nunca eles sabiam que descansar significaria partir daqui para a outra vida.

A esta altura Davi e Daniel tinham derrubado dois estudantes cada a base de pancadas. Dois foram pegos logo que os detetives desceram do auditório administrativo e a outra dupla foi nocauteada enquanto os perseguiam no atalho.

– Estamos quase chegando... OPA! – Disse Daniel ao desviar-se de uma palmeira – É, essa foi quas... URGH! – Continuou (ou tentou continuar) ao não desviar da outra palmeira.

– Anda logo, cara – Davi, todo suado e machucado devido a corrida desenfreada, puxava seu amigo pela manga da camisa impelindo-o a correr como jamais correu em toda a sua vida – Não podemos vacilar nem um minuto, se não já era. Já estamos quase lá, não quero que nada dê errado.

– Ei, Davi!

– Fala, Adriana.

– Um cara com um barrote de madeira com o dobro do meu tamanho é o que você definiria como “algo errado”? – A loira apontara para um brutamontes que, assim como em sua descrição, possuía uma enorme tora de madeira em mãos e assim como um jogador de beisebol a elevou aos céus esperando que os jovens que ali corriam viessem a ele para serem golpeados.

– DAVI, MANOBRA NÚMERO DOIS! – Gritara Daniel ao amigo assim que percebeu o risco que estava a sua frente.

– CERTO! – Respondeu-o instantaneamente.

Assim que Davi o respondeu Daniel aumentou a velocidade de sua corrida e chegou próximo à bola de músculos com a farda do IFBA que ali estava. O rapaz ficou a certa distância do gigante e quando o mesmo estava prestes a acertá-lo com o barrote ele se jogou no chão ao ponto de que, valendo-se da velocidade que tinha para deslizar por entre as pernas de seu inimigo utilizando as folhas úmidas que estavam no chão, Daniel sem nenhum pingo de pudor atingiu a virilha do ser enorme que acabara de soltar um gemido estridente enquanto ao se contorcer de dor deixou suas costas expostas ao céu que foram prontamente atingidas com uma violenta pancada vinda de Davi com seu taco.

O brutamontes caiu fazendo um enorme barulho.

TUMP!

– É isso aí, cara! – Daniel estendeu a mão direita e Davi tocou nela em sinal de vitória.

– Nossas estratégias sempre dão certo!

Adriana e Gabriela ficaram surpresas com a habilidade de seus amigos para com aquela situação entreolhando-se como quem estava perdido em meio a maior das multidões.

– Nossa, quer dizer que vocês tem até manobras de combate? – Gabriela sorriu e com a mão no quadril aproximou-se dos dois, impressionada.

– Não, na verdade eu falei o “manobra número dois” apenas por que achei legal, Davi sabe que sempre que grito algo assim é por que vou fazer alguma loucura pra chamar a atenção dos caras enquanto ele os pega por trás – Daniel sorria enquanto batia as mãos e em seguida a calça para tirar a terra que ficara presa.

– Sério? – A ruiva revirou os olhos – Por um momento achei que... Ah, esquece, vocês são os mesmo de sempre mesmo...

Daniel riu ao ouvir o comentário de sua amiga e em seguida, juntamente a todos os seus amigos ele se pôs a olhar para frente onde já se podia ver a principal da pitanguinha onde acabava o atalho e começava a área urbana do bairro. Todos sorriam e olhavam para frente com orgulho de si mesmos por terem passado por tudo aquilo e ainda estarem vivos, era uma grande vitória.

– Não tão rápido. – Dizia uma voz escarnecedora ao pé do ouvido de Davi.

Davi só pôde sentir o cano frio do revolver em sua nuca e o riso maléfico daquele que os alcançara, Órion Fernandes.

– Desgraçado... Achei que estivesse na sala de informática olhando aquela foto que colocamos no projetor. O que o fez sair de lá? Queria ir pessoalmente para a sala tomar a maior surra da sua vida? – Davi falava com a pura entonação do ódio.

– Não, não, na verdade eu ia lá pra rir um pouquinho de você se mijando de medo, mas infelizmente os seus colegas de escola retardados não conseguiram perceber que vocês tinham fugido e da sala de vídeo não dava pra dizer se aquilo era uma imagem falsa ou não. Admito que foi uma boa estratégia – O psicopata apertou mais a cabeça de Davi com sua arma – Quanto a maios surra de minha vida... Por que você mesmo não vem aqui me bater? – Ele ria, pois sabia que ninguém poderia fazer nada, a rua que estava a sua frente estava vazia, bastavam alguns passos e tiros que todos estariam mortos e ele sairia dali sem que ninguém percebesse.

– Tá certo! – Daniel disse enquanto golpeava a mão armada de Órion.

A arma foi aos céus e Davi aproveitou a brecha girando em cento e oitenta graus acertando em cheio o estômago do jovem desarmado, ele urrou de dor e se contorceu ainda mais quando Adriana e Gabriela o acertaram chutes conjuntos nas costas.

Daniel abaixou-se e pegou a arma que estava jogada no chão junto a um toco de árvore a uns cinco metros da confusão. Ele levantou-a e a mirou para Órion.

– Bem, o que você tinha mesmo falado sobre ir te bater? – O ruivo olhou para o rapaz que falara com um olhar de desprezo e rancor sem igual, Daniel sorriu ao ver aquela expressão, ele gostava de ver a situação ao qual seu antigo amigo se encontrava agora – Você é muito amador cara, se está com uma arma se pode facilmente vencer a vantagem numérica, mas em hipótese alguma se chega tão perto de seu alvo, pois ele pode desarmá-lo a qualquer hora, basta um vacilo, por isso que somos os melhores no que fazemos, sempre contamos com o elemento surpresa.

– Hu, hu, hu... Elemento surpresa? – Órion ria e começou a se levantar, Davi ameaçou bater de novo, mas hesitou assim que viu a cena horrenda.

Das sombras saíram vários dos estudantes alucinados que queria pegar os detetives mais cedo, todos possuíam um olhar assassino que trazia a alma seus maiores medos. Eles andavam quase se rastejando saindo das trevas como demônios sedentos de sangue humano. Alguns chegaram mais a frente e olhavam para Órion esperando por ordens. Daniel apontava a arma para todos, no entanto eles pareciam ignorar o fato de que ele estava armado.

– Acho que vocês não contavam com essa, certo? – Em seguida Órion deu uma estridente e macabra risada que reverberou por toda a área da APA.

– PRA TRÁS TODO MUNDO! EU VOU ATIRAR! – Apesar de manter a voz firme Daniel já estava andando para trás.

Ao invés de escutarem o aviso do loiro que estava armado os estudantes assassinos olharam todos novamente para Órion e assim que ele fez um sinal de positivo com a cabeça todos começaram a correr na mesma hora a fim de trucidar os quatro amigos.

Sem perder tempo os jovens perseguidos começaram a correr novamente e pularam a cerca de arame farpado que dava para a calçada saindo em disparada para o CIA por meio dela.

Os demais estudantes que os perseguiam tentaram fazer o mesmo, no entanto a maior parte dos que estavam na frente acabou ficando imprensado no arame por conta de que os que vinham atrás deles correndo acabaram por se bater com eles prendendo-os na mesma hora.

Por fim, Órion, indignado, afastou todos os estudantes doidos da frente para ver suas presas, mas quando olhou para frente nada viu, eles já estavam fora de alcance, agora de fato eles haviam fugido.

– Droga... Dessa vez eles mereceram, foram bem espertos... Dessa vez... – O jovem fez sinal para que os alunos se acalmassem e os dispensou ordenando-lhes que voltassem pra escola, quando todos saíram ele sacou o celular do bolso e numa discagem rápida o colocou na orelha, esperou alguns segundos para enfim ser atendido – Sim, sou eu, dessa vez eles fugiram mesmo... Não precisa gritar, vamos com calma, não foi o senhor mesmo que disse pra fazermos isso da forma que queremos?... Então pronto, assim vai ficar bem melhor... Vamos preparar uma festinha pra eles hoje... Vocês têm três horas pra aprontar tudo... Tchau – Com um sorriso desligou o celular e sumiu em meio às árvores.

Dia 3 de junho de 2013, segunda-feira, sol, Salvador, Rio vermelho, casa de Davi, 03h46min da tarde.

Depois de muito discutirem no ônibus sobre para onde iriam agora enfim os amigos decidiram ir à casa de Davi e de lá para a de Daniel, pois os dois precisavam relatar ao pai de Davi (que por sorte era policial) o que aconteceu na escola e de lá passariam para a casa de Daniel para que o mesmo pegasse algumas coisas.

A casa de Davi ficava na subida de uma estreita ladeira toda composta de mosaicos em seu chão. A maior parte das casas era para famílias de porte médio (tanto em quantidade de pessoas quanto em condição financeira). Algumas das casas possuíam um belo jardim em sal frente, mas a maior parte delas prezava sim por um bom carro ou espaço para que as crianças moradoras pudessem brincar.

A casa de Davi era totalmente delimitada por meio de uma cerca branca de madeira, suas paredes eram verdes, mostrando em sua frente logo a garagem e a porta de entrada juntamente a janela que ficava na sacada do primeiro andar onde se encontrava o quarto de Davi. O lado de fora da casa tinha um gramado bem conservado sendo que próximo às paredes da casa tinham algumas flores que eram muito bem cuidadas pela mãe do jovem. Mais ao fundo da casa tinha uma piscina e a casa do cachorro da família, Hulk, um Pastor alemão.

Assim que entraram na casa Daniel e Davi se puseram a correr. Como Daniel já conhecia a casa ele prontamente subia as escadas que ligavam a sala e o primeiro andar da casa rumo ao quarto de seu amigo.

Davi chegou próximo a sua mãe e perguntou sobre seu pai, ela disse que ele não estava presente, pois desde cedo que estava no trabalho. Sem esperar pelo interrogatório sobre a condição horrível de suas roupas Davi saiu correndo para seu quarto a fim de encontrar Daniel lá e terminar de arrumar suas coisas, mas ao correr pela sala percebeu que Adriana e Gabriela ainda estavam na entrada da mesma esperando serem convidadas para entrar. Sem muita cerimônia o rapaz as chamou e continuou a correr pelas escadas.

Assim que chegou no quarto Davi perguntou para Daniel se estava tudo O.K, o amigo, como esperado, o respondeu positivamente, Davi deu um suspiro de alívio e pediu para que o rapaz o esperasse do lado de fora o que ele fez na mesma hora pois estava muito cansado e queria sentar-se um pouco na sala antes de ir pra casa, assim que saiu do quarto Gabriela o acompanhou perguntando sobre o que havia acontecido, no entanto Adriana permaneceu ali olhando para Davi.

A garota estava curiosa, não entendia o por que da pressa e muito menos o que Davi pretendia enchendo a mochila de tranqueiras violentas como o taco de beisebol, uma soqueira e estranhamente... Um revolver.

– Er... Davi... O que você pretende com isso? – Disse a loira encabulada.

– Isso o que?

– Essa loucura toda... Não estamos mais sendo perseguidos, eu sei que as coisas não estão boas, mas parece que você está se preparando pra guerra... Estou com medo...

– Ah – O rapaz parou de analisar a arma por um instante e a deixou sobre a cama próxima a mochila de viagem – Desculpa, não foi minha intenção, mas é que tanto eu quanto Daniel já estamos cheios disso e ao que estamos vendo a polícia local não está dando a mínima pra isso tudo... Precisamos dar um jeito nisso com nossas próprias mãos.

– Mas, o que vocês pretendem fazer?

– Nós? – Davi voltou a pegar a arma com as duas mãos depositando balas na mesma e fechando-a num movimento rápido logo em seguida – Vamos matar o zodíaco.

Continua...

Notas finais
Iai, curtiu? Gostou? Amou de coração? Quer levar pra casa? (brincadeira, isso eu ainda não posso prometer kkkkk), deixem seus comentários, isso faz a série ficar cada vez melhor e se desenvolver com maior rapidez e qualidade. Chuck Norris aprova iniciativas assim. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.