Suspeita
11 11ª Suspeita: Recomeço (parte II)
Notas iniciais
Mais um capítulo saindo quentinho (só que não) kkkkkkk,.
Sinceramente, nesse capítulo eu acho que retornei um pouquinho ao espírito que a série tinha no começo, mas só um pouquinho, até por que as coisas estão tensas demais pra a dupla de detetives. O.O
Espero que gostem do capítulo galera, me diverti bastante escrevendo e tive que fazer um pouquinho de pesquisa pra poder escrevê-lo.
Divirtam-se galera, ao término da leitura não deixem de comentar, ok?
Boa leitura, povo lindo.
Dia 1 de junho de 2013, sábado, sol, aeroporto internacional de Salvador, 08h03min da manhã.
Apesar de o dia ter começado a pouco o aeroporto internacional de Salvador já estava bem movimentado, ainda mais por conta de que era mês de julho onde muitas escolas estariam de recesso junino na Bahia, menos o IFBA, por conta de seus naturais atrasos letivos que acontecem na maior parte dos anos. Eram famílias inteiras voltando pra casa, namorados se reencontrando, amigos indo viajar, o silêncio parecia estar de férias aquela manhã o que não impedia Daniel de estar babando num dos bancos da sala de embarque.
– Ei, dorminhoco – Dizia Davi enquanto ria da situação – Já está na hora de embarcarmos. Logo, logo nosso avião sai.
– Só mais dez minutinhos... – Daniel bocejava.
– Vamos, Dan. Assim você vai perder o avião! – Gabriela estava com a cabeça de Daniel em seu colo, o que deveria ser muito incomodo por conta do rio Amazonas que ele despejava de sua boca, até então ela acariciava a cabeça do amigo, mas parou para que o mesmo pudesse levantar-se.
– Liguem pra nós assim que chegarem – Adriana repreendia enquanto ajudava Davi com algumas malas.
– Ei, assim está até parecendo a minha mãe.
– Como é, Daniel? – A mãe do loiro estava presente com sua saia azul escuro até depois dos joelhos, sua camisa de manga grande magenta, seus salto altos negros e seu natural cabelo loiro, um tanto grisalho pela idade, mas predominantemente dourado. A presença da mesma surpreendeu seu filho com esta fala.
– Ih, a senhora está aí, né? Tinha até me esquecido... Olha, o avião já vai sair, até mais. – E dizendo isso o rapaz correu até o embarque antes que sua mão o trucidasse.
– Até mais pessoal. Prometo que vamos voltar com boas notícias. – Davi seguiu o amigo até o embarque depois de abraçar suas acompanhantes.
– Tchau. – Disseram as três mulheres em uníssono.
Enquanto os dois entravam no embarque e passavam pelo detector de metais, Gabriela estava a pensar o que esta viagem daria ao fim disso tudo, se ela era realmente a chave para acabarem com este infindável ciclo de matanças de sua escola. “Espero que voltem bem... “ assim pensava ela.
O avião partiu.
Dia 1 de junho de 2013, sábado, sol, Rio de Janeiro, aeroporto, 10h51min da manhã.
Pelo fato de ter feito escala no Espírito Santo o avião acabou demorando um pouco mais do que o esperado para chegar ao seu destino. A esta altura do campeonato os rapazes já tinham avisado as suas mães e amigas de que já chegaram à terra carioca e que estavam instalados em um hotel próximo ao centro do estado chamado lady sereia, um local que não era nem extremamente chique nem precário em nenhuma de suas formas de atendimento.
Mais algum tempo se passou e agora as bagagens dos jovens já estavam devidamente desarrumadas com a maior parte de suas coisas nas camas, no entanto, eles já não mais estavam no quarto.
Dia 1 de junho de 2013, sábado, sol, Rio de Janeiro, centro, 15h13min da tarde.
Um prédio enorme de vinte andares com as paredes totalmente feitas de vidro azul escuro, esta era a aparência da sede da see! Corporations e bem a sua frente estava a dupla de detetives prontos para entrar no edifício.
– Muito bem... Qual é o plano, Daniel?
– Bem... Essa parte eu não pensei, mas acho que podemos simplesmente bater na porta e entrar, não acho que vão lançar laser na gente por causa disso.
Davi não gostou da resposta do amigo, apesar de que ele já deveria ter imaginado isso, vindo de Daniel isso é algo comum de acontecer.
Ao entrarem no prédio os jovens depararam-se com uma enorme sala de recepção que sozinha preenchia todo o térreo. O piso do local era todo de vido também, o que dava um toque de luxo sem igual ao estabelecimento.
Assim que entraram, logo eles perceberam um grupo de pessoas, todos jovens de vinte e tantos anos, e notaram pelas mochilas deles que aquilo se tratava de uma excursão dos alunos do curso de publicidade da UFRJ.
Daniel, matreiro como sempre, sorriu para o companheiro que entendeu no mesmo instante e o seguiu para misturarem-se aos estudantes. Os dois ficaram mais ao fundo a fim de não chamarem atenção ou serem vistos pelos possíveis professores que estivessem guiando os alunos na excursão.
Após subirem para o primeiro andar, divididos em duas turmas para que todos coubessem no elevador, os alunos puderam ver um enorme corredor com vários quadros e um tapete vermelho assim que a porta do mesmo abriu-se.
Assim que lá chegaram o professor responsável deu sinal verde para que o guia da excursão começasse seu trabalho.
– Boa tarde, meu nome é Fábio Filho e serei o guia de vocês de hoje – Ele andou alguns passos que foram prontamente seguidos por todos os presentes e parou junto ao primeiro quadro que tinha uma fotografia preto e branco de um homem de bigode de meia idade, na legenda da fotografia estava escrito “John Reymond” – Este aqui é nosso fundador em uma fotografia que data de 1925 quando ele tinha 26 anos, seu nome é John Reymond e foi ele que criou técnicas de publicidade que usamos até hoje para atender nossos clientes .
O guia andou um pouco mais e chegou próximo a outro quadro juntamente aos estudantes. Este quadro mostrava John trabalhando dentro de uma sala de redação de jornal.
– Reymond era um homem simples que trabalhava no The New York Times. Ele escrevia artigos que falavam sobre notícias menores e com pouco tempo passou a escrever todas as matérias que estampavam as capas do jornal. O senhor John nunca gostou muito da forma com que diagramavam e elaboravam as capas da Time e vivia dando ideias para incrementar a mesma. Dizem que apenas com suas novas ideias para deixar as capas mais chamativas a Times passou a vender cinco por cento a mais do que antes. Com a grande depressão de 1929 as coisas se complicavam, mas com sorte o senhor John conseguiu permanecer no emprego e justamente nessa época que ele teve de sustentar o jornal nas costas, pois as capas deveriam ser cada vez mais chamativas ou as vendas despencariam ainda mais de forma que foi justamente nesse tempo que ele aperfeiçoou muito suas habilidades nesse quesito. Em 1940, pouco depois do início da segunda guerra mundial o governo americano começou a investir pesado em propaganda para que os jovens viessem a alistar-se no exército e novamente John Reymond apareceu para fazer os cartazes que estariam presentes nas ruas na intenção de trazerem novos soldados ao país. Segundo pesquisas o crescimento de alistados foi de trinta por cento em relação ao período em que o senhor John ainda não trabalhava com os cartazes, ele simplesmente era uma estrela em se tratando de chamar atenção e publicidade ao ponto de que em 1947 já em seus quarenta e oito anos Reymond enfim abriu a See! Corporations que começou muito simples e pequena, mas cresceu de forma espantosa em questão de pouco tempo. Logo à frente vocês podem ver um dos cartazes que foram elaboradas para a guerra...
O guia seguiu para de junto do cartaz que estava exposto a uns dois metros de distância da fotografia que ele explicara há pouco e foi prontamente seguido pelos estudantes. Ele tinha acabado de fazer outro discurso enorme sobre o cartaz, explicando sobre técnicas, fontes e etc... Davi já estava aproximando-se quando sentiu um puxão na parte de trás da gola de sua camisa e quando virou-se para ver o que era percebeu que era Daniel chamando-o para sair dali.
– Pelo amor de Deus, não aguento mais esse casa falar, vamos sair daqui – O loiro fazia uma expressão de agonia sem igual.
– Sim, você é louco? Se sairmos daqui vão nos notar, vamos aproveitar essa excursão escolar, estamos conseguindo muita informação – Davi tomava cuidado de manter um tom de voz baixo para que ninguém pudesse escutá-lo.
– Mas não são essas as informações que queremos, não vamos pra lugar nenhum aqui, e já vi algo bem mais bacana – Ele apontou para uma sala que estava fechada logo ao lado de elevador, em sua porta estava escrito: “Acesso permitido apenas a pessoas autorizadas!”.
Davi mexia na maçaneta da porta precavendo-se de forma que ninguém percebe-se – Está trancado.
No mesmo instante saiu do elevador um homem trajando todo um uniforme próprio para laboratório: luvas, máscara e jaleco branco. Ele carregava uma maca com algumas caixas pesadas com algum componente desconhecido e pediu ajuda aos dois amigos para abrirem a porta com sua chave e o ajudarem a fazer passar aquela maca enorme pela porta. Daniel não perdeu a oportunidade e em conjunto com seu amigo conseguiu fazer o que lhes foi pedido com muita facilidade. O homem agradeceu e saiu esquecendo-se de trancar a porta.
– Eu já ouvi falar que tem dias que você acorda com toda a sorte do mundo, mas isso aqui já é um absurdo – Davi ria da situação.
– Sorte? Não meu amigo, foi tudo completamente planejado em seu mínimos detalhes, eu já sabia que aquele homem passaria aqui mais cedo ou mais tarde, e ele chegou exatamente na hora que pensei, por isso que eu não estava com pressa. – Daniel falava num tom de superioridade sem igual.
– Completamente planejado? Tá Certo Daniel, você é um gênio – Davi revirava os olhos enquanto ironizava seu companheiro – Vamos logo, se demorarmos muito seremos pegos.
– Certo.
Sem demora os dois adentraram aquele corredor que tanto os chamava atenção.
Eles passaram por várias portas a espera de alguma que pela sua placa de entrada os pudesse guiar no meio daquela situação, tiveram de se esconder entre os corredores duas ou três vezes quando alguns guardas ou funcionários apareciam de repente, ficaram andando por quase cinco minutos até que Davi queixou-se ao amigo.
– Cara, o que diabos você está procurando?
– Algo que possa ajudar – Daniel estava junto a Davi abaixado próximo a entrada de uma encruzilhada de corredores – Você não acha estranho a roupa daquele cara que nós ajudamos antes de entrar aqui? Isso aqui é uma agência de publicidade e ele parecia mais que estava inda para algum tipo de laboratório... Não faz sentido algum.
– E o que você queria achar? Um quartinho escuro com um cientista maluco e o Frankenstein dentro?
– Não, quase isso, mas é um pouco diferente. Vamos, o guarda já passou.
Os dois estavam sempre tomando cuidado para que as câmeras dos corredores não os flagrassem, sempre visando passar pelo seu ponto cego, o que ao menos até ali estava funcionando com perfeição.
Eles passaram por várias portas: setor estratégico, relações internacionais, central de atendimento... Até que acharam um que parecia ser algo interessante.
– “Setor de pesquisa e desenvolvimento estratégico de controle de ideias”, bom nome, muito grande e bem a cara de coisa do mal.
– Sem brincadeira Daniel, vamos entrar, estou sentindo que vamos achar alguma coisa bem relevante aí.
Os dois olharam pelo vidro que ficava a frente da porta da sala, esperaram alguns segundos até perceberem que todos estavam de costas e com um barulho quase que inaudível abriram a porta de leve, de forma que ninguém percebeu. Entraram e fecharam a porta.
A sala estava cheia de computadores e estantes com vários livros e alguns armários cheios de documentos.
Os dois amigos rolaram e já ficaram escondidos atrás de uma das estantes, estavam suando frio, pois podiam ser pegos a qualquer hora.
Davi puxou um livro que falava sobre mente humana e ele naturalmente estranhou, mas nada que fosse tão estranho ao ponto de fazê-lo investigar, no entanto, assim que ele fechou o livro percebeu que Daniel já não estava mais lá. No mesmo instante o rapaz ficou desesperado, se pegassem Daniel o plano iria por água a baixo e eles não conseguiriam informação nenhuma. Já estava quase enlouquecendo quando viu a ponta de um tênis all star que lhe era muito bem conhecido próximo a uma escrivaninha. Sem demora ele olhou ao redor, percebeu que ninguém estava notando-o e rolou para de junto da escrivaninha. Daniel quase gritou de susto ao ver o amigo que prontamente tapou sua boca assim que percebeu o risco de ser descoberto.
– Você é maluco, Daniel? Que merda você tem na cabeça pra sumir assim?
–Miffi fazzfariffi.
– Hã? Ops – Davi tirou a mão da boca do detetive.
– Eca, sua mão ainda está com gosto do doritos que a gente comeu na praia, você ainda não lavou?
– Não, nem tive tempo, ao contrário de você eu não lambo os dedos.
– Sim, deixe meus dedos e minhas manias lá, de toda forma acho que encontrei alguma coisa bem bacana aqui, Davi.
Daniel estava com uma pasta em mãos e abriu para que seu colega pudesse ver o que ele estava contemplando há pouco. Lá estavam vários documentos com pesquisas sobre o cérebro humano e os efeitos que as drogas poderiam gerar nele, era tudo muito detalhado e com referências de vários livros e doutores especializados no assunto.
– Bem, eu acho que isso aqui não é pra fazer propagando de drogas, é?
– Você é um gênio Daniel! Agora as coisas estão começando a fazer sentido.
– Sim, certamente estão – Disse um guarda que olhara para os dois amigos por cima da escrivaninha.
– Ah... Oi – Daniel tentava manter o controle – Somos estudantes que viemos na excursão da UFRJ, mas acabamos nos perdendo, garanto que se nos mostrar a saída não traremos mais prob...
– Digam isso ao meu chefe, vocês vem comigo.
O homem fez um sinal com a mão e mais três guardas apareceram para ajuda-lo. Daniel e Davi nem tiveram chance de reagir.
Durante o percurso eles tentaram fugir duas ou três vezes, no entanto o máximo que conseguiam era algumas belas pancadas nas costas ou na cabeça. Daniel já tinha uns três hematomas, tanto por tentar fugir quanto por ser desbocado.
Por fim eles foram de elevador até o último andar do prédio e entraram na sala da administração, assim que adentraram o recinto puderam ver várias pessoas trabalhando e no final do mesmo estava uma grande mesa totalmente feita em mármore negro, a mesma cor que tingia o enorme monitor do computador que ali estava junto a uma pilha de documentos muito bem organizados logo ao lado do porta canetas.
Atrás da mesa estava sentado um homem alto de cabelos castanhos que iam até próximo aos seus ombros, tinha uma barba bem feita de igual cor e usava um terno totalmente branco acompanhado de uma gravata vermelha.
O homem parecia estar muito ocupado, estava sempre a falar com alguém ou atender a algum telefonema, mas assim que viu os jovens detetives entrarem na sala ele deu um sorriso e parou tudo que estava fazendo, desligou o telefone e dispensou a secretária a quem acabara de dar alguma ordem incompleta.
– Ora, ora, senhor Daniel, como o destino é irônico, nos encontramos novamente – Ele parecia estar divertindo-se com a situação.
– Carl Reymond, seu canalha! O que é que está acontecendo? — Daniel esbravejou.
– Isso eu também gostaria de saber, caro amigo, espero que saiba que esta invasão a minha propriedade lhes custará mais caro do que imagina, meus planos pra vocês dois já estão me deixando ansioso pelo que vem aí...
Continua...
Notas finais
Gostou do capítulo? comente um bocadinho aí em baixo, custa nada não, acreditem, não cai os dedos e você faz uma boa ação que com certeza vai te levar pro céu (ou não kkkkkk).
Ah, não deixem de conferir o blog de suspeita que está com algumas matérias bem bacanas sobre a série, confira aí:
http://brunomouraart.blogspot.com.br/
Comentem! U.U
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