Susana, a gentil traidora.
10 Irmãs Pevensie
Aslan assentiu e antes que ele tivesse tempo de se arrepender ela colocou a mão no saquinho vermelho, que se mantinha amarrado no vestido e tudo desapareceu, ela estava novamente no lago. Aroin dormia, seu semblante era calmo, por alguns segundos ela pensou em como seria cruel se ela levasse Aroin consigo e Aslan nada pudesse fazer por seu povo, mesmo assim, maior crueldade seria priva-la da chance de descobrir se teria ou não tudo que prezava de volta. A dor era a consequência da batalha. Ao acorda-la explicou tudo novamente, assim as duas pularam no lago de mãos dadas.
Aroin ficara descansando enquanto Susana saíra com Lucy e Aslan. As garotas não conseguiam parar de se olhar e dar sorrisinhos. Como Susana sentira falta de cuidar dela e agora ela parecia ser até mesmo mais velha que a gentil. Eles caminharam em silêncio por alguns segundos, não um silêncio incomodo, um silêncio reconfortante.
– Como tudo isso é possível? – Perguntou Susana, finalmente. – Quer dizer, um dia eu os vejo mortos, outro ouço por um velho amigo roedor que eles estão vivos.
– Estamos mortos. – Respondeu Lucy. – E de certa forma, estamos vivos.
– Você não vai desaparecer novamente, vai?
– Eu não posso fazer nada em relação a isso.
– O que você está falando? Isso é um sonho?
O silêncio tomou conta novamente, dessa vez, porém, o silêncio a consumiu tentando mata-la lentamente.
– Você disse que eu consegui, estou aqui, finalmente e não posso pedir para que fiquem?
– Eles ficarão. – Aslan explicou, pois Lucy já não tinha mais condições. – Quem não ficará é você.
Eles ficarão… é você… quem não ficará… é você.
– Querida Susana, você veio até aqui para vencer seus medos. Você conseguiu, mas você não pertence a esse mundo.
– Você está mesmo me falando isso novamente, Aslan?
– Eu sempre soube que apesar de tudo você era a que mais amava Narnia e que por consequência não seria capaz de suportar. A sua volta estava destinada a ser a mais difícil, mas logo você virá de uma vez por todas.
– Como assim?
– Você voltará para o seu mundo, fará amigos, será feliz, morrerá quando seu filho tiver cinco anos como uma heroína e poderá então viver sua grande aventura.
– Esse lugar é uma espécie de céu?
– Esse é o princípio, o lugar dos lugares, o único lugar verdadeiro. Todos os mundos vivendo dentro de um.
–Todos?
– Todos.
– Então, eu voltarei para cá… Mas tudo não terá mudado? Vocês não terão desaparecido quando eu, finalmente, voltar?
– Me arrisco a dizer que sabedoria é a única coisa adquirida com o tempo nesse lugar.
– E o que acontecerá com o meu filho?
– Sinto por lhe dizer que isso é algo que eu poderia falar apenas com ele.
Susana caminhara pelos bosques e vilas de Narnia na companhia da irmã, nada parecia ter mudado. As crianças puxavam o vestido de Susana para receber atenção, os homens e jovens paravam tudo que estavam fazendo para observa-las passar, não pelo fato de serem rainhas, já que todas as eras de rainhas e reis de Narnia estavam reunidos ali era comum vê-los andando pelas ruas como pessoas comuns, mas por terem uma incrível beleza.
Ao chegar ao palácio Susana se deparou com Caspian nas escadas de Cair Paravel, ele parecia relaxado como nunca estivera em vida. Se aquilo era um pós morte, Caspian, ao contrário dela com toda certeza teria encontrado alguém que valesse a pena, construído uma família.
– Eu vou entrar. — Lucy disse apertando a mão de Susana, para só então começar a subir as escadas.
– Faz tanto tempo… Olhe só, é irônico que tenhamos nos encontrado assim, jovens novamente.
– Ou jovens ainda. — Disse se sentando ao lado dele.
– É... – Ele sorriu e ficou a encarando por tanto tempo que Susana achou que ele quisesse rever os séculos que ficou sem poder vê-la naquele momento.
– Parece que a forasteira acordou assustada e arrumou uma pequena confusão. Pedro foi encarregado de cuidar para que ela não causasse nenhum transtorno ou perigo para nós, mas você sabe...
Só então que eles foram perceber que uma pequena multidão começou a se formar no jardim. Susana desceu as escadas as pressas.
– Pare de se bater como uma gazela saltitante, rainha. – Pedro ironizou a ultima palavra aumentando a fúria de Aroin.
– Seu nojento, asqueroso, tarado! Tire essas mãos de mim, reizinho de meia tigela. – Um “Oh!” e todos ficaram em silêncio sem nem mesmo ousar respirar.
Pedro a encarou tão ferozmente que um leão poderia ter ficado com medo, mas ela apenas retribuiu com um olhar entediado.
– É irônico que você fique tão irritado apenas por ouvir a verdade.
– Qual o seu problema?
– Qual o seu problema?! – Aroin aproximou seu rosto do dele, ela era tão alta quanto o rei. – Vamos resolver isso então, como verdadeiros guerreiros, se é que você honra a espada que carrega.
– Não luto com mulheres.
– Não invente desculpas por ter medo de lutar comigo.
Pedro rosnou e fez menção de desembainhar a espada, porém Susana o impediu.
– Isso é ridículo. – Susana disse exasperada.
– Su! Esse troglodita estava tentando me passar a perna dizendo que era Pedro, o Magnífico.
– Aroin… Ele é meu irmão.
– Então, era verdade… – Disse ainda espantada, mas se recompôs rapidamente. – Eu esperava mais.
– Eu te entendo… — Disse Susana rindo.
– Estou começando a me perguntar por que senti tanto sua falta, irmãzinha. – Disse Pedro passando o braço pelo ombro da irmã.
– Bom… vocês podem ir para suas casas. – Disse Edmundo para as pessoas ao nosso redor, que lentamente começaram a se dispersar.
– Esta é a minha casa. – Susana disse a Aroin enquanto ela, Lúcia, Pedro, Edmundo e Caspian caminhavam lentamente de volta ao castelo. – Este é Caspian X, o Navegador e esta é a Destemida.
– Me sinto honrada em conhecê-los. — Aroin cumprimentou Caspian com um meneio de cabeça e se voltou para Lucy, se curvando levemente. – Principalmente você Lúcia, sua irmã falou muito sobre sua coragem.
– Digo o mesmo, Aroin.
– Ah, ai está a forasteira. — Trumpkin apareceu apressado. – O Rei Eustáquio retornou com a Rainha Jill, o Rei Diggory está a caminho junto com a Rainha Polly, os acontecimentos parecem estar reunindo novamente os sete Reis salvadores de Narnia.
– Você está realmente muito charmoso, Trumpkin.
– Você está magnífica, como sempre, Gentil.
– Você se importaria se eu lhe desse um abraço? – Perguntou Susana se ajoelhando, sem esperar por uma resposta passou seu braços pelo pescoço de Trumpkin, que retribuiu o abraço.
– Por que você não podia ter simplesmente vindo logo no início com todo mundo? — Sua voz estava embargada.
– Porque eu era uma tola.
– Disso todos sabemos. — Susana secou suas lágrimas com um sorriso.
Susana correu para o quarto de Lucy e começou a olhar os vestidos que a irmã tinha no guarda roupa, escolheu um de cor salmão muito simples, embora bonito. Lucia entrou no quarto enquanto Susana se arrumava o que a assustou um pouco. Um vestido em um tom amarelo claro estava sobre a cama e uma fitinha no mesmo tom sobre a cabeceira. Lucia se aprontou.
– Sente aqui. – Disse Susana diante da penteadeira.
Lúcia se sentou sem contestar, sentia-se feliz por a ter a irmã mais velha de volta, ela sempre fora como uma mãe, responsável e cuidadosa, muito mais presente que a Sra. Pevensie. Susana começou a trançar o cabelo de Lucy muito delicadamente, por fim amarrou com a fitinha amarela. Lucy segurou suas mãos e se ajoelhou na cadeira, como se fosse criança novamente.
– Sempre admirei sua coragem, Su. Pedro e Edmundo tinham medo que você não fosse conseguir, mas eu sobia que a qualquer momento você iria chegar. Quando eu soube que você tinha acabado no outro lado, eu fiquei desesperada, não sei o que aconteceu ou o que você encontrou, mas alguém tentou te enfeitiçar, graças a poção consegui reverter a situação. Fico feliz que você esteja de volta, mesmo que por pouco tempo, porque isso significa que poderá voltar para cá quando finalmente for a hora.
– Também estou feliz, Lucy.
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