Survivors
1 Prologue

Nova Iorque, Estados Unidos da América
Horário indefinido
Eu me lembro da guerra. Quase devastou nações inteiras só por causa do ódio a um governo em especial. Todos contra nós, americanos. Eles invadiram aos poucos e de repente tomaram as ruas, os céus, os mares. Nossas tropas e exércitos foram destruídos silenciosamente. O caos tornou-se berrante quando cometeram um assassinato ao presidente, explodindo-o com uma espécie de bomba, destrutiva, poderosa e recém-criada; a bomba que deu início à uma nova guerra nuclear.
Não, aquilo não era uma bomba normal. Era algo que eu não sei dizer. Uma fumaça verde e agonizante, radioativa, matava quem entrasse em contato. Dava medo, mesmo vendo pela televisão. Aquilo me fazia odiar o avanço da modernidade e tecnologia.
Iniciaram uma carnificina contra qualquer um que vivesse nos terrenos da Califórnia, Arizona, Nevada e outros demasiados estados. Alguns membros do governo americano receberam ordens para levar todos os civis até Nova Iorque, a cidade livre de ataques por enquanto. A situação mudou de maneira rápida e abrupta. Invadiram Nova Iorque assim que souberam que lá estariam abrigados os demais americanos. Os gritos, o fogo, o desespero. Foi aterrorizante. A Terceira Guerra Mundial viera mais rápido do que eu imaginei. Arranjar aliados não nos favoreceu em muita coisa; apenas fez com que mais países fossem atacados. Acredito que não devíamos levar a culpa pelo que o governo americano fez aos outros países. Mas levamos.
Também me lembro de aviões soltando inúmeras bombas radioativas quando eu estava a caminho de casa com meus pais. Vários cidadãos correndo como formigas prestes a serem pisadas, tentando refugiar-se daquilo em algum lugar seguro. Pouca coisa ia além de simples resquícios quando começaram a nos bombardear. Uma bomba explodiu o carro dos meus pais logo depois que os mesmos me jogaram para fora, para me proteger.
Homens de preto me arrastaram enquanto eu gemia devido a dor que a fumaça da bomba causou. Meus braços e pernas estavam numa situação deplorável, verdes e ornamentados com bolhas ardentes. Os homens estavam mascarados e equipados com utensílios medicinais. Fui carregada para dentro de um carro negro onde o ar-condicionado parecia estar no máximo e carregado de algo que aliviava minha dor, mas mesmo assim, ainda estava assustada e em choque. Me recordo de tentar me debater e então uma picada dolorida agonizou meu braço. Foi quando eu apaguei.
Acordei depois. Confusa, sozinha, desprovida de atualizações sobre qualquer coisa. Estava com os pulsos e tornozelos presos por um elástico preto. Uma camisola azul de hospital era o que eu vestia e um gosto amargo agoniava minha boca. Era uma sala vazia, mas com paredes de vidro. À minha frente, a parede permitia-me ver um corredor escuro onde alguns homens e mulheres de roupa branca me observavam, conversando entre si e fazendo anotações. Ao meu lado, atrás da parede de vidro, um garoto de pele pálida e cabelos ruivos dormia. Em seu braço, tinha o número 2 tatuado. Do outro lado, havia um vidro que apenas me refletia.
Sei que, após ver a tatuagem do garoto, ergui meu tronco o quanto os elásticos negros me permitiam para observar meu braço, e foi quando pude ver que eu também a tinha. Um número pequeno tatuado na cor preta, bem onde devia estar minha marca de nascença.
Quando uma mulher adentrou a sala, bateu o desespero e comecei a gritar. Ela não se incomodou, por sua vez. Fechou a porta e assistiu a cena de uma garota se debatendo como insana na cama. Aproximou-se de mim quando desisti de gritar e me contou o que eu deveria saber de início.
Disse que os resquícios da bomba radioativa me alcançaram quando fui jogada para dentro da casa. Mas aquilo não foi o suficiente para me matar e eu sobrevivi, como consequência por enganar a morte, virei uma aberração. Disse que eu não era a única, mas que todos eles também estavam aqui, escondidos. Alertou que a guerra chegou ao fim, que os estados estavam sendo reconstruídos e que Nova Iorque estava repleto de cidadãos novamente.
Ela me disse que os homens que me salvaram eram membros de uma organização secreta, fundada há poucos dias pelo que restou dos que trabalhavam para o ex-presidente Obama. O atual presidente americano era alguém chamado Howard Stone. O Setor 121, como eram chamados os que nos escondiam, tinha o dever de nos esconder da população e do governo, para o bem dos americanos e para o nosso próprio; para que não fôssemos extintos ou vice-versa, queriam evitar uma nova guerra. A mulher contou que eu, assim como todos os outros, estava lá para ser treinada e aprender a controlar os poderes. Se não me engano, eram mais outras quinze aberrações além de mim. Éramos chamados de Sobreviventes.
Eu era a Um.
Fim da gravação.
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