Survivors

2 Something is wrong


Notas iniciais
Olá! Sei que não tenho muitas leitoras, mas gosto dessa história e vou continuar a escrevê-la assim mesmo! Só para esclarecer como cada personagem se parece: Agatha: http://www.graman.net/blog/images/Lara_Croft_concept.jpg Alec: http://laracroftcosplay.com/images/may2013/characters2013/alex.jpg Jason: http://laracroftcosplay.com/images/may2013/characters2013/jameswhitman.jpg Mandy: http://static.giantbomb.com/uploads/scale_small/17/171291/2441961-21812_563647053659604_1404235364_n.jpg Helen: http://www.hashtaggaming.net/wp-content/uploads/2013/03/reyes-2.jpg Kaleo: http://static.giantbomb.com/uploads/scale_small/17/171291/2441960-58832_564506173573692_665661295_n.jpg Espero que gostem!!

Na manhã seguinte fui catar ervas para o machucado de Mandy e quem sabe achar alguma coisa para comer, porque agora são mais 5 cabeças para alimentar além da minha. Aproveitei que todos estavam dormindo e sai para caçar.

Andei silenciosamente pelas árvores seguindo rastros dos javalis e chegando ao seu bando. Eles estavam um pouco separados uns dos outros, mirei num médio que comia algumas frutas que haviam caído de uma árvore próxima, respirei fundo e soltei a corda, acertando em cheio a cabeça dele, que deu seu último chiado e caiu no chão.

Abaixei minha cabeça, fiz o sinal da cruz e sussurrei:

– Perdoe-me, vá com Deus inocente criatura! – e me ergui novamente indo a sua direção, até que eu percebi um movimento estranho vindo atrás de mim, como se alguém estivesse me seguindo. Peguei rapidamente uma flecha e me virei em um segundo pronta para atirar.

– Ah! Cuidado isso machuca! — o nerd falou se protegendo.

– Alec! Que susto! – abaixei o arco e virei-me em direção ao javali.

– F-foi mal, não queria te assustar... – ele andou atrás de mim – E por acaso, belo tiro.

– Fiz cinco anos de arco e flecha, acho que eles serviram para alguma coisa — respondi seca.

– Que legal! Acha que poderia me ensinar algum dia? – ele falou se aproximando de mim, com certa malicia na voz. Impressão minha ou ele estava flertando comigo?

– Escuta... Eu estou tentando pegar alimento pra todos e não tenho tempo para flertes, são 5 vidas que estão nas minhas mãos, então se você quiser continuar vivo, fique quieto e me ajude com o javali! – eu o ameacei com a pequena faca que guardava em minha bota.

– C-c-cla-claro! – Alec se apreçou e eu revirei os olhos.

Cortei alguns pedaços do javali, os mais proveitosos e deixei o resto para os lobos.

Olhei para Alec que estava meio verde.

– Se você vomitar eu vou fazer você engolir de volta. – eu o ameacei e ele tentou parecer bem. Não deu certo.

– Não sou muito forte quando tem sangue envolvido. – ele assumiu desviando o olhar do javali aberto.

– Sorte sua que eu faço o trabalho sujo, senão você morreria.

Coloquei tudo em duas grandes sacolas de tecido, limpei a faca, dei uma sacola para Alec e voltamos para a casa.

– Nossa que calor! O sol está tão quente! – Alec suava muito.

– Já é meio dia, por isso. – limpei meu próprio suor e ajeitei a sacola em meus ombros.

– Como você sabe?

– Com o tempo você aprende a se virar. Aprendi a contar as horas apenas pelo posicionamento do sol.

– Legal... Queria poder saber isso. – ele falou pensativo e eu revirei os olhos.

O resto do caminho para casa foi silencioso, graças a deus! Nenhuma tentativa de flerte, nenhuma pergunta idiota, nada!

– Onde esteve? – o loiro estava de baixo da árvore.

– Comida para nós. E posso saber o que raios você estava fazendo aqui em baixo? Deve tomar cuidado... Os Islanders são bem, digamos que, violentos e intolerantes com sobreviventes. A não ser que queria se juntar a eles e se tornar um assassino sem alma.

O loiro estremeceu.

Subimos até a casa, onde todos já haviam acordado e estavam espalhados pela pequena sala/cozinha.

– Que bom que acordaram, precisarei de ajuda com a comida, com a madeira e com o fogo. Preciso que alguém coloque essas ervas na perna da Mandy. – coloquei tudo numa mesa perto do fogão a lenha.

– Você acha que pode mandar na gente assim é? Nem ao menos sabemos seu nome! Não confiamos em você! – Helen levantou-se de onde estava. Virei-me lentamente e andei até ela.

– Perdão – comecei ironicamente — Mas estou tentando salvar a vida de vocês, não obriguei ninguém a vir aqui. Estão livres para sair à hora que quiserem, mas não garanto que sobreviverão mais de um dia, dois se tiverem sorte. Agora a partir do momento em que decidiram ficar, e aceitar a minha ajuda, eu que faço as regras daqui, e não vou aceitar nenhum “a” contra minhas imposições, então se está tão decidida que eu não sou confiável, e que consegue manter-se viva sozinha, por favor, pode sair da minha casa, ok? – falei tudo calma, mas as palavras saiam pesadas. Todos ficaram em silêncio me encarando. Helen respirou fundo e voltou a sentar-se onde estava.

– Eu posso ajudar a cozinhar, eu era o cozinheiro do navio! – o grandão falou sorrindo, obviamente tentando quebrar o clima tenso. Olhei-o surpresa e assenti.

– Ótimo, não levo jeito para cozinhar mesmo. – estendi os pedaços do javali para ele. Peguei os tocos de madeira que eu havia cortado ontem e coloquei embaixo da chapa de ferro. Enquanto isso Alec se ofereceu para fazer o fogo e Helen colocou as ervas na perna machucada de Mandy, que deu um leve gritinho.

– Você que construiu tudo isso? – o loiro com jeito superior e enjoado apontou para toda a casa.

– Não, a casa já estava aqui, tudo aqui dentro já estava pronto, só modifiquei alguns apoios que estavam velhos e o teto. Por que a pergunta? – virei-me para ele com as mãos na cintura.

– Por nada, ficaria imensamente surpreso se tivesse feito a casa, mulheres não são fortes o bastante para isso. – fiquei um tempo quieta, absorvendo as palavras que aquele filho de uma mãe havia acabado de pronunciar. Olhei-o furiosamente e o empurrei contra a parede, com meu braço direito enforcando-o.

– Nunca diga que uma mulher não é forte! Jamais! Aguentamos dores que homens se matariam se sentissem, fazemos mil coisas ao mesmo tempo e ainda temos que estar dispostas para aguentar tipos como você! Você não tem o direito de ME chamar de fraca, você não sabe o que eu passei para estar viva! Escalei uma caverna inclinada com a barriga perfurada, o tornozelo torcido e isso sem contar nos cortes profundos pelo corpo.

– Bem se estava machucada, porque escalou uma caverna? – Ele falou sufocado.

– Ou eu escalava, ou morreria soterrada. Explodi aquela caverna como maneira de escapar de ser usada como sacrifício. E você aqui, sendo encurralado por uma mulher. – eu o empurrei para longe de mim.

– Agora você ganhou o meu respeito. – Helen e Mandy me olhavam sorridentes. Dei um meio sorriso e logo voltei a ficar séria.

– Você ainda não disse seu nome. – Alec falou encabulado e digamos que meio impressionado, logo depois de acender o fogo, mudando o rumo da conversa.

– Me chamo Agatha Kaplan. – falei entediada.

– Hey você saiu em todos os jornais! — Mandy falou, já estava com a aparência bem melhor.

– Como? – arregalei os olhos.

– Há três anos, um avião desapareceu do mapa, exatamente no ponto onde nosso navio afundou. Nele estavam: James Harrison, Andrew Kaplan, Crystal Kaplan, Samantha Kaplan, Brian Owen e... Agatha Kaplan. Todos dados como mortos, pois não acharam nenhum vestígio do avião, ou se acharam, não conseguiram comunicar, pois alguns helicópteros e barcos usados na busca também sumiram. – a garota falou calma e cuidadosamente.

Entrei em estado de choque, paralisei completamente, todos os meus músculos pareciam ter virado ferro. Três anos? TRÊS ANOS? Estou presa nessa merda, vendo vítimas chegarem de tempos em tempos, que eu tento ajudar, mas acabam enlouquecendo, ou sendo mortas, ou se tornando seguidores dos Islanders, por três anos? Por que eu ainda tento sobreviver nesse inferno? Por que eu ainda ajudo as vítimas? Por que eu ainda não me matei? Pra que continuar lutando se eu sei que nunca vou sair daqui? Balancei a cabeça e me levantei bruscamente indo em direção da porta.

– Aonde você vai? Já comecei a fazer a comida! – o grandão falou. Passei direto por todos, e antes de sair virei-me para eles.

– Não saiam daqui... – falei perdida – e-e-eu preciso de um tempo sozinha. – virei novamente e desci da casa, começando a andar sem direção pela mata.

Não sei por quanto tempo andei, mas meus pés já estavam chiando dentro dos coturnos militares. Sentei-me em uma pedra e coloquei minhas mãos na cabeça, apoiando meus cotovelos nos joelhos, me permitindo pela primeira vez depois de descobrir que eu estava sozinha, chorar.

Os ventos que antes estavam calmos, agora começavam a aumentar, e cada vez mais, logo se transformando em algo com um tufão. Agarrei-me no que eu pude alcançar e tentei chegar até uma caverna que estava próxima, era onde os lobos normalmente ficavam, mas que hoje parecia vazia.

Corri até lá, não sem antes ser levada pelo vento e atingir uma árvore, rasgando o meu braço direito e me jogando no chão, levantei-me com dificuldade e voltei a correr com dificuldade até lá, tropeçando algumas vezes pelo caminho e me ralando. Quando entrei encontrei todos os lobos encolhidos no final da caverna, cambaleei até lá e me encolhi entre os lobos, que se aconchegaram em mim, acho que eles perceberam que eu estava morrendo de frio.

Demorou um pouco para o vendaval passar, mas assim que o fez saímos todos da caverna e encontramos as árvores um pouco tortas, algumas estavam ao chão e... Minha casa! Os sobreviventes! Meu deus será que aconteceu alguma coisa com eles? Olhei para o lobo alfa.

– Me ajude a encontra-los! – assim que disse ele correu na minha frente farejando o ar. Corri em sua direção, mas logo o perdi de vista, ele era muito mais rápido que eu, então ouvi seu uivo e ele reapareceu.

– Eles estão bem? – perguntei aflita e o lobo apenas me deu as costas. Corri atrás dele, e dessa vez ele parecia estar mais devagar, para eu não perdê-lo de vista.

Quanto mais perto chegávamos, mais destruição se via, encontrava pelo caminho pedaços da casa e animais mortos. Céus, o que foi isso?

– Agatha! – o grandão acenou para mim e eu corri até lá.

– Vocês estão bem? – olhei para todos, impressão minha ou tem alguém faltando?

– Jason e Mandy sumiram! A casa começou a tremer... Tudo desabou! Foi horrível! – Helen estava assustada e andava de um lado para o outro.

– Onde está Alec? – perguntei alarmada.

– Ele estava aqui agora pouco, mas disse que tinha que ir buscar uma coisa e dai você apareceu! – o grandão falou assustado também.

– Mas o quê...?

– Agatha! – Alec desceu da árvore, tinha um grande arranhão na bochecha e um belo hematoma na testa. – Você ta bem! – então ele se aproximou, carregando uma pequena sacola. Seus olhos desceram pelo meu braço ensanguentado. – Bom... Pelo menos você ta viva! – ele sorriu, mas eu não retribuí. Meu braço latejava intensamente, estava ficando difícil de aguentar.

– Vamos nos separar e procurar Jason e Mandy! – Falei ofegante.

– Eu vou com você! – Alec se prontificou.

– Tudo bem sabe pelo menos atirar com uma pistola? – perguntei descrente erguendo uma sobrancelha.

– Claro que sei! – ele ajeitou os óculos desconfortavelmente. Parece que alguém está mentindo.

– Ok... Helen e...

– Kaleo! – o grandão disse.

– Helen e Kaleo, um lobo irá com vocês! Ele é de confiança máxima. Ele é o beta do bando e o alfa irá comigo, se precisar de algo ou estiver em apuros, ele saberá o que fazer. – olhei para o beta.

– Ele não irá nos atacar? – Helen perguntou insegura.

– Não ele não vai. Só não grite com ele ou mande-o fazer coisas. Eles agem como querem, não aceitam ordens a não ser que sejam do alfa.

– Então por que eles sempre fazem o que você pede? – Kaleo se manifestou dessa vez.

– Bom... Digamos que temos uma divida entre si. Eu os ajudo e eles me ajudam. Longa historia, agora vamos nos mexer senão nunca iremos achar aqueles dois. Ah! Mais uma coisa. Se acharem caixas laranja por ai, abram-nas, nelas possuem armas que podem ajuda-los. Tomem cuidado, essa ilha pode deixar vocês loucos, ela sabe o que você mais teme e te alucina o tempo todo.

– Tudo bem. Boa sorte Agatha – Helen falou e virou-se para o lado oposto ao meu e de Alec. Kaleo acenou e a seguiu junto com beta.

– Vamos! Não podemos perder tempo, essa ilha é... Perig... – então meus joelhos cederam e eu fui em direção ao chão, mas Alec me segurou antes que eu atingisse o solo.

– Hey você perdeu muito sangue, precisa descansar e de um curativo. – Alec fez eu me apoiar nele até chegar a uma pedra e sentarmos.

– Não preciso de nada estou bem. Nós temos que acha-los!

– Você é sempre assim?

– Assim como? Grossa e teimosa?

– Eu ia dizer determinada, mas já que você colocou desse jeito, quem sou eu para discordar. – Alec falou brincalhão, dei um leve empurrão em seu ombro e sorri.

– Olha só ela tem dentes! – ele fingiu admiração colocando as mão no próprio rosto e eu rolei os olhos, ainda sorrindo. – E um sorriso lindo. – ele olhou fixamente em meus olhos e uma faísca se acendeu dentro de mim, e eu não gostei dessa sensação. Alec me lembrava de Brian. Fechei a cara novamente.

– Como vou estancar o sangue se os medicamentos nem os curativos não estão aqui? – desviei o olhar dele para meu braço.

– Eu peguei logo depois da casa desabar. – ele se virou, pegou sua mochila e trouxe-a para frente de seu corpo, apoiando-a nos joelhos. De lá ele tirou um pacote onde tinha analgésico, pomada, uma agulha e uma bandagem.

Fiz menção de pegá-las, mas ele afastou minha mão.

– Alec eu sei me virar. Dá isso aqui! – estiquei a mão, mas ele deu um leve tapa na mesma. Olhei-o brava.

– Não! Depois você vai ficar esfregando na minha cara que eu tenho nojo de sangue.

– Mas você TEM nojo de sangue! Quase vomitou hoje de manhã. Agora dá isso aqui!

Ele ergueu a mão com o pacote e eu tentei alcança-la, mas ele ficou de pé, e como ele era bem mais alto que eu, fiquei em desvantagem. Pulei em seu braço, o empurrando sem querer para trás, e Alec acabou tropeçando na pedra, resultando em nós dois no chão, eu em cima dele, os rostos a milímetros de distância.

Olhamo-nos fixamente nos olhos um do outro durante segundos que pareceram uma eternidade. Ele era diferente de Brian. Alec era inocente e tímido, enquanto Brian era malicioso e atirado. Senti suas mãos se fecharem levemente em minha cintura, e isso pareceu me despertar, uma fúria por mim mesma subindo no peito.

Afastei-me rápida e bruscamente dele, ignorando a pontada em meu braço, arranquei o pacote de sua mão, sentei-me novamente na pedra e comecei a limpar o meu machucado e a costura-lo, afinal eu já havia feito muito disso.

Alec demorou um pouco para se levantar, parecia congelado, e quando se ergueu, ajeitou os óculos e se sentou novamente.

– Posso... Pelo menos te ajudar a enfaixar? – ele perguntou sem jeito.

Pensei em negar, afinal quanto mais distancia dele melhor, mas Alec não tinha culpa de se parecer fisicamente com Brian, então apenas assenti e deixei que ele fizesse a bandagem.

Não posso me permitir desfocar da minha meta, que é pelo que eu continuo viva por esses três anos e luto todos os dias para alcançar: tirar Brian das mãos dos Islanders.

Notas finais
Mereço reviews?? Gostaram??
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.