Survivor
12 Capítulo 12
"Você me derruba, mas não vou cair eu sou de titânio. Você me derruba, mas não vou cair eu sou de titânio. Me corte, mas você é quem terá mais para sofrer" Titanium
Meus cabelos foram puxados violentamente, forçando-me a ficar em pé. O homem que parecia ser o líder passou o nariz por meu rosto, seguindo para o meu pescoço.
"Sabe majestade, eu nunca tive a honra de foder uma puta com sangue nobre, vamos tira-la você daqui e quem sabe durante a noite possa aquecer nossos corpos? A fama sobre a sua beleza não mentiu." Falou no meu ouvido, enquanto puxava com mais força meu cabelo.
Tentei lembrar das aulas que meu pai certa vez deu-me quando criança de defesa pessoal. Precisava de alguma maneira escapar. Ele estava muito perto, então fiz a única coisa que podia. Usei toda a minha força e levei meu joelho de encontro a sua virilha.
Pareceu dar certo, porque ele caiu no chão na hora, praguejando em voz alta. Ordenei as minhas pernas a correr. Que chances eu tinha contra homens a cavalo? Nenhuma. Mas precisava ao menos tentar.
"O que vocês estão fazendo parados? Peguem aquela vadia" Ele gritou, e antes que pudesse ir longe braços forte me agarraram. Não, eles não podiam me levar.
"Puta maldita" O homem a quem acertei falou com raiva, ficando em pé enquanto eu era arrastada até ele. O cara loiro tinha descido do cavalo e me segurava em frente ao seu chefe, enquanto os outros três ficaram ao nosso redor.
Fechei meus olhos, esperando o segundo tapa que receberia, ele levantou a mão, mas antes que pudesse terminar seu ato um grande barulho assustou todos nós.
"Mas o que é isso?" Perguntou um deles, olhando para a floresta, de onde vinha o barulho, foi quando aconteceu. Foram tantas coisas ao mesmo tempo que meu cérebro demorou um pouco para processar tudo.
Primeiro milhares de corvos surgiram da floresta, todos vieram em nossa direção, passando direto por nós, fazendo com que todos cobrirem o rosto tentando de alguma forma se proteger. Os homens que estavam nos cavalos perderam o controle dos mesmo, os cavalos ficaram agitados, correndo em círculos e derrubando seus cavalheiros, para saírem correndo livres até sumirem pelo campo.
Aproveitei que estava livre, e olhei envolta tentando de forma rápida encontrar uma maneira de fugir e salvar Brice no processo.
"Pare!" rugiu um dos homens "Pare esse vento maldita bruxa!"
Eu não sabia a que ele estava se referindo, eu estava ocupada demais tentando ver onde estava Brice.
Um deles tentou se aproximar de mim, mas tropeçou, como se tivesse sido empurrado. Água atingindo seu rosto e corpo, machucando seus olhos, o vento aumentou e os mercenários caíram no chão.
Não entendia o que estava acontecendo, até que olhei para baixo e percebi que estava no centro de um furacão. Nuvens de vapor e raios cruzaram o ar ao meu redor. Os gritos dos homens aumentaram e transformaram-se em pânico quando raízes brotavam e começaram a envolver suas pernas, quando ficou claro que eles não iriam conseguir se levantar, com a mesma velocidade que o furacão começou, ele cessou ao meu redor, mas as raízes continuavam a crescer. Olhei aterrorizada para aquilo, quando ouvi o primeiro crac, era o barulho de ossos quebrando, para logo em seguida os gritos, as raízes estavam engrossando e quebrando os seus ossos no processo.
Olhei ao redor desesperada, e foi quando eu vi. Brice estava sentada com as pernas cruzadas, seus rosto estava calmo, mas seus olhos estavam totalmente negros, O branco e o lindo azul de seus olhos sumiram para que um preto tomasse conta de tudo. E foi aí que eu soube.
Brice estava fazendo aquilo. Os homens continuavam a lutar em desespero, mas quanto mais eles lutavam, mais rápido as raízes cresciam. Elas se enroscaram em seus corpos, engrossando e enrijecendo até se transformarem em madeira. Os gritos de desespero ecoavam pelo campo e floresta adentro, mas Brice continuava calma, como se nada daquilo a incomodasse. Arrastei-me até onde ela estava.
"Brice, por favor, Brice. Pare!" Implorei quando vi que os homens de alguma maneira ainda estavam vivos, metade de seus corpos cobertos pelos galhos, e o som de ossos se quebrando continuava. Ela estava torturando-os.
"Brice por favor, chega!" Falei pegando em suas mãos, lágrimas grossas escorrendo pelo meu rosto, mas ela permanecia imóvel. Sentei do seu lado, tampando os ouvidos, não aguentava ouvir os gritos e o barulho dos ossos. Quando o ultimo barulho cessou e o ar foi envolto pelo silêncio, abrir lentamente meus olhos, onde antes existiam cinco homens, tinham apenas grandes raízes, com flores nas mesmas, como se elas estivessem ali a anos.
"Catarina?" Brice falou com receio, como se estivesse com medo de assustar-me. Mas eu estava em choque. Não entendia como tudo aquilo tinha acontecido.
"Como você? Como isso é possível?" Perguntei em meio a um sussurro, será que todas as lendas que ouvi durante a infância de fato eram verdade?
"Você é uma..." Não consegui terminar a frase, meu cérebro ainda estava processando tudo o que aconteceu.
"Bruxa" Ela falou por fim. "Você está bem? Eles te machucaram?" Ela perguntou tentando ver meu rosto, mas encolhi-me de medo, como era possível um ser tão doce como ela ser uma bruxa? Como ela podia ser tão cruel a ponto de torturar aqueles homens dessa maneira?
"Catarina por favor, olhe para mim, ainda sou eu, sua amiga. Brice." Ela falou como um adulto fala com uma criança ao tentar explicar algo. "Olhe nos meus olhos" ela pediu. E quando o fiz, eles não estavam mais pretos, estavam azuis e calmos, como costumavam ser.
"Eles iam lhe sequestrar e depois estuprar você, eu não podia deixar isso acontecer. Olha o que eles fizeram com você." Ela falou me analisando, tocou calmamente o meu rosto com a ponta dos dedos, e senti a magia passar por eles. Uma energia calma, uma pequena felicidade tomou conta do meu corpo, e senti quando a cura passou por seus dedos, não conseguia explicar, mas sabia que ela estava curando meus machucados.
"Bem melhor assim." Ela sussurrou. Permaneci em silêncio, olhando minhas mãos que antes arranhadas pela queda, estavam lisas, como se nada tivesse acontecido.
"Catarina, diga alguma coisa." Ela suplicou. Mas eu não sabia o que dizer. Levantei com calma do chão, passei a mão pela minha roupa da melhor maneira, tentando tirar as folhas e terra, antes de encara-la.
"Você está bem?" perguntei, minha voz não passava de um sussurro. Ela assentiu com a cabeça. Mas ao tentar se levantar acabou cambaleando, Segurei seu braço com força, ajudando-a encontrar o equilíbrio.
"Estou um pouco fraca, usei muito do meu poder. Mas logo ficarei bem" Ela justificou.
Juntei minha capa, e coloquei em meus ombros, colocando em seguida o capuz em minha cabeça. "Eu preciso voltar para o castelo."
"Eu entendo." Ela disse, mas sabia que ela estava magoada por minha atitude, mesmo que seus olhos fossem compreensíveis. Encarei seu rosto, tentando encontrar algo de diferente, mas nada tinha mudado, ainda é sua melhor amiga parada aí, falei para mim mesma, eu só precisava de um tempo. Muitas coisas aconteceram de uma vez, e eu não conseguia pensar direito.
Dei as costa para ela e andei de forma rápida, atravessando o campo e indo em direção ao castelo. Minha mente estava confusa, meu coração batia rápido. Quem eram aqueles homens e quem os tinha mandado?
Brice, eu sabia que devia minha vida a ela, afinal, se não fosse por ela, eles teriam me levado e... não ousei terminar aquele pensamento. Mas como agir quando você descobre que todas as lendas se tornavam realidade? Que sua gentil amiga que trabalhava em um orfanato, dedicando sua vida para ajudar crianças órfãs era capaz de torturar e matar homens? Independente da situação em que estávamos.
"Graças a Deus, onde você estava Majestade?" Delano aproximou-se de mim, estava tão distraída que nem notei quando ele chegou perto. Senti o cansaço tomar conta e soluços romperam de meus lábios, minhas pernas fraquejaram e cai de joelhos no chão. Delano esqueceu as formalidades e me abraçou. "O que aconteceu Catarina?" Ele perguntou ao ver meu estado, "Apenas me leve para o castelo." Falei.
XXX
"Ela não disse uma única palavra desde que vocês a encontraram." Ouvi Lucíola sussurrar, preocupação evidente em sua voz.
"Ainda estou tentando entender como ela saiu do castelo sem que ninguém a visse. A chefe da cozinha informou que ela pediu que preparasse uma cesta. Pelo visto ela foi comer ao ar livre. Mas porque não levou soldados com ela?" Delano falou furioso, mas tentou controlar a voz. Eles pensavam que enfim eu tivesse dormido.
"A questão principal é saber o que aconteceu, não vi nenhum ferimento enquanto ajudava no banho, no entanto, parecia aérea as coisas ao seu redor. Será que isso não é preocupação com a guerra? Ela anda bastante aflita esses dias"
Desliguei minha mente da conversa, eu não podia falar para ninguém o que tinha acontecido, não teria como explicar que escapei de cinco homens que tentaram me sequestrar, não sem envolver Brice e ela seria levada a fogueira por isso. Bruxa.
A palavra ainda rondava a minha mente e não sabia o que faria daqui para frente.

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