Survivor
6 Capítulo 6
Notas iniciais
"Por que você está tão obcecado por mim?... Está claro que você está com raiva de mim. Finalmente encontrou uma garota que não conseguiu impressionar. Mesmo que fosse o último homem na terra, ainda não me conseguiria." Obsessed
Assim que chegou ao salão principal, colocou o melhor sorriso no rosto e foi cumprimentar todas as pessoas ali presente. A grande maioria dos monarcas tinham se retirado no primeiro horário da manhã. Mas os reis do Norte estavam todos ali, e com exceção deles, apenas um rei do Leste permanecia no castelo. O clima de festa continuava no ar, e a mesa já estava sendo posta. Catarina sorriu ao perceber que tudo seguia sem maiores empecilhos. Em questão de minutos as princesas logo a rodearam, estavam curiosas em saber como foi a primeira noite da rainha, fazendo com sua face adquirisse um tom vermelho. Como poderia falar de sua noite com Afonso? Sentia que aquilo era algo intimo demais, algo que não podia ser compartilhado, estava vivendo em uma bolha, e sentia que a menor intromissão que fosse, iria estourar aquela bolha de felicidade e cumplicidade que tinha nascido entre ambos. Então limitou-se a sorrir e desviar o foco da conversa para elogiar as joias e roupas das princesas, o que pareceu funcionar, pois cada uma começou a exibir suas melhores orgulho cada peça que usavam, fazendo questão de dizer o quão cara cada uma era, o que faz Catarina revirar os olhos internamente, como podiam elas, futuras rainhas serem tão supérfluas? Mas manteve o sorriso no rosto, enquanto as outras princesas mesmo que não admitisse, sentiam inveja da nova rainha, pois a mesma conseguia se sobressair as outras mulheres ali sem que exigisse muito esforço ou pesados colares no pescoço.
Os reis e príncipes conversavam mais afastados, provavelmente sobre negócios, enquanto as rainhas estavam sentadas em um canto conversando animadas entre si. Tudo ocorria perfeitamente bem, ao menos era o que ela pensava, já que não tinha notado a infeliz presença do rei da Lastrilha em um canto afastado da sala.
Otávio observava a rainha com lascívia, o vermelho ficava perfeito em contraste com sua pele branca e seus longos cabelos pretos, que estavam trançados. Ela usava uma pequena tiara na cabeça, e um colar em forma de serpente no pescoço. Sorriu desse último item, de fato combinava com ela, afinal, assim como a serpente do Éden, Catarina poderia enfeitiçar qualquer homem que chegasse perto demais. Ela deveria ser a sua mulher, pensou com amargura. Porém era apenas questão de tempo, e ele enfim teria Catarina para si, ganharia Artena e como se isso não fosse suficiente ele destruiria de uma vez Montemor. Teria o prazer de cravar a sua espada em Afonso, e vê-lo agonizar até a morte. Então aí, ele estaria realizado.
Aproveitou quando a jovem se afastou e foi ao seu encontro, cercando-a da mesma forma que um leão cerca sua presa. Chegou mais perto do que a ética permitia, mas não se importava com isso, gostava do olhar assustado dela na noite anterior, fazia com que sentisse ter algum poder sob ela. E foi exatamente o que aconteceu, ela primeiro assustou-se com a presença repentina dele, medo passou por seu corpo, para logo depois ser consumida por raiva ao lembrar da noite anterior.
"Rei Otávio" Falou a rainha entredentes, o que fez o rei sorrir abertamente. Aquela raiva era melhor que o medo pensou por fim, só a tornava mais atraente aos seus olhos.
"Catarina, você consegue ficar cada dia mais bonita" Falou pegando sua mão e depositando um beijo mais demorado do que se era permitido. Quando soltou sua mão fez uma análise mais minuciosa por seu corpo. Oh sim, ele queria aquela mulher para si.
"É realmente uma pena que seu pai não aceitou minha proposta de casamento. Artena poderia ser bem mais forte em uma união com meu reino. E claro, você querida. Você é realmente o que mais me atrai." Falou, sem esconder o desejo que sentia por ela. Catarina se sentia ultrajada, apenas suas boas maneiras a impedia de fazer um escândalo e expulsar aquele homem repugnante de seu castelo.
"Meu pai fez a escolha correta, e como pode ver, sou casada com Afonso agora. E você nunca me terá." Falou mostrando todo o seu desprezo.
"Isso é apenas um ponto de vista minha querida, tem outras maneiras de conquistar o que queremos." Falou dando um passo a frente, fazendo com que Catarina automaticamente desse um passo para trás. Isso era uma ameaça clara, sentiu seu corpo arrepiar-se ao notar o quão sério estava falando. Ele não seria capaz de armar uma guerra seria? Mesmo sendo o protetor do Leste, com os reinos de Umber e Manderly leais a ele, Montemor agora era o reino mais forte de toda a Cália, seria uma estupidez da parte dele.
"Cuidado com as palavras, não se esqueça que sou a rainha de Montemor e meu pai o rei de Artena. Não seria sábio de sua parte fazer ameaças vazias." Falou mostrando uma coragem e autoridade que não sentia ter no momento, mas não daria a ele o gosto de vê-la se intimidar. O clima entre eles tornou-se tenso, mas as pessoas no salão pareciam alheias ao que estava acontecendo.
Otávio pegou o queixo da rainha com um pouco mais de força que o necessário, levantando a cabeça dela para encarar seus olhos, Catarina sentiu seu corpo inteiro enrijecer com o ato. "Minha linda Rainha, não são promessas vazias." Falou entredentes, aproximando seu rosto dos cabelos cheirosos dela. Mas antes que ele pudesse fazer ou falar algo a mais as portas foram abertas e Afonso passou por elas, sendo seguido por seus pais, Augusto e Cecília de Lurton, que conversavam entre si.
Os olhos de Afonso percorreram todo o local em busca de Catarina, e quando viu a cena a sua frente, sentiu o sangue fugir do seu rosto e suas mãos fecharem em punhos.
"Filho da puta, vou matá-lo!" Rosnou ao ver Otávio que ainda segurava o queixo de Catarina. O casal de monarcas ao seu lado olhou na mesma direção que ele.
"Afonso, não esqueça que temos outros reis aqui presente! Eu cuido disso" Augusto falou e tomou a frente, indo resgatar a filha da situação em que se encontrava.
"Otávio" Falou o rei de forma áspera, não gostava nenhum pouco do homem a sua frente, e gostava menos ainda do fato de ter ele cercando Catarina, Otávio sabiamente tinha tirados suas mãos da rainha, mas com uma olhada rápida na filha Augusto percebeu que seu queixo estava vermelho, possivelmente pela força que o outro usou. "Não acha que está perto demais da rainha, que agora é uma mulher casada?" Falou de forma ameaçadora, ele sentia vontade de matá-lo, como ele ousava machucar sua filha? Automaticamente se colocou entre os dois, tirando Catarina da vista de Otávio
Naquele momento todos no local pareceram notar o que estava acontecendo, e um silêncio reinou. "Estava apenas me despedindo majestade, afinal, perto de uma mulher como Catarina, não se pode poupar elogios" Falou sorrindo de forma amigável. "Mas não se preocupe, minha carruagem está a minha espera, se me derem licença." Falou se retirando.
Catarina enfim soltou a respiração e encostou a cabeça nas costa do pai. Para sussurrar um obrigado.
Rei Augusto analisou sua filha, à procura de algo que Otávio pudesse ter feito a mesma, mas fora seu queixo um pouco avermelhado, tudo que encontrou foi medo em seus olhos. "O que ele lhe disse querida? Porque você está tão assustada?"
"Eu..." Catarina não sabia se seria sábio de sua parte contar sobre a ameaça, afinal, isso poderia resultar em uma guerra, milhares de pessoas morreriam. E talvez não passasse de uma ameaça vazia, sabia que Otávio não se arriscaria tanto. Não sem o apoio de outros reinos, coisa que ele não tinha. Ainda.
"Nada meu pai, apenas fazendo elogios ultrajantes." Resolveu falar apenas uma parte da verdade. Seu pai suspirou balançando a cabeça. "Ele nunca se conformou por eu ter negado seu pedido de casamento."
"Vamos apenas esquecer isso por hora papai, ainda temos que dar atenção para os reis que estão aqui. A mesa está posta, vamos nos assentar e dar início a refeição." Ela varreu seus olhos pelo salão procurando por Afonso, mas não o encontrou. Cansada a rainha resolveu começar sem ele, estava com dor de cabeça e não poderia deixar tanta gente esperando. Ela e seus pais estavam ali, e poderia dar-se inicio a refeição sem problemas maiores.
Enquanto isso Otávio se dirigia para fora do castelo, um sorriso vitorioso em seus lábios. Augusto ainda iria se arrepender por ter negado a aliança entre seus reinos, precisava começar a agir logo. Seu sorriso aumentou ao se lembrar da imagem de Catarina, ela parecia uma gata selvagem e ele estava mais do que disposto a lhe domesticar.
Mas antes que pudesse seu cérebro pudesse registrar o que estava acontecendo, seu corpo foi jogado violentamente contra a parede e uma lâmina foi posta em seu pescoço.
"Me dê apenas um motivo para que eu não acabe com sua vida infeliz." Afonso cuspiu as palavras, pressionando mais ainda a lâmina no pescoço de seu adversário que apenas sorriu com escárnio.
"Ora, ora. É apenas você se afastar de Catarina para seu verdadeiro eu aparecer. Até quando aguentará manter essa pose de bom rei para Catarina e seus pais?" Falou sem se preocupar, sabia que Afonso nada faria. Matá-lo alí seria o mesmo que declarar uma guerra. Uma guerra que Afonso ainda não estava pronto.
"Se você se aproximar novamente de Catarina, eu juro que matarei você com minhas próprias mãos Otávio, e ao contrário de você, eu cumpro minhas promessas." Falou para então soltá-lo. Um pequeno filete de sangue escorreu do pescoço do rei, ele apenas passou a mão e sorriu.
"Catarina será sua ruína Afonso, e quando isso acontecer, ela será minha. Juntamente com os reinos que juram lealdade a ela." Antes que Afonso avançasse novamente, Otávio virou de costa e seguiu seu caminho para fora do castelo, um sorriso vitorioso nos lábios.
O rei estava irado, e precisava extravasar toda aquela raiva de alguma maneira, senão acabaria cometendo algo estúpido, seu sangue ainda corria de forma rápida por seu corpo, ele sabia do interesse de Otávio por Catarina, mas ela era sua, e como tal, não deixaria aquele crápula tomar nada que lhe pertencia. Fechou os punhos a lembrar das mãos daquele bastardo em sua esposa, quem o visse naquele momento notaria que cada um de seus poros gritavam perigo para quem ousasse se aproximar. Afonso tentou controlar a respiração, todos os seus atos eram friamente calculados, e não seria agora que mudaria isso. Catarina era apenas mais uma peça em seu jogo, e ao contrário do que Otávio disse, ela não seria sua ruína, ela era a chave para conquistar tudo o que queria.
Seguiu para o lado oposto ao salão onde o almoço estava ocorrendo, apenas uma coisa iria acalmar seus nervos naquele momento, e com um sorriso nos lábios seguiu seu caminho.
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