Survivor
2 Capítulo 2
"Quando você sentir o meu calor olhe nos meus olhos, é onde meus demônios se escondem. Não se aproxime muito, é escuro aqui dentro. É onde meus demônios se escondem." Demons
A festa ocorria da melhor maneira possível, o povo esperava no pátio do palácio em alvoroço, com instrumentos de música e bandeirinhas com os símbolos de ambos os reinos, um polvo negro com o fundo vermelho sangue do reino de Artena, e um leão dourado com o fundo branco do reino de Montemor, eles acreditavam que dias de paz e alegria se seguiriam com essa união. E quando os recém-casados aparecerem, a visão foi extremamente agradável, a nova rainha apesar da pouca idade era extremamente bonita, com seu sorriso doce e sincero, ao lado do rei. Eles acenaram, Catarina foi anunciada como a nova rainha, e assim como dentro do palácio o povo começou a gritar "Deus salve o rei" e logo em seguida "Deus salve a rainha".
Mesmo quando eles voltaram para dentro do castelo a festa do lado de fora continuou, o povo estava em êxtase.
Dentro do castelo, depois do jantar, os melhores vinhos circulavam pelo salão para os nobres ali presentes, Afonso manteve a esposa ao seu lado, a exibindo como um troféu, vez ou outra ele beijava carinhosamente seus cabelos ou sua mão, em uma clara demonstração de afeto. Aos olhos de todos, eles pareciam o casal perfeito. Mesmo sendo conhecido por alguns como um dos reis mais ambicioso e rude da Cália, ele tratava Catarina como se ela fosse um cristal, que pudesse quebrar a qualquer momento, surpreendendo aos mesmos. Em certo momento ambos tiveram que se afastar, Afonso foi conversar com alguns reis, e Catarina com as princesas e rainhas ali presentes.
"Minha querida, você está radiante, parece tão feliz!" A rainha de Trácia falou segurando suas mãos, seu reino era um dos que tinham aliança com Montemor.
Ela sorriu gentilmente olhando para o local em que seu marido estava conversando com seu pai e alguns outros nobres, ele de fato era um homem muito bonito, a tratava extremamente bem, e agora ela era uma rainha. Não tinha do que reclamar. "Sim, com um homem como Afonso, não vejo como não estar feliz" ela disse animada e com alguns risinhos das outras princesas, seguindo assim em uma agradável conversa.
Do outro lado do salão Afonso enfim conseguiu ficar sozinho, bebia um pouco de vinho enquanto observava Catarina, ela sorria amigavelmente e conseguia fazer uma conversa fluir de maneira agradável, isso era algo bom. Ele precisava de novos aliados e como todos pareciam encantados com sua beleza e educação isso poderia facilitar as coisas. Virgílio, seu fiel conselheiro aproximou-se "A princesa de Artena parece bastante feliz", falou despreocupadamente enquanto bebia de sua taça de vinho. "Rainha de Montemor Virgílio, mas no futuro de Artena também" falou saboreando o doce gosto da vitória, esse era apenas o primeiro passo para que ele se tornasse o imperador do Norte, e depois disso de toda a Cália. No entanto tinha que ser cuidadoso, um passo de cada vez. "Você passou metade da festa sem conseguir tirar as mãos da rainha" observou com certa ironia na voz. Sabia que seu rei não amava ninguém além dele mesmo e o poder, mas sabia enganar qualquer um ao seu redor se fosse necessário. "Preciso manter as aparências e você sabe disso, não existe qualquer sentimento de minha parte nesse casamento. Meu único interesse é em Artena, ao menos nisso meus pais me fizeram bom antes de morrerem." Falou com a voz um pouco mais áspera. "Mas a vossa Majestade não pode negar o quão bonita ela é, me arrisco a dizer que ela é a mulher mais bonita que um dia já vi".
Afonso nesse momento tirou os olhos de Catarina para olhar seu conselheiro. Seus olhos estavam de um cinza tempestuoso, brilhando com uma ameaça muda, Virgílio percebeu imediatamente que tinha passado do limite com seu comentário. "Sim, o fato dela ser extremante bela em muito me satisfaz, mas assim como todas as minhas conquistas, ela é MINHA" ele deu uma ênfase maior na palavra minha, ela era sua propriedade, esperou anos por esse momento. "Mas sugiro que controle sua língua e seus olhos sob minha mulher, seria cansativo encontrar outro conselheiro tão bom quanto você" falou em um tom mais baixo, deixando bem clara sua ameaça. Virgílio engoliu em seco, sabia que as pessoas eram apenas como peças de um jogo de xadrez para Afonso, e mesmo que ele fosse leal ao ponto de dar sua vida pelo rei, ele poderia facilmente ser descartado se assim fosse necessário.
"Perdoe-me Majestade, não quis aborrecer."
O rei apenas voltou seu olhar para Catarina, e como um imã atraída por ele, ela olhou em seus olhos, luxúria e desejo percorreram por todo o corpo do rei, e ele sabia que naquele momento a festa para ambos tinha acabado.Como de costume a noite de festejos continuaria para os convidados, mas ele tinha coisas mais interessantes para fazer, e isso envolvia o corpo nu de sua mais nova conquista.
Catarina ao perceber o olhar do marido, deu um doce sorriso se despedindo das mulheres, abraçou sua mãe carinhosamente, enquanto a mesma lhe sussurrava palavras de amor e carinho. Feliz por ver que a filha agora se tornaria mulher. "Eu lhe amo querida, nunca esqueça disso" ela falou por último antes de se despedir. Sentia como se houvessem borboletas em seu estômago, estava tomada pela ansiedade e nervosismo pela noite que teria pela frente, mas antes que chegasse ao seu destino uma mão segurou firme seu braço. Ao virar-se surpresa com a interrupção, encontrou os olhos escuros de Otávio, rei da Lastrilha, um reino poderoso que pertencia ao sul da Cália, ele a olhou dos pés a cabeça como se despisse a mesma, ela automaticamente ficou em alerta. Puxando gentilmente seu braço de seu aperto, sorriu da melhor forma possível.
"Rei Otávio" Falou polidamente, querendo de alguma forma sair de perto daquele homem. "Princesa Catarina, ou devo dizer agora, Rainha Catarina. Vejo que o tempo apenas lhe fez bem majestade", falou isso descendo seu olhar para seus seios que se destacavam por conta de seu corpete embaixo do vestido. Sentia-se ultrajada pelo comentário inapropriado e por seu olhar, avaliando cada pedaço de pele exposto, como se ela fosse um pedaço de carne.Antes que pudesse falar qualquer coisa, sentiu braços fortes agarrando sua cintura, e um corpo másculo grudar ao seu por trás, relaxou imediatamente ao sentir o cheiro de Afonso.
"Atrapalho?" Ele perguntou sarcasticamente, olhando com desprezo para o homem a sua frente. Sabia que Otávio tinha pedido tempos atrás ao rei Augusto que quebrasse o acordo de casamento, dando assim a mão de Catarina a ele, formando uma aliança poderosa entre os reinos, já que ele nunca escondeu seu desejo pelo vale de Laios, e saber que ele nunca teria isso trazia uma grande satisfação.
"Nunca Afonso, apenas elogiando sua linda mulher" falou sorrindo de forma provocativa, Afonso travou o maxilar, olhando-o com desprezo, para logo em seguida sorrir abertamente. "Sim, Catarina é uma bela mulher, mas como você disse, MINHA mulher, e se nos der licença temos coisas mais importantes para fazer no momento. Como consolidar nosso casamento"
Catarina sentia-se no meio de uma disputa de leões, sabia que seus reinos a gerações eram inimigos não declarados, mas felizmente uma guerra nunca chegou a acontecer, e agora com a união de Artena e Montemor, Otávio estava bem mais cauteloso. Mas mesmo em meio a toda essa tensão não pôde impedir que seu rosto ficasse de um vermelho vivo ao ouvir a última frase do marido.
"Vamos querida" falou apertando sua cintura enquanto depositava um beijo em seus cabelos. "Adeus Otávio" Falou, olhando friamente para o homem a sua frente, seus olhos transbordando puro ódio, qualquer outra pessoa iria se intimidar diante desse olhar. Mas Otávio não era qualquer homem. "Até logo Afonso" Falou com um sorriso brincando em seus lábios. "Catarina, é sempre um prazer" Falou antes de se retirar.
Afonso sentia vontade de matar a primeira pessoa que cruzasse seu caminho, tamanho era seu ódio naquele momento. Catarina se virou para olhar em seus olhos e se assustou com o que viu, sua face era a de um homem cruel, seus olhos eram puro ódio. "Afonso" ela falou em um pequeno sussurro, e pela primeira vez naquela noite sentiu medo do homem a sua frente.
Ao perceber seu deslize o rei fechou os olhos e respirou fundo, não deixaria aquele crápula estragar sua noite, uma noite muito prazerosa se dependesse dele. "Me desculpe querida, vamos nos retirar daqui?" falou por fim, retomando a compostura. Não podia deixar que Catarina visse seu verdadeiro eu, caso isso acontecesse sabia que Augusto apesar de ambicioso não pouparia esforços para conseguir a anulação de seu casamento, e não iria abrir mão disso. Não quando ele enfim começaria a mexer suas peças do tabuleiro.
E ele nunca jogava para perder.
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