Survivor
18 Capítulo 18
Notas iniciais
“Eu fujo quando as coisas estão bem, eu nunca entendi como você me olhava de uma maneira que ninguém jamais poderia olhar, e parece que eu parti seu coração. Minha ignorância ganhou mais uma vez, eu não percebi isso desde o início e te machuquei tanto” Sorry
Afonso estava começando a entrar em desespero, já era noite e ainda não sabiam onde Catarina se encontrava, estavam a horas fazendo buscas, quando enfim Delano teve a ideia de procurá-la dentro do labirinto do castelo, lembrando que aquele era o lugar preferido da rainha quando criança, e com a sua ajuda conseguiu chegar ao centro. Ela estava deitada no chão, seu corpo tremia pelo frio, o rosto manchado pelas lágrimas, e mesmo em seu sono ela não parecia em paz.
“Maldição” Ele praguejou, colocando sua capa em seu pequeno corpo e o pegando com extrema facilidade. Ninguém ousava perguntar o que tinha acontecido, mas sabiam que ela tinha brigado com o rei.
Ainda com seu corpo grudando em seu peito, andou com cuidado extremo, temendo acorda-la e um escândalo dar-se início. Sua mente ainda borbulhava com perguntas sem respostas, como ela tinha chegado aquela parte do castelo, justamente quando estava tentando provar para si mesmo que não sentia nada por ela? Falhando miseravelmente, a semanas que Amália não morava mais no castelo de Montemor, ele parou de procura-la quando percebeu que algo faltava quando estava nos braços da ruiva, algo que ele sentia apenas com Catarina. Mas depois de tanto pensar nisso, disse para si mesmo que era coisa de sua cabeça e trouxe a mulher para Artena. E apenas uma pessoa sabia que ele estava ali com ela. Rodolfo.
Depois iria se resolver isso com seu irmão, mas no momento sua prioridade era o frágil corpo em seus braços, chegou em seus aposentos e a colocou delicadamente na cama do casal. Desfez as tiras de suas sandálias, depois retirou com cuidado suas joias e soltou seu cabelo, tentando dar algum conforto a ela. No entanto não sabia o que iria fazer depois disso.
Você a ama e insiste em fechar os olhos para isso, até que será tarde demais e a terá perdido. Ele balançou a cabeça com força, ele nunca a perderia, ela era dele pensou de forma feroz, apenas o pensamento de perde-la fazia com que sentisse uma dor em seu peito. Sabia que o quê sentia por ela nunca sentira por nenhuma outra mulher, mas seria aquilo amor?
Não, ele não amava ninguém, mas então porque o pensamento de perde-la doía tanto? Uma pequena batida na porta o fez desviar os olhos do corpo de Catarina. Rodolfo entrou calmamente no quarto trazendo uma jarra e um copo.
“Acredito que você irá precisar” Ele falou depositando a jarra com vinho na mesa ao seu lado e a taça. Parando um minuto ao lado da cama analisando a rainha.
Até que Afonso deu-se conta que seu irmão era o único responsável por toda a confusão que tinha se instalado.
“Você!” Falou, ficando cara a cara com seu irmão, sua vontade era de estrangula-lo com suas próprias mãos, mas Rodolfo não deu nenhum passo atrás, sustentou o olhar firme de seu irmão, ele também era um Monferrato afinal.
“Eu?” Falou com ironia, encarando o irmão com a mesma fúria.
“Você é o único culpado por tudo isso! E se algo tivesse acontecido a ela?” Afonso falou, e novamente, apenas o pensamento de Catarina ferida movia um turbilhão de sentimentos.
“Você era o único fodendo outra mulher enquanto a esposa ainda está de luto pela morte dos pais!” Falou de forma acusatória.
“Você não pode aparecer aqui depois de anos, e achar que tem o direito de me julgar Rodolfo.”
“Será que você não consegue entender? Como pode ser tão cego!” Ele falou exasperado, a única coisa que queria era que seu irmão tivesse a mesma coisa que ele. Amor.
“Você não sabe o que está falando Rodolfo. Eu não a amo.” Mas dessa vez sua voz falhou no final da frase ao olhar o corpo de Catarina na cama.
“Você precisa superar a morte de nossos pais.” Seu irmão falou com compaixão, sabia que Afonso tinha mudado desde aquela época, mas não tinha imaginado que chegaria a esse ponto.
“Eles nos abandonaram Rodolfo. Amor só serve para isso, para nos fazer sofrer, e eu não passarei por isso novamente.” Enfim falou tudo o que estava preso dentro de si durante todos aqueles anos.
“Eles não nos abandonaram, eles morreram por causa da peste.” Rodolfo falou entre lágrimas. “E agora vai acontecer de novo, você perdeu nossos pais e por ser tão cabeça dura vai perder a mulher da sua vida!” Falou calmamente. Afonso deixou as palavras penetrarem em sua mente, sua cabeça doía, muitas coisas aconteceram em um curto espaço de tempo, a algumas horas atrás ela o estava abraçando sorrindo daquela maneira que parecia iluminar seu dia e agora ela provavelmente o odiava.
“Ela não me ama.” Sussurrou, usando seu último argumento.
“Você está mais cego do que eu podia imaginar, essa mulher te ama Afonso, ela pode nunca ter dito isso, mas é cristalino como água o amor dela por você, assim como o seu amor por ela.” Falou por fim, tocando no braço do irmão.
“Eu estraguei tudo.” Afonso falou derrotado, não tinha mais como negar aquele sentimento, aquela pequena feiticeira o tinha conquistado desde a primeira noite. Ele apenas foi estupido em não aceitar isso. “Ela nunca me perdoará.” Ele falou olhando angustiado para o irmão.
Ele, Afonso de Monferrato, Protetor do norte e do Leste. Nunca se sentiu tão impotente como se sentia agora.
“Dê tempo ao tempo, apenas não deixe que ela escape de suas mãos, eu realmente gostei dela como minha cunhada.” Afonso olhou para irmão e fechou os olhos, seu irmão não entendia, em sua busca por poder tinha feito tantas coisas. Catarina nunca o perdoaria.
“Você não entende Rodolfo, eu fiz muitas coisas.” Afonso falou, ao se lembrar dos pais de Catarina.
“Eu sei que você dará um jeito. Sempre dá.” E puxou o irmão para um abraço, a ultima vez que os irmãos tinham se abraçado foi no velório de seus pais, quando ambos ainda eram crianças.
“Eu te amo irmão, apenas quero o melhor para você e estarei aqui sempre que precisar” Rodolfo falou com a voz embargada.
“Eu... Você sabe. Eu também te amo irmão.” Afonso sussurrou por fim, abraçando mais forte o irmão. Ele nunca tinha dito aquelas palavras e a emoção do momento apenas fez com que os irmãos deixassem que mais lágrimas escapassem.
Até que ouviram um gemido angustiado na cama. Catarina.
“Boa sorte irmão.” Rodolfo desejou se afastando para enfim sair do quarto, deixando para trás dois corações quebrados. Só orava para que eles conseguissem juntar os cacos e enfim serem um casal de verdade.
XXX
Ao raiar do dia Catarina abriu lentamente seus olhos, por um tempo ficou confusa, mas os fleches do dia anterior a atingiram como facas em seu coração. Ela lembrava-se de ter dormido dentro do labirinto, então o que fazia no quarto?
Afonso
Levantou-se rápido demais da cama, e sentiu quando uma tontura tomou conta de seu corpo, sua vista escureceu e tentou agarrar-se em algo para impedir que seu corpo fosse de encontro ao chão. Mas antes disso braços forte circularam sua cintura. Sentiu os pelos de seu corpo arrepiar tendo ele tão próximo e se recriminou por ainda o desejar após tudo o que aconteceu.
“Você está bem meu amor?” Afonso falou próximo ao seu ouvido, podia ouvir a preocupação em sua voz, mas pouco se importava com isso no momento. Amor, ele nunca tinha a chamado assim antes, e ao processar as palavras seu coração bateu mais rápido em seu peito. Maldito corpo traidor.
“Tire suas mãos imundas de mim.” Ela falou de olhos fechados, quando lágrimas começaram a derramar por seu rosto, mas ela não estava chorando de tristeza, estava chorando de raiva. Raiva por ele ter traído sua confiança, raiva por ele deita-se com ela quando tinha outra mulher em sua cama. Raiva daquela plebeia ruiva dos infernos, raiva por está chorando na sua frente, mas o pior de tudo, raiva por ainda ama-lo com todas as suas forças.
“Catarina por favor.” Ele falou com calma.
“Por favor? Por favor Afonso?” Ela perguntou virando o corpo, percebeu que seus cabelos estavam bagunçados, olheiras profundas em seus olhos e um cheiro forte de vinho. Ele possivelmente tinha passado a noite toda acordado. Mas isso não diminuía sua raiva.
Um estalo ecoou pelo quarto. Catarina se surpreendeu quando percebeu que ela tinha feito isso, sua mão ardia do tapa que tinha acertado o rosto do marido. Ele passou a mão pelo local e seus olhos brilharam em perigo. No entanto, ela não se assustou, o tapa tinha de alguma forma revigorado seu coração, ela queria descontar toda a sua raiva nele, bater até que suas forças acabassem, faze-lo sentir nem que fosse um pouco da dor que ele causou nela. E com esse pensamento levantou a mão para acertar o outro lado do rosto do homem a sua frente.
Afonso prevendo que ela faria aquilo novamente, segurou sua mão no ar. “Não ouse repetir isso.” Falou aproximando seus corpos.
“Porque? Eu deveria teme-lo?” Ela perguntou, lembrando a maneira rude com que Afonso tratou a ruiva no dia anterior. Seus olhos ainda brilhavam com raiva, nenhuma homem ou mulher tinha ousado bater em sua face. Ele encarou os olhos corajosos a sua frente, aqueles olhos escuros por quem se apaixonou.
“Não, você não precisar me temer, e é a única em toda a Cália que pode dizer isso.” Falou ferozmente aproximando mais ainda seus corpos. Sentiu quando seu doce cheiro invadiu suas narinas, sentiu quando a atmosfera mudou entre eles, seus corpos estavam colados, a respiração acelerada dela batia em seu rosto, ele pressionou mais ainda seus corpos e pegando ambas as mãos da rainha, colocou em cima de sua cabeça, apoiando na parede, e sem poder esperar mais atacou aquela boca vermelha. Catarina resistiu por um tempo, tentando soltar suas mãos, mas quando a língua de Afonso invadiu sua boca todas as suas barreiras caíram, ela pressionou seu corpo ao dele como se sua vida dependesse disso. Quando o ar se fez necessário eles se afastaram.
A rainha não acreditava que tinha correspondido ao beijo, fechou os olhos e reviveu a cena dele com Amália, lembrando seu coração e corpo o motivo de toda sua raiva. Ela balançou a cabeça, tentando clarear a mente. Ele não poderia achar que depois de ontem ele chegaria aqui e seria apenas beija-la que tudo estaria bem.
“Saia do meu quarto” Ela falou de forma firme, encarando seus olhos.
“Seu quarto?” Ele falou com ironia, soltando seus punhos. “Esse quarto é nosso Catarina, e você não me expulsar daqui.” Falou firme.
“Esse castelo é meu Afonso, eu sou a rainha de Artena, herdeira legítima dessas terras. Em Montemor você pode mandar, mas não aqui.” Falou ainda encarando seus olhos, ela não o deixaria intimida-la, não dessa vez.
“Caso você tenha esquecido, se você é a rainha, eu sou o rei.” Ele falou, sem esconder a fúria dessa vez, seu tom de voz elevando.
“A quem você acha que os guardas de ARTENA vão obedecer? Você pode ter Montemor e Alfambres sob seu domínio, juntamente com a lealdade de Trácia. Mas não esqueça que de eu sou a rainha de Artena, e os reinos de Arryn, Swyty e Ninho da águia juraram lealdade a MIM e não a você, ah quase me esqueci, estou na linha de sucessão do reino do meu tio, o reino de Arryn. Pare e pense querido marido, quem de nós dois tem mais poder? Então sugiro que você saia imediatamente do meu quarto.” Afonso sorriu com aquilo, nunca imaginou que a doce mulher com quem se casou poderia se tornar tão destemida, ela de fato era uma mulher digna para estar ao seu lado.
“Você não deseja uma guerra Catarina.” O rei disse com uma falsa calma, dando um passo a frente, poder emanando de cada poro seu. “Milhares de pessoas morreriam, e por que? Por um mero capricho seu?”
“Mero capricho meu?” Ela falou exasperada. “Eu o odeio.’” Disse por fim.
Afonso pressionou o corpo da rainha contra a parede novamente e antes que ela pudesse falar algo ele tampou sua boca. “Você me deseja Catarina, da mesma forma que eu a desejo, você pode dizer o contrário, mas seu corpo não mente.” Ele disse enquanto descia beijos pelo pescoço dela. “E se pensa que vai se livrar de mim está muito enganada, minha doce rainha. Todos esses reinos que falou pertencem a mim também, afinal somos casados querida, e continuaremos sendo quer você queira ou não.” Falou em seu ouvido, soltando por fim uma Catarina ofegante por conta dos beijos. Afonso nada mais disse e retirou-se do quarto como se nada tivesse acontecido.
“MALDITO!” Gritou jogando a jarra que outrora estava cheia de vinho contra a porta. Ela sabia que não iria criar uma guerra entre seus reinos. Separar-se de Afonso era dividir mais ainda a Cália, sem contar a ameaça iminente que era Otávio no momento. Gritou contra o travesseiro frustrada. Ela até poderia continuar casada com ele, mas não iria facilitar em nada sua vida.
Afinal, a peça mais importante do xadrez poderia ser o rei, mas a peça mais poderosa era a rainha.
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