Survivor

32 Bônus final


Afonso estava furioso, como eles ousavam um ataque daqueles?

“Eu sei que é pedir muito irmão, mas estou cercado. Meus homens não conseguirão proteger nossas fronteiras por muito tempo.” Rodolfo falou cansado, estava sob ataque de inimigos que queria a coroa de sua esposa e seu reino.

“Não se preocupe com isso, ao raiar do sol estarei mandando oito comitivas para seu reino, eles realmente não conhecem a casa Monferrato. Senão nunca ousariam fazer isso.” Afonso retrucou, depois de anos de paz, quem enfrentava uma guerra era seu irmão.

“Isso será o suficiente para conter a invasão e proteger as fronteiras.” Seu irmão falou aliviado.

As portas da sala de reuniões foi aberta e por ela passou Lucrécia e Catarina.

“Quando as comitivas irão partir?” Catarina falou firme, andando até o marido. Ela estava linda, com aquele vestido vermelho, que deixava saliente sua pequena barriga de quatro meses.

Rodolfo olhou para sua esposa, que provavelmente devia ter contado o motivo da visita deles, e pelos olhos de Catarina, ela estava com tanta raiva ou mais que eles.

“Eles sabem que vocês têm a Cália como aliada de Alcaluz. São estúpidos demais para fazerem isso. Como se fossemos ficar de braços cruzados.” Ela falou ainda revoltada.

“Você sabe que deve evitar estresse e ao raiar do dia as comitivas estarão a caminho, já resolvemos isso.” Afonso falou beijando sua testa, sua mão indo carinhosamente até sua barriga.

“Aposto que eles devem ser iguais dois coelhos.” Lucrécia sussurrou para o marido, ou ao menos acha que sussurrou, já que todos na sala ouviram. O clima de tensão se dissolveu e Catarina não pôde evitar que suas bochechas ficassem vermelhas pelo comentário da cunhada.

“Lucrécia!” Rodolfo a repreendeu, mas ela apenas riu.

“É o quinto filho deles, eles não devem fazer outra que...”

“Chega, acho que está na hora da ceia.” O mais novo dos Monferratos cortou gentilmente a esposa, tentando mudar de assunto.

“Lucrécia, vocês têm seis filhos. Um a mais que nós.” Catarina lembrou rindo. Sua cunhada parou pensativa por alguns minutos. “Talvez a culpa seja deles e não nossa.” Disse pegando no braço do esposo e se dirigindo a sala de refeições.

Afonso segurou a risada, se tinha uma coisa que aprendeu em todos esses anos era que sua cunhada tinha um espirito leve e solto como o de uma criança nas horas informais, mas ela era uma rainha sensata e justa para com o seu reino.

Seu olhar foi para sua esposa, “Então quer dizer que a culpa é minha?” Perguntou passando as mãos pelas laterais do corpo da mulher, fazendo um arrepio correr pela mesma.

“Sim meu amor, a culpa é toda sua. Mas agora temos uma multidão para alimentar. Brice estará com sua família aqui.” Falou beijando os lábios do marido.

“Que Deus nos salve, todas aquelas crianças e adolescentes no mesmo lugar.” Afonso falou passando a mão por sua testa, conduzindo sua esposa para a saída.

“Deus salve todos de Mary. Ela é você de saia. É a terceira tutora que tivemos que contratar essa semana.” Resmungou Catarina, lembrando de sua filha mais velha de 14 anos, gêmea de Pietro, ela nasceu apenas alguns minutos depois de seu irmão, mas as vezes esquecia disso e agia como se ela fosse a herdeira e não seu irmão. Querendo mandar e conduzir cada detalhe de tudo.

“E Pietro tem toda a sua Teimosia. Pelo menos é um bom estrategista.” Afonso falou.

“Isso ele também puxou de mim querido.” Catarina falou, entrando na sala de refeições, todos já estavam ali, e parecia que tinha cinquenta pessoas ao invés de três famílias.

“Posso colocar todos para dormir?” Brice perguntou rindo quando cumprimentou sua amiga com um abraço.

“Infelizmente não, são nossos filhos. E já passou da idade que podíamos fazer isso nos jantares sem que eles percebessem” Afonso falou, dando um pequeno abraço nela e acenando para seu conselheiro, que estava com a sua filha mais nova, a pequena Sophia de quatro anos no colo.

“Talvez titia, a senhora pudesse fazer isso com Pietro, afinal estamos em guerra, ele deveria me ajudar a montar uma estratégia infalível, já que é a única coisa que ele sabe melhor do que eu, no entanto a única coisa que ele pensa é em tentar cortejar a sua filha. As comitivas serão enviadas ao nascer do sol né papai? Não podemos ficar de braços cruzados, seria um sinal de fraqueza sem contar que é o reino da tia Lucrécia e do Tio Rodolfo” Mary chegou e despejou de uma vez todas as informações.

“Pietro está dando em cima da minha filha?” Virgílio perguntou rapidamente e levantou-se com Sophia, indo buscar sua filha mais velha.

“Primeiro: não estamos em guerra. Segundo: As comitivas já estão sendo montadas e de manhã partirão. É claro que vamos ajudar Alcaluz. Que tipo de imperadores seriamos se não ajudássemos nossos aliados?” Afonso falou para sua filha, mas não conseguia esconder o orgulho em sua voz por ela demonstrar interesse nisso.

Catarina sorriu, e se sentou em seu lugar na mesa.

“Mamãe, mamãe.” Ouviu a voz de pequeno Henrique chamar. Ela o pegou no momento exato que ele se jogou em seus braços. Ele tinha os cabelos escuros grudados na testa, e um lindo sorriso banguela em sua direção.

“Meu amor, você vai precisar de outro banho, olha como você está.” Repreendeu gentilmente seu filho de seis anos, que estava todo suado.

“Majestade.” Lucíola falou se aproximando e fazendo uma pequena reverência. “A princesa Alice já está dormindo. Quer que eu leve esse pequeno príncipe para tomar banho e dormir?” Disse sorrindo para o pequeno menino.

“Você sabe que esse não é seu trabalho, temos babá para isso Lucíola.” Falou para sua amiga e governanta.

“Vossa majestade sabe que eu faço questão, cuidei dos gêmeos e agora cuido desse menino com o mesmo amor.” Falou pegando Henrique no colo. “Ele já jantou, então precisa apenas de um banho e ir dormir. Correto?” Ela perguntou sorrindo para o menino.

“Sim senhora. Boa noite mamãe.” Ele falou educadamente, e Catarina se levantou para beijar a testa de seu filho e agradecer Lucíola.

Catarina ainda conseguiu ouvir seu filho falando enquanto eles se afastavam. “Tia, a senhora pode contar uma história para eu dormir?”

O que a fez sorrir, ao contrário dos outros filhos, Henrique era o mais comportado e obediente e agradecia aos céus por isso. Sentou-se novamente em seu lugar e olhou ao redor, ela gostava do barulho das conversas, de ter a casa e a mesa cheia. De ter seus amigos perto. A vida não poderia ser melhor.

Notas finais
Foi uma longa jornada não é mesmo? Cheio de altos e baixos, mas no final? Valeu a pena cada linha, pois final melhor não poderia ter para mim. Amo esse casal, amo a personalidade de cada um deles, enfim. Tenho tanto a agradecer, aos leitores que estão aqui desde o início dessa jornada, aos que chegaram no decorrer dela e deixaram seu comentário ou sua recomendação. Muito obrigada. Como dizer adeus??? Não consigo. Apenas um até logo, afinal, nada realmente acaba correto? Até Little Candies
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!