Survivor

2 Perseguição


TEMPOS DEPOIS.

Um estrondo ecoou pela floresta me fazendo levantar em um susto, meu irmão estava de pé com uma pistola na mão e olhando ao redor, peguei minha aljava e passei pelo ombro, assim como meu arco, prendendo ao meu corpo, meu calibre 38 estava preso no coldre, tateei o chão procurando pela minha foice. É, eu estava equipada pra caramba.

– O que está acontecendo aqui?

– Eu não sei, tudo estava silencioso, quando comecei a ouvir tiros, e isso provavelmente foi um canhão.

– Vamos verificar o que é.

– Você está louca? – Julian indagou espantado e logo continuou. – Não fugimos de walkers pra ser mortos por sobreviventes.

– E se eles estiverem lutando por suprimentos? Podemos pegar de fininho enquanto eles se matam.

– Eles não são idiotas, deve ter alguém vigiando.

– Matamos ele.

– Não deve ser só um, Ramona. – Julian falou com as sobrancelhas arqueadas. – Vamos ficar aqui.

– Podemos ajudar.

– Como saberemos qual é o lado certo?

– Intuição. – Eu olhei para meu irmão esperançosa, eu estava cansada de viver “sozinha”, a única companhia que eu tinha era meu irmão e minha cunhada, Phoebe, essa vadia só estava viva por sorte, quando chegamos na casa dela no dia do apocalipse, meu irmão a salvou, minha família, por parte de pai estava toda morta, a família da minha mãe eu não encontrei, então estamos em uma floresta, comendo animais a vasculhando mercados, parecendo selvagens. Ele suspirou e passou a mão no rosto e murmurou. – Tudo bem.

Cutuquei Phoebe com a ponta da minha bota, era meu quinto sapato desde que o apocalipse começara, era minha terceira calça e minha segunda blusa, mas meu xadrez de manga comprida eu não tirava por nada. Continuei cutucando o braço dela, eu estava quase a chutando até que meu irmão me interrompeu e a chamou, ela acordou levantando manhosamente, eu sentia nojo só de ouvir esse grunhido, eu sentia repulsa quando via ela e meu irmão juntos. Eu tentei captar o som dos tiros, e desfazemos o acampamento e fomos em direção ao barulho do tiroteio. No caminho meu irmão matou três walkers e despiu eles, fiquei o encarando, abismada com a situação.

– Imagina a quantidade de walkers atraídos pelo barulho, temos que disfarçar. – Assim que ele disse, peguei a roupa e coloquei sobre a minha, ele havia furado cada walker no estomago pro sangue espalhar pela blusa e disfarçar mais.

Encontramos alguns walkers no caminho, primeiro teste, e havia funcionado, eles não haviam notado a gente, chegando ao local, nos camuflamos atrás de árvores, ao olhar o que estava acontecendo, minha boca abriu em surpresa e escapou um “meu Deus” em sussurro. Eu podia descrever a cena que estava passando em minha frente como devastação, era tiros de armas e de tanque de guerra para todo lado, o local era uma prisão, algumas partes dela estavam em ruínas ou estavam pegando fogo, eu, meu irmão e Phoebe nos olhamos, todos estavam com uma expressão clara: assustados.

– Não olhe para trás, Carl. – Eu ouvi uma voz masculina falar e me escondi de volta atrás da árvore, tentando fazer menos ruído possível, e eu estava me saindo muito bem nesses últimos tempos, minha leveza nos pés era extraordinária.

Um homem e um garoto, aparentava ter minha idade, passaram por mim, o homem estava em um estado lastimável, a ponto de desabar e chorar, ele estava com vários machucados na face e um olho inchado, já o garoto irradiava fúria, ele estava sério, mas sua feição demonstrava que acabara de chorar, alguma coisa me intrigou naquela dupla, então deixei eles em uma distância longa e comecei a segui-los. Senti uma mão envolver meu braço e dei um pulo. Mas era só meu irmão.

– Você está louca? – Meu irmão sussurrou, eu estava sem resposta então murmurei um “sim” e voltei a segui-los, meu irmão bufou e minha cunhada revirou os olhos, mas me seguiram.

Eles estavam em uma estrada de barro, o garoto estava bem distante do homem, que andava mancando, eu já havia entendido, o garoto queria dar uma de responsável e rebelde, eu não estava gostando da atitude dele, apesar de não ter falado com ele ainda. O homem chamava o garoto, que se recusava a olhar o homem, eu dava graças, porque senão ele iria me ver. Mas maldita seja minha mente, pois o homem alterou a voz e o garoto se virou com tudo, e seus olhos pararam em mim.

“Droga”, eu pensei.