Survivor
3 Capítulo 3 - FBI
Estacionei o carro e JaeJoong saiu rapidamente, para nos registrar. Eu demorei um pouco, apreensiva com as respostas que teria. Saí do carro com a minha bolsa e no porta-malas peguei uma mochila com roupas que eu sempre carregava, sabe, coisa de médica. O loiro já me esperava do lado de fora, com a chave nas mãos.
Caminhamos silenciosos até o quarto 3529. O ambiente do quarto condizia com o nível do hotel: papéis de parede desbotados, o assoalho rangia e o cheiro de mofo era nauseante. Ele entrou primeiro e eu fechei a porta.
JaeJoong acendeu apenas um abajur, deixando o quarto numa quase penumbra, depois espiou o movimento la fora. Eu apenas me sentei em uma das camas de solteiro esperando que ele iniciasse o assunto.
- Tudo bem se eu tomar um banho antes de começarmos? – perguntou ele educadamente.
- Sim. – respondi. Ele deu um sorriso tímido antes de entrar no banheiro.
Eu o observei fechando a porta, ainda sorrindo. Era um sorriso tão... Puro! Chegava a ser ingênuo...
- Definitivamente encantado! – pensei alto. Repreendi-me por isso depois.
Deitei na cama, que cheirava a naftalina, relaxando o meu corpo. Estava muito cansada.Depois de um dia estressante como esse, tudo o que queria era dormir.
Escutei o chuveiro sendo desligado e logo JaeJoong saiu do banheiro. Secava os cabelos displicentes com uma toalha, espalhando gotículas de água pelo quarto e molhando a camisa azul. Uma cena digna de filme hollywoodiano. Não consegui parar de admirá-lo. JaeJoong sorriu de soslaio.
- O que foi?
- Nada doutora.Nada. Deseja saber as verdades agora? – ele jogou a toalha em uma cadeira e se sentou nos pés da minha cama.
- Sim. – eu me ergui um pouco – Por que fugimos?
- Eu estou sendo perseguido... – bom, eu deduzi corretamente.
- ... Pela TriCell. – completei. Ele fez uma cara de espanto.
- Como sabe? – abaixei a cabeça corada.
- Deduzi.
- Muito bem, doutora. – parabenizou JaeJoong. Ele saiu da minha cama e foi espiar pelas cortinas.
- Eles estão aí fora?
- Não.
- Mas pode ter agentes disfarçados.
- Não, não tem.
- Como você sabe? – ele me encarou com aqueles olhos grandes e amendoados.
- Eu saberia. – eu engoli a seco tamanha frieza.
- Por que me envolveu nisso?
- Sinto muito. Realmente não era a minha intenção. A partir do momento que eles a viram comigo, você se tornou um alvo. – JaeJoong continuava a observar pelas cortinas.
- O que você fez para ser “caçado” pela TriCell?
- Algumas coisas. – ele foi até a outra cama de solteiro e ajeitou-se sobre as cobertas.
- Que coisas? – perguntei curiosa. Porém a pergunta ficou no ar. JaeJoong havia adormecido.
Ótimo! Ele praticamente não disse nada. Eu suspirei cansada. Catei uma muda de roupa na minha mochila e fui tomar banho.
O Banheiro, assim como o resto do quarto, era arcaico. Os azulejos azuis e levemente encardidos, um pouco de mofo em um dos cantos e uma cortina florida muito brega. Pelo menos tinha aquecimento.
O contato da minha pele com a água quente foi relaxante. E logo a minha mente foi invadida por pensamentos. Todos relacionados a aquele loiro e como ele era envolto por mistérios.
- O que você fez, JaeJoong? – perguntei-me.
Nada melhor que uma boa noite de sono depois de um dia extenuante como aquele. Pelo menos era isso que eu esperava...
Assim que deitei, permiti-me olhar JaeJoong. Não parecia ter um sono tranqüilo. Ele parecia... Tenso. Os dedos fechados no punho, como se esperasse ser atacado a qualquer momento. Não o observei por muito tempo. O sono chegou avassaladoramente.
Acordei com suaves batidas na porta. Sonolenta, olhei no relógio. Eram duas da manhã. JaeJoong estava na mesma posição de antes. Voltaram a bater na porta. Percebendo que o loiro não iria levantar, eu fui atender.
- S-sim? – perguntei com um bocejo. Era um senhor, de uns quarenta anos eu acho.
- Desculpe o incomodo senhorita. Eu queria saber se o senhor que os registrou esta aí? – ele estava a procura de JaeJoong, às duas da manhã? Eu logo desconfiei. Encostei mais a porta, deixando parte do meu corpo de fora e escondendo o loiro, que ainda dormia.
- Não. Ele saiu. Logo após de nos registrar ele teve que voltar a Tóquio. – menti. O velho estreitou os olhos.
- Mas o carro da senhorita está no estacionamento.
- Talvez seja porque ele é meu?! – ironizei.
- Importa-se de eu dar uma olhada no quarto? – insistiu o velho.
- Importo-me sim. Olha senhor, eu tive um dia horrível ontem. Tudo o que eu quero é deitar naquela cama e descansar. E o senhor está atrapalhando! – falei irritada. O velho recuou um pouco.
- Não foi a minha intenção, senhorita.
- Mas afinal, qual o real motivo do incomodo? – perguntei. E logo apareceu o motivo, devia ter mais de um e oitenta e cinco, cabelos muito escuros e um rosto de menino.
- Sou o agente do FBI Shim ChangMin. – ele me mostrou a credencial. Até o FBI estava atrás de JaeJoong? – Poderia responder há algumas perguntas, senhorita Szymkowiak?
- Não acha que veio numa hora inapropriada, agente ChangMin? –
- Lamento o incomodo senhorita. Mas realmente é importante. Esse fugitivo carrega coisas fatais. E eu preciso encontrá-lo. – O agente ajeitou os cabelos e prosseguiu – Posso fazer algumas perguntas?
- Antes, eu quero saber, qual foi o crime dele?
- Kim JaeJoong roubou algumas “coisas” importantes para a TriCell. Eles comunicaram a agência do FBI e eles me mandaram. – O agente pegou um bloquinho e uma caneta – Qual a sua ligação com Kim JaeJoong? – eu suspirei demosntrando irritação.
- Nenhuma, na realidade. – de certa forma eu não estava mentindo.
- Eu vi a as gravações da câmera de segurança do hospital. E vocês fugiram juntos. – ele arqueou a sobrancelha, desconfiado. Acho que eu fiquei branca, que nem um fantasma na hora. Precisava inventar uma desculpa logo...
- É que... Ele me disse que aquelas pessoas iriam matá-lo. Eu não sabia o que fazer. Então o conduzi para fora do hospital. – tentei manter a calma, mentir não era uma das minhas especialidades. Alias, porque eu estava tentando proteger JaeJoong?
- E onde ele está agora? – perguntou o agente, ajeitando cuidadosamente o cabelo.
- Bom... – era a hora de mentir – Paramos aqui, pois eu havia dirigido por muito tempo, então para me compensar o ocorrido Kim JaeJoong me pagou esse hotel e sumiu.
- Sumiu? – repetiu o Agente ChangMin descrente.
- Sim. Eu abri a porta, entrei e quando eu me virei, ele havia sumido.
- Simples assim?
- Simples assim. – confirmei. ChangMin me encarou sério. Foi como se essa desculpa não tivesse colado.
- Obrigado pelas informações senhorita. Devo lhe advertir, tenha cuidado senhorita Szymkowiak, sabe, essas estradas são muito traiçoeiras. Adeus. – disse ele antes de se retirar. Eu encarei a noite por uns minutos, até processar o fala anterior. E cheguei a uma conclusão: fui ameaçada.
Voltei para o quarto, e lá estava Kim JaeJoong de pé. Aqueles olhos amendoados me fitavam curiosos. Por fim ele abaixou a cabeça, eu disse:
- Precisamos sair daqui. Eles estão atrás de você. Devo admitir, foi uma boa jogada deles. Quer dizer, avisar o FBI aumenta as chances de você ser encontrado.
- E você acreditou que ele era do FBI? – eu arregalei os olhos.
- Ele não era do FBI? – eu engoli a seco.
- Não mesmo. Era um agente da TriCell infiltrado.
- E como você sabe disso? – ele mexeu no frigobar e tirou uma garrafinha de água.
- Toma.
- Não desvie da minha pergunta!
- Toma. – repetiu ele.
- Eu não quero água! – exclamei rude. Ele, por outro lado, pegou a minha mão e colocou a garrafinha nela.
- Dá pra tomar a água.
Eu, a muito contra gosto, abri a garrafa e tomei o conteúdo. Ele ficou me olhando de um jeito estranho, meio ansioso. Logo as minhas pálpebras foram pesando... E senti o chão frio abaixo de mim.
- Desculpe... – sussurrou JaeJoong, antes que eu pudesse fechar os olhos de vez.
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