Survival Horror Game
8 Level 8: Loading Shelter's Arena
Notas iniciais
A arena do complexo militar, conhecido como SHELTER, tinha um formato hexagonal, de teto alto, como um loft, com escadas coladas às paredes. Ao longo de sua altura havia diversos patamares, que permitiam a projeção de pontes, controladas eletronicamente. Aya Brea, agente do FBI, estava agora no patamar mais baixo, mas não na parte térrea. Esta era quase que totalmente ocupada por um ser gigantesco e grotesco, o NMC que fora formado em um grande casulo havia algum tempo. Este monstro tinha tentáculos, braços, uma minúscula cabeça, uma barriga acinturada, e um ventre que se abria para expor seu interior, como um marsupial. Este monstro cor de rosa era o "bebê" da Shelter, verdadeira fábrica de aberrações.
Aya não se importava com nada daquilo. Ela apenas estava preocupada com Eve, seu clone, criada em laboratório, para servir de matéria prima de genes mutantes, dando prosseguimento assim àquele circo de horrores. Eve tinha a aparência e a mente de uma criança, mas provavelmente também era dotada de "Energia parasitária", podendo realizar prodígios semelhantes à mágica, tal qual sua matriz genética, Aya Brea. A agente do FBI temia que o pior houvesse acontecido, e aquele ser monstruoso tivesse absorvido Eve, pois com isso seria invencível. Aya armou-se da metralhadora e passou a descarregá-la na criatura. Este parecia absorver os projéteis, não lhe produzindo nenhum dano ou sequer arranhões. Ele percebeu Aya e virou seu corpanzil em sua direção. Ela achou melhor trocar a arma.
Carregou sua shotgun e começou a descarregá-la no monstrão. Ele ergueu um dos tentáculos e tentou acertá-la. Aya rolou para o lado e virou a shotgun na direção do tentáculo. Descarregou tudo que pôde, deixando a arma sem nada. Valeu a pena pois o tentáculo despencou derretendo. Ao ver que perderia muito tempo recarregando, Aya trocou de arma. Voltou à metralhadora, mas desta vez passou a mirar nos tentáculos. Uma rajada de energia verde a atingiu em cheio, seguida por outra de energia amarela. A segunda rajada a deixou atordoada, fazendo com que Aya se movimentasse tropegamente, para sair do campo de alcance do monstro. As rajadas de energia passavam bem próximas dela, sem contudo acertá-la realmente.
Aya teve sorte em se proteger antes da batalha, mas mesmo sua incrível habilidade de resistência e imunidade não era páreo para um ataque contínuo e poderoso. Isto significava que se fosse qualquer outra pessoa no lugar dela, já estaria morta. Aya resolveu apelar. Ela então abaixou a cabeça e dobrou os braços, deixando os antebraços paralelos na altura da cintura, fechou os punhos e os olhos. Ondas de energia espraiaram-se de seu corpo, como a radiação solar, formando um pequeno domo brilhante azulado sobre ela, aumentando o seu raio de alcance rapidamente. O bebê-monstro sentiu que um décimo de suas forças diminuíram, e que isso se devia àquela criaturinha ali parada, fazendo estranhos movimentos como um xamã tribal.
Ele não teve piedade, arremeteu com um dos tentáculos sobre ela, que imóvel como estava, era um alvo fácil. Aya foi pega de surpresa. Na verdade ela já contava com um contra-ataque desses, e sabia que sua genética mutante a tornavam um ser resistente, forte e sobre-humano. Contudo o golpe foi forte o suficiente para jogá-la no andar térreo. Aya sentiu o impacto que poderia tê-la desacordado, mas ela não se permitia o luxo de desmaiar numa batalha de vida ou morte contra uma aberração. Não quando a vida de uma menininha dependia dela. A agente do FBI levantou-se e procurou um local para se esconder.
Durante a correria abriu a pochete e tirou um frasco de solução de Ringer. Quase ensopou sua blusa, tentando beber tudo rapidamente. Armou-se da metralhadora e começou a subir a rampa, correndo em direção à posição inicial, quando então poderia ficar cara a cara com o bebê-monstro. Novamente descarregou sua metralhadora contra um dos tentáculos, fazendo-o desprender e cair ao chão, já em processo de derretimento. A criatura nem tentou contra-atacar. Seu ventre começou a tremer, fazendo com que sua bolsa marsupial se abrisse como um capote, exibindo um núcleo fulgurante, que brilhava perigosamente, como se a preparar-se para algo poderoso.
Aya não contou pipoca. "Se este é o seu melhor, se prepare para morrer, monstro dos infernos." Ela trocou sua metralhadora pelo rifle equipado com lança granadas. Enquanto o NMC gigante se preparava para seu ataque mortal, Aya descarregava seu lança granadas no ventre monstruoso incandescente. Antes que os ataques com as granadas fizessem um estrago considerável na estrutura da aberração, o ventre do monstro disparou um jato intenso de energia branca, forte e poderoso como o impacto de bombas atômicas. Aya foi colhida em cheio, fazendo com que perdesse o equilíbrio e largasse o lança-granadas. Seu colete de proteção especial ficou em chamas, fazendo com que ela, meio amortecida pelo golpe, o retirasse rapidamente, rasgando-o em tiras.
Ela tratou de afastar-se rapidamente daquele ser monstruoso. Procurou entre seus pertences por outro colete. Pegou o primeiro que achou ser forte o suficiente para não deixá-la morrer rapidamente. O velho colete das unidades de assalto do FBI. Pegou sua shotgun e tratou de recarregá-la, enquanto corria novamente, circundando o monstrão, que já vinha em seu encalço. Abriu a pochete por força do hábito, pois não tinha forças sequer para raciocinar, mas seu corpo condicionado por anos de treino, junto ao incrível poder de resistência, dado pela genética mutante, a deixaram pronta para a luta, antes mesmo que ela pudesse raciocinar sobre o que tinha acontecido e o que ainda iria acontecer.
Seus dedos procuraram automaticamente por pílulas de “recovery3” e “turbo boost”. Isto foi o bastante para clarear as idéias. Uma vez mais ela se viu diante do monstrengo. Descarregou sua shotgun nos tentáculos, fazendo com que um após o outro se desprendesse e caísse já em fase de liquefação. Isso fez com que o monstro acionasse a energia branca de seu ventre novamente, ao mesmo tempo em que a munição da shotgun acabou. Aya, como uma bailarina condicionada, abaixou a cabeça e dobrou os braços, deixando os antebraços paralelos na altura da cintura, fechou os punhos e os olhos. Ondas de energia espraiaram-se de seu corpo, como a radiação solar, formando um pequeno domo brilhante azulado sobre ela, aumentando o seu raio de alcance rapidamente.
O bebê-monstro disparou a energia branca de seu ventre, ao mesmo tempo em que seu corpo tremia incontrolavelmente, diminuindo de tamanho, enquanto sua base liquefazia-se. Ele sentiu apenas que toda a energia ia se esvaindo de seu corpo, e por isso sustou o jato de energia branca, mas não rápido o suficiente para evitar o seu próprio fim. Aya foi atingida em cheio pela descarga de bomba nuclear, mas já os efeitos da energia parasitária, “Lifedrain”, havia entrado em ação, fazendo com que a energia vital do monstro agora a fortalecesse e evitasse sua própria morte. Ela abriu os olhos e saiu de sua concentração. O monstro havia derretido. Ela vencera a batalha. “Eve...”
- Eve! Onde está você? Eve! — Aya gritou, enquanto vasculhava com os olhos, o mar gomoso róseo, que restara do bebê-monstro e que inundara a base da arena.
Então ela a viu. Com seu rosto pálido de feições de boneca de porcelana, cabelos platinados como os dela mesma, e o olhar perdido, algo horrorizados ou pasmos. Ela parecia triste ou em transe. Seu corpo foi se elevando do lodo cor-de-rosa até chegar no mesmo nível de Aya. Ele estava agora recoberto por vestes estranhas, escuras, que se alongavam em asas diáfanas e multicores. Ela assemelhava-se muito a uma borboleta. E estava até muito bonita, adulta, parecendo até... Melissa Pearce.
O coração de Aya Brea atrasou uma batida. Aquela horrível sensação de novo. A sensação de que estava diante de um inimigo. Por um único segundo, ela viu a realidade como um filme em preto e branco, ou como uma radiografia com as cores invertidas. Foi só um segundo, mas o alarme já havia tocado. Aya encostou o queixo no peito, separou as pernas e puxou os braços para si, gerando três auras coloridas ao seu redor, como se tinta estivesse turvando a atmosfera em volta de si. Ela mais uma vez se preparou. Realizou um pequeno rodopio, sem afastar-se do lugar onde estava, isso fez com que suas armas adquirissem uma tonalidade dourada. Isso tudo em que tentava acalmar seu coração, mentalizando que aquela era Melissa Pearce e não Eve, e que portanto, teria que destruí-la, mas... E se não fosse assim?
Contagem regressiva para reiniciar o jogo: 9, 8, 7...
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