Survival Game

2 Diário Do Futuro


Notas iniciais
A partir de agora, a fic será narrada em primeira pessoa pelo personagem principal. Esse capítulo ainda é uma introdução.

Ver o futuro é incrível. Descobri isso há um tempo, quando meu celular começou a mostrar o futuro. É realmente muito legal. Não é exatamente ver o futuro, é ler. Como se um eu do futuro escrevesse o que está acontecendo e eu tivesse acesso a isso, como um diário. Um diário do futuro.

Eu já tinha um diário, para ser honesto. Eu usava o meu celular como um diário. Eu tinha muita dificuldade de fazer amigos e quando tinha por volta de onze anos, comecei a escrever tudo o que acontecia a minha volta e comigo no celular apenas por entretenimento. E com dezesseis anos, o meu diário, que era mantido no meu telefone, passou a mostrar o futuro.

As previsões que o meu celular me mostrava funcionam assim: Elas apareciam nele de dez em dez minutos. Por exemplo, se eram 10h30min, o meu diário tinha um texto dizendo o que aconteceria às 10h40min, outro texto dizendo o que aconteceria às 10h50min, outro às 11h e assim, de dez em dez minutos, o celular tinha escrito tudo que aconteceria nos próximos noventa dias. De início, não entendi como a freqüência do celular, que passei a chamar de diário do futuro, funcionava, mas conforme fui usando-o aprendi.

O mais intrigante era que ás vezes, o celular mudava as previsões. Algo estava previsto e de repente mudava. Como se o futuro mudasse. Mas eu não entendia como isso acontecia. Matutando sobre isso, eu havia chegado a conclusão de que para mudar o futuro, seria preciso saber o que se passa nele, para mudá-lo antes que ele acontecesse e eu era o único que sabia o que se passava lá. Isso era o que eu pensava, mas a verdade passava disso. Ela era muito mais perigosa.

Minha aventura começou no dia 21/09/2027, sexta-feira, as 11:40, o último dia que eu iria à escola, o último dia que eu viveria como um adolescente normal, o primeiro dia que eu me envolvi no jogo de sobrevivência...

Eu estava na sala de Aula. O professor aplicava a prova nos três alunos restantes. Eu devia estar sozinho na sala, mas uma regra boba dizia que os três últimos alunos na sala devem ir embora juntos. Um dos três era eu, Blake Ninende. O outro era Robert Hiuno, meu melhor amigo. Nos conhecemos em 2025, o ano em que entramos na primeira série do ensino médio. Nenhum de nós dois tinha amigos na escola nova (eu na vida toda) e ele veio falar comigo. Não me recordo sobre o que, mas nos dias seguintes, ele sempre chegava para conversar e nos tornamos grande amigos.

Robert tinha uma personalidade estranha. Na maioria do tempo, ele se mostrava durão e agressivo, o que ele realmente era, mas tinha um lado bem "sensível". Com a palavra sensível, quero dizer, se algo bom acontecesse Robert ficava super feliz, feliz demais, muito agitado e ansioso. No entanto se houvesse algo ruim, ele se culpava, ficando muito deprimido ou culpava os outros, despejando sua raiva sobre tudo e qualquer um.

O outro Aluno na sala era Marco Mikami. Não o conhecia muito bem. Só sabia que ele era um cara muito calmo e suas notas diziam que ele era bem inteligente. Eu também já tinha visto o pai dele na escola uma vez em uma reunião, era um sujeito estranho, tinha um topete, cabelos castanhos. A Reunião foi no período da tarde e não estava sol, mas ele usava óculos escuros. Já era um tiozinho, devia estar nos trinta anos e tinha o mesmo primeiro nome do filho, Marco. Mas seu nome completo era Marco Ikusaba

Marco, Robert e eu estávamos na sala. Eu ainda não tinha terminado a prova. As carteiras eram organizadas em três fileiras e cada um de nós estava em uma fileira diferente. O Professor, Inuka, mantinha todos os três alunos no seu campo de visão. Tudo parecia correr bem, até que o professor foi chamado na diretoria. Suas ordens eram para ele ir imediatamente, mesmo nos deixando sozinhos na sala. Foi estranho, ainda mais que estávamos com Robert e ele era um grande trapaceiro em colar. Inuka saiu de sala dizendo para eu, Robert e Marco nos comportarmos. Assim que Inuka saiu, Robert me gritou e logo o circo se armou.