Survival Game
4 A Reunião
Abri meus olhos. Definitivamente aquele lugar não era a escola. Não havia nada para cima e nada para baixo. Era infinito, uma grande vastidão de nada.
Meus olhos foram institivamente virados para as duas grandes figuras. Um homem e uma mulher. Não sabia o que eles tinham, mas eram grandes. Não grandes em tamanho, grandes na presença. Eles emanavam força, poder e magnificência, me deixando totalmente dopado por alguns instantes. O primeiro pensamento que me brotou sobre eles foi: Deuses. Esse pensamento me ocorreu mesmo sem saber da verdade.
Finalmente, reparei com mais atenção no local onde estava. Quatorze círculos pretos flutuando. Os círculos pareciam ser sólidos, mas o material não tinha como ser identificado. Em cima de cada círculo, tinha uma pessoa, incluindo eu mesmo em cima de um dos círculos. E, estranhamente, em cima de cada pessoa, tinha um número. Também incluindo a mim mesmo, cujo número “dois” pairavaacima. Os números tinham um aspecto parecido com o dos círculos, como se fossem feitos do mesmo material não identificado. As pessoas não tinham como ser vistas de fato, pois uma sombra fazia aparecer apenas a silhueta delas. Os olhos, misteriosamente, escapavam da sombra, ficando bem marcados.
Os círculos estavam dispostos em um formato oval. Um dos círculos tinha um tamanho maior, aparentemente por ter duas pessoas em cima. Essas duas pessoas eram os que emanavam a aura poderosa, os “Deuses”. Eles não tinham um número em cima da cabeça e eram os únicos com corpos fora das sombras, tornando possível enxerga-lo com cor. A Mulher, de cabelos rosa e usando um vestido bonito, abraçava o homem.
Agora, eu estava reparando nas pessoas em cima dos outros círculos. Partindo dos Deuses, indo para a direita, havia alguém com o número “um”, aparentemente um homem e ao seu lado, estava eu mesmo, com o belo “dois” e com uma expressão confusa. Seguindo o formato oval em que os círculos estavam disposto, ainda para direita, os números se encontravam em ordem, ou seja, ao meu lado estava o que parecia ser uma mulher com um “três” em cima. Ao lado dela, com o “quatro”, alguém menor do que eu, não uma criança, parecia ter a minha idade. Deduzi que fosse uma menina por causa de algo que parecia ser cabelo longo, mas nada certo por ela estra coberta em sombras.Tive a impressão de conhecê-la. Não prestei muito atenção nos seres com os números “cinco” até o “sete”, nem nos do “dez” até o “treze” Foquei-me nos que tinham “oito” e “nove”.
Identifiquei-os pela estrutura do corpo e pelos olhos. O garoto embaixo do “oito”, era Robert e o garoto em baixo do “nove,” era Marco. Lembrei da conversa que eles tiveram alguns minutos antes, se chamando de números ordinais. Era isso que eles queriam dizer com oitavo e nono. O olhar de ambos se dirigia para mim, o de Marco mostrando companheirismo e o de Robert mostrando raiva e querendo me matar. O sentimento do pânico daquele momento na sala de aula resolveu aparecer em mim e sem querer soltei um grito.
Depois de ter gritado, não só os olhares de Marco e Robert vinham para mim, mas sim o de todos, inclusive o dos dois poderosos.
-Algum problema, segundo? – A mulher de cabelos cor de rosa perguntou.
Problemas? Se eu tinha problemas? Sim. Eu não estava entendendo nada de nada naquele lugar e foi isso que exprimi nos meus berros:
-Onde eu estou? O que está acontecendo? Quem são vocês? Alguém me explica! – Senti lágrimas ameaçando sair, mas segurei-as. O Pânico ainda estava instalado no meu corpo.
Ignorei todos na sala, foquei-me apenas no homem ao lado da mulher de cabelo rosa. Ele mostrava compaixão, como se entendesse o que eu sentia.
-Você está no salão de Reunião dos Deuses! – Ele começou, aumentando o tom de voz e a sua presença junto, tornando impossível não escutá-lo – O que está acontecendo é o jogo de sobrevivência. Eu sou o Deus Amano Yukiteru.
A mulher ao lado dele pronunciou:
-E eu sou a Deusa Gasai Yuno.
As palavras deles não foram o suficiente para sanar minhas dúvidas, então balbuciei:
-Jo... go?
-Sim, jogo! Tudo já foi explicado na primeira reunião, mas pelo visto você faltou. Certo? – O Deus Yukiteru disse. Não precisei responder a pergunta, pois ele já sabia a resposta – Então nos deixe explicar do começo. Há alguns anos, havia outro Deus aqui no nosso lugar.
-Seu nome era ExMachina. Ele estava no fim de sua vida e precisava de alguém para substituí-lo. –Continuou a Deusa Gasai Yuno. – Então ele realizou o jogo de sobrevivência. Escolheu doze pessoas para participar do jogo. As regras eram simples: aquele dos doze que matasse todos os outros onze e sobrevivesse se tornaria o novo Deus.
-Eu e meu amor matamos todos os outros e no final nos tornamos Deuses. – Foi a vez de Yukiteru novamente – Mas isso tudo aconteceu em outro mundo, em outra dimensão. Agora, a Deusa do Mundo de vocês, UryuuMinene, não está mais entre nós. Logo, eu e Yuno tivemos que vir aqui para promover um jogo novo nesse mundo, pois um mundo sem Deus não tem como viver e aqui vocês estão. O Seu objetivo é matar todos os outros, ficar vivo e se tornar o novo Deus desse mundo. Todos vocês aqui são participantes do jogo. Alguma dúvida?
Eu estava perplexo demais para responder. Sim, eles foram muito claros, mas ainda era inacreditável. Eu estava em um jogo de sobrevivência. Meu objetivo era matar todos os outros onze, incluindo Marco e Robert. O Choque foi grande demais e tudo parecia tão fictício. No entanto, eu tinha dúvidas.
-Doze... vocês disseram doze... ,mas aqui tem treze. – Eu me obriguei a falar, quase sem voz e meio choroso. E se o nosso mundo está sem Deus... como ele sobreviverá até um nós vencer?
-Idiota. Ei, segundo, você é um bebê chorão, mal posso esperar para meter uma faca no seu pescoço. – O Décimo Primeiro gritou.
Olhei para Yukiteru pedindo por consolo e ele me deu, mas não de modo que eu esperava:
-Ei, Segundo, que tal responder a isso? Vai ficar simplesmente aí parado e quieto? Se aqui tem treze pessoas, significa que vai ter um a mais para matar, apenas isso. Enquanto vocês se matam, nós dois estaremos tomando conta de dois mundo.
O modo como ele disse “enquanto vocês se matam me incomodou”. E eu fiz o que ele disse para eu não fazer, fiquei parado e quieto, sem coragem parar responder o décimo primeiro. Quem respondeu por mim foi o nono, Marco Mikami:
-Ei, onze, tente matá-lo e quem acabará com a faca no pescoço é você!
Décimo primeiro riu, assim como alguns outros. Marco se manteve sério e a Deusa Yuno voltou a explicar as regras do jogo.
-Vocês já devem ter percebido algo diferente sobre seus diários. –Ela começou. Logo lembrei do meu telefone mostrando o futuro. – Cada um do vocês possui um diário no qual anotava coisas. Agora,o Diário de cada um de vocês funciona de um modo diferente, mas no fundo todos funcionam em mostrar o futuro. Quando o futuro for alterado, seu diário emitirá um som característico para lhe avisar, e o conteúdo no diário também mudará.
Então minha teoria estava certa. O futuro realmente estava mudando naqueles momentos em que o conteúdo do diário mudava.
-Se quiser vencer o jogo, ache um modo de usar melhor o seu diário e de inutilizar o dos outros. – Yukiteru prosseguiu. -Tomem cuidado ao ver o sinal de DEAD END no seu diário, significa que a sua morte foi prevista, façam de tudo para evitá-la. E se seu diário for destruído, você será destruído junto! Vocês não podem sair da cidade de Sakurami. Alguém tem mais alguma pergunta?
Todos ficaram quietos por um tempo. Naquele momento, eu já havia absorvido tudo, mas alguém mais tinha dúvidas. Não vi quem foi, apenas vi a reação da pergunta.
-Ei! Se temos que matar todos para apenas um de nós viver, como vocês dois se tornaram Deuses? Não deveria ser apenas você ou ela?
A pergunta pegou os Deuses em cheio. Eles pareceram surpresos, despreparados, como se não tivessem pensado que alguém iria perceber. Entretanto, a pessoa foi respondida.
-Nós dois merecemos nos tornar Deuses. E houve também, um conjunto de fatores que atrapalhou o jogo, mas nada relevante. Nada que possa se repetir aqui. – Yukiteru conclui. – Nesse jogo, teremos apenas um vencedor e vocês não terão como mudar isso.
A Última frase do Deus foi um tanto intimidadora, e provavelmente se alguém tinha mais perguntas, não as faria. E para terminar com chave de ouro, a Deus Gasai Yuno deu a fala:
— O Mundo de vocês é uma cópia do nosso. Eu e Yuki matamos todos os outros onze jogadores no nosso mundo, mas quando este mundo aqui foi criado, esses onze apareceram vivos por aqui. Acrescento uma nova regra para esse jogo, se vocês encontrarem algum dos jogadores da primeira versão do jogo de sobrevivência, encostem neles e digam o número que eles eram. Caso vocês façam isso, ganharão uma habilidade especial ou uma arma fortificada. O Diário de vocês contém agora uma foto dos jogares antigos de número “três” ao “doze”, o primeiro e a segunda não contam, pois somos nós dois. Os poderes cedidos por um dos jogadores não poderá ser pego novamente por ningém.Agora tudo está explicado! O Jogo de sobrevivência pode começar mais uma vez.
O Efeito dessa regra foi positivo nos jogadores, até em mim mesmo, ganhar novas habilidades ou uma arma seria ótimo. No entanto, não foi tão positivo assim no Deus Yukiteru. Pareceu que ele não sabia dessa regra. Yukiteru e Yuno fizeram um contato visual longo e no final o Deus finalizou:
-Essa regra não é válida para o décimo do jogo antigo. Encontrá-lo não lhes renderá a nada.
Entendido: Se encontrarmos os jogadores antigos e dizer o número deles, ganharemos habilidades ou armas. Foi o fim da Reunião. Ninguém mais tinha perguntas. E então voltamos para o mundo real.
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