Surrounded
3 Together
Gostaria de dizer que estava em um lugar lindo, cheio de vida e com uma atmosfera aconchegante, mas infelizmente não era o que eu via. Na realidade, eu não via nada, a não ser branco para todos os lados. Já começava a cogitar estar cega, ou algo do tipo, quando uma luz radiante surgiu na minha frente.
Quando sua intensidade foi diminuindo consegui enxergar uma silhueta, reconhecendo ser a de meu amigo. Aquilo realmente parecia um sonho. Após a fonte luminosa cessar, ele abriu os olhos.
—Olá — disse meu velho amigo, sorrindo alegremente.
—Oi — foi tudo que consegui responder, impassível, não acreditando no que via. Preferia que ele me acusasse, expressasse ódio, ira...
—Qual é a dessa cara? — exclamou, ainda feliz — Pensei que ficaria contente em me ver.
Depois de um momento em silêncio, respondi:
— Eu estou.
—Não é o que me parece — suspirou.
—Desculpa — disse mais para mim do que para ele, abaixando a cabeça.
—Não acredito — bufou — Percorri todo esse caminho para ver você desse jeito? Era isso que queria me mostrar?
—Não.
—Hum...Já sei! — disse sem perder o entusiasmo — É esse ambiente, não é
Encarei-o surpresa.
—Sabia! — ele estalou os dedos — Mas pode deixar comigo, vou arrumar isso num instante!
E dizendo isso duas cadeiras apareceram, seguida de uma mesa de centro com alguns doces, salgados e chás. Logo depois uma estante foi posta a uma certa distância das cadeiras e dois quadros que eu gostava muito estavam pendurados “no ar”, ou em alguma parede invisível. Para completar o cenário, uma luminária colorida se encontrava aleatoriamente no chão e um ursinho de pelúcia estava em uma das cadeiras.
Olhando satisfeito, o criador daquilo tudo perguntou:
— Então, o que achou?
Dessa vez não pude segurar as lágrimas. Como ele conseguia fazer isso depois de minhas atitudes? Das minhas escolhas? Ele tentou colocar tudo o que eu adorava junto só para me animar!
— Ei! Ei! Não chore — ele exasperou-se — Tenho certeza que me lembrei de tudo, mas se esqueci de algo, me perdoe.
—Quem tem que pedir perdão sou eu — disse com voz embargada e tampando meu rosto com as mãos, tentando conter o soluço.
— Não há porque se desculpar — falou com uma voz carinhosa — Você fez o que era necessário e estou muito orgulhoso.
Não sabia o que dizer. Não sabia nem se havia algo a se dizer. Mas de repente a minha raiva aumentou, as lágrimas caiam contra a minha vontade cada vez mais. Não aguentando isso, como uma última tentativa de libertar as minhas frustrações, gritei com toda a força que meus pulmões aguentavam. Fiquei surpresa por ser atingida pelo meu próprio misto de emoções liberado de uma maneira tão primitiva.
— Você me irrita! — disse em seguida, limpando meus olhos.
— Mas é claro! Afinal não seria eu se não te incomodasse — riu.
—E precisava ser tão chato?
—Faz parte do pacote — ele deu de ombros.
— Eu desisto, você sempre ganha no final — sorri fracamente, lembrando das muitas memórias compartilhadas.
— Agora sim! Combina mais com você esse sorriso.
Com isso, ele se dirigiu a uma das cadeiras e eu o acompanhei sentando na outra, colocando o ursinho em meu colo.
Apontando para os alimentos ali postos, ele disse:
— Por mais que não irão fornecer energia ao seu corpo, a sensação de comer será real, então sinta-se a vontade.
Observei a comida que se encontrava diante de mim. Não resistindo, peguei um salgado e comi, satisfeita com a sensação de felicidade que se seguiu.
— Sabia que não resistiria. Você acabou com o estoque do rei quando passamos por Welden Dhar.
— Que exagero — disse já com a boca cheia daquele manjar.
— Claro, claro — concordou, parecendo se divertir.
Ele esperou mais um pouco enquanto eu testava os doces e tomava um grande gole de chá para descer tudo. Quando se pronunciou novamente, sua voz adquiriu um tom mais sério:
— Então, quanto tempo poderá ficar aqui?
Limpando a boca, recostei-me na cadeira e o encarei, com minha confiança restabelecida.
— O curandeiro disse que me daria quase um dia.
— Ah! Aquele velho é doido, mas sabe o que diz — falou para si mesmo, fechando os olhos — Que bom que teremos bastante tempo para conversar.
Permanecemos calados por um instante, talvez esperando um assunto surgir do nada.
— Como é a morte? — acabei soltando sem perceber, arrependendo-me logo em seguida.
—Hã? —ele me olhou com olhos confusos — Ah! A sensação se morrer...
Aguardei, enquanto ele mergulhava em pensamentos profundos. Quando voltou, apenas disse:
— A morte me desprendeu de uma dor que eu nunca pensei que pudesse sentir. Os últimos segundos da minha vida foram os mais horríveis e os mais libertadores que eu já presenciei.
A tristeza me acometeu novamente ao lembrar daquele momento. A forma como tudo tinha acontecido...
— Mas não fique pensando nisso. Acredito que morri da forma mais honrosa que pode existir. Saber que pude fazer algo por você e pelo reino me enche de orgulho.
Sua fisionomia demonstrava isso. Seu queixo estava ligeiramente erguido e seus olhos possuíam um brilho antes nunca visto. Ele havia mudado.
— Você realmente está sendo tratado como um herói em nossa vila. Não muito tempo atrás os aldeões fizeram uma festa para relembrar os acontecimentos de um ano atrás. Você deixou uma boa impressão lá — sorri de leve, sabendo o quanto isso significa para ele.
Olhando para mim novamente, o seu sorriso agora iluminava seu semblante, emocionando-me ao ver a alegria claramente estampada em seu rosto.
— Fico feliz de saber disso.
Mas logo ele foi tomado por uma expressão confusa e indagou-me:
— Você disse um ano?
Meneei a minha cabeça, confirmando.
— Não acredito que já se passou tanto tempo assim. O tempo aqui não parece fluir...
O silêncio tomou o ambiente mais uma vez, enquanto ambos refletiam sobre isso. Da minha parte, todo esse um ano de sofrimento voltava a me atormentar.
— Bem — ele foi o primeiro a quebrar o silêncio — Não adianta ficar se preocupando com o passado. O que passou, passou. Vamos focar no presente agora e aproveitarmos que estamos reunidos mais uma vez.
Lembrando do meu objetivo inicial, aproveitei que eu acreditava que estava com a coragem necessária e disse:
— Antes disso, quero me desculpar por não ter sido capaz de te salvar e por tudo o que aconteceu. Eu gostaria de ter feito mais por você, gostaria de ter te recompensado devidamente por todas as dificuldades que passou e...
— Basta — sua voz possuía estranhamente uma tonalidade neutra e baixa — Já disse que a culpa não foi sua. Não precisa se desculpar por algo que não havia nada a ser feito e nem se arrepender, afinal, tudo que fiz foi baseado em minhas escolhas e decisões.
— Mas seu eu fosse mais forte! Se eu tivesse do seu lado eu poderia...
—Poderia o quê? Morrer junto comigo? Você sabe que termos vencido foi por muita sorte. Não estávamos preparados para um inimigo daquele porte. E você sabe muito bem, tanto sabe que escolheu me ver ao invés de voltar no passado.
Não senti um tom de escárnio em sua voz, mas mesmo assim aquilo me atingiu mais forte do que qualquer soco que eu já tenha recebido.
— Eu... — tentei me explicar, mas fui cortada de novo.
— O que você busca ao me procurar é ficar com a consciência tranquila, fugir dos monstros invisíveis que te atormentam desde a última batalha, aliviar a culpa que sente.
— Você acha que é fácil?! — levantei-me alterada, nem percebendo que estava gritando — Acha que não pensei diversas vezes em jogar tudo para o alto e voltar para o passado e impedir que morresse? Que esse foi o primeiro pensamento que me tomou logo depois que presenciei seu último suspiro?! Você não sabe o quanto eu tive que resistir a esse impulso nesse ano que se passou!
— E você acha que eu queria morrer? — ele também se levantou, com a voz ainda impassível — Que eu desejava um destino tão desafortunado logo depois de ter encontrado a felicidade?
— Eu não queria ter acabado com a sua vida! — berrei, as lágrimas derramando-se descontrolavelmente.
— E você não acabou! — a angústia agora tomava a sua voz — As nossas aventuras foram a melhor coisa que me aconteceu! Não consigo me imaginar vivendo em uma vida que não seja aquela.
Então, com a visão embaçada, senti braços me envolvendo gentilmente, ainda que com uma certa urgência. Sua voz logo voltou a se pronunciar novamente, as palavras saindo mais afáveis do que nunca:
— E mais que tudo, acha que não me sinto triste de saber que você estava sofrendo por minha causa? Que não fui capaz de trazer alegria para a única pessoa que me estendeu a mão e confiou em mim?
Sem forças para retrucar, apenas escondi meu rosto em sua camisa e chorei copiosamente.
— A única ideia que me tranquiliza é saber que está viva. Então, por favor, não retire o meu único consolo.
Eu queria apoiá-lo tanto quanto ele fazia por mim, todavia apenas consegui soluçar como resposta enquanto ele passava a mão em minha cabeça, tranquilizando-me.
— Assim é melhor, não é? Colocar tudo para fora e se abrir quando precisa. Pode ser um pensamento mesquinho, já que fui eu que causei toda essa dor, mas me alegra saber que sou capaz de aliviar sua aflição.
Balancei minha cabeça negativamente, ainda presa a ele.
—Eu é que agradeço por sempre estar ao meu lado e me defender. E não importando a situação, você sempre me apoiava e entendia. Obrigada.
Ele riu:
— É estranho te ver tão vulnerável, já que sempre se mostra forte e determinada. Mas fico honrado em ser uma pessoa digna de sua confiança. Obrigado.
— Idiota — balbuciei, sentindo meu rosto ficar quente de repente.
Ele achou graça, como sempre. Mas a sua risada realmente enchia o meu coração de uma alegria há tempos não sentida.
Depois de passado algum tempo, que era impossível de contabilizar, eu disse um pouco sem jeito:
— Acho que já pode me soltar...
— Por quê? — perguntou sem vergonha nenhuma — Está bom assim.
— Porque se não vai ser mais difícil de ir embora depois — respondi, pressentindo que deveria estar mais vermelha que um tomate maduro.
— Ótimo, assim você nunca irá me esquecer.
— Como se eu conseguisse — comentei em um muxoxo, tão baixo que achava que ele não havia escutado.
— Não custa reafirmar a minha grandiosa marcante presença.
Se o que ele falou foi uma resposta ao que eu disse ou não, não importava, mas logo em seguida ele afrouxou os braços de maneira relutante, permitindo que eu descolasse o meu rosto de seu peito.
— Hahahaha, seu rosto está amassado e vermelho! — ele não se aguentou e riu da minha situação lamentável.
Afastei-me e fechei a cara, imaginando o quão horrível deveria estar.
— É isso que acontece toda a vez que choro, não posso fazer nada.
—Por mais que eu prefira te ver sorrindo, você fica bem bonitinha com essa carinha também — disse com um sorriso iluminado, marca registrada sua.
— Não diga besteiras — falei desconcertada, desviando o olhar.
Afastando esse pensamento de embaraço, compartilhei um novo pensamento que me assolava:
— O que eu faço agora...
— Como assim? — ele questionou calmamente.
— O que eu faço quando voltar para a minha vida de sempre? Eu...já não sei como devo me portar nem o que fazer. Todos me aclamam como sua heroína mas não me sinto assim. Me sinto perdida...
Aproximando-se, ele colocou as duas mãos nos meus ombros, fazendo-me olhar diretamente para os seus olhos:
— Você já derrotou diversos monstros e passou por muitas dificuldades, se eles a aclamam como heroína é porque você merece tal posto. Mas também é muito jovem e já teve peso a carregar demais para alguém inexperiente, por isso não fique se cobrando demais. Deixe a vida agora seguir o seu fluxo normalmente, como deve ser.
— Isso não está ajudado...
— Como se eu pudesse me esquecer o quão preocupada você é — ele riu — Mas tudo bem, porque basta olhar ao redor e verá que tem muita gente te apoiando e incentivando, por isso não se preocupe.
Mais calma, sorri e disse em tom de brincadeira:
— Ainda assim ficarei preocupada.
Fui brindada com aquele sorriso novamente. E prometi a mim mesma ser essa a imagem que teria toda vez que recordasse dele: a de um garoto alegre e com uma energia capaz de contagiar a todos.
— E não se preocupe! — ele disse ao se afastar e ir em direção a minha cadeira. Encarando-o, observei enquanto ele pegava o ursinho nas mãos e o analisava — Você não ficará se sentindo sozinha por muito tempo.
— Como assim?
Fitando-me com um olhar sábio, apenas disse:
— Sinto isso.
— Há! Foi só passar por mais experiências que eu que já fica todo misterioso — disse, tentando esconder meu nervosismo por causa dos novos pensamentos que me tomavam.
—Como se eu fosse deixar toda a glória para você — comentou atrevido, esperando que eu me exaltasse — Saiba que também serei venerado nas próximas gerações, pois os nossos feitos e a minha fama ultrapassarão até o limite do tempo!
Ao contrário das outras vezes, só achei graça da situação. Parecia que no fundo nada havia mudado.
— Enfim, isso foi apenas um palpite, não leve muito a sério. Acho que estou começando a ficar biruta nesse lugar.
— Mas você sempre foi — retruquei, sentindo o gostinho da vitória e sorrindo triunfante.
— Por que eu fui abrir a minha boca? — e jogando as mãos para o alto dramaticamente, disse: — Justo agora que eu pensei finalmente ter te derrotado!
— Só para não perder o costume. E saiba que aquela eu deixei passar de propósito.
— Claro, claro. Bem que tinha achado estranho demais.
E rimos como a muito não fazíamos juntos. Parecia que nada tinha acontecido.
Mas como tudo que é bom parece durar pouco, uma luz forte começou a brilhar. A mesma que tinha trazido ele para aquele lugar estava o levando. Por um momento fiquei confusa, entretanto o gosto do pânico logo chegou a minha boca.
— Você já vai?! Não passou o tempo ainda!
Compreendendo o que estava acontecendo, ele apenas sorriu e acenou para mim, sua imagem ficando cada vez mais transparente:
— Acho que o tempo aqui passa de outra forma...No entanto, acredito que foi o suficiente para resolvermos nossas aflições e passarmos um último momento mais digno.
— Não, não estou preparada! — disse desesperada, sentindo novamente a dor da perda.
— Você ficará bem, acredite em mim.
E já quase completamente sugado pela luz, tive um último vislumbre de seu braço estendido na minha direção. Tentei alcançá-lo, mas quando cheguei não havia mais nada lá.
Depois de um tempo digerido esse inesperado adeus e com tudo agora anormalmente quieto, olhei em direção ao chão. O ursinho estava caído no local onde meu amigo desaparecera. Peguei-o na mão e encarei-o nos olhos. Parece que o brilho em seus olhinhos de vidro eram reais. Tanto que pareciam aumentar...aumentar...
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Quando a minha consciência voltou, um cheiro forte de ervas entupiu o meu nariz, despertando-me de vez.
Mexi-me em meu lugar desconfortavelmente. Algumas partes do meu corpo se encontravam adormecidas e eu já sentia um formigamento incômodo chegando.
— Ora, voltou rápido — uma voz se pronunciou no meio do turbilhão de confusão em que eu estava.
Foi então que eu lembrei onde me encontrava e o que tinha acontecido. As memórias estavam voltando tão rápidas que uma dor aguda penetrante tomou a minha cabeça, deixando-me tonta.
— As coisas não saíram tão boas quanto imaginou? — a voz agora tinha um quê de curiosidade, ainda que contida.
— Não... — falei com uma careta, a dor ainda forte — Ele sumiu do nada, a luz o levou antes que tivéssemos tempo de nos despedir devidamente.
Quando ele ia parecer dizer outra coisa, batidas fortes podiam ser escutadas na porta da choupana, seguidas de diversas vozes agudas animadas:
— Guardiã! Guardiã! Venha ver uma coisa! — uma voz que eu reconheci ser de Mary pôde ser escutada vibrante do outro lado.
— Não fale tão alto! Não sabemos se ela realmente está aí dentro. O bruxo pode acabar ouvindo e vamos todos virar ensopado! — outra criança a repreendeu.
O curandeiro reagiu à palavra “bruxo” e foi mancando furioso em direção à porta.
— Ora, Roran, não seja bobo! Tia Susy falou que ela tinha vindo para cá. Além do mais...
Então a porta foi aberta violentamente, com a luz forte do ambiente externo atingindo em cheio meus olhos já acostumados com aquela penumbra.
— O que querem aqui, fedelhos? Não sabem que não se deve importunar a casa dos outros? — o curandeiro brandia irritado na porta.
— Desculpa, senhor, mas estamos procurando a Guardiã — a voz de Mary soou novamente, enquanto diversas crianças pareciam fugir de lá assustadas.
— O que te dá direito de...
Mas ele não consegui terminar, pois, olhando debaixo de seu braço, Mary conseguiu me ver e logo abriu um grande sorriso, tentando entrar na residência exclamando “Guardiã“.
Quando vi o desespero do curandeiro ao imaginar uma criança energética entrando seu cafofo cheio de artefatos importantes e raríssimos, fiz menção de levantar e fui em direção à porta.
— Calma, Mary, já estou indo.
E ainda atordoada, fui caminhando a passos imprecisos até a porta que parecia mais longe do que o esperado.
— Saiam daqui vocês! — disse o curandeiro quando me aproximei, já nos enxotando — Não quero algazarra na frente da minha porta — e com isso trancou-se mais uma vez em sua choupana.
Sem se abalar, Mary agora me puxava pela camisa, atropelando as palavras enquanto parecia querer me mostrar algo:
— Vem logo, Guardiã. Tem algo que você tem que ver!
— O que é tão importante assim, Mary? — perguntei, rindo da urgência e euforia dela.
— Eles finalmente nasceram! Tão pequenininhos e fofos!
— Quem?
— Os filhotinhos, Guardiã! A Mel finalmente deu cria!
Ah! Era verdade. Eu estava tão absorta no meu conflito que havia esquecido disso.
— Os cachorrinhos são uma graça! Um mais fofo que o outro. Mas tem um de pelo dourado, em especial, que é muito hiperativo! Mal saiu do ventre da mãe e não para quieto! Ao contrário de um de pelo preto que é extremamente tranquilo e parado....
Não pude deixar de rir dessa imagem e da alegria da pequena Mary. É, talvez aquilo me distraísse e evitasse com que pensasse em coisas desnecessárias:
— Agora até eu já estou animada! Parece-me que esses filhotinhos vieram em um ótimo momento.
E com isso eu segurei a mão dela, deixando que me guiasse.
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