Surrender
3 Pra que servem os amigos?
Notas iniciais

Ela estava exausta. Seu corpo coberto de suor e sua respiração completamente fora de ritmo indicavam que havia gasto muita energia com um trabalho bem duro. Quando suas pernas finalmente cederam, seu corpo desabou no chão e ali permaneceu. Ele caiu bem ao seu lado, parecendo estar em melhores condições, mas sua blusa branca estava colada em seu peitoral largo e forte por conta do suor.
— Vamos treinar no nível 57, você disse — Natasha imitou a voz do amigo, suas palavras saindo por entre sua respiração pesada. — Vai ser moleza, você disse! Por que o Stark construiria algo assim?
— Não sabia que era tão difícil, a Maria me falou que ninguém treina nesse nível — Steve aguentava muitas coisas, como perseguir carros e pular de aviões, mas três horas seguidas em uma sessão de treinamento que quase os matou era um pouco demais.
— Já vi o motivo! Arrasta o Clint contigo na próxima, não consigo mais sentir minhas pernas — ela se sentou e limpou o rosto com as costas da mão. — Por sua culpa vou ter que me aposentar. Meus dias de bailarina acabaram.
— Não seja dramática, Nat, suas pernas estão ótimas — ele a viu sorrir maliciosamente e cobriu o rosto com as duas mãos. — Não vou nem comentar.
— Nem precisa — ela se levantou e foi até a parede mais próxima, onde apertou um botão e algumas gotas finas de água espirraram na parte superior do seu corpo para refrescá-lo. — Chamou alguma garota pra sair desde nossa última aula?
— Ãh… Quer treinar no nível 58 agora? — ele muda de assunto e ela arqueia uma sobrancelha.
— Nem começa, Steve! Combinamos que você iria pelo menos tentar — Natasha pegou uma toalha no banco de metal ao lado da porta e enxugou o rosto.
— Eu sei. Pensei em chamar a Sharon, mas ainda não a vi — o loiro se levanta e vai até onde a ruiva está.
— Se ainda não está confiante o bastante eu posso falar com ela por você — um sorriso curva os lábios dela ao vê-lo negar com a cabeça. — Sério, eu a vi na cafeteria quando cheguei, vou lá perguntar se ela está livre no sábado.
A ruiva andou na direção da porta, mais para provocar ele do que realmente sair, mas, para sua surpresa, ele correu até ela e a colocou sobre seu ombro direito, levando-a de volta para o meio da sala.
— Mas o quê...?! Você ficou maluco, Rogers?! — ela gritou, segurando a risada.
— Talvez outra sessão de treinamento pesado mantenha essa sua cabecinha engenhosa ocupada. Vamos deixar minha vida amorosa de lado pelo resto do dia, ok? — ele andava confiante até o centro, porém parou quando, por algum motivo, acabou com o rosto imprensado contra o chão e com Natasha em cima de suas costas.
Ela o havia derrubado tão rapidamente que o soldado nem havia tido tempo de reagir.
— Quer mesmo brincar disso, bonitão? — ela sorriu cinicamente, ainda empurrando o rosto de Steve contra o chão.
Ele era bem mais forte do que Natasha, então não foi difícil se levantar e jogá-la para o lado, para depois segurar os dois braços da ruiva no chão, a imobilizando.
— Acho que quero sim — ele devolveu o sorriso e logo a sentiu envolver uma perna em sua cintura, o puxando para baixo e depois rolando para o lado. Ela, em seguida, voltou a se aproximar dele enquanto Steve tentava se levantar e deu um chute em seu peito, o fazendo cair de costas no chão.
— Não quero machucar você, Capitão, pode ficar aí enquanto vou falar com a Sharon — a espiã se virou, mas antes que chegasse a porta, levou uma rasteira e deu um rolamento para não tombar no chão. Ela viu que Steve já estava de pé, então se levantou rapidamente e tentou desferir outro chute no loiro, só que ele foi mais rápido dessa vez e segurou a perna dela, a puxando para mais perto e colando seus corpos com um tranco.
Natasha tentou acertar uma cotovelada no rosto dele e seu golpe foi bloqueado pelo braço do soldado, que logo depois a sentiu subir sua outra perna e entrelaçar as duas ao redor da sua cintura. Ele sabia o quanto ela era boa quando o assunto era usar as pernas em uma luta, então a empurrou contra parede com o objetivo de deixá-la sem espaço suficiente para terminar o golpe.
— Está ficando esperto — ela sorriu, ambos com as respirações levemente ofegantes por conta da luta.
— Eu aprendo rápido — ele rebateu, olhando fixamente para os olhos verdes da ruiva, porém descendo para seus lábios quando a viu aproximar o rosto do seu.
— Já tinha percebido isso — ela sussurrou antes de colocar os pés novamente no chão, passar por debaixo do braço dele e lhe dar uma joelhada na barriga, para em seguida o segurar pelo ombro, dar um chute em sua perna e o jogar no chão.
Steve deu um rolamento a tempo e se levantou com destreza, se esquivando de um chute circular que quase acertou seu rosto. Se ela não soubesse que ele podia aguentar tudo aquilo não estaria o atacando de forma tão bruta, e o loiro sabia disso. Ele conseguiu segura-la pelos ombros e a puxou para perto, dando um golpe de judô que a fez bater com as costas no chão.
Natasha, aproveitando que estava caída, deu um chute na parte de trás do joelho dele e Steve desabou no chão com um barulho alto. O que viu a seguir foram as pernas dela se enrolando ao redor de seu pescoço e o jogando de cara no piso duro. O soldado deu um gemido de dor e ela sorriu, vitoriosa.
Ofegante, a ruiva se levantou e correu até o painel na porta principal, digitando alguns códigos nele.
— Sessão de treinamento 58 ativada — uma voz computadorizada disse, fazendo Steve levantar o rosto com uma expressão alarmada. Ele, então, viu a amiga sair da sala e piscar para ele antes das portas se fecharem.
Ela se encostou na parede por alguns segundos para recuperar o fôlego e andou pelo corredor da base tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Quando chegou a sala de comando, vasculho o local com seus olhos a procura da loira e a viu mexendo em um computador.
— Agente 13 — a ruiva cumprimentou, se aproximando de Sharon.
— Agente Romanoff, — ela sorriu e se levantou. — Posso ajudá-la?
— Creio que não. Só vim conversar — por estar quase desmaiando de cansaço, a ruiva puxou uma cadeira próxima e se sentou nela, respirando fundo antes de falar. — O Steve está no meio de uma sessão de treinamento, então pediu para eu falar com você antes que fosse embora.
— Hum, algum problema? — Sharon inclinou a cabeça levemente para o lado e Natasha sorriu.
— Não, nada ainda. Ele queria saber se você está livre para sair no sábado — a pergunta pareceu surpreender a loira, um sorriso genuíno aparecendo em seus lábios.
— Sim, estou livre, e adoraria sair com ele.
— Ótimo! Ele vai te ligar para confirmar os detalhes, só vim garantir que poderia e queria ir — dizendo isso, Natasha se levantou. — Até mais.
— Até, agente Romanoff — a loira voltou a fazer seu trabalho com um sorriso no rosto.
Natasha voltou a caminhar pelo corredor, vendo um Steve extremamente exausto e suado andando em sua direção.
— Tem um encontro no sábado, não me decepcione — ela deu dois tapinhas no peito dele e continuou seu caminho, não o deixando argumentar.
§
Depois de ir para seu apartamento e tomar um banho refrescante, Natasha foi até uma lanchonete na esquina para comer alguma coisa, já que não havia feito isso o dia todo. Ela estava concentrada no seu hambúrguer, mas percebeu quando um homem entrou pela porta da frente. Ele era alto, tinha cabelos curtos e escuros, trajava uma roupa totalmente preta e uma jaqueta da mesma cor. Qualquer leigo em espionagem teria visto aquele homem a seguindo, disso Romanoff não tinha dúvidas.
Resolveu entrar no jogo e pagou a conta para depois deixar a lanchonete. Como previsto o homem foi atrás, fazendo Natasha revirar os olhos, pensando em como os espiões atuais eram imbecis. Ela deu algumas voltas no quarteirão e ele, apesar de manter certa distância, continuou a segui-la.
A ruiva já estava pronta para dar uma boa surra nele e perguntar para quem trabalhava quando uma vã preta parou ao seu lado e as portas se abriram, uma mão a puxando para dentro.
— Acalme-se, Romanoff — Natasha ouviu uma mulher dizer, a impedindo de dar um belo soco no rosto do homem que a puxara para dentro. — Não vamos te matar.
Natasha deu uma risada forçada ao ver quem era a mulher loira a sua frente.
— Yelena Belova... Achei que tinha convencido você a se aposentar do cargo de espiã.
— Você tentou, com certeza, depois de me manipular para conseguir fazer seu serviço sujo.
— Manipulação é uma arte, você caiu como uma pata — a ruiva cruzou os braços, mantendo-se na defensiva. — Agora, o que quer comigo?
— Depois que você me fez ser considerada uma assassina internacional, resolvi criar minha própria agência de espionagem com esse foco.
— Ainda não ouvi o que eu tenho a ver com isso — Natasha a viu sorrir.
— Já tenho os melhores assassinos do mundo trabalhando pra mim, só preciso de mais uma. Você seria perfeita para o trabalho.
— Só tem uma falha no seu plano, que é eu me recusando a trabalhar para você.
— Já decidi que você vai trabalhar para mim, Romanoff, e eu sempre tenho o que quero! — Yelena disse, seu tom de voz firme e intimidador, bem diferente do que Natasha se lembrava.
— Não dessa vez. Agora para esse carro antes que eu resolva matar todos aqui dentro — a ruiva, porém, conseguia ser bem mais intimidadora.
— Vai trabalhar pra mim de um jeito ou de outro — depois de dizer isso, a loira deu uma batida na janela ao seu lado e a vã parou. — Entraremos em contato.
Natasha revirou os olhos e saiu do veículo. Yelena deixou as portas abertas e esperou até que o homem de preto que seguia Natasha entrasse.
— Quanto tempo ficou vigiando a Viúva Negra, Dale? — perguntou, seriamente.
— Duas semanas, não foi difícil considerando que ela está ocupada com missões e treinamentos — Dale se recostou na poltrona da vã. — Ela tem muitos amigos interessantes.
— Algum mais interessante que os outros? — Belova o viu pegar o celular e mostrar uma foto da ruiva com um homem de cabelo claro andando pela rua.
— Ela sai mais com esse do que com os outros, pode ser útil.
— Eu conheço ele — Yelena deu um sorriso sádico, já imaginando o que faria. — Vamos usá-lo para convencer a agente Romanoff a se unir à nossa causa nobre.
Fale com o autor