Surrender
1 Mais um dia normal
Notas iniciais

Ela gostava da sensação de tê-lo tão perto. Seu braço forte envolvido em sua cintura passava a impressão de que estaria segura no momento, mesmo que estivessem no meio de um tiroteio nada convencional. Ele nunca media esforços para conseguir chegar até ela a tempo de proteger os dois com seu escudo, disso ela tinha certeza, e daquela vez não havia sido diferente.
— Um final de semana normal... Era só o que eu queria, passar um fim de semana sem fazer nada em casa — Steve murmurou, mais para si mesmo que para ela. — Parece algo impossível ultimamente.
Natasha não pôde deixar de sorrir ao ouvir a reclamação do amigo.
— No nosso mundo, isso é quase normal.
— Vai me dizer que gosta disso tudo? — ele virou o rosto para o lado com um olhar questionador.
— Não conheço outra forma de diversão, Capitão — com sua mão livre, a agente guardou sua arma e fez sinal para que ele fosse para o lado, na tentativa de sair da mira do inimigo. — Barton, estamos há seis metros do pacote, onde você está?
— Cuidando dos atiradores que querem acertar em vocês por trás — o Gavião respondeu pelo comunicador. — Vão ter que terminar sozinhos, a equipe não consegue atravessar o bloqueio que eles formaram depois que vocês passaram.
— Tudo bem, eu distraio eles e você entra — Steve baixou seu escudo quando conseguiram se esconder atrás de uma parede de tijolos. — Daqui estou vendo cinco homens guardando a entrada principal, vai precisar usar outra.
— Como se eu não desse conta de cinco homens armados — Romanoff recarregou suas duas pistolas antes de se levantar.
— Sério, Nat, tenha cuidado — agora ela via preocupação nos olhos do herói, como se ele preferisse não sair do lado dela naquele momento.
— Fica tranquilo, Steve — um leve sorriso serviu para assegurá-lo de que tudo ficaria bem.
Com seu escudo bem preso em seu braço, o Capitão correu diretamente para o campo inimigo. Natasha ainda ficava surpresa com a determinação e a coragem dele, sempre se arriscando sem medo do que poderia acontecer a si mesmo.
Ela esperou até as atenções estarem voltadas para ele e correu pela rua a sua esquerda com discrição. Aquela cidade estava abandonada há anos, era só mais uma das cidades fantasmas da região, então não era difícil entrar nos prédios velhos para conseguir uma passagem mais rápida pelo meio dela.
A agente conseguiu chegar até um tipo de igreja antiga onde sua missão estava, conseguindo ver que Steve estava mesmo certo quanto aos homens na entrada principal. Com o entusiasmo de sempre, Natasha se aproximou rapidamente pela lateral e atirou nos dois primeiros. No momento em que caíram, os outros três abriram fogo contra ela, que deu vários saltos mortais para trás e se escondeu ao lado de uma escada de pedra.
Olhando para cima, a agente pôde ver duas barras enferrujadas que haviam sido soltas da construção, perfeitas para o que ela pretendia fazer. Quando os homens avançaram para o local onde pensaram que ela estaria, o encontraram vazio, mas antes que um deles pudesse informar pelo rádio da presença dela, Natasha surgiu quase que do nada e acertou uma das barras enferrujadas no rosto dele.
Os outros dois se preparam para atirar quando ela deu um chute circular em suas armas e usou a segunda barra para dar três golpes violentos em ambos. Já um pouco desorientados, não demorou para que a ruiva lhes desse o golpe final com um chute certeiro no peito e os jogasse do outro lado do pátio.
— Viúva Negra entrando, o pacote estará a salvo em dois minutos, então se preparem para a retirada! — ela anunciou através do seu comunicador e começou a subir as escadas da igreja, abrindo todas as portas que encontrava.
Ela ainda precisou derrubar mais três guardas e agradeceu mentalmente pela maioria deles estar do lado de fora, sendo distraídos por Steve. Quando começou a achar que seu pacote não estava ali, a agente a encontrou, uma jovem de aproximadamente doze anos de idade que tinha os olhos marejados e inchados de tanto chorar.
— Oi, Melanny — Natasha sorriu e se aproximou da garota assustada. — Sou amiga do seu pai, ele me mandou aqui resgatar você.
Aquelas palavras pareceram deixar a jovem um pouco mais tranquila e ela se levantou. Natasha a segurou no colo e foi até a porta, ouvindo o som de passos bem pesados vindos em sua direção, juntamente com o som de armas sendo carregadas. Elas seriam mortas se saíssem por onde havia entrado, aquilo estava na cara. Um plano B não tão agradável começou a se formar na cabeça da ruiva.
— Capitão, preciso de ajuda! — ela correu até a janela mais próxima e olhou para baixo. A queda era longa, mais do que o esperado.
— Estou a caminho! — ele respondeu. — Onde você está?
— Terceira janela a esquerda na igreja, é bom chegar rápido — dando mais uma olhada na direção da porta, ela percebeu que não tinham mais tanto tempo. — Segura firme, ok?
Melanny assentiu e envolveu seus braços o mais forte que conseguiu ao redor da agente. Natasha respirou fundo e pulou no momento em que os homens chegaram e começaram a atirar na direção delas. Uma onda de alívio a acometeu quando percebeu que nenhum dos tiros havia pego nela ou na garota em seu colo, mas esse alívio desapareceu ao perceber que as duas estavam caído para a morte quase certa. Ela esperava que Rogers conseguisse chegar a tempo, só pra garantir, se virou de uma forma que suas costas atingissem o chão e deixassem Melanny segura.
O som dos tiros ainda era ouvido, se a queda não acabasse com tudo, algumas balas resolveriam a situação.
Seus pensamentos estavam nele o tempo todo. Não de uma forma agradável, ela o estava xingando por não chegar logo e deixá-la nervosa durante aqueles milésimos de segundo que haviam se passado. Esses pensamentos foram interrompidos quando sentiu os braços fortes dele a segurando. Tudo a seguir pareceu um borrão, pois abriu os olhos e não os tirou do rosto de Steve. Ele havia pulado bem na hora, tanto que logo em seguida os três caíram no chão, estavam vivos pelo menos.
— Ela está bem? — o Capitão perguntou, olhando para a jovem nos braços de Natasha.
— Está, só vai ficar um pouco traumatizada depois do que passou — por um momento ela sentiu o aperto das mãos dele ficar mais firme e ele se levantou com ela em seus braços.
— E você? — Natasha segurou o riso.
— Estou bem, obrigada. Me coloque no chão e vamos sair daqui logo.
Com certa hesitação, Steve a colocou de pé e colocou seu escudo na frente dos três, as guiando por entre os prédios abandonados com cautela.
Sair havia sido bem mais fácil que entrar, eles levaram apenas meia hora para cruzar as linhas inimigas sem serem notados e chegarem até o avião da SHIELD, onde Clint já estava.
— Ótimo trabalho, agentes — eles ouviram a voz de Hill dizer através do comunicador no computador do jato. — O presidente ficará feliz em saber que a filha dele está a salvo.
— Como ela foi sequestrada é a pergunta — Steve estava encucado com esse assunto desde que a missão fora dada a eles, Natasha e Clint realmente só se importavam em cumpri-la.
— Posso explicar quando voltarem. Vou mandar que os outros agentes recuarem — após dizer isso, Maria encerrou a comunicação.
— Não tem nenhum propósito sinistro por trás disso, Steve. Só mais uns terroristas malucos que querem a atenção do presidente e sequestraram a filha dele para conseguirem isso — Natasha colocou Melanny sentada em uma poltrona do jato.
— E conseguimos terminar a missão bem, relaxa e aproveita essa sensação de trabalho cumprido — Clint se sentou ao lado do piloto para ajudá-lo a decolar.
Ainda um pouco encucado com o assunto, Rogers se dirigiu até o final da aeronave. Natasha teria ido lá falar com ele, tentar distraí-lo ou mandá-lo parar de ser tão paranoico, mas sabia que ele precisava daquele tempo sozinho.
A viagem de volta também pareceu mais rápida, todos eles concordaram. Depois de devolverem a filha do presidente, os agentes retornaram a base da SHIELD para fazerem o relatório da missão. Barton detestava esse tipo de coisa, então Romanoff quebrou o galho do amigo e o deixou ir para casa enquanto ela e Steve cuidavam do relatório.
— Mais uma missão de resgate… Pensei que passaríamos nosso tempo livre treinando os Novos Vingadores — Natasha quebrou o silêncio entre eles depois de quase dez minutos.
— Também esperava passar mais tempo na base do que lá fora, mas eles até que estão indo bem com o treinamento.
— Eles são mesmo muito bons, a Wanda tem me surpreendido mais a cada dia — um pequeno sorriso se forma no canto dos lábios dela. — Já está tarde para mais treinamento, que tal tentarmos ter uma noite normal pra variar um pouco?
Steve tirou os olhos do papel a sua frente e se voltou para a ruiva, que tinha uma sobrancelha erguida. Ele ficou um pouco confuso, ela geralmente tentava fazê-lo sair com as mulheres para conseguir namorar, mas ultimamente não havia tocado no assunto, não desde que Peggy falecera. Aquele parecia um convite para um dos encontros surpresa que ela tentava armar.
— Hum… Não sei se é uma boa ideia, tenho que preparar uma série de treino nova porque o Visão precisa de mais desafios. Também preciso pegar uma papelada para… — antes que ele pudesse inventar mais desculpas, Natasha o interrompeu.
— Vamos ser só nós dois, não precisa se preocupar com alguma garota aparecendo de surpresa lá. Já vi que você é um caso perdido com relacionamentos — ela revirou os olhos ao ver a expressão de alívio no rosto dele. Não era do forte de Steve mentir, muito menos pra ela.
— Tem certeza de que vamos ser só nós dois essa noite? — o loiro também deu um sorriso de canto, mostrando-se bem mais confortável com a situação.
— Palavra de honra. Só dois amigos jantando naquele restaurante perto do seu apartamento.
— A comida de lá é mesmo muito boa.
— Sei disso, eu comia lá quando estava espionando você para o Fury — ela terminou o relatório e fechou o laptop sobre a mesa.
— Espera, você me espionava? — ele também se levantou e a seguiu para fora da sala.
— Só no começo. Você tinha uma vida muito entediante, então parei.
— Sua honestidade me comove, agente Romanoff — os dois entraram no elevador e ela lançou um sorriso aberto para ele.
— Te encontro na porta do restaurante às nove, pode ser?
— Claro. Mas você tem certeza de que vamos ser só nós, certo? Sem encontro surpresa como da última vez? — as portas se abriram e a ruiva deixou o elevador dizendo apenas:
— Te vejo mais tarde, Rogers.
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