Surrender
5 Anjo com uma arma
Notas iniciais

Steve tinha quase certeza de que havia percorrido o bairro inteiro e não encontrou Natasha em lugar algum. Tentou ligar para seu celular, mas ela não o atendeu, sua preocupação aumentando a cada minuto. Já era bem tarde quando o soldado recebeu uma ligação de Barton, pedindo que ele fosse até a Torre. No momento em que saiu do elevador, avistou Clint, Tony e Hill sentados no sofá.
— A Nat está aqui? — foi a primeira coisa que ele disse, fazendo Barton dar uma risada contida.
— Oi pra você também, Capitão. Como foi seu dia? O meu foi ótimo, impedi que um maluco derrubasse um prédio na Times Square, nada demais — Tony deu de ombros com sua típica expressão de falsa modéstia.
— Não conseguimos contactar a Viúva ainda, mas mandei um agente atrás dela — Maria se levantou e andou até o loiro com um tablet em suas mãos. — Temos uma missão para vocês.
— E nem adianta dizer que é nossa noite de folga, já tentei — Clint se espreguiçou no sofá e se levantou.
— Descobrimos que a Hydra roubou um dispositivo que estava sendo fabricado para a SHIELD. Os cientistas foram mortos e toda a pesquisa desapareceu, — a morena mostrou algumas imagens de segurança pelo tablet. — Conseguimos identificar cinco dos homens que invadiram o laboratório, todos ex agentes nossos que se uniram à Hydra.
— E o que esse dispositivo faz? — o Capitão olhava para a tela impressionado, vendo o quão habilidosos eles eram na hora de matar. A Hydra estava escolhendo bem seus agentes.
— Consegue desligar qualquer tipo de energia ou bateria, os deixando completamento inúteis, isso funciona com automóveis, celulares, computadores e até sistemas de segurança de alta tecnologia.
— E ele não pode ser hackeado, nem por mim — Tony se aproximou dos dois e Steve o encarou com um olhar questionador. Stark suspirou e balançou a cabeça em sinal positivo — Sim, fui eu quem desenvolveu o projeto.
— Você tem o dom de fazer merda — Clint comentou. — Não aprendeu a não brincar mais com essa tecnologia futurista depois do Ultron?
— Sou um visionário, não consigo evitar — Tony rebateu.
— A questão é que isso é muito perigoso para ficar nas mãos da Hydra, com esse dispositivo eles poderiam até desligar a energia de um avião ou pior, da própria SHIELD — Maria disse, seriamente.
— Ou de outras agências de espionagem do país, deixando todas incapacitadas e o mundo livre para ser dominado — Barton acrescentou.
— Além de ter efeito nas minhas armaduras, então vocês vão sem mim — Tony se dirigiu até sua mesa do outro lado da sala e pegou um mapa holográfico com a ponta dos dedos, o lançando na direção do tablet nas mãos do Capitão e fazendo o mesmo mapa aparecer na tela.
— Rastreamos ele até esse local, é uma base bem estruturada e repleta de guardas — Hill apontou para alguns pontos da tela. — Natasha é boa quando se trata de invadir lugares assim, então você e o Gavião só darão cobertura. Não queremos chamar muita atenção durante essa missão.
— Tudo bem. Vamos esperar pela Nat? — Steve devolveu o aparelho para Hill, que negou com a cabeça.
— A Viúva Negra vai encontrá-los lá, estamos sem tempo. Quanto mais deixarmos a Hydra com o protótipo, mais eles tem chance de cloná-lo.
O Capitão assentiu e foi até a parte da Torre onde guardava seu uniforme. Quando voltou para a sala principal, viu que Maria tinha seu escudo em mãos e se perguntou como ela o havia conseguido.
— Pedi para o Stark entrar na sua casa e pegar — ela respondeu e ele viu o bilionário sentado no sofá com sua armadura completa no corpo.
— De nada, picolé — ele podia jurar que Tony estava sorrindo e respondeu com um aceno de cabeça.
— Vamos acabar logo com isso — Gavião pegou seu arco e se dirigiu até o quinjet no andar de cima.
§
Eles haviam acabado de pousar a aeronave em uma floresta há alguns metros da base, por sorte Stark garantiu que eles não fossem notados com um sistema de camuflagem especial, então ainda tinham o elemento surpresa. Clint conferiu se todas as suas flechas estavam prontas e acenou com a cabeça para o Capitão. Os dois, então, ouviram um barulho vindo de dentro da mata e se viraram rapidamente, Steve com seu escudo pronto e Clint apontando uma de suas flechas na direção do som.
— Abaixa isso antes que se machuque, Barton — Natasha disse, andando na direção deles depois de sair de trás de uma árvore.
— Como chegou aqui tão rápido? — o Capitão perguntou, vendo-a puxar um pequeno binóculo retrátil de seu cinto e olhar para a base da Hydra.
— Já existiam aviões em 1945, os de hoje em dia são bem mais rápidos — respondeu com frieza, o que a fez receber um olhar confuso de Steve.
— Ela pegou o outro quinjet do Stark — Clint esclareceu, percebendo que a ruiva estava de mau humor e não iria explicar.
— Vamos entrar pelo lado esquerdo onde tem mais guardas, isso mostra que tem menos câmeras nessa parte, vai ser mais fácil assim — ela guardou o binóculo novamente e andou na frente dos dois.
— Que bicho mordeu a Nat? — Gavião perguntou, andando lado a lado com Steve.
— Não faço ideia — o loiro colocou seu escudo nas costas e, assim como Barton, começou a correr atrás da espiã.
Natasha envolveu um dos braços ao redor do pescoço de um dos guardas armados que estava de costas e o puxou para as sombras, onde o apagou com um mata leão. Clint atirou três flechas elétricas seguidas e acertou em cheio três homens, os fazendo cair inconscientes. A ruiva aproveitou a distração dos outros e os atacou com destreza e força, batendo com a cabeça de um deles na parede e dando um belo chute circular no rosto do outro. Steve lançou seu escudo e acertou um segurança que estava no alto daquele lado do prédio, fazendo-o cair de lá de cima.
Quando viram que já tinham derrubado todos e que nenhum alarme havia soado, os três Vingadores entraram na base por uma porta próxima e se encontraram no meio de um corredor cheio de agentes da Hydra.
— Só pra constar, a ideia de entrar por aqui foi sua — Gavião Arqueiro sussurrou para Natasha, que revirou os olhos e pegou um pequeno aparelho em seu cinto similar a um imã de geladeira, então o lançou no teto e fez as luzes do local explodirem.
O som de tiros era ouvido no meio da escuridão enquanto Steve mantinha Clint e Natasha atrás do seu escudo. A ruiva deslizou pelo chão e deu um belo chute nas pernas de um deles, certamente a quebrando, e depois se levantou para usar o corpo dele de escudo enquanto se aproximava dos outros agentes. Ela o jogou em cima do mais próximo e acertou um soco no nariz de um que estava ao seu lado. Mesmo só podendo ouvi-los e não vê-los por completo, a agente não perdeu tempo em derrubar o máximo que conseguisse.
Sentiu um tiro passar de raspão em seu braço esquerdo, porém continuou a dar uma boa surra em qualquer um que cruzasse seu caminho. Quando perdeu a paciência, sacou suas duas pistolas e se aproximou de um local um pouco mais iluminado, podendo ver que haviam apenas alguns agentes de pé. O problema foi resolvido quando ela colocou uma bala na cabeça de cada um deles.
Quando todo o lugar ficou em silêncio por mais de um minuto, Clint ligou uma lanterna que havia em seu arco e viu todos os agentes caídos no chão.
— Por que nos mandaram dar cobertura pra ela eu não sei — ele comentou, olhando para todos os lados e não vendo Natasha.
Steve correu na frente dele pelo corredor até passar por uma porta aberta e entrar, vendo que Romanoff havia derrubado mais quatro guardas e mexia nos computadores para descobrir onde o aparelho estava.
— O que foi aquilo? — o loiro perguntou, sua voz firme conforme se aproximava dela.
— A missão — respondeu, sem tirar os olhos da tela.
— Podia ter se matado lá atrás! O Gavião e eu estamos aqui para te dar apoio, não precisa fazer tudo sozinha — Steve estava zangado pelo fato de ela ter sido tão rápida que ele nem havia tido tempo de ajudá-la, mas também por pensar em como ela ficou perto de levar um tiro.
— Quero terminar logo, nada pessoal, mas vocês são lentos — Natasha se virou para ele, encarando seus olhos por alguns segundos. — Está no laboratório no segundo andar.
Ele não disse nada e nem se moveu. Estava tentando entender o motivo de ela parecer tão distante, sendo que poucas horas antes os dois estavam bem próximos um do outro. Natasha, por outro lado, não esperou que ele se quer perguntasse a ela se algo estava errado, apenas saiu da sala, vendo que Clint estava parado na frente da mesma para o caso de alguém chegar.
— Segundo andar, nos dê cobertura — Steve disse quando saiu, seguindo a ruiva a passos largos.
— Pode deixar, Capitão — Barton olhou para todos os lados antes de avançar, mantendo-se alerta para qualquer ameaça.
Romanoff subiu as escadas e logo que chegou ao andar de cima, deu de cara com mais agentes. Eles não conseguiriam mesmo ser discretos naquela missão.
Sem demora, ela acertou um soco na garganta de um deles e o desarmou, quebrando seu braço e acertando um chute em seu rosto. Steve viu outro se preparar para atirar na ruiva e segurou sua arma para depois acertá-la em sua barriga e em seu nariz, derrubando-o na hora. Ele lançou seu escudo na cabeça de um agente que lutava com Natasha e ela olhou para trás, quase surpresa com a ação do soldado.
O Capitão a viu correr em sua direção e pôde ler seus lábios quando ela disse "Se abaixa!". O loiro pôs um joelho no chão e se abaixou, sentindo-a pular por cima dele e envolver suas pernas ao redor do pescoço de um agente que ele nem havia visto estar atrás de si. Com um movimento, a ruiva o jogou de cara contra a parede e caiu com os dois pés firmes no chão.
— Tudo bem? — Steve perguntou, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar.
— Sim — Natasha aceitou a ajuda e tomou a dianteira novamente.
— Tudo limpo aqui — Clint saiu da escada e se surpreendeu ao ver mais homens caídos no chão. — Nem me convidaram para a festa? — ele ironizou e Steve deu um sorriso de canto, indo atrás de Romanoff.
Ele a alcançou rápido, mas a ruiva já tinha uma caixa em mãos e andava para fora do laboratório.
— Não está mesmo pra brincadeiras hoje, Nat — Clint comentou, porém foi ignorado e ela voltou a descer as escadas.
Steve percebe a tensão da ruiva e também desce as escadas rapidamente, voltando ao caminho que eles fizeram antes. Quando tocou o ombro dela, um alarme alto soou e os três correram para a saída. Enfrentar alguns guardas era uma coisa, enfrentar todos os agentes da Hydra era outra, e os três sozinhos não dariam conta.
Em questão de segundos já estavam perto do quinjet novamente e bem escondidos, mas também seriam descobertos logo.
Natasha se dirigiu para o local de onde viera antes, provavelmente indo até o outro jato para voltar a Nova York. Steve andou mais rápido e parou na sua frente, aqueles olhos azuis repletos de dúvidas.
— Sabe que pode me dizer se algo estiver errado, não é? — ele disse em um tom baixo e calmo.
A ruiva permaneceu calada, desviando o olhar para a grama e depois para ele novamente.
— Infelizmente não posso — ela respondeu com a mesma frieza de antes e passa por ele. — Não dessa vez.
— Pessoal! — os três se assustam ao ouvirem a voz de Stark extremamente alta em seus comunicadores.
— O que foi, maluco? — Clint massageia a orelha, irritado com o susto.
— Adivinhem quem chegou!
— Pepper? — Steve arriscou e ouviu o moreno dar uma risada debochada.
— Quem me dera. Não, picolé, é o Bruce — Tony falou, entusiasmado. — Voltem logo! Ah, e ele disse que quer falar com você, ruivinha.
Steve olha instantaneamente para Natasha, que parece estar processando a informação silenciosamente. Ela sai de seus pensamentos para olhar o soldado a encarando e apenas se vira para continuar seu caminho de volta para o jato.
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