Surrender

9 Sufocada em um mar de "liberdade"


Notas iniciais
Finalmente as férias estão chegando. Ou seja: os capítulos vão sair mais rápido!

A água escorre por todo o meu corpo. Se minha mãe estivesse aqui, diria para não lavar meu cabelo com uma temperatura tão alta, porque vai ressecá-lo. Mas eu não ligo. Pelo menos, não hoje. As lembranças do dia anterior não saem da minha cabeça, e eu ainda posso sentir o formigamento que eu sentia em minha pele toda vez que ele me beijava. Apesar de que isso pode estar acontecendo pelo fato de que estou há séculos debaixo do chuveiro. Com isso, o fecho e saio do box. O espelho do espaçoso banheiro está embaçado, então o esfrego com uma toalha para poder enxergar meu reflexo. Nele, vejo que meu rosto está ligeiramente corado e meus olhos não estão mais inchados como dois dias atrás.

Enquanto me enxugo, penso sobre onde diabos Thomas se meteu. Isso porque depois que ele saiu do quarto ontem a noite com Daniel, eu não cheguei a vê-lo voltar, já que depois de me vestir, acabei caindo no sono. E quando acordei hoje, ele não estava mais no quarto. Por um momento, eu pensei que ele tinha passado a noite fora, mas depois percebi que eu dormi na sua cama e acordei na minha – e posso garantir que não sou sonâmbula. Eu me sinto idiota por ter pensado que ficaríamos grudados. Droga, eu não posso misturar as coisas! Não estamos namorando, e nem sei se o que aconteceu ontem vai acontecer de novo. Não posso ficar achando que com ele vai ser como foi com Josh – pensar nele faz com que eu sinta um aperto no peito. Se bem que dessa vez é diferente, eu quero algo mais. Apesar de não conhecer Thomas tão bem, ou melhor, de quase não conhecê-lo, ele me faz sentir incrivelmente segura. Ficar pensando nisso me faz ficar frustrada, então decido me distrair.

Visto uma blusa com um cardigã por cima, um jeans preto bem colado e sapatilhas. Quando saio do banheiro, Thomas ainda não havia chegado. Que ótimo protetor ele é. Escuto uma batida na porta e corro para abri-la: é meu café da manhã. Agradeço ao atendente quando ele se retira do cômodo, após depositar o meu café na mesa. Depois de várias torradas com ovos, alguns bolinhos, uma maçã e uma xícara de café, decido sair do quarto. Me sinto presa, e como Thomas disse que estávamos seguros deste lado do país, provavelmente não iria se importar. Ao chegar no lobby do hotel, decido ir até a área dos computadores, onde a plaquinha indica que cada pessoa pode usá-los por quinze minutos. Estou alheia do mundo, então a internet é uma boa aliada.

Fico vagando por sites de notícias, tentando absorver tudo que anda acontecendo e controlando o impulso de usar as minhas redes sociais. A maioria das coisas que vejo são desastres naturais e atentados terroristas – até que uma manchete chama a minha atenção: "Garota californiana ainda desaparecida". Assim que abro o link, o meu rosto aparece na matéria. Fico em choque por alguns segundos, só encarando a tela do computador. Tomo coragem para ler o que tem escrito na matéria.

"A polícia ainda está em busca da adolescente Diana Geller, de 17 anos, que sumiu há pouco mais de uma mês em uma festa na cidade de Carmel, CA. Seu irmão, David Geller (17), que estava presente no local – porém inconsciente quando a irmã sumiu – , saiu do hospital há duas semanas. Ainda não sabe o que causou os danos a ele infligidos, porém os médicos acreditam que ele não tenha sequelas permanentes. Já o outro jovem, Josh Browning (18), foi encontrado já sem vida, as causas da sua morte também desconhecidas. Os Geller pedem a colaboração de todos na procurar de sua filha..."

Antes que eu consiga terminar de ler, a sessão do computador expira. O ar foge de mim. Não. Tudo que consigo fazer em seguida é levantar-me e correr em direção a saída do hotel. Ar. Eu preciso de ar. E também quero ficar longe de tudo isso. Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui? Meus pais estão preocupados comigo, David precisa de mim e cá estou, no outro lado do país, curtindo os dias e me preocupando com minha vida amorosa. Como pude relaxar depois de tudo que aconteceu?

Alcanço a TKTS e sento-me na escadaria vermelha, colocando minha cabeça entre os braços, que estão apoiados nos joelhos e começo a chorar. Eu sei que ultimamente venho agindo como uma babaca chorona, mas a culpa não sai de mim. Se eu não tivesse ido para aquela festa estúpida de George, nada disso estaria acontecendo. Eu estaria em Carmel, provavelmente curtindo o spring break com Chelsea. Mas não, estou indo para Inglaterra com dois caras que eu mal conheço. Eu só posso ter algum problema mental. Quem, em sã consciência, viaja com desconhecidos? Que droga é que estou fazendo com a minha vida? Não tenho as respostas dessas perguntas, eu estou ficando mais confusa ainda. Como eu queria minha mãe ao meu lado neste momento... Os conselhos dela são ótimos, e são tudo o que eu preciso agora.

Passo quase uma hora sentada na escadaria, pensando com amargura nas péssimas decisões que eu tomei. Em certo momento, escuto meu nome – meio abafado pelo barulho ao meu redor. Quando levanto a cabeça, vejo que várias pessoas estão me olhando com uma expressão de pena, e em meio a essas pessoas está um Thomas furioso vindo em minha direção. Assim que ele nota o meu rosto molhado e nariz vermelho, sua expressão se suaviza. Mas é só por uma fração de segundo, e logo a carranca está de volta. Ele me alcança e solta:

– Por que diabos você saiu do hotel, Diana? – ele pergunta, com rispidez em sua voz. Seu olhar é uma mistura de raiva, acusação e preocupação.

– Eu vi uma coisa e precisava de espaço. Não tive a intenção de te preocupar, eu só estava me sinto desconfortável enfurnada sozinha naquele lugar – digo, em um tom muito mais controlado do que eu realmente me sentia.

Thomas não diz nada por um momento, o rosto de repente sem expressão.

– Vamos embora – fala, em um tom frio.

Ele se vira e se afasta. Bufo, já um pouco irritada, e o sigo.

*****

Chegando no hotel, vejo Dan sentado no sofá, olhando apreensivo para a porta. Quando nos vê entrando, levanta-se rapidamente e vem em nossa direção.

– Onde diabos você se meteu, garota? – diz, logo que para na minha frente – Você tem noção do quão preocupados estávamos? Tommy estava quase infartando.

Noto, pelo canto do olho, Thomas desviar o olhar de mim. Então ele estava tão preocupado assim, hein? Ele não deveria ter sumido do quarto hoje de manhã, não depois de tudo que aconteceu ontem.

– Eu só queria um tempo para respirar – falo na defensiva.

– Avisava pra gente. Ou deixava um bilhete, sei lá! Pensamos que tinha acontecido algo de ruim!

– Está tudo bem, Dan. Perdoe-me, não era essa a minha intenção. Eu só realmente precisava sair daqui – digo, já me sentindo um pouco culpada por ter feito isso com eles. Mas eles têm que entender o meu lado, eu não estava aguentando. Eu tive que sair do hotel, nem que tenha sido por pouco tempo.

– Certo. Da próxima vez que precisar fugir de Tommy, me avise. Assim eu evito tragédias – resmunga, colocando a mão em meu ombro – Agora vão arrumar as suas coisas porque precisamos estar no aeroporto em três horas.

Algo na sua expressão – talvez a forma como mostra empatia com seus olhos, ou o modo fraternal com o qual sempre se dirige a mim – faz com que, não pela primeira vez, eu me lembre de David. Isso me acalma um pouco.

Parte de mim esperava que esse momento nunca chegasse, de modo que eu tinha empurrado os pensamentos sobre ele para longe. No entanto, depois que Dan menciona o aeroporto, a realidade cai sobre mim. Meu Deus, como pude esquecer? Hoje eu vou rumar para o desconhecido.

Dan explica que voltará para o lugar onde está hospedado – segundo ele, para terminar de arrumar suas coisas – e que estará de volta em menos de uma hora. Ele vai embora, deixando-me sozinha de novo com Thomas. Sem falar nada, seguimos para o quarto em um silêncio estranho. Antes eu não achava que estava errada ao sair, mas depois de parar um pouco para pensar, reconheço que devia ter deixado algum aviso, por mais repentina que tenha sido minha “fuga”. Afinal, toda essa situação está acontecendo para que eles possam me proteger. É, definitivamente eu me precipitei. Entramos no quarto e Thomas vai direto para sua mala. Começo a juntar as minhas roupas, acabando a arrumação em alguns minutos, já que a maioria das minhas coisas já estavam na mala. Só precisei juntar algumas roupas sujas que estavam pelo chão. Sento-me na cama e fico observando Thomas enquanto ele anda pelo quarto juntando suas coisas.

– Me desculpe, eu não queria ter te dado um susto – cansada do silêncio que nos envolvia, decido rompê-lo. Thomas continua calado, parando em frente a sua bolsa e de costas para mim. Interpreto isso como um sinal para continuar – Eu realmente só precisava respirar. Sei que essa justificativa já está ficando manjada, mas é a verdade. E além disso, hoje quando eu estava aqui sozinha, desci e dei uma olhada nas notícias na internet. Acabei encontrando uma nota sobre o meu desaparecimento... Falava da minha família e de Josh. Lê-la fez com que todos os sentimentos que eu vinha tentando enterrar viessem à tona. Eu não aguentei, precisava respirar.

Faço uma pausa para recuperar o fôlego e continuo:

– Sabe o que é acordar e saber que há pessoas em algum lugar querendo me sequestrar? Que a polícia está atrás de mim? – minha irritação começa a crescer de novo – Que eu sou uma ameaça? Que larguei minha família? Que eu tenho que ficar fugindo e ir para um país onde não conheço absolutamente ninguém enquanto minha família está desesperada atrás de mim? Você e Daniel me ajudaram bastante, e sou muito grata por isso. Mas sem ofensas... não quero que pensem que eu estou aceitando tudo de boa. Não é assim tão simples. Argh, queria nunca ter ido para aquela bendita festa de George!

– Não iria adiantar – ele diz baixinho.

– O quê?

– Não ir para festa. Iriam te pegar mais cedo ou mais tarde. Estávamos te monitorando.

Oh. Eu não sabia disso. Mas aí lembro que ele não me conta quase nada.

– Eu iria saber disso... Se você me contasse as coisas, claro – digo em um tom debochado.

– E o que mais Vossa Alteza deseja saber? – ele indaga, em um mesmo tom debochado, que eu ignoro.

– Já que perguntou... Que história é aquela de "famosa herdeira Döbereiner"? – questiono, me lembrando das palavras do Padre Damien.

– Elizabeth tem um importante papel na Ordem, de modo que é bem influente. Você é a única filha dela, então todas as suas conquistas e bens serão seus um dia. Quem sabe o lugar dela na Ordem também – ele diz.

– E só por isso sou "famosa"? – pergunto, incrédula.

– Bem, tem o fato do seu dom ser de conhecimento geral. Foi um dos motivos, além de Viktor, que fizeram sua mãe fingir até pouco tempo atrás que você tinha morrido. Digamos que a Ordem ficou dividida em relação a sua existência, Diana.

Ele não precisou explicar que isso significa que parte da Ordem queria me ver morta. Esse pensamento me deixa tonta.

– Certo... E de onde meu dom vem? E meu pai? Também está em busca de mim?

Thomas hesita por um momento.

– Eu realmente quero te explicar isso, mas a coisa é maior do que parece – ele diz à medida que caminha em minha direção, e, logo que me alcança, segura meus ombros e prende o seu olhar no meu – Preciso que confie em mim. Elizabeth lhe explicará tudo. Compreende?

Baixo os olhos, desistindo do assunto, e aceno com a cabeça.

– Ótimo. Agora vamos esperar por Daniel – ele me solta e sai do quarto.

Ficamos no lobby até Dan chegar. Entro no banco de trás e logo me aninho junto da janela. Em determinado momento passamos ao lado do Central Park e me lembro dos beijos de Thomas. Olho para ele pelo retrovisor, mas ele sequer olha para mim. Percebo que cometi um grande erro. Garotos como Thomas não ligam, não curtem romance. E aqui estou eu, querendo que ele envolva-me em seus braços, mesmo ainda estando um pouco chateado comigo. Com um suspiro, minha atenção se volta para a janela, onde a paisagem muda a cada instante que nos afastávamos de Manhattan.

*****

Uma voz com um sotaque inglês pesado me acorda. Demoro um segundo para reconhecer onde estou – em um voo de oito horas de duração para Londres. A aeromoça comunica pelos alto-falantes que estamos prestes a começar a descida, portanto temos que afivelar os cintos. Levanto minha cabeça, que estava apoiada em Thomas. Ele estava jogando palavras cruzadas, e quando percebe que eu acordei, desvia sua atenção para mim.

– Estamos chegando. Finalmente. Não aguento mais aviões – seus olhos não estavam mais escuros de raiva, e ele já estava falando normalmente comigo. Mas era só isso. Nada de carícias ou beijos. Eu não estava mais surpresa com isso, apenas aceito que ele não quer nada comigo.

– Que horas são? – pergunto, com uma voz ainda rouca. O céu ainda está escuro.

– Duas da manhã, no horário local – ele responde, e volta a ficar absorto em seu jogo.

Logo estamos no Aeroporto Internacional de Londres. Ao sair da sala de desembarque, Thomas se afasta e vai em direção a um homem alto de pele escura, que vestia roupas elegantes. Eles se cumprimentam com um abraço, batendo um nas costas do outro, e o homem entrega um envelope a Thomas, que o abre e lê o conteúdo da carta. Ele acena com a cabeça, e quando nos aproximamos, entrega a carta para Dan e fala olhando em meus olhos:

– Não poderei acompanhá-la, o trabalho me chama. Mas Bradley irá com você.

– Eu também vou com ela – diz Daniel – Legal! Já estava com saudades da comida de Charlie.

Ele e Thomas se entreolham por um momento, mas Thomas logo dá de ombros e se aproxima de mim. Fica tão perto que sinto seu hálito em meu rosto, e penso que ele vai me beijar. Mas apenas sussurra em meu ouvido:

– Boa sorte. E não fique nervosa, Elizabeth vai gostar de você – ele pega minha mão e coloca algo nela. Quando olho para baixo, vejo um celular. Antes que eu pergunte o motivo para ele me dar esse aparelho, ele continua – Este celular tem meu número gravado. Caso precise de qualquer coisa, fale comigo. Eu vou estar sempre a postos para você. Não se esqueça disso – solta minha mão, dando um beijo em minha bochecha e indo embora logo em seguida, com apenas um aceno com a cabeça como despedida para os outros dois homens.

Fico encarando minha mão. Por que diabos ele fez isso? E ainda por cima depois de ter me ignorado por um tempão. Provavelmente ele deve ter algum tipo de transtorno de bipolaridade. Ouço um pigarro e levanto a cabeça, lembrando da presença dos outros dois. Meu olhar encontra o do homem, que sorri e estende a mão.

– É um prazer finalmente conhecê-la, Diana. Meu nome é Bradley Winn.

Seu aperto é bem firme.

– O prazer é todo meu – digo sorrindo, não vendo necessidade de me apresentar também.

– Brad é amigo próximo da sua mãe – Dan explica e então vira-se para o homem – Eu posso dirigir o carro? Estou com saudade das rodovias daqui.

– De jeito nenhum. As coisas não saíram bem na última vez, lembra? Não quero você estragando outro carro meu.

– Aquilo foi um acidente, não tive como evitar! Pergunte para Diana, eu dirijo bem!

– Com certeza! O poste se colocou no seu caminho e o carro ultrapassou a velocidade máxima permitida sozinho. Por via das dúvidas, eu dirijo. É mais seguro para todos. Agora vamos, antes que Lisa fique preocupada.

Seguimos Bradley até o estacionamento, com Dan protestando o tempo todo, e então paramos em frente a um AUDI. Não consigo identificar o modelo, acho que é novo. Dou de ombros e entro no veículo. Me aconchego no confortável banco de trás – como sempre – e afivelo meu cinto.

Enquanto os dois homens conversam nos bancos da frente, eu encaro os vales por onde passamos. Está escuro e só dá para perceber as coisas mais próximas da estrada, mas já é possível perceber que é tudo muito diferente dos Estados Unidos. O tom de verde de vegetação é diferente, as formas do relevo local e, principalmente, a estrada em si.

Um anseio para arrumar uma câmera nova toma conta de mim. É realmente estranho estar sem a minha, porque costumava andar com ela o tempo todo.

Reflito pela milésima vez sobre tudo que aconteceu até agora, à medida que começamos nossa viagem de quatro horas para York. Tudo que passa por minha cabeça é minha família, para variar. Como se sentiriam se soubesse que estou indo conhecer a minha mãe biológica? Mamãe com certeza estaria surtando, porque ia achar que eu iria trocá-la, mesmo sendo a ideia mais absurda. Papai estaria calmo, como sempre, bem oposto à sua esposa. David provavelmente ia achar que eu sou louca. Oh, Dave... Espero que ele não fique com sequelas e consiga voltar a jogar – ele é o melhor do time e o futebol é sua verdadeira paixão. Como sei que vou enlouquecer mais ainda sem saber da situação pessoal dos Geller, faço uma anotação mental para pedir a Dan – quando estivermos a sós – para procurar notícias sobre eles.

Ficar olhando pela janela começa a me deixar enjoada, então decido encarar algo fixo. Abaixo os olhos para as minhas mãos, percebendo que ainda estou segurando o celular que Thomas me deu. Começo a mexer no aparelho – que se parece bastante com o meu antigo – e assim que desbloqueio a tela, para minha surpresa, está uma foto da minha foto com David que havia sumido. Só podem ter sido eles que pegaram a foto. Agora faz todo o sentido. Mas por que será que Thomas não a devolveu para mim? Concluo que deve ter ficado com Max ou Benjamin, não tem outro motivo plausível.

Depois de um tempo, o Sol começa a nascer no horizonte. Enfim chegamos a York. É uma cidade linda, com ruazinhas medievais e muralhas romanas. Passamos ao lado do Rio Oure, a luz do dia refletindo em suas águas escuras. Nos afastamos um pouco do centro, seguindo para um bairro aparentemente de luxo. Bradley para o carro na frente do portão de uma casa enorme, que se abre depois que ele ergue e aperta um controle. Ao adentramos no terreno, vejo o lindo jardim da casa – com direito a um chafariz e tudo. Parece que eu fui transportada para um filme de época. O carro estaciona na frente de uma escadaria que leva à porta do casarão. Lá no topo, uma mulher elegante chama minha atenção. Ela veste um tailleur azul escuro, que faz contraste com sua pele pálida e cabelos ruivos brilhantes, que estão parcialmente presos em um penteado chique. Sua estatura é média. Quando saio do carro, nossos olhares se encontram e ela sorri. Apesar de todo o nervosismo, consigo retribuir o sorriso com um sem graça. A mulher desce as escadas em minha direção, com uma elegância sem igual. Tudo nela aspira poder e bons modos. Olho para seu rosto esperando uma expressão esnobe, mas em vez disso vejo que sua expressão é a mesma de quando uma mãe vê seu bebê pela primeira vez, um olhar de amor incondicional. Meu estômago se revira de nervosismo.

Assim que para na minha frente, percebo o quanto somos parecidas. A forma como seus cabelos alongam-se por suas costas e ombros, o formato de seus olhos – que se diferem dos meus apenas por sua cor: os dela são castanhos; os meus, verdes. Sua boca, a qual tem formato de coração, está delineada com um batom levemente avermelhado. Olhar para ela é como me ver em um espelho daqui a vinte anos.

– Olá, querida – diz ela, tirando-me do transe – Sou Elizabeth Döbereiner. Sua mãe.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado! Muitas revelações estão por vir... Obrigada por lerem, e não se esqueçam de dar a opinião de vocês. ;D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.