Surrender
1 L.A
Notas iniciais
P.O.V Megan:
Um tempo sozinha, é disso que preciso. Ainda mais com um dia ruim como este, em que as cores parecem não existir assim como tudo ao redor, e eu me encontro só e isolada. Pelo menos na minha mente, é onde tudo o que há de acontecer acontece.
Minha melancolia perturba, mas é o que assegura o meu sofrimento. E é assim dia após dia, algo nem um pouco normal. Normal até é, mas se você sofrer dia após dia não vai achar normalidade alguma. Nada consola, é cada dia uma melancolia diferente, uma forma de sofrer diferente. Como se a dor viesse mais perturbadora a cada dia que passa, e me atenta como se fosse um tipo de demonio, não vai embora. Quer te ver mal a cada dia.
E o motivo? Nada. Simplesmente nada, apenas uma crise de depressão eu diria.
– Megan levanta vai, levanta daí que já vai dar hora. — Cassie, minha melhor amiga, me chacoalhava na cama.
– Espera mais um pouquinho vai. — disse virando de bruços.
– Não Megan. Levanta daí que daqui a uma hora nos vamos viajar. — me levantei com preguiça e me arrastei até o banheiro. Entrei na banheira e acho que cochilaria ali dentro. Porque acordar tão cedo pra uma viagem? Isso é que dá dormir na casa dessa louca e olha que nem dormir direito eu dormi. Me lavantei e troquei de roupa. Coloquei um short preto tachado, uma blusa cinza e um scarpin preto. Algo que eu diria simples.
Estamos indo pra Los Angeles, morar por lá. Cassie é a mais empolgada, pois é a chance dela de se livrar dos pais. A minha também já que eles só sabem pegar no pé. Entrei no quarto e coloquei minha bolsa na cama, fui arrumando com o que faltava. Não muito eu acho, já que eu botei quase tudo nas malas.
– Está pronta rainha da demora? — Cassie entrou no quarto.
– Sim estou. — disse fechando minha bolsa.
– Então pegue as malas e desça, a carona nos espera. — ela disse e assim fiz. Eu não espero nada dessa viagem. Só um lugar calmo onde eu possa ficar sozinha as vezese pensar. Pensar em tudo, em quase tudo.
-Los Angeles, Califórnia- n
- Não é um lugar incrível? — disse Cassie quase rodopiando. Estavamos na frente da casa em que morariamos por um bom tempo. Parece boa, muito boa. Entramos e era enorme por dentro.
- Dá pra acreditar? É mais bonita que as de cinema. — tá, ela exagerou. Mas era realmente linda.
-Onde será que ficam os quartos? — perguntei subindo as largas escadas. Me encontrei em corredorzinho com várias portas, vi umas tres e entrei num quartinho meigo. Era tudo o que eu precisava, coloquei minhas malas no canto e me deitei na enorme cama. Tudo naquele lugar era extravagantemente lindo e sofisticado. Também pudera, estamos na California no bairro de Beverly Hills, tudo há de ser maravilhoso. Me confortei naquela cama macia e peguei no sono.
Acordei de um sonho bom e sentei na cama ainda sonolenta. Vi minhas malas ainda feitas e resolvi arruma-las, demorei meia hora pra por tudo do jeito que queria. Olhei o relógio que tinha em cima da mesinha ao lado da cama e era de tardezinha, a casa estava um silencio calmo, Cassie devia ter saido por aí. Espero que ela não tenho feito nada de errado, coisas tipicas dela. Resolvi sair também, já que estou em BH devo explorar o bairro.
Nas ruas, carros luxuosos e pessoas bem vestidas desfilavam, e eu uma desconhecida em territorio californiano,apenas andava observando tudo. Meu celular começou a tocar e eu fui atender, sem querer esbarrei num sujeito atraente.
- Perdão, eu não o vi passando. — disse eu peguei meu celular do chão. Ele tinha feiçoes belas e se vestia bem. Usava uma bermuda bege, uma camisa azul clara com um boné combinando. Tinha os olhos castanhos e era bem braquinho.
- Não tem problema cara, quase ninguém vê as pessoas por aqui. — não entendi o que ele quis dizer e respondi meio sem lógica.
-É são ruas muito bonitas, ainda mais pra mim que nunca as vi.
- Nunca veio a BH? — ele perguntou surpreso
- Não, eu me mudei praticamente a umas horas atras.
- Bom então seja bem vinda. — ele sorriu.
- Obrigada, estou conhecendo-a.
- Não é só a ela quem está conhecendo. Está conhecendo a mim também.
- Eu não diria que estou conhecendo-o, apenas esbarrei e conversamos.
- Então tá. Prazer eu sou Justin. — ele estendeu a mão e o cumprimentei.
- Prazer Justin, sou Megan. — sorrimos e meu celular tocou mais uma vez.
- Preciso atender. Até outro dia Justin.
- Até outro dia Megan. — ele disse segurando o boné para ajeitá-lo, e piscou. Saiu andando pra casa ou sabe-se lá pra onde. Olhei pro meu celular e vi duas chamadas perdidas de Cassie, olhei pra tras e o vi caminhando, fiz o mesmo seguindo meu caminho. Talvez essa mudança não tenha sido apenas pra dar um tempo dos meus pais afinal. A unica coisa que quero agora é ir pra casa e pensar ou na minha vida, ou nos olhos castanhos e o rosto de Deuses.
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