Surreal
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sem escolha
capitulo
1
Cidade de Tokyo
atualmente
A escuridão daquela noite estava densa, quase não se dava para observar nada.
Meus amigos e eu estávamos voltando de uma festa que foi organizada por um grupo escolar. Haviam muitas bebidas e praticamente todos os jovens ficaram bêbados, menos eu, pois sou a tipica garota que só vai as festas para não passar a noite de sábado sozinha esperando minha “querida” Oneecha chegar em plena madrugada bebada afim de contar como fora sua noite pervertida com o dono do bar próximo a minha casa que ela gosta de frequentar.
Minha vida não era um verdadeiro mar de rosas, pois após o falecimento de meus pais minha Oneecha entregou-se de cabeça para o alcóol esquecendo-se completamente da carreira brilhante que lhe esperava como corretora em uma das maiores empresas de Tokyo.
Enquanto caminhávamos entre a umida calçada avistei ainda distante a entrada de um velho cemitério, eu nunca fui daquelas garotas que gostavam de lugares obscuros ou catatumbas, para ser exata prefiro manter a distância de lugares assim, pois quando eu era pequena tive uma terrivel experiência com uma antiga igreja.
Com a aproximidade daquele lugar senti um arrepio cubrir a minha espinha, uma sensação não muito boa passou diante de mim como se algo estivesse prestes a acontecer.
Quem está afim de cruzar o cemitério? — perguntou Aki Yamamoto.
EU ! — gritou Maki sua Oneecha.
Maki e Aki Yamamoto são para mim como anjos da guarda caidos, pois ao invés de me protegerem estavam tentando me levar para dentro de um cemitério em meio a madrugada e como se isso fosse pouco ambas encontravan-se alcóolizadas.
É muito perigoso- falei
Você é muito medrosa !!!- zombou Aki enquanto tantava manter-se em pé
Aki... — disse Maki em reprovamento
Desculpe – disse Aki
prefiro mater-me longe de lugares assim – Falei enquanto cruzava a entrada do cemitério.
“Emi...” uma voz suave chamou-me mais que calmamente. Olhei para dentro do cemitério, pois fora de la que partiu a doce, mas ao mesmo tempo firme voz. De repente senti algo forçando a minha entrada naquele lugar, quando olhei para trás não havia ninguém próximo o suficiente para me força a entrar.
sucumbi e deixei-me levar pela tal força até o meio do cemitério aonde a escuridão que o encobria conseguia ser mais tensa do que a própria noite. A grama ao redor dos tumulos dançavam conforme a musica que o vento levemente soava. Próximo a mim havia uma velha e tenebrosa igreja e ao seu lado havia um antigo pé de cerejeira tão belo, mas ao mesmo tempo assustador.
Maki subiu em uma antiga e apagada lapide e gritou:
Este lugar não daria um ótimo filme de terror ?
Não – lhe respondi
Relaxa Emi – retrucou Aki
Ainda estou calma – alertei
Serio ? — brincou Maki
Até demais. — menti
Por dentro meu corpo fervia, uma sensação de temor excitava minha pele de uma manenira inacreditavel.
“HuuuHuu” uma voz feminina encobriu meu ouvidos, de repente um barulho tão suave quanto os rangidos dos ventos tomou conta daquele lugar. Pausei os pés por alguns segundos, e após voltei a caminhar .
O barulho voltou-se a repetir, era uma música cujo o som era relaxante, parecia que alguém estava a tocar um piano. Os sons que partiam de suas teclas misturavam-se no ar e traziam uma sinfonia quase perfeita até a mim. Por um breve momento minha alma foi afastada do meu corpo. Uma sensação de liberdade me abraçou, mas de repente, como uma mistura de surto e realidade minha alma estava de volta a aquele terrível lugar e meus olhos contemplavam a horripilante escuridão da noite.
Percebi que todos continuavam a caminhar, não havia se quer indícios da passagem daquela bela e arrebatadora sinfonia. Ainda assustada me virei para todos.
vocês ouviram isso ? — perguntei
O quê ? — retrucou Aki
O piano tocar ?
Não havia nenhum piano tocando – disse Aki
Havia sim – lhe respondi
Maki você ouviu algo ? — perguntou Aki
ela balançou a cabeça negativamente
Viu ! — disse aqui – você esta ouvindo coisas.
Eu tinha certeza de que havia ouvido aquele doce piano tocar, pois eu não poderia esta tão instavel ao ponto de cria la em minha não louca, mas talvez perturba mente.
Eu não havia percebido, mas as meninas estavam passos a minha frente e, eu estava parada entre a cerejeira e a entrada da igreja.
Meus olhos encontraram-se com algo brilhante entre as folhas dela. Em minha curiosidade decidi me aproximar. Ao toca-lo com as pontas dos dedos tive a impressão de queima- los , mas logo se estabilizou. Mesmo nas palmas de minhas mãos continuava a brilhar, só após alguns segundos que o brilho diminuiu e percebi que era um antigo , mas muito belo relógio de bolso. Ele tinha a cor prateada, o seu ponteiro me lembrava o ouro e seus botões de ajuste diamantes.
O brilho começou a ressurgir, do relógio nascia uma chama azul. Tentei larga lo, mas meu corpo não me obedecia. Aquelas chamas se espalhavam sobre minhas mãos. Senti algo atravessar meu coração deixando a metade do meu corpo dormente. o iris dos meus olhos tornaram-se totalmente brancos, minha alma começou a ser puxada para um redemoinho suave e turvo por uma grande força maior que tudo, era como que se eu tivesse ligada àquilo pra sempre, a escuridão tomou conta da minha visão e tudo que senti fora meu corpo colidir com o chão
MINUTOS DEPOIS …
“Emi” alguém me chamou , mas a voz estava tão distante que não soube distinguir de quem era, certamente eu ira morrer ali antes de descobrir, mas outra vez a voz gritou “ Emi”, porém ela estava mais próxima, minhas pálpebras estavam desejando ser fechadas, enquanto elas se recolhiam, ouvi meu nome pela ultima vez. A escuridão tomou conta da minha visão e quando percebi tudo havia se apagado novamente.”
“Emi” alguém berrava enquanto me sacudia. Senti uma mão quente por trás da minha cabeça, quando finalmente abri meus olhos me deparei com os cinzentos olhos de Maki. Ela estava com uma expressão de desespero, havia uma roda ao meu redor. Pus minha mão direita sobre minha testa para poder afastar minha franja.
você esta bem Emi ? — perguntou Aki
sim !
Eu havia respondido por impulso. O que sera que houve comigo ?
Olhei ao meu redor, havia uma terrível nevoa vagando entre o cemitério, ela não estava lá antes do meu súbito desmaio. Senti algo gelado cair sobre minha testa, foi como um choque de realidade. Estava começando chover, Maki estendeu as mãos para que eu pudesse levantar, segurei, então fui puxada até sentarem-me. A chuva estava aumentando, os cabelos loiros de Maki estavam começando a se encharcar. Esfregando meus olhos senti um vento soprar de dentro da cerejeira, nesse momento um corvo sobrevoou nossas cabeças, o acompanhei com os olhos, ele pousou sobre uma lápide que estava em uma distancia muito grande, era impossível conseguir lê-la . Aquele corvo tinha um olhar furioso, ele começou a balançar a cabeça como um lunático, mas animais não faziam aqueles tipos de movimento até aonde me recordo. Meu olhos estavam fixados sobre os daquele animal e, eu posso dizer com toda certeza que os dele estavam sobre os meus também. Em frações de segundo aquele corvo começou a se retorcer. era nojento a forma a qual suas asas cresciam e seu pescoço aumentava. Eu não consigo acreditar no que meus olhos me mostravam, naquele animal estavam crescendo pernas. O corvo cresceu tanto que tomou o tamanho de um ser humano. Seus olhos ainda estavam sobre mim, eram vermelhos e sua boca estava coberta de sangue. Ele continuava sobre a lápide, mas de forma humana dessa vez.
Empurrei meu corpo para trás com as mãos, aquilo não era real não poderia ser.
você esta bem Emi ? — perguntou Aki
Eu não podia responder , pois estava assustada de mais, mesmo se eu quisesse minha voz não sairia. Apontei meu dedo indicador para a lápide o qual aquele homem se encontrava sentado.
ali – falei
todos olharam, mas não ouve se quer um grito ou risadas, a única coisa que ouvi foi um suspiro:
era só um corvo Emi , mas parece que ele já se foi. — disse Maki
não era possível que eles não estavam vendo aquele homem sentado em cima da Lápide, aquilo não era minha imaginação, não poderia ser.
Maki me puxou de um lado e Aki do outro. Eu estava de pé, mas quase caindo novamente. Elas seguraram em minhas mãos, meus passos estavam lentos, pois enquanto eu me movia meus olhos estavam sobre o homem e os seus ainda sobre mim. Quando cruzamos o portão que nos levava para fora daquele lugar, dei uma ultima espiada por cima do ombro e acabei percebendo que o homem havia desaparecido. o corvo sobrevoou novamente por cima das nossas cabeças, mas daquela vez ele deixou um cheiro de enxofre pairando sobre o ar.
Estávamos fora da rota, mas meu coração ainda estava perdido naquele lá, Maki e Aki estavam paradas em meu portão. Eu ainda sentia a sessação daquele lugar horrível,mas eram elas que estavam me deixando assustada, pois estavam a me encarar com ar de preocupação.
você ficara bem Emi ? — perguntou Maki-chan
balancei a cabeça de forma positiva, eu estava tentando acreditar em minha próprias palavras, mas estava cada vez mais difícil.
fica bem Emi, qualquer coisa é só nos ligar. — falou Aki-chan
obrigada ! — respondi com a voz falha.
Dei adeus para elas...
Quando tranquei a porta escorreguei sobre ela, eu precisava me acalmar.
cheguei ! — falei alto o suficiente para minha oneecha ouvir.
O barulho da porta a minha frente se abrindo ecoou dentro dos meu ouvidos, fora aberta lentamente causando uma impressão de algo antigo. Logo que me virei, deparei-me com a beleza de Afrodite, não é a mesma da mitologia grega é claro, pois ela não é a deusa do amor, mas com certeza ambas carregam a mesma formosura e suavidade de um anjo. Dentro de um vestido furiosamente decotado de seda negro graciosamente emoldurado por pequenas pedras de diamantes ela se encontrava praticamente perfeita. Seus cabelos longos e amarelados como o próprio ouro estravam soltos em meio a uma a uma presilia negra encobria um espaço perfeito em seus sedosos fios uma pequena pedra decorativa que estava em seus cabelos combinavam perfeitamente com seus belos e brilhosos olhos azuis.
Por um breve momento pensei que minha Oneecha havia voltado ao normal, mas minhas esperanças de uma vida normal logo fora cortada, pois ao andar Afrodite cruzavas os passos quase caindo ao chão.
seja bem-vinda Imouto !
Esta tudo bem por Aqui Oneecha ?
Eu acho que sim, há nem sei, eu acho que esta tudo no lugar.
Você também chegou agora ?
Sim, quase ao mesmo tempo que você.
Algo bateu na porta levemente, mas o suficiente para que eu podesse sentir a colisão. Afrodite olhou por cima dos meus ombros, encarou a porta por alguns segundo e após me encarou.
poque você esta sentada ai Imouto ?
Nada apenas estou um pouco cansada.
Ela estendeu as mãos e me puxou.
já para o quarto, pois irei preparar um belo banho quente para você, mas só se eu conseguir subir as escadas com esses saltos.
Arigatou Oneecha!
Antes de subirmos ela tornou a olhar para porta, era como se estivesse conseguindo presenciar algo que eu não podia ver. Seu olhar era serio, mas logo mudou quando percebeu que eu a encarava com a mesma intensidade.
vamos indo, você precisa me ajudar a subir – brincou Afrodite.
Desda morte de nossos pais em um terrível acidente de carro Afrodite vem cuidando de mim como se fosse minha Okaasan, mesmo sabendo que nada poderia substituir a falta que eles fazem, mesmo com as noites bebadas, as terriveis enxaquecas dela agradeço muito por esta comigo. As vezes sinto-me egoista por querer esta sempre com minha Okaasan, vivo lembrando a forma a qual tocava piano para que eu viesse a dormir, minha paixão pelo mesmo veio graças a ela, e virou uma mania tocar antes de dormir.
Após meu banho decidi tocar um pouco de piano. Toda vez que o tocava meu coração sentia a aproximação de meus pais, mas ultimamente esse pequeno rio de felicidades secou-se. Ainda chovia quando sentei-me sobre a cadeira do piano e pus minhas mãos sobre ele. Meus dedos escorregavam sobre as teclas e o som que partia dele era tão triste, tão depressivo, tão esquecido assim como meu coração quando penso na minha família. Em minha mente veio a musica a qual ouvi mais cedo, eu sabia a base, mas a mesma suavidade era impossível, Veio também tudo que ocorrera naquele pouco tempo o qual cruzei a rota, logo me lembrei do relógio. Aonde sera que ele esta nesse momento ?
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