Surprise
1 Capítulo Único
Acordei tonto como sempre acordava quando bebia um pouco além do que eu conseguia aguentar — e eu aguentava muito! – e ainda conseguia controlar meus movimentos e manter as coisas intactas.
Piscando, levantei o tronco da cama e senti um arrepio ao sentir o lençol escorrer por minha pele nua. Eu podia sentir que estava apenas de meias e um lençol cobrindo tudo o que havia para baixo de meu quadril; foi quando olhei de esguelha para o lado oposto da cama e descobri o que havia se passado na noite passada, ou o que imaginava ter acontecido de qualquer forma.
Totalmente enrolado nos lençóis, com apenas um dos ombros claros e cheios de sardinhas a mostra, estava Dick Winters ao meu lado. Seu corpo estava virado contra mim, de frente a janela que dali chegava a luz do sol que agora inundava o quarto com uma cor quente e brilhante.
Tossi em reação a um ligeiro espanto que emergia sobre meu rosto, mas não levantei os braços da posição em que estavam, apoiados pelos cotovelos na cama.
Suspirei profunda e longamente e me debrucei na cama, me aproximando de Dick e observando sua reação à minha aproximação. O ruivo nem se mexia e continuava seu sono tranquilo. Por uma faísca de curiosidade, levantei a parte de baixo de seu lençol, a qual não estava presa sob o corpo de Dick, e observei seu corpo alvo, delicado, cheio de sardazinhas para todos os lados e um traseiro de fazer inveja em qualquer mulher.
Ri com meus pensamentos maliciosos e ele resmungou, parecendo acordar aos poucos.
— Bom dia, Senhor. – sorri, batendo continência.
Dick se assustou com minha expressão e se levantou bruscamente, ficando quase que completamente nu:
— O que houve?
Eu gargalhei de sua cara ingênua e assustada, ele olhou para mim e fechou a cara:
— O que houve, Nix?
Eu continuei a rir baixinho e curvei o canto da boca num sorriso maldoso e abaixei meus olhos para seu corpo. Ele arregalou os olhos ao seguir o meu olhar e passando uma das mãos na testa, suspirou:
— Não acredito que você me levou a isso...
— Como? – perguntei, fingindo-me ofendido. – Eu não quis sozinho, ok?
Ele riu uma risada irônica e jogou um travesseiro em mim, enquanto eu ria mais ainda de seu repentino inconformismo:
— Bem, deve ter sido bom. Porque eu estou me sentindo ótimo...
Ele virou os olhos, me derrubando na cama e, voltou a me beijar como me beijara antes de eu perder o controle na noite passada.
Aqueles lábios, como eu confirmava agora, eram os lábios mais deliciosos de todos.
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