Notas iniciais
Espero que gostem :D
Boa leitura ♥

Izaya correu pelas ruas escuras de Ikebukuro, fugindo de seu perseguidor, que ia atrás dele gritando e chamando-o de todos os nomes e xingamentos possíveis. Os prédios altos passavam rápido por ele, todos fechados e com suas luzes apagadas.

Shizuo, com seus cabelos loiros, força inumana e porte atlético, carregava uma placa de “pare” arrancada de alguma esquina enquanto corria atrás de Izaya o mais rápido que conseguisse. Queria alcança-lo logo, mas a pulga corria muito. Shizuo xingava o informante de todos os nomes que conseguia se lembrar e Izaya ria ouvindo os insultos e devolvia:

—Isso me magoa muito, Shizu-chan –Sabia que aquilo irritava ainda mais o barman, por isso falava.

Seu sorriso malicioso e seus cabelos pretos eram destaque na cidade. Sempre que alguém o via se aproximando uma onda de medo passava pelas pessoas, pois ele era um informante extremamente manipulador e com complexo de Deus. Shizuo ouvira naquele final de tarde quente a comoção entre os humanos e se aproximou, avistando a pulga de longe e iniciando a perseguição. Queria manter sua querida cidade livre de pragas.

—Volte aqui, verme! –O loiro pediu entredentes furioso. Jogava a placa de um lado para o outro tentando acertar aquele maldito, mas a raiva dificultava sua concentração e sua mira.

Com um tropeço em uma pedra solta no calçamento, Izaya se espatifou no chão, dando vantagem à corrida de Shizuo, que finalmente conseguiu rebatê-lo com a arma, lançando o moreno alguns metros longe.

Sorrindo, Shizuo se aproximou da pulga que gemia com a dor da pancada. Acendeu um cigarro e o pendurou entre os lábios.

—Satisfeito? –Izaya indagou tossindo e sentando com dificuldade. O outro apoiou o pé no peito dele, impedindo que levantasse, deixando-o sentado no chão frio de Ikebukuro.

—Ainda não– Retrucou tragando a nicotina e exalando a fumaça para a noite, tentando suavizar a respiração ofegante pelo esforço.

—Pois deveria, acabou comigo.

—Ainda não- Rosnou mais uma vez. Apanhou a placa amassada que tinha caído no chão com a pancada e observou a pulga de cima, retirando seu pé das roupas dele.

—O que quer fazer comigo? –Izaya fez um bico com a boca- Você vai me bater?

—Pretendo- Posicionou a arma como se fosse um taco de beisebol.

—Ou prefere fazer algo mais... Divertido?

A insinuação pegou o loiro de surpresa, que parou sua preparação para acertar Izaya e olhou para ele com descrença. Do que aquele maldito estava falando? Idiota...

—Ah, qual é... Eu sei que todos querem um pedacinho disso aqui- Falou fazendo sinal para seu corpo todo.

Izaya aproveitou o choque e levantou, tentando ignorar a dor em seu corpo e ficando frente a frente com o monstro, olhando nos olhos dele.

—Você também quer um pedaço? –Indagou provocante. Antes que Shizuo pudesse ter qualquer reação, Izaya apanhou seu canivete e cortou a barriga do outro, pondo-se a correr como se sua vida dependesse daquilo, afinal de contas, dependia mesmo.

Shizuo, despertando dos devaneios e das ideias ridículas que Izaya botara em sua cabeça, correu atrás do informante irado. Não era como se o ferimento feito pela lâmina doesse, mas sangrava em seu uniforme e aquilo o deixava irritado.

Daquela vez aquele verme estúpido não ia escapar, não sem uma surra que lhe quebraria todos os ossos do corpo esbelto... O que estava pensando? Aquele maníaco manipulador tinha implantado pensamentos em sua mente.

—IZAYA- Gritou enquanto o perseguia.

—Só topo se me levar para jantar antes- Respondeu com um sorriso de escárnio, enfurecendo o barman.

—SUA. PULGA. MALDITA.

A cada palavra um golpe com a placa era desferido, entretanto, para a sorte do informante nenhum o acertara, escapando por poucos centímetros.

Sua hora estava chegando. Achava que desta vez não escaparia com vida. A jogada de insinuar sexo tinha sido perigosa e possivelmente mais fatal que esfaqueá-lo, mas na hora tinha parecido uma saída adequada.

Além disso, tinha o fator de que possivelmente Izaya desejasse que Shizuo concordasse... Possivelmente...

Um estouro alto e longe assustou os dois, que pularam e interromperam a perseguição assustados para buscar a fonte do som. Olharam para os lados e mais outro estouro seguiu, e mais outro e mais outro.

—Shizu-chan- Izaya chamou a atenção dele olhando para o céu. Lá em cima, entre as estrelas e a lua minguante, fogos de artificio coloridos explodiam e brilhavam, derramando sobre a noite suas cores.

—Hoje... Hoje é ano novo- Shizuo recordou observando o show. Não tinha se lembrado que era naquele dia quando iniciara a perseguição à pulga pelas ruas de Ikebukuro.

—Feliz ano novo, Shizu-chan- Izaya falou hipnotizado pelos fogos brilhantes.

—Feliz ano novo- Shizuo respondeu, para surpresa do informante.

Os dois ficaram alguns minutos apenas observando os fogos. Shizuo deixou a placa de pare cair no chão com um baque, mas nem notaram. O cigarro se perdeu na boca boquiaberta dele, que só bateu as cinzas, sem ligar muito. Izaya recolheu o canivete no bolso, sabendo que não o usaria mais.

Naquele momento, não existiam diferenças entre os dois. Eles compartilhavam um momento especial só deles.

—Shizu-chan- Chamou o informante- Que noite linda, hum?

—Tem razão, Izaya-kun.

Izaya olhou para o barman chocado. Ele o chamara pelo nome pela primeira vez em... Bem, pela primeira vez. O informante então, em um impulso, puxou a gravata borboleta de Shizuo e selou seus lábios em um beijo.

O outro se surpreendeu, mas não cortou o contato, apenas o intensificou ainda mais, acariciando os cabelos negros de Izaya e puxando seu corpo mais para perto.

Ao fundo, os fogos de artificio estouravam, acrescentando magia à noite e ao beijo urgente.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥
Deixem um review ai embaixo, gosto de saber o que acharam ;)
Até uma próxima :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!