Surpresas da vida
15 Um único pedido
Notas iniciais
Não vi mais Sasuke depois daquele dia. As semanas foram passando arrastadas. O ponteiro do relógio parecia nunca sair do maldito lugar e eu praticamente morava dentro do hospital. Afinal, era mais fácil passar por um plantão de trinta e seis horas do que ir para casa sorrindo e fingir que estava tudo bem. Porque não estava.
Eu sabia esconder bem o que eu sentia, isso era verdade. Tanto que Ino e Hinata nem perceberam o quão triste e magoada eu estava. Mas, ás vezes, esconder emoções é extremamente cansativo. E eu me sentia cansada a maior parte do tempo.
A verdade era que eu sentia falta de Sasuke. De sua voz, de seu perfume, seus toques e sorrisos discretos. Acontece esse tipo de coisa quando se ama. Os detalhes fazem falta.
Eu também saia à noite para beber com as meninas e caçar alguns caras, mas parece que eu não era mais tão interessante para eles ou eles que não me despertavam mais o interesse. O que resultava em voltar para casa sozinha e deitar em minha cama fria que ainda tinha o cheiro de Sasuke. Perdi a conta de quantas vezes lavei aqueles malditos lençóis, mas o perfume dele ainda permanecia, torturando-me e deixando-me enlouquecida de raiva.
Maldita hora que confiei nele. Todos os meus instintos me diziam para me afastar, porém, ainda assim, eu deixei-me levar por tudo o que ele me oferecia. O sexo maravilhoso e quente, a adrenalina, o perigo, o sentimento de ser desejada, ser poderosa, ser a mulher dele. Deixei-me envolver demais e agora eu arcava com as consequências de ter sido tão estúpida. E ingênua.
Apesar de eu achar que alguém lá em cima estava tirando uma com a minha cara fazendo com que o relógio nunca saísse do lugar, o tempo passava. Hinata, para minha total surpresa, continuou firme e forte com seu namorado. Namorado que era amigo de Sasuke. O que deixava-me ainda mais brava, pensando em porque raios aquele cretino estava em toda parte. Mas Naruto era legal. Engraçado, meio idiota, mas era legal. E tinha um bom coração. O que era no mínimo contraditório já que seu melhor amigo, Sasuke, não tinha.
Quando eles falavam de Sasuke, o que era inevitável já que tanto Gaara como Naruto eram amigos dele, eu ria e demonstrava que o que aconteceu entre nós não fora nada. Que Sasuke não fora nada. Que eu não sentira nada.
Sinceramente, naqueles dias, eu pensava seriamente a me candidatar ao Oscar de melhor atriz.
Acabei me aproximando de Naruto. Não tinha como não se tornar amiga dele, já que o homem falava tanto que era impossível ignorá-lo. Tornou-se, portanto, comum que ele me desse uma carona até o hospital ou me buscasse em um dos meus cansativos plantões.
Mas dessa vez ninguém fora me buscar. E eu estava sem carro. Na verdade, quem estava sem carro era Ino e eu, estupidamente, emprestei-lhe o meu. O resultado era eu andando sozinha para casa naquele frio infernal, enquanto Ino se divertia com meu carrinho esquecendo-se do seu compromisso de me buscar à meia noite e meia. E claro, o celular daquela maldita desmiolada estava desligado. Perfeito.
– Ino, sua maldita! Porca, juro por Kami que nunca mais você vai encostar um dedo do meu carro, isso se você ainda possuir dedos depois do que eu vou fazer quando ver esse seu cabelo loiro oxigenado! – deixo a mensagem na caixa postal, mesmo que eu duvide muito que ela vá ouvi-la, já que provavelmente já sabe seu conteúdo.
Minhas botas de salto faziam um tremendo barulho enquanto ando pela rua que fica há uma quadra do hospital e há milhares do meu apartamento.
Estou tão brava com Ino que só percebo o carro que se aproxima quando ele praticamente para em cima de mim. Preparo-me para mandar o cretino do motorista para aquele lugar, mas sou pega de surpresa pelos três homens que saem de dentro do carro. Minha primeira reação é fugir. É uma reação instintiva, não consigo evitar. Começo a correr, mesmo sabendo que serei pega. Posso usar as aulas de defesa que Gaara me deu, mas tive a impressão de que os homens que estão atrás de mim sabem o que fazem.
Meus pulmões estão prestes a explodir. Posso ouvi-los correndo em meu encalço. Não demorará muito e eles conseguirão me pegar. Mas, ainda assim, corro. A adrenalina é tanta que nem sinto mais o maldito machucado em meu pé esquerdo, causado pelo salto da bota, outro motivo para matar Ino, antes desses homens estranhos aparecerem. Eu corro, e continuo correndo. Minha única vantagem é minhas longas pernas, porém, a bota dificulta meu sucesso, não parecendo nem de longe elegante e sexy como eu pensei pela manhã.
Portanto, não fico surpresa quando um braço me agarra firme e rudemente pela cintura. Eu revido imediatamente, virando meu corpo e acertando um soco em sua mandíbula. O homem, todo de preto, o rosto ocultado pela própria escuridão natural da noite, provavelmente o mais rápido entre os três, pragueja de dor e, aproveito que ele ficou desnorteado pelo soco, tento fugir novamente. Entretanto, um braço forte e de aço bate contra meu ombro esquerdo, o impacto é tão violento que fico sem ar. Caio com tanta rapidez contra o chão, que não consigo evitar que minha cabeça bata no asfalto com força.
– Droga. – a voz de um de meus agressores pragueja. E outras palavras se sucedem. Mas não consigo mais discerni-las e, imediatamente, apago.
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Há um zunido em minha cabeça. E vozes ao fundo. Não consigo compreender o que dizem de imediato, mas aos poucos, depois do que parecem horas, começo a recuperar a consciência.
– Droga, merda, Hidan. É a garota do Uchiha, porra! Qual a parte de não machucá-la você não entendeu?
– Era isso ou a vadia ia voltar a correr!
Ouço um suspiro pesado. Não ouso abrir os olhos e revelar, para quem quer que seja Hidan e a outra pessoa que o repreende, que estou acordada.
– Ah, cara, Orochimaru vai matar a gente. E, se ele não matar, o Uchiha vai fazer coisa bem pior. Maldita hora que aquela cobra maldita mandou a gente para pegar a garota.
– Você sabe o que ele pretende?
O outro homem ri, não é um riso feliz.
– E você acha que ele me conta alguma coisa? – ouço passos e alguém mexendo em alguma coisa metálica. – Vou limpar o rosto dela, se Orochimaru a ver nessa situação estamos ferrados.
Sinto-o se aproximar. Meu corpo imediatamente fica tenso. Seguro o braço do estranho antes que ele encoste no meu rosto. Viro seu pulso com força e rapidez, só o largando quando ouço o som do osso se partindo. Meu cotovelo imediatamente ataca seu rosto e ele cai, já inconsciente, no chão. Ergo meus olhos e encaro o próximo. Hidan. Os cabelos só podem ser tingidos, pois é impossível cabelos grisalhos para um rosto jovem como o dele. Ele parte para cima de mim com fúria, mas sou mais rápida e desvio. Bato sem querer o quadril na quina de um balcão e gemo de dor. Hidan aproveita e soca minhas costelas. A dor é imediata. Não posso deixar ele me derrubar novamente, seria o fim. Procuro desesperadamente algo que posso me ajudar, pego uma vasilha pesada de metal que estava próxima e atinjo-o em cheio na cabeça. Ele também apaga. Fora mais fácil do que eu pensara.
Estou ofegante. Mas pelos menos o efeito da adrenalina inibiu minha dor de cabeça. Olho ao redor e analiso onde me encontro. Uma sala pequena em tons de cinza com apenas uma lâmpada fluorescente. Uma espécie de enfermaria pelo o que percebo. Há apenas uma porta. Fechada, mas não trancada. Vou até ela e espio o lado de fora, encontrando um longo corredor. Minha pulsação imediatamente acelera. Ali, do lado de fora, depois de deixar para trás os dois homens nocauteados, posso ouvir sons que só identifico como tiros. E gritos. Gritos masculinos em fúria e desespero. Sigo pelo corredor, em direção a toda aquela cacofonia. Devo estar louca. Mas sinto que é para onde devo me dirigir.
Os ruídos da violência extrema se tornam mais próximos conforme caminho, e sei, mesmo antes de vê-lo, que Sasuke, de alguma forma, veio me socorrer. Mas surpreendo-me mesmo assim, quando o vejo com os olhos flamejantes de fúria, apontando e atirando, sua mira perfeita, acompanhado de outros homens que, assim como ele, atiram para matar. Um homem moreno vem em minha direção, percebo que não é para me salvar, e antes que ele me ataque chuto o seu joelho, fazendo-o cair surpreso no chão, e vejo, horrorizada, ele receber um tiro certeiro na testa. Ergo o rosto imediatamente, e os olhos verdes flamejantes de meu treinador me avaliam preocupados.
– Você está horrível. – Gaara murmura enquanto puxa meu braço.
Sigo-o em meio ao caos. Não me saindo a imagem da bala na testa do homem de há poucos segundos atrás.
– Se abaixe! – ouço a voz de Naruto surgir naquela confusão. Sei que ele, de alguma forma, se dirige a mim, mas sinto-me travada. Meus músculos estão tensos demais.
Uma bala no meio da cabeça daquele homem. Gaara o matou. A ferida não tinha sangue algum. Um tiro perfeito. Quem são realmente meus amigos? O que eles realmente fazem?
Um corpo grande e ágil se choca contra o meu. Sei que é ele assim que sinto seu perfume. Ele se jogou sobre mim para evitar que uma bala provavelmente me acertasse. Mas o impacto fora mal calculado, um ato de emergência, Sasuke não vira a parede tão próxima a mim. E é lógico, mais uma vez, que o impacto da minha cabeça contra o concreto frio me faz apagar, levando comigo a imagem de olhos negros preocupados.
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Minha cabeça dói. Minhas pálpebras parecem pesar o suficiente para eu não conseguir abri-las. Sei que apaguei, pela segunda vez em um curto período de tempo, pela dor que sinto. Estou deitada sobre algo macio, provavelmente uma cama e não consigo ouvir nada. Nenhum ruído, nenhuma voz, nada.
Minha cabeça dói. Muito na verdade.
Imagens violentas me vem a mente. Muitos tiros e sangue.
Preciso saber onde estou, mas a dor me deixa atordoada o suficiente para eu ficar mais alguns instantes sem me mover.
Kami, o que aconteceu depois que apaguei?
– Ah... – arfo quando tento me levantar. Não é uma boa ideia. Fico tonta e volto a deitar.
Fico paralisada quando ouço uma movimentação.
– Sakura? – a voz é hesitante e baixa enquanto se aproxima. – Sakura-chan?
Ao reconhecer a voz, meu corpo imediatamente relaxa.
– Naruto? – minha voz sai estranha, rouca, como se há algum tempo não fosse usada e saísse com dificuldade.
Ele segura minha mão. A mão grande e masculina é quente sob as minhas extremamente frias.
– Sim, Sakura-chan.
Suspiro. Minha cabeça está latejando demais. O tempo todo. Minha mão livre vai até ela e sinto que há um curativo na parte posterior da minha cabeça. Uma faixa provavelmente. Mas está pegajosa, o que significa que o ferimento voltou a sangrar.
Meu estômago está embrulhado e não consigo evitar, quando os espasmos me assolam, de vomitar violentamente no chão daquele lugar desconhecido.
– Sakura-chan? Kami-sama, você está bem? – a voz preocupada de Naruto me desperta enquanto ele segura o meu corpo evitando a minha queda do que percebi ser uma cama mesmo.
– Não, acho que sofri uma concussão. – respondo com minha voz estranha enquanto Naruto deita-me novamente na cama. – Onde estou?
Mas Naruto não tem a chance de responder, pois a porta é aberta e a voz da última pessoa que eu queria ver no mundo chega aos meus ouvidos.
– Ela acordou, Naruto?
Naruto suspira, parecendo contrariado com alguma coisa.
– Sim, Sasuke. Mas não parece bem.
– O que esse cretino está fazendo aqui, Naruto? – o latejar na minha cabeça está cada vez pior. – Alguém pode me explicar o que está acontecendo? – não estou mais aguentando. – Ah! Deus, minha cabeça vai explodir! Vocês não tem a merda de um analgésico? Naruto, se afaste, acho que eu vou...
Não consigo segurar e volto a vomitar, dessa vez em cima do pobre do Naruto.
– Sakura...
Vejo ele se aproximar, mas simplesmente não consigo deixar que ele chegue perto de mim.
– Fique longe de mim, Uchiha. – sibilo, mas minha voz é cansada e baixa, não oferecendo de fato nenhuma ameaça.
Sasuke se aproxima mesmo assim e segura meu corpo fraco, que não oferece resistência.
– Naruto, há remédios na minha mesa do escritório.
Enquanto Naruto vai atrás do que Sasuke pediu, os braços fortes dele envolvem meu corpo inútil que não consegue afastá-lo.
– Droga, estou tonta. – murmuro enquanto minha cabeça cai sob seu peito e sinto seu perfume.
– Não posso levar você à um hospital. – ele suspira, irritado como sempre. – Mas liguei para um médico, ele receitou...
– Eu sou médica. Sofri uma concussão, Sasuke. Preciso passar por alguns exames. Preciso de um hospital.
Sinto ele acariciar meus cabelos. Sentir seu toque dói ainda mais. Machuca ainda mais.
– Não posso levar você à um hospital, é muito perigoso ainda. Os homens de Orochimaru ainda estão por aí, não conseguimos pegar todos, de forma que pode haver uma retaliação e sua vida pode correr perigo.
Eu ri, e isso fez ficar meio zonza, atordoada pelo latejar constante na cabeça.
– Não fale como você se importasse, Sasuke. Já sei que você é um cretino, pode tirar a máscara, porque eu não me importo.
Seus dedos apertam meus braços e um silêncio perturbador preenche o quarto. Silêncio que só é violado quando Naruto aparece com os comprimidos e eu os tomo sofregamente.
– Naruto, acenda a luz.
Ele acata meu pedido e eu pisco várias vezes, incomodada pela luminosidade.
– Sasuke, preciso que examine meus olhos. Veja se as pupilas estão dilatadas ou desiguais.
Quando os olhos negros me observam arrependo-me imediatamente de não ter pedido para Naruto me examinar. Aqueles orbes escuros ainda me afetam, e estar em seus braços não ajuda em nada.
– Nada. – a voz rouca responde. O olhar ainda preso no meu. O hálito quente e agradável acariciando o meu rosto.
Ouço o leve bater da porta e, percebo, que Naruto decidiu deixar eu e Sasuke sozinhos. O que é uma droga, pois seus olhos negros penetrantes ainda me consomem e sem Naruto, estou sem defesa alguma contra o Uchiha.
Seu polegar acaricia meu queixo e seu o olhar é tão intenso, o mesmo que eu via quando ele ainda estava dentro de mim, momentaneamente saciado pelo sexo sem limites, que eu pensei que fosse só nosso.
– Por favor, não. – sussurro quando percebo sua intenção clara de encostar seus lábios nos meus. – Seria injusto.
– Por quê?
Kami, posso sentir seu hálito fresco em minha língua.
– Por que estou fraca demais para socar essa sua cara egocêntrica.
Ele sorri, o mesmo sorriso sarcástico e sexy de lado, característico dele.
– Eu nunca fui justo, Sakura.
Mas quando nossos lábios se encontram, não sinto a mesma paixão, luxúria e loucura que sentia antes. Ainda estou machucada, ferida demais por ter sido traída tão descaradamente. E não posso ceder novamente. Persistir no erro é burrice e eu nunca gostei de ser burra.
– Já terminou? – pergunto calmamente enquanto ele afasta minimamente o rosto do meu. Os cabelos negros bagunçados, o semblante cansado.
– Você poderia ter morrido hoje. – ele fala levemente irritado, com os olhos fechados.
– Sim, e seria sua culpa. Fui envolvida nessa confusão toda por ter me relacionado com você.
– Eu sei. – surpreendo-me ao perceber que sua voz sai cansada também. Sasuke é sempre tão viril e forte. Nunca esperei ouvir aquele tom de voz sair por seus lábios.
Ele segura meu rosto com as duas mãos. Os polegares acariciam minha pele. Arrepio-me imediatamente.
– Você é minha. – a voz possessiva me alcança e seus olhos negros intensos voltam a me fitar. – Minha.
Eu sorrio, um sorriso carregado de malícia e amargura.
– Não sou. Como até mesmo você disse... Eu também nunca prometi exclusividade. – retruco enquanto tiro suas mãos do meu rosto.
Seus olhos escuros brilham de raiva, mas ele continua sentado ao meu lado, comigo encostada nos diversos travesseiros daquela imensa cama.
– Sakura, não fiz aquilo porque eu quis.
Eu rio descrente, mas logo paro pela dor imediata na minha cabeça.
– Ah, é mesmo? Que eu me lembre seu pau estava bastante duro enquanto entrava e saia dela. Não parecia nenhum pouco contrariado.
– Aquilo era trabalho.
– Sério? Não sabia que você fazia programa agora.
Suas mãos fecham-se em punhos, as juntas chegam a ficar brancas pela força e raiva ali contidas. Os olhos onixes fuzilam-me. Ele respira fundo.
– Não quero discutir com você. Você está machucada e precisa descansar. Mas aquela noite, aquela mulher... Você não vai entender. Ela era esposa de alguém importante. Aquilo foi uma forma de ameaçar o marido dela... Eu nem a conhecia antes de fodê-la. Foi apenas para provocar Morino, ameaçá-lo. E ela tinha algo importante que precisávamos.
Eu olho nos olhos dele, procurando alguma razão, alguma explicação. Mas não encontro nada.
– Tem razão, eu não entendo mesmo. Você está metido com coisas sujas, Sasuke. Coisas perigosas também. Não consigo entender e agora nem faço questão. Só fique longe de mim. O que aconteceu deixa claro que estar com você não é saudável. E, acredite, eu gosto de viver.
Ele suspira, totalmente contrariado por minhas palavras.
– Não posso fazer isso. Se eu ficar longe... Acontecimentos como esse que quase rachou sua cabeça no meio serão frequentes. Só posso mantê-la totalmente segura se estiver comigo.
Fecho os olhos. Sinto-me extremamente frágil com aquelas palavras. Ele fala como uma pessoa que se importa, que não quer que eu me machuque.
Mas ele machuca. Não é a pessoa certa para mim. Sei que ele só trará mais dor e lágrimas.
– Estou cansada, Sasuke. Quando eu acordar quero que me leve para a minha casa. É o mínimo que você pode fazer por mim depois de tudo.
Ainda de olhos fechados posso ouvir ele rir. É um riso estranho, um riso contido e nervoso.
– Acho que você não entendeu, Sakura. Você não vai voltar para casa. Vai ficar aqui na minha casa, comigo.
– Não estou para piadas hoje, Sasuke.
– Não estou brincando.
Abro os olhos lentamente e encaro seu rosto perfeito e sério. Ele não está brincando.
– Não vou ficar aqui.
As orbes negras faíscam de irritação e ele segura meu ombros.
– Deixe de ser infantil. Sua vida corre risco e você vai sim ficar aqui.
A adrenalina corre em minhas veias e, de repente, não há mais dor nem tonturas nem cansaço. Só há raiva e mágoas contidas.
– Pare de falar como você se importasse! – grito enquanto levanto da cama meio cambaleante, totalmente tomada por toda a dor que ele causou ao transar com outra mulher na minha frente.
Da cama ele me observa ainda sentado. Os olhos negros brilham e, mais rápido do que eu esperava, ele está na minha frente, segurando meus ombros. Com força, sem se importar se seu agarre machuca minha pele.
– Quando você vai perceber, sua cretina irritante, que eu me importo? – suas palavras são pausadas, tomadas de raiva, baixas e penetrantes.
Os olhos onixes que fitam com uma intensidade fora do normal. Penso em falar outras coisas, mandar ele para o inferno... Mas discutir com Sasuke é uma causa inútil. E muito cansativa.
A adrenalina momentânea se esvai e minhas pernas fraquejam. São apenas os braços fortes dele que me impedem de cair, e eu sinto-me incomodada com a proximidade repentina. Seus olhos nunca me deixam.
Ele me pega no colo e me leva até a cama novamente. Não protesto, o calor de seus braços é aconchegante demais para eu oferecer resistência.
Surpreendo-me quando ele não me deita na cama e sim, senta-se nela, encostando-se na cabeceira com meu corpo ainda em seu colo, puxando o cobertor e cobrindo nossos corpos.
Encosto meu nariz frio em seu pescoço e sinto os pelos do seu braço ficarem arrepiados... Será que...
Não consigo resistir quando sua mão acaricia minhas costas lentamente. Sasuke é tentador demais e já fazem quatro meses.
Ergo o rosto e não me surpreendo quando sinto seus lábios tão próximos de mim. Muito menos quando sua boca vai de encontro a minha e me beija com sofreguidão. Meu corpo corresponde automaticamente, reconhecendo e aceitando sedento seus toques.
O beijo vai ficando mais ousado, exigente, e eu passo meu braços por seus pescoço e abraço seus quadris com as minhas pernas desnudas. A língua atrevida e quente dele explora minha boca, seus dentes mordem meu lábio inferior e eu excitada remexo-me sobre seu membro já duro.
Ele afasta nossos lábios ofegante.
– Nem pensar, você está machucada e...
– Por favor, Sasuke. – roço seus lábios nos meus. – Por favor.
Seus braços fortes me abraçam e eu volto a beijá-lo. Ele não me contraria, está excitado demais para conseguir parar novamente.
Rebolo novamente sob seu membro grosso e duro. Imediatamente suas mãos vão até os meus quadris e detém meus movimentos.
– Pare com isso se não vou acabar gozando. – ele se aproxima da minha orelha, e seu hálito tentador deixa-me arrepiada. – E quero fazer isso dentro de você.
Ele me deita sob a cama com cuidado. Na verdade, todos os seus movimentos são cautelosos. Percebo, confusa, que ele teme machucar ainda mais meu corpo cheio de hematomas e feridas. Sasuke, surpreendo-me, está sendo carinhoso.
Ele volta a beijar meus lábios já inchados pelos seus outros beijos enquanto suas mãos vão até minha intimidade que, percebo só agora, estar sem calcinha.
– Quem trocou minha roupa? – sussurro tentando conter um gemido quando ele tira a camisa que uso e coloca meu mamilo rígido de desejo em sua boca.
– Te dei banho e troquei sua roupa. Não deixaria ninguém mais fazer isso.
– Claro, e não perderia a oportunidade.
Ele ri, um riso leve no vale dos meus seios que deixa minha pele imediatamente arrepiada.
– Jamais
Sua mão atrevida volta a acariciar meu clitóris e dois de seus dedos firmes me penetram fazendo-me gemer de prazer.
– Porra, tão molhada.
Seus dedos vem e vão em um ritmo certo e preciso. Puxo seus cabelos e o beijo com ardor enquanto ele me fode com sua mão.
Seus toques param repentinamente e vejo ele tirar sua roupa com pressa. Entendo sua urgência quando vejo seu pau extremamente duro e inchado, com veias grossas aparentes e a glande vermelha e já molhada pelo líquido pré ejaculatório.
Ele começa a me penetrar com um cuidado enorme, o que me irrita, pois queria que ele fosse com força.
– Não vou quebrar, Sasuke, se você enfiar com tudo.
Ele sorri. O sorriso sacana e sexy que sempre me deixou doida de tesão.
– Gosto quando você fala assim, gulosa como sempre. Mas...
O sorriso sacana morre e o olho confusa. Seu pênis penetra em meu interior mais algumas polegadas. Eu gemo.
– Se você visse o estado do seu corpo, essa sua pele branca deliciosa toda marcada, entenderia porque estou sendo cuidadoso.
Ele termina de me penetrar e suspira. Tomado de prazer. Sei que ele está se contendo.
– Sasuke, não precisa se segurar, não estou com dor.
Ele continua irritado. Sai vagarosamente de meu interior apenas para retornar com uma lentidão ainda maior.
– Não sente porque... – há suor em sua testa. Ele entra e sai de mim novamente. – Porra, vou fodê-la todos os dias, Sakura. – ele começa um vai e vem ritmado. – Você não sente dor porque está excitada demais. Quer mais?
– Por favor! – gemo e rebolo em seu membro, incentivando-o a ir mais fundo.
Mas ele continua controlado. Nossos corpos se chocam, seu pênis incha ainda mais em meu interior. Minhas pernas abraçam sua cintura e Sasuke aumenta seu ritmo. Estou quase lá.
Ele estoca até o fundo, não com a selvageria de sempre, mas ainda assim preciso em meus pontos de prazer.
Meus músculos internos ficam extremamente tensos e minha intimidade ordenha seu pau que entra e sai de mim sem parar. Sasuke não consegue se segurar e morde meu pescoço, fazendo-me imediatamente chegar ao ápice enquanto posso sentir seu liquido quente e viscoso preencher meu interior quando meus músculos vaginais apertam seu membro grosso e inchado.
Estamos ofegantes, mas Sasuke não está nem aí para o oxigênio e me beija. Posso sentir nossos líquidos misturados escorrer pela minha virilha e meu interior ainda pulsa e Sasuke ainda goza.
Ele encosta sua testa na minha e me fita com aqueles olhos que são verdadeiros poços profundos. O mesmo olhar. Aquele que diz que sou essencial, que sou única para ele.
Minha mão direita acaricia seu rosto suado.
– Você está bem? – a voz rouca, o hálito quente, abraçam-me.
Continuo acariciando seu rosto perfeito e másculo. Céus, eu realmente amo esse homem. Amo o suficiente para deixar aquele episódio nojento em que vi ele me traindo de lado e beijar seus lábios com carinho. Porque quero Sasuke. Dói demais ficar longe dele. Jamais pensei que amar um homem fosse um sentimento tão intenso. Mesmo ele me ferindo, só voltei a me sentir inteira agora em seus braços, com nossos corpos unidos. Preciso dele. Mas Sasuke possui um lado negro, um lado criminoso oculto para toda a sociedade elitista que o envolve. Não posso conviver com isso.
– Sasuke... Largue tudo. Deixe esses trabalhos sujos de lado. Por favor. Faça o que tem que fazer para terminá-los, mas, por favor, pare depois disso. Largue essa sua organização criminosa... Por favor.
Ele ri, um sorrisinho de escárnio.
– Por quem? Por você?
Eu suspiro, beijo sua boca e acaricio seus cabelos.
– Não, Sasuke. Por nós.
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