Surpresas Da Vida
9 Vingança ON
Notas iniciais
POV Olívia OFF POV Clara ON
Tentava me manter estável, eu não conseguia parar de pensar se teria algum tipo de causa maior em sua cabeça. Observava Fernando saindo da sala, havíamos nos revezado para quando Olívia acordasse. Josh, nem se mexia, nem se quer foi até a enfermaria, quanto amor. Eduarda estava chorando, dizia que havia escorregado e caído contra Olívia.
– Querida eu sei a diferença entre um empurrão e uma escorregada! — gritei nervosa.
– Olha aqui sua nerd, não foi você que escorregou. — dizia ela franzindo o cenho.
– Pare de mentir Eduarda! — gritava enquanto me dirigia a sua carteira.
– Quem é você para falar assim comigo?! — gritava ela levantando o punho.
– Escuta aqui sua vadia — segurei seu punho com minhas unhas — Olhe nos meus olhos e diga que foi mentira! — A paciência não me possuía naquele momento até que senti alguém me segurar. O garoto novo soltou a minha mão levemente.
– Olha, não vale a pena brigar com gentinha assim — disse ele paciente. Ele se afastou e voltou a colocar os fones. Parei, por um momento, pensei que isso não adiantava agora. "Depois resolvo isso" De repente Olívia entra sorrindo de orelha a orelha, como se nada tivesse acontecido e Fernando também. "Aí tem plano", penso sorrindo também. Olívia assim como eu sabe mascarrar a dor, ou no caso a vingança, ou a famosa volta seguida de plena humilhação. Houve aquelas conversinhas de: "Nossa, doeu? Isso está horrível, está doendo?" E Olívia sempre respondia: "Nããão nem dói sabe, fez cócegas" Fernando havia jogado um bilhete e Olívia se virou para mim. — Seguinte, eu vou fazer um inferno nessa garota.
– Hehehehehe, dor seguida de humilhação? — disse em voz baixa
– Dor — os olhos dela entraram em chamas. — e humilhação espalhafatosa. — Para quando é a Super Bonder, e onde você pretende cola-la? Ela sorri maléfica, isso significa planos.
Eduarda se levanta e mete a mão na cara do novato em um sonoro soco no nariz. Olívia para de sorrir e vê a cena. A sala se silencia aturdida. O novato põe a mão no nariz, que ficou vermelho, se levanta e sai da sala.
– Agora diz que foi sem querer! — berra Fernando
Corro atrás do novato e o seguro pelo ombro, ela se vira e o sangue espirra em mim.
– Desculpa – dizemos juntos.
– Mais uma visita á enfermaria – eu puxo seu braço e o faço me seguir até a salinha da enfermaria.
Depois de a enfermeira cuidar de mais um ferido, muito sangue para um dia só, como ela disse, eu e o novato estávamos subindo as escadas um ao lado do outro, calados.
– Não quero voltar para dentro da sala de aula com isso no nariz – Ele apontou para as ataduras que cobriam se nariz e o deixavam com um rosto meio deformado.
– Podemos... Ahn... Escapar por uma aula – eu disse logo me arrependendo. Escapar? Parecia que éramos um casal que ia dar uns pegas escondido.
– Você vai perder uma aula por mim? – disse ele meio inconformado.
– Ah... Só se você me disser seu nome – sorri.
– Paulo – disse ele parando no meio do corredor e me encarando – Você é Clara né?
– Até onde eu sei... – sorri e balancei a cabeça positivamente.
Demos meia volta e fomos para o pátio, hoje era dia do rodízio dos inspetores, essa aula eles estavam no pátio lá de cima, com as crianças menos, a próxima aula desciam, na verdade, depois dessa aula era o intervalo. Sentei no banco perto do canteiro de rosas e Paulo sentou se ao meu lado, começamos a conversar e, no final daquela aula, quando tocou o sinal estridente e exagerado, que quase nos deixou surdo, e com os ouvidos zumbindo, nós já havíamos nos apegado, tanto que já tínhamos apelidos, “moço fofo” “Clarita”. O meu, meio obvio, era por causa do meu nome, o dele, é porque me apaixonei pelas fotos que ele me mostrou de quando era pequeno e fofo.
– Agora você vai ficar com a Olivia, não é Clarita? – ele disse meio desanimado. Olhei por entre a muvuca que havia magicamente aparecido ali, e vi Olivia com Fernando, balancei a cabeça negativamente.
– Acho que hoje não – Sorri maliciosamente, e Paulo me olhou sem entender.
Faltavam cinco minutos para o final do intervalo, eu estava ao lado do Paulo e senti uma mão me puxando pelos ombros, foi tudo muito rápido, vi Olivia me puxando e eu a seguindo cheguei à sala de aula e ela sorriu maliciosamente com aquele olhar fervoroso para mim, entendi o que ela estava fazendo com Fernando, “O plano”.
– Agora? – eu disse.
– Perfeito – disse Olivia pegando o super bonder e pingando na cadeira da Eduarda.
– Vai secar antes de ela chegar – eu disse.
– Aula de ciências, Eduarda bajuladora, primeira a entrar na sala de aula – disse Olivia calma e confiante.
– Você pensou em tudo, como sempre – sorri.
– É como sempre – Olivia repetiu.
Dois minutos depois Eduarda chegou com a professora de ciências, elas até se pareciam, a professora era gorda e baixinha, rosto rechonchudo e cara de má, cabelo da metade para baixo loiro e metade para cima castanho, branca com sardas espalhadas pelo rosto e braços, ela me dava arrepios só de olhar.
Ouvimos gritos, corremos para a sala, o que vimos:
Eduarda com as calças coladas na cadeira, a professora desesperada, metade dos alunos já haviam entrado, estavam tirando fotos e filmando, outros riam, Eduarda parecia desesperada.
Olivia e eu estávamos paradas em frente da porta, Olivia encarou Eduarda e sorriu, Eduarda arregalou os olhos e grunhiu alguma coisa, Olivia olhou para mim, eu a encarei de volta e ela piscou.
– Você é demais – disse Olivia.
– Você é mais – sorri.
(...)
– A senhorita tem provas? – dizia a diretora enquanto Eduarda esperneava na sala da direção acusando eu e Olívia de ter a colado na cadeira.
– Não, mas... Mas eu sei, acredita em mim foram essas – Eduarda nos olhou com desprezo e nós nos fingimos de vitimas, arregalando os olhos e encolhendo os ombros – Essas nerds imprestáveis – grunhiu ela.
– Olha aqui – Impôs a diretora levantando a voz e levantando-se da cadeira – A senhorita trate de ser mais bem educada, pois não tem motivos para estar tratando suas colegas assim...
– Minhas colegas? – Gritou Eduarda
– Não me interrompa – gritou a diretora mais alto. Á esta altura nós estávamos quase morrendo de vontade de dar risada, mas aguentamos óbvio. – Agora a senhorita vá tratar dos seus, ahn, fundilhos, enquanto Clara e Olívia voltem para a sala de aula, pois estão perdendo matéria.
– Sim senhora – disse eu me levantando – Vamos Olivia?
– Ah, claro, com licença – Disse Olivia indo em direção á porta e eu a seguindo.
– Esperem – Disse a diretora com voz firme, nós nos viramos e Eduarda deu um sorriso de dentes tortos. – Levem a declaração de que estiveram aqui comigo se não a professora não ás deixará entrar em sala – Disse ela com amabilidade.
– Obrigada – Dissemos eu e Olívia juntas enquanto pegávamos o papelzinho e corríamos para a sala de aula, sem antes ouvir Eduarda grunhir “Vocês me pagam vaquinhas nerds”.
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