Surpresas
14 Situação difícil
Estava quase amanhecendo em Jump City. A escuridão já não era tão tensa. Mesmo assim, todos os cidadãos ainda dormiam, todos menos três super heróis que discutiam na Torre T...
“E aí, Ci?” Mutano não agüentava mais. Estavam na enfermaria há muito tempo e Ciborgue não falava nada sobre o estado da tamaraniana.
“Ela vai ficar bem. Só está dormindo...”
“Mas ela está dormindo desde que foi seqüestrada. Já deve fazer horas!”
“Eu sei, Ravena, mas isso é por causa do sedativo.”
“A dose foi tão grande assim?”
“Não muito, o efeito já passou. Mas como ela está exausta acabou apagando por mais tempo...”
“E o Robin? Pensei que a obsessão fosse por Slade, e não por Penumbra!” Mutano parecia irritado com a atitude do líder. Não agüentava mais aqueles sumiços.
“Não é obsessão, ele está com raiva e quer se vingar. Mesmo não admitindo muito agora, Robin ainda ama Estelar e não admitiu quando Penumbra quase a matou...” Ravena respondeu. Não tirava os olhos da tamaraniana que repousava na maca. “Escuta, Ciborgue... tem certeza de que ela está bem?”
“Tenho, por quê?”
“Eu sinto algo... estranho...”
“Bom, os aparelhos não detectam nada de errado. Talvez seja só impressão sua...”
“Esse é o problema. Sou uma empata, não me engano sobre essas coisas.”
“Pra mim, se o aparelho não tá achando nada então não tem o que temer!” Mutano disse.
Ravena quis ignorar o amigo. Mas começou a pensar numa possibilidade dele estar certo. Odiava quando suas prevenções negativas aconteciam. Por isso era melhor torcer para que não houvesse nada de errado com ela a ter que ver outra tragédia acontecer...
A empata então fitou o rosto dela mais uma vez. Estelar estava começando a suar. Gotas e mais gotas escorriam da testa e desciam pelo resto da face numa velocidade constante.
“Aquilo é normal pra vocês?” Ravena questionava, um tanto nervosa com o que via.
Ciborgue correu para a maca assim que viu o estado de Estelar. Viu que não se tratava de febre ou algo parecido. Aquilo era... diferente. Então olhou para os dados mostrados no computador.
“Ah não!”
“O que foi, ela tá mal?!”
“Não exatamente, Mutano. Ela não tá suando de febre, e sim de dor!
“Então está querendo dizer que ela... não! justo agora?!” Ravena já entendera o recado.
“Exatamente, ela está entrando em trabalho de parto.”
Nesse momento, Estelar começou a se mexer sem parar, gemendo muito. Ravena correu para o seu lado e percebeu que estava acordando.
“Ravena... onde estou?”
“Star, você está na enfermaria da torre. Se acalme o máximo, tá?”
“O quê? A torre? Não, eu não podia voltar aqui! Eu-Argh!!!”
“Estelar, você precisa se acalmar, está prestes a dar a luz!”
Estelar queria responder algo. Estava assustada. Mas a dor era quase insuportável e tirou sua fala na hora. Ravena percebeu que ela deveria estar assim há um bom tempo. Mas como estava sedada, não demonstrou a dor das contrações. Talvez a dilatação tenha começado minutos depois de ter sido raptada.
“Vocês dois, fora!”
“O quê?! Como assim, Rae?” Mutano perguntou, enquanto ele e Ciborgue eram empurrados para fora da sala pela empata.
“Isso é um trabalho para mulheres. Então saiam daqui!”
“Não é justo! Nós queremos-” Mutano mal pôde terminar de falar e a porta bateu na sua cara. “... ajudar.”
“Não liga, verdinho. Acho que ela tem razão, a visão não seria das melhores...”
“Então que tal deixarmos isso mais interessante?”
“Ein?”
“Simples, vamos apostar. Menino ou menina?”
Ciborgue abriu um leve sorriso. Achou uma boa idéia.
“Menina.” Ele disse.
“Menino.” Mutano apertou a mão do companheiro. Dando início à aposta.
Ravena estava numa situação complicada. Nunca tinha passado por uma situação dessas. Aliás, nunca imaginou que passaria por isso algum dia. O pior era que os gemidos de dor da tamaraniana estavam deixando-a cada vez mais nervosa.
“Ravena. *argh*Acho que não vou agüentar mais!”
“Precisa agüentar mais um pouco. Tudo vai ficar bem!”
“Não. Preciso do Robin aqui.*argh*”
Ravena se assustou com o pedido. Robin tinha ido atrás de Penumbra e até o momento não havia dado notícias. Mas entendeu o motivo de Estelar. Afinal, ele era o pai. Teria que ficar junto a ela numa situação dessas...
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