Surpresa

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá amores, como estão? Estou novamente aqui, agora com uma fanfic yuri, a primeira. Pra começar, como é minha primeira fanfic yuri, estou me adaptando com o novo mundo e a nova experiência. Devo dizer que não foi fácil. Principalmente pelo fato de escrita em terceira pessoa não ser o meu forte, mas me esforcei bastante. Espero que tenha ficado bom.
Bem, essa fanfic é a segunda da série de ones que estou intitulando Sentimentos. O primeiro foi Frieza (Neji/Gaara - yaoi), se sinta confortável em ir ao meu perfil verificar se se sentir interessadx, sem pressão.
Essa história se passa no universo de Naruto, mas talvez os fatos não estejam tão fieis aos que acontecem no anime. É uma fanfic simples, singela, quase um fluffy. Uma coisa leve pra se ler.
Agradeço a todos que estão lendo e que chegaram até aqui, desde já. Boa leitura, nos vemos nas notas finais.
*Fanfic postada também no Spirit, com o usuário anabfernandes8*

Sua mente estava inquieta. Tão inquieta que ela teve que sair para beber uma água durante o exame Chunnin. Não sabia qual luta era, tudo o que sabia era que não conseguiria mais ficar ali, naquele recinto sufocante. O peso do que fizera caíra sobre si agora. Ela havia machucado uma pessoa. De verdade.

Temari era, sim, confiante e bastante arrogante. Ela não negaria se alguém lhe perguntasse. Mas, nunca, nunca em sua vida havia desejado fazer mal a alguém por puro prazer. Ela não era uma pessoa ruim, uma pessoa que gosta de matar como seu irmão Gaara. Tremeu ao pensar no ruivo. A raiva dele estava sob controle por um fio. Qualquer coisa o despertaria e ela com certeza não queria estar nem perto se algo assim acontecesse. Não quando ele aparecesse. Shukaku. O espírito da Areia.

Avançou pelos corredores, esfregando os braços quando um frio repentino tomou conta de seu corpo. Sabia que era por causa do medo. Qualquer pessoa racional ficaria com medo do Sabaku mais novo, incontrolável quando o monstro dentro de si despertava. Ela já havia presenciado a cena várias e várias vezes e não era nada bonito.

Não havia ninguém ali além dela. Seus passos eram silenciosos, mas ainda assim era a única coisa que se ouvia. Mais adiante, ela avistou o bebedor e os banheiros. Continuava sozinha. Pegou um copo, encheu-o e estava prestes a voltar para continuar assistindo as lutas quando um barulho a fez parar. Ficou ali, ouvindo, um som estranho, como se alguém tivesse rabiscando alguma coisa com bastante força. Ou como se estivessem esfregando dos objetos, provocando o ruído que escutava. Não sabia o que era, tudo o que sabia era que não se encontrava muito longe.

Curiosa, pôs-se a andar na direção contrária à que estava indo. Adentrou ainda mais o prédio onde ocorriam as preliminares do exame Chunnin. O barulho estava ficando mais alto e assim ela percebeu que estava indo no caminho certo. Se continuasse por ali, com toda a certeza encontraria a pessoa que estava fazendo aquilo. A loira normalmente não agia assim, com tanta imprudência, mas estava sozinha, então qual era o problema? Não havia ninguém para controlá-la.

Deu de cara com um conjunto de salas dispostas em um corredor. A iluminação era muito boa, tanto que a fez cobrir os olhos por um momento até que se acostumasse com a claridade. Assim que pôde analisar melhor o ambiente, continuou seu caminho, procurando o som que ouvira instantes atrás. Agora, tudo estava silencioso. Mas ela não se conformava de ir até ali e não encontrar nada.

Abriu a primeira porta, da direita, com ousadia. Não havia ninguém ali dentro. Então, foi pra segunda, terceira, quarta… Na sexta porta da esquerda, ela finalmente encontrou o que queria. Havia uma menina deitada em uma maca, enquanto uma médica estava em pé à frente desta, anotando coisas em uma prancheta. Temari gostaria de ter feito menos barulho, mas era impossível. Porque assim que movimentou a porta, disposta a fechá-la e ir embora, depois de sanar sua curiosidade, o objeto fez um barulho chato que chamou a atenção da mulher da equipe médica.

— O que está fazendo aqui? — A Sabaku não tinha a menor ideia do que responder. Sua expressão havia sido congelada em interrogação. As duas continuaram se olhando, nenhuma ação ocorrendo naquele momento.

Não havia nada a dizer. Como diria que havia ido até ali por puro capricho? Por pura curiosidade idiota quando deveria, na verdade, estar ao lado dos irmãos, representando a vila oculta da Areia? Qual a possibilidade de fechar a porta e sair como se nada tivesse acontecido?

— Bem, tudo bem, não tem problema. Já que você está aqui, preciso de um favor. Venha até aqui. — Instruiu a ninja médica, com um aceno de mão. A loira não fazia a menor ideia do que devia fazer, por isso ficou ali, parada, estática, sem desviar o olhar.

— Eu… — Murmurou, o começo de uma explicação começando a se formar em sua cabeça. Estava procurando o bebedor. Não estaria mentindo, de qualquer forma. Talvez a mulher acreditasse que ela estava dizendo a verdade, tendo pena da pobre menina que havia se perdido em busca de água.

Eliminou a ideia ao mesmo tempo em que a teve. Não era essa a imagem que queria passar para as pessoas. Além disso, percebeu que estava com o copo de água na mão. Ninguém seria idiota a ponto de acreditar que ela estava procurando água com um copo cheio de água na mão. Havia sido uma ideia estúpida de qualquer forma.

O banheiro. Pensou novamente. Poderia dizer que estava procurando o banheiro e havia ido parar ali. Continuava não sendo mentira, mas logo após lembrou-se que o banheiro era exatamente ao lado do bebedouro. Era totalmente estúpida. Se considerava uma garota inteligente, mas nesse momento não conseguia pensar em nada. Era óbvio o bastante que não seria capaz de enganar alguém com uma provável formação bem mais alta que a sua; ela não era nem mesmo chunnin ainda.

Suspirou. A melhor saída era contar a verdade e admitir que estava ali simplesmente porque estava curiosa com os barulhos que havia escutado. E também, não estava fazendo nada, estava sozinha, se sentindo imprudente e com muita vontade de ficar o máximo de tempo longe do irmão que estava prestes a se transformar na coisa mais assustadora que ela conhecia. Iria contar a verdade.

— Venha até aqui. Não há tempo. — A mulher disse, impaciente, antes que ela pudesse começar qualquer argumento em sua defesa. Andou a passos lentos, encostando a porta, sem saber porque estava indo em direção à maca. Talvez porque seria melhor se ficasse de boca fechada e seguisse as ordens, assim ninguém apareceria para mandá-la de volta. Sua personalidade não aceitava receber ordens, é claro, mas ela sabia sobre hierarquia. E também tinha noção. Provavelmente a médica precisava de ajuda com algum paciente ferido. Não queria deixar que alguém morresse por mera besteira sua.

Quando se aproximou da maca, no entanto, percebeu que ali estava deitada a garota com quem havia lutado não muito tempo atrás. Tenten, ainda se lembrava do nome, por mais que não fosse marcante. A morena repousava com uma expressão serena. Havia cortes em seus braços e bochechas, um sinal claro da luta e do vortex da própria Temari. Ela não sentiu vergonha de vê-la ali, machucada. Haviam lutado e a loira havia ganhado. Havia sido uma luta justa, não tinha porque se sentir culpada por algo que não tinha culpa. Talvez tivesse sido bastante arrogante e sarcástica. Mas era seu jeito. E não iria se culpar por algo como seu próprio jeito de lidar com as pessoas.

— Eu preciso que você fique com ela por um momento. Eu preciso trazer outro paciente antes de cuidar desta aqui. Tudo bem? Não irei demorar.

Deu de ombros. Poderia ficar ali com a ex-concorrente sem problema nenhum. Tudo o que faria era ficar esperando por alguns minutos, até que a médica voltasse. Não era nenhum sacrifício e ela tinha seus motivos, muito bem conhecidos, para demorar o tempo que fosse por ali. Poderia até sentar-se se estivesse muito cansada; havia uma poltrona no canto da sala.

A Sabaku acenou, em concordância, e a outra ninja saiu rapidamente. Qual era o outro paciente? Qual teria sido o desfecho da luta que havia ocorrido? Seu irmão já havia lutado? Imaginou que não. Se tudo continuava quieto daquela forma, isso significava que Shukaku continuava no interior de Gaara, bem quietinho. Balançou a cabeça. Não queria pensar nele. Lhe causava arrepios.

Voltou seu olhar para a garota a sua frente. Sua expressão continuava serena. Se não soubesse o que havia feito no campo de batalha, poderia achar que a morena estava apenas dormindo. Mas não, ela estava desmaiada. Provavelmente havia usado muito chakra, mas mesmo que não fosse assim, ela havia sido pega por um dos jutsus mais fortes de Temari naquele momento. Era uma técnica e tanto, que adorava usar. Ninguém escapava de seu vortex.

As pálpebras de Tenten tremeram, como se preparadas para serem abertas. Não pôde deixar de reparar em como a outra era bonita. Seus cabelos tinham uma aparência sedosa, presos em dois coques estranhos e desajeitados. Bem, não havia nada que ela própria pudesse dizer, já que também prendia seus fios loiros rebeldes em marias-chiquinhas de um jeito nada convencional.

E seu rosto, ah seu rosto. Sua pele era morena, puxada levemente para o rosa. Uma cor que combinava perfeitamente com o chocolate de seus cabelos. E consequentemente, de seus olhos. Levou um susto ao perceber que seus olhos verdes encaravam dois olhos marrons. A morena havia acordado. Seus olhos estavam escaneando o local, assim como ela, tentando claramente entender aonde estava e o que estava acontecendo. Já havia reconhecido-a da luta, disso não tinha dúvidas.

— Onde estou? — Foi a primeira pergunta que saiu de sua boca. Seus olhos estavam apertados em direção à loira. Não tinha medo ou nenhuma hesitação perante aqueles olhos. Não ficaria sentindo culpa por ser a vitoriosa de uma luta. Há um vencedor e um perdedor, que poderia ter sido qualquer uma delas. Ocorreu dela ganhar, porque acreditava que era mais forte. Vida que segue.

— Também não sei. Não se preocupe, a enfermeira está voltando. — Não sabia porque se sentia mais à vontade ali do que quando a ninja médica estava presente. As palavras saíram de si direcionadas à Tenten sem nenhuma falha ou espera. Como se fossem íntima ou algo assim, que conversavam sem nenhum problema uma com a outra. O que não era o caso.

— E o que você está fazendo aqui? — Sua oponente era bem incisiva. Assim como ela. Não pode deixar de reparar que suas personalidades, pelo menos naquele quesito, eram de alguma forma parecidas. Sentiu-se sorrir com o pensamento, vendo os olhos da garota à sua frente apertarem ainda mais. Ela havia se sentado na maca, agora olhando para Temari diretamente, mais ou menos da mesma altura. Sabia que seu sorriso provavelmente havia saído maldoso ou com escárnio. Não fora essa a intenção, mas não podia evitar, não controlava a forma como as pessoas viam as coisas. Por dentro, ela sabia que havia sido um sorriso doce.

Deu de ombros. Não devia satisfação nenhuma para ninguém. Não precisava ficar dizendo aonde iria, nem o que estava fazendo ali, no caso. Como também não tinha resposta para essa pergunta, aproveitou para ficar calada. Ou será que devia tentar usar alguma das desculpas que havia pensado anteriormente? Que havia ido se refrescar ou ir ao banheiro? O copo de água continuava em suas mãos, completamente intacto. Ofereceu-o à ela, recebendo um olhar desconfiado.

— Aceita água? Você deve estar com sede. — Não havia real necessidade de responder à pergunta sobre o que estava fazendo ali e o assunto parece ter sido esquecido quando o copo foi retirado de suas mãos e secado rapidamente. Ela não reclamaria, não estava mais com sede. Talvez nunca tivesse estado, queria apenas sair de onde estava.

— Obrigada. — Agradeceu a garota dos cabelos em coques, fios desgrenhados apontando para todos os lados. Temari quis rir.E o fez, sem perceber. A cena era, no mínimo, engraçada. Era como se a menina houvesse acabado de acordar. Não sabia do que estava rindo, só sabia que novamente os olhos chocolates a encaravam com um pitada de desconfiança. — O que foi? Por que está rindo?

— Não é nada. — Respondeu, não conseguindo segurar uma nova onda de risada que se apossou de si. Não sabia porque estava rindo tanto, já que a cena não era tão engraçada assim, mas não conseguia parar!

— Você está rindo de mim? — Mesmo que machucada, ela se levantou. Bem, pelo menos tentou. Suas pernas vacilaram assim que seus pés entraram em contato com o chão. Não era nenhuma surpresa. Ela ainda não estava totalmente curada, se não não estaria em observação por uma médica ninja.

A garota da Areia foi rápida. Não havia previsto o que tinha acontecido, mas ela tinha bons reflexos. Nem sequer pensou quando viu a morena caindo, apenas se movimentou da direção da outra, com a intenção de segurá-la. Segurou a cintura dela, impedindo-a de ir completamente ao chão, e colocou-a sentada novamente na maca. A garota parecia leve, mas as aparências enganam. Ela era mais pesada do que havia imaginado e a dona dos olhos verdes sentiu um pouco de dificuldade para colocá-la de volta ao lugar, não que fosse admitir isso.

Olharam uma para a outra. Estavam quase da mesma altura, mesmo que a maca fosse alta a Sabaku ainda era maior. A diferença entre a altura das duas era pouca, lembrava-se da luta. Dois ou três dedos, se fosse ser mais precisa.

As bochechas morenas estavam coradas, os olhos marrons desviando-se para o chão. Ela parecia com vergonha, olhando para qualquer coisa que não fosse para a outra garota no recinto. Ambas eram concorrentes, mesmo que a luta tivesse passado, não deviam estar ali, conversando e recebendo ajuda como se fossem melhores amigas.

— D-desculpe. — Tenten sussurrou, ainda em seu estado de vergonha. A loira quis sorrir; achou-a adorável daquela forma. Tão adorável que não pode impedir-se do ato que ocorreu em seguida. Estendeu a mão, não precisou de muito já que devido à quase queda estava bem perto da cama e consequentemente da outra também. Seus dedos deram um jeito nos fios rebeldes que saltavam fora dos coques, de forma que ficasse mais apresentável. Assim que terminou, não parecia que ela havia acabado de acordar. — O-o que está fazendo?

As bochechas dela estavam ainda mais vermelhas, pegando fogo. Seu rosto estampava surpresa e confusão, como se ela tivesse sido pega de surpresa pela atitude, ao mesmo tempo sem entender o que havia se passado ali. Temari também não sabia o que estava fazendo; ou o que havia feito. Mas não era uma garota que negava desejos para si própria. Fez aquilo porque sentira vontade. Não iria ficar se privando de algo que queria fazer.

— Arrumei seus cabelos. Estavam bagunçados. Não precisa agradecer. — Agora, finalmente, abrira seu sorriso presunçoso. Queria provocar a menina da Folha de alguma forma, assim como a havia provocado na luta. Apenas não conseguia negar fazer isso.

Não sabia que poderia gostar tanto de estar com alguém. Era uma surpresa para ela também. Estava apreciando a companhia e até mesmo gostando, algo que nunca imaginou momentos antes quando estavam fora dali, lutando para saber quem iria para as finais. Algo que nunca imaginou sentir com nenhum dos pirralhos de Konoha. Ou pirralhas.

— Obrigada. — Era a segunda vez que ouvia ela pronunciar essa palavra, em menos de cinco minutos. Sentiu vontade de beijá-la, olhando a expressão delicada que ela expressava.

A Sabaku deu um passo atrás, como se tivesse sido atingida por alguma coisa. Seu rosto perdeu toda a emoção. Ela não podia imaginar que havia acabado de pensar em beijar sua ex concorrente. A garota que minutos atrás disputava com ela uma das vagas para ser Chunnin, algo que ela se preparou durante toda a sua vida.

Era estúpido que um pensamento tão… Não tinha palavras para expressar aquilo. Não devia estar ali querendo beijar a morena. Devia estar olhando-a, até que a enfermeira chegasse. Que, além disso, estava demorando bastante. Quantas pessoas estavam machucadas para que a mulher demorasse tanto para voltar?

— Tudo bem? — Perguntou a garota machucada, estranhando o fato de que estavam conversando tão leve e abertamente uma com a outra e de repente a menina da outra vila estava com uma expressão estranha. Pensou que tivesse feito algo de errado, que poderia ter dito alguma coisa que ofendeu a outra e ela só percebeu alguns minutos depois… tantas possibilidades.

Já na cabeça da Sabaku, a confusão era outra. Ela estava parada, estática, os lábios enrolados em concentração enquanto tentava não avançar em frente. O pensamento sobre o beijo havia sido instaurado em sua mente, e nada do que pensasse o tirava de lá. Não podia ceder. Mas os olhos castanhos a olhando enquanto carregavam toda a culpa do mundo levaram a melhor sobre ela.

Deu dois passos à frente, antes que tivesse tempo de pensar muito e arrepender-se da decisão. Colou seus lábios nos lábios da outra, fechando os olhos para o turbilhão de emoções que atravessou seu coração.

Tudo o que Temari sabia era que, por mais que que tivesse feito aquilo no impulso, nunca havia presumido que seria tão bom. Suas bocas estavam apenas encostadas em um singelo selinho, mas mesmo uma ação tão pequena havia feito algo.

O que não sabia era que o sentimento de surpresa também habitava o coração da morena, que havia se surpreendido pelo fato de ter sido beijada tão docemente pela garota da Areia, ex-rival, que havia humilhado ela na frente de todos os seus amigos. E o pior, havia gostado do toque de seus lábios macios e frios sobre os dela.

Afastaram-se, não tirando os olhos uma da outra. Tenten não havia fechado os seus, não havia conseguido raciocinar para executar o ato. Seu coração tremia e batia descompassado, ela ainda sem entender direito o que havia acontecido ali. Precisava dar um jeito de retomar o controle da situação.

— Podemos ir beber água? — Pediu, ainda incerta.

— Claro. Eu te ajudo. — Apoiada pela antiga rival, e também pela garota que estava, atualmente, fazendo seu coração bater em um ritmo louco e estranho, ambas se encaminharam para o bebedouro. Deram passos lentos, no ritmo da garota machucada, desprovidas de pressa. Demoraram mais do que o normal a chegarem ali, andando silenciosamente uma do lado da outra.

A morena reabasteceu seu copo, de costas, apoiando o corpo na estrutura de metal à sua frente. Não sabia o que falar ou fazer, sua mente estava em branco. Não havia esperado o beijo, o carinho. Não havia sido o seu primeiro, mas havia sido doce, suave. Tudo o que jamais esperaria vindo da pessoa que tinha uma atitude tão ruim na frente das pessoas. Nunca imaginou que ela fosse capaz de um gesto tão… gentil.

Virou-se, querendo dizer algo. Nunca havia passado por uma situação como aquela, nem em seus sonhos. Encontrou os olhos verde-petróleo, cheios de certeza. A menina da Areia não aparentava estar com as mesmas dúvidas e medos que ela. Parecia tranquila, como se aquilo fosse um objetivo realizado. Como se ela tivesse vindo ali para beijá-la.

— Temari… — Começou, testando o nome dela em sua língua. Se encaixava bem. Ela se sentia bem chamando-a daquela forma. Se olharam. Devia perguntar o que aquilo havia significado? O que aconteceria de agora em diante? Havia sido um erro? Iriam se tornar amigas? Ou mais? Poderiam se tornar mais no mundo em que viviam? Tantas aflições rondavam sua mente que ela começou a ficar com dor de cabeça.

— O que você está fazendo aqui, Tenten? — Era Shizune, vindo pelo corredor à sua frente. Ela ficou assustada por um momento, sem saber como reagir. A morena parou ao lado das duas, os braços cruzados e uma expressão furiosa em seu rosto. Seus olhos negros, que estavam nela, de repente se moveram para o outro lado — Eu pedi a você que cuidasse dela. Os ferimentos ainda não estão totalmente curados!

— Ela quis beber água. — Se defendeu Temari, dando de ombros, como se aquilo não fosse nada, apenas mais um aborrecimento que cuidava durante seu dia. Olhando com mais atenção, a Mitsashi percebeu que ela estava corada, um leve rubor pintando suas bochechas. Talvez não tivesse sido só ela que estava pensando em resolver aquela situação.

— Tudo bem, precisamos cuidar de você. Vamos voltar para o quarto. E você…

— Temari. O nome dela é Temari. — disse a morena dos coques, respondendo pela outra. Ambas as mulheres à sua frente a olharam, inquisitivas e ela sentiu-se com vergonha. Não havia conseguido se controlar, as palavras haviam saído da sua boca sem que tivesse força para impedí-las.

— E você, Temari, pode voltar para observar o resto das lutas do exame. Obrigada por olhar minha paciente. — Shizune era uma pessoa doce, na maioria das vezes. Mas aparentemente não gostava de ver seus pacientes, principalmente aqueles que ainda estavam em um situação ruim, zanzando por aí.

— Já vou. — E assim ela foi, sem olhar para trás, sem esclarecer suas dúvidas, sem nem ao menos se despedir. Provavelmente era o jeito dela. Ou talvez ela não soubesse lidar com a situação. Tenten não a culpava. Ela própria estava se roendo em dúvidas, buscando respostas e soluções incansavelmente para o que havia ocorrido. Mas não adiantava. Era melhor não pensar nisso e esquecer. Não conseguiria, mas deveria tentar. Provavelmente nunca mais se veriam. Eram de vilas diferentes, conversavam com pessoas diferentes, tinham estilos de vida diferentes.

Enquanto a loira andava na direção contrária, se afastando, a morena continuou a refletir sobre os acontecimentos recentes. A luta que havia perdido; a decepção esmagadora de não estar entre os finalistas, quando era o que ela sempre havia sonhado; acordar e ver os olhos mais verdes que já vira na vida, e que era a última coisa que imaginava ver novamente naquele dia; a conversa entre elas e o carinho dado. Naquele momento, não sabia, mas tudo o que havia acontecido havia sido inesperado. Pelas duas.

De qualquer forma, não pode deixar de pensar em uma coisa. A vida era, realmente, uma caixinha de surpresas.

Notas finais
E então? O que acharam?
Qualquer tipo de comentário (totalmente voluntário, é claro), é aceito. Críticas, sugestões, elogios, comentem o que sentirem vontade. Espero de coração que tenham gostado.
Me notifiquem se acharem qualquer erro, pode ter passado despercebido quando revisei.
No mais, muito obrigada se você chegou até aqui, já é muito ♥
Um beijo, até a próxima one.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!