Surfando na Mudança
4 Pedidos
Eventualmente, Ravi se refugiou em sem quarto enquanto Vanessa esperava por Marcus. Apesar do exterior frio e radical, ela não conseguiu deixar de se apaixonar por ele quando a empresa que ela trabalhava organizou uma festa para os militares da cidade. Acabou que ela foi incumbida de ser a cara e a voz do buffet entre o batalhão, o que a levou diretamente para a mesa do coronel Marcus Quarit.
Ele levou o evento a sério, ficando quieto nos primeiros momentos, mas depois, deixando mostrar o nervosismo que estava sentindo, nada acostumado com aquele tipo de coisa. Vanessa então o ajudou a se distrair, conversando sobre uma porção de coisas, o que mais gostavam de fazer na cidade, sua comida preferida, seus tempos de escola. Quando se deram por si, Marcos e Vanessa tinham participado de um primeiro encontro acidental.
Ele percebeu que se não agisse naquela noite, talvez nunca mais a veria de novo. Foi assim que eles manteram o contato, se tornaram amigos, namoraram e se casaram. Nesse processo, Vanessa conheceu Ravi, ou melhor, Spider, como gostava de ser chamado agora. A mãe dele, Paz Socorro, também era militar e tinha morrido em uma missão quando ele era bem jovem. A perda tinha afastado os dois, e Vanessa logo tinha percebido que tinha se tornado a cola da família. Era um papel que ela gostava de exercer e entendia que era necessário exercer. Era como ela demonstrava amor para os dois.
Foi se lembrando da gentileza e bondade de Marcus, muitas vezes escondidas pelo coronel Quarit, que ela se preparou para fazer o pedido em nome de Ravi.
—Boa noite, meu amor — ela não hesitou em se agarrar ao seu pescoço e beijá-lo com toda vontade, o que foi bem recebido por ele.
—Oi, a que devo tudo isso? — ele ficou surpreso e desconfiado.
—Ah nada, só eu demonstrando o quanto eu te amo — Vanessa sorriu.
—Eu também te amo, mas eu acho que tem uma pegadinha — ele estreitou as sobrancelhas — o que foi? Quer pedir alguma coisa ou o Ravi aprontou alguma coisa?
—Não, Marcus, o Ravi é um garoto ótimo — ela balançou a cabeça — mas eu queria mesmo te pedir uma coisa, só espero que não me leve a mal.
—Sabe que eu faria qualquer coisa por você, docinho, mas tá começando a me assustar — ele cruzou os braços, de forma um tanto perigosa.
—Certo, eu vou direto ao ponto — ela fechou os olhos e suspirou — o Ravi ficou sabendo que os Suli tão de mudança.
—De mudança? Como assim? Pra onde é que o Tiago iria? — ele estranhou a notícia — pelo menos a louca da Natália não vai tá por perto.
—Você pode, por favor, deixar essa briga de lado e me ouvir? — Vanessa suspirou outra vez, se esforçando para não perder a paciência.
—Desculpa, você sabe que lembrar dela me tira do sério — ele voltou a prestar atenção.
—Tá, o Spider pediu se você deixava ele ir na casa dos Suli todo dia até as crianças se mudarem -Vanessa contou — você sabe o quanto eles são amigos e faria bem a ele se despedir dos meninos.
—Todo dia? Você não acha que é exagero? — Marcus contrapôs — e se a Natália maltratar o meu filho? Se o Ravi ficar magoado por alguma coisa?
—Até hoje nunca teve problema ele ir lá — Vanessa argumentou — e qualquer coisa a gente também pode fazer o contrário, convidar as crianças deles pra vir aqui.
—Não, não, eu não tô acostumado com um bando de adolescentes, um só já basta — Marcus se convenceu — tá bom, por mim, tudo bem, mas uma reclamação dele de como ele foi tratado na casa do Suli, ele não vai mais lá, entendeu?
—Entendi, é uma condição bem plausível — ela assentiu — obrigada, meu amor.
—Hum, o Ravi deveria agradecer você — ele completou.
Vanessa apenas sorriu com o elogio, chamando Spider em seguida, para ouvir do próprio pai que podia ir à casa dos amigos.
—Valeu, pai, de verdade! — ele deu um sorriso mais brilhante que podia, chegando até a fazer uma dancinha feliz.
Valia a pena baixar a guarda um pouco para ver uma reação como aquela do filho.
Enquanto isso, na casa dos Suli, a negociação parecia mais fácil.
—Tudo bem o Spider vir aqui até a gente ir embora? Você sabe o quanto ele é nosso amigo — Karla pediu para a mãe.
—Acho que por mim tudo bem — Natália respondeu — ele não vai dormir aqui não, né? Porque assim, você sabe que uma visita a mais ia me dar um pouco mais de trabalho, e bem, a gente vai ter que desmontar tudo e arrumar nossas coisas, aí ia ficar ruim pra ele.
—Não, mãe, ele só vai vir aqui depois da aula, a gente vai ficar batendo um papo, assistindo alguma coisa, jogando e ele vai pra casa — Karla explicou.
—Então tá bom, por mim tudo bem — a mãe finalmente concordou.
—Obrigada, mãezinha, obrigada, obrigada — a menina a abraçou e a encheu de beijos pelo rosto.
—Nessas horas vocês me amam — Natália balançou a cabeça, mas entendendo a empolgação adolescente dela.
Conforme combinado, Spider foi para a casa dos Suli no dia seguinte, um tanto intimidado pela mãe dos amigos.
—Oi, dona Natália — ele disse com toda educação e apreensão quando encontrou com ela na sala de estar.
—Oi, Spider — ela respondeu, disposta a fazer o possível para que a estadia do menino fosse agradável, por mais raiva que ela tivesse do pai dele — e nada de dona Natália, eu não sou tão velha assim, pode me chamar de Natália.
—Tá bom — ele disse, ainda incerto.
—Oi, Spider, seja bem vindo mais uma vez — Tiago cumprimentou o menino — tem cachorro quente e refri pra vocês, fiz questão de buscar.
—Obrigado — Spider agradeceu.
—Anda, Spider, você já é de casa, só termina de chegar logo, a gente vai começar a partida daqui a pouco — Lucas o convidou.
—Nada de comida no quarto — Natália foi categórica — vocês vão comer aqui primeiro e depois vão jogar, entendido?
—Sim, senhora — disseram as crianças Suli em uníssono.
Quando Ravi se sentou com eles, finalmente sentiu que estava tudo bem e que valia muito a pena estar ali com os amigos.
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