Era mais um dia na escola e, apesar das preocupações com o namoro de Lucas e Tamires, tanto Natan como Arthur, decidiram dar um voto de confiança aos irmãos. Uma coisa que eles logo notaram era como os dois estavam um tanto afastados do grupo na hora do recreio. Ainda não estavam tão afastados assim, seus irmãos ainda conseguiam ver os dois, no entanto, Natan e Arthur percebiam que eles estavam conversando mais entre si do que com o grupo, o que era compreensível, ao menos, ainda estavam por perto.

Quem estava meio perdida com a situação sem saber exatamente o que fazer, era Laís, ao lado da amiga naquele momento.

Ela estava feliz por Tamires, era verdade, mas também estava chateada por ter que dividir a atenção dela com Lucas. Mesmo estando muito focado no irmão, Natan acabou notando o desconforto da menina e tentou ajudar.

—Então, Laís, tudo bem com você? — ele tentou ser cordial e vago.

—Eu? Eu tô bem, eu tô — ela não queria que ele soubesse do seu dilema — parece que eu não tô?

—Eu... bem — de repente, o próprio Natan ficou sem graça — é que eu tô vendo que você...

—Eu estou mais... quieta? Talvez é porque eu não tenho assunto agora, quer conversar sobre alguma coisa? — ela tentou desviar do assunto.

—Bom, eu vi uns livros novos na biblioteca, quer dizer, são velhos, mas são novos — ele tentou puxar assunto para deixá-la mais confortável.

—Acho que entendi — Laís respondeu — eles foram publicados há muito tempo, mas nunca tivemos exemplares na escola, até então.

—Sim, são livros de Julio Verne — Natan explicou melhor — eu nunca li, mas meu pai já me contou sobre eles, disse que gostava de ler quando era mais novo, disse que são muito bons.

—Que legal, pode ser que eu leia também, claro, depois que você pegar os livros, claro — Laís achou uma boa ideia.

—Pode ser, então — ele concordou, assentindo — vou gostar de conversar com você sobre os livros.

—Eu também — afirmou Laís, surpresa com sua própria resposta.

Ela não podia negar que, desde o dia na praia, eles tinham ao menos se tornado amigos. Natan era uma boa companhia, e agora, ele já não era mais um completo estranho, Laís o conhecia melhor e o achava um bom amigo.

O sinal do fim do recreio tocou e todo o grupo retornou para sua própria sala. Ao final das aulas daquele dia, todos foram para casa e uma grata surpresa esperava pelos Sulli.

—Crianças, venham todos aqui, fiquei sabendo de uma coisa que vai deixar vocês muito contentes — anunciou Natália, o que deixou seus filhos intrigados e curiosos.

—O que aconteceu? — Tainara perguntou.

—Você tá animada demais, geralmente é o pai que conta boas notícias — Lucas comentou em voz alta, o que irritou sua mãe.

—O que quer dizer com isso? — Natália estreitou os olhos para ele.

—Nada, nada mesmo — o menino desistiu de qualquer gracinha.

—Bom, depois de ouvirem, vocês vão me agradecer muito — retomou a mãe — eu recebi uma mensagem da Vanessa, perguntando se o Spider podia passar um fim de semana com a gente e minha resposta foi sim.

—Ah, que demais! — Karla foi a primeira a se levantar e abraçar a mãe em agradecimento — muito obrigada, mãezinha!

—Não tem de que — Natália sorriu pela alegria deles.

—Cara, o Spider aqui, vai ser bem diferente — Lucas comentou.

—Podemos mostrar a praia para ele — sugeriu Natan.

—A praia! Eu amei ir à praia! Vou querer ir de novo! — Tainara aprovou a ideia, muito animada — e será que o Spider vai gostar da praia?

—A gente espera que sim — Karla sorriu, entusiasmada em receber o amigo em casa.

Antes que ele viesse para Meticaína, a menina fez questão de fazer uma vídeo chamada com o amigo.

—Oi, Spider, e aí? — cumprimentou Karla, com empolgação.

—Karlinha! Nem acredito que tô te vendo, faz um tempo que você não manda mensagem — ele respondeu — mas sem problemas, é bom falar com você mesmo assim.

—Eu sei que eu dei uma sumida, me desculpa por isso — ela suspirou — é que foi tudo tão corrido desde que a gente chegou aqui, e falar com você, bem... era bom, mas também me dava saudade de casa.

—Entendi, de verdade — ele assentiu, compreensivo — mas agora você ainda sente falta daqui?

—Eu sinto, sinto falta de algumas coisas — ela confessou — sinto falta de você, mas agora já acostumei com aqui também.

—Acho que isso é bom — comentou o garoto.

—Também acho — ela respondeu, meio cabisbaixa, mas se animando logo em seguida — sabe o que é bom também? Você estar vindo pra cá! Minha mãe contou que a Vanessa deixou você vir pra cá!

—É, ela convenceu o meu pai de novo — Spider sorriu — eu tô animado pra ir, não vejo a hora de ver vocês de verdade, de novo.

—Vai ser muito bom, a gente tá pensando em te levar pra praia — Karla contou os planos.

—Sério? Eu nunca fui na praia, é legal? — ele perguntou, genuinamente interessado.

—É sim, nós fomos uns dias atrás, deu pra se divertir, a Tainara adorou e o Lucas até aprendeu a surfar! — Karla disse.

—Sério? Surfar parece uma boa, quem ensinou ele a surfar? — Spider quis saber.

—Os nossos vizinhos, quer dizer, foi mais a nossa vizinha mesmo, que aliás, virou namorada do Lucas — respondeu a menina, dando uma informação a mais.

—Como assim o Lucas tá namorando? Conta essa história direito! — Spider se surpreendeu com a notícia.

Karla contou com empolgação sobre os últimos acontecimentos entre ela, seus irmãos e conhecer os vizinhos. Ela deixou claro que Tamires era uma garota legal e que todos gostavam dela.

Quando Natália passou pelo quarto da filha, sorriu ao ver o quanto Karla estava animada, era um alívio para ela ver que a filha estava se sentindo muito melhor e mais adaptada à sua nova vida.