Surfando na Mudança
12 Encontro no Recreio
Quando o sinal para o recreio bateu, houve uma certa pressa de Karla para sair correndo da sala, sentindo-se um tanto claustrofóbica.
Rian, que estava sentado perto dela, ficou um pouco preocupado e quis perguntar se ela estava bem, mas Arthur apenas pôs uma mão no ombro dele, o impedindo de fazer isso.
—É melhor eu ir atrás da Karla — Natan disse um tanto desajeitado para os dois colegas de turma e saiu.
—Por que você não deixou eu ir atrás dela? — Rian reclamou para o amigo.
—Ela tava toda esquisita, talvez não ia querer conversar — Arthur explicou sua atitude.
—Tá bom — seu amigo cruzou os braços, irritado — e essa história de já conhecer eles? O que você quis dizer com isso?
—Eles são só meus vizinhos da frente — Arthur suspirou — foi a mãe deles que teve aquela briga com a minha mãe, por causa do garoto do skate.
—Entendi, você tá meio com medo de que eles te reconheçam? — Rian quis saber.
—Não é medo, eles nem chegaram a me ver, eu acho — seu amigo vacilou um pouco.
—Você não me contou essa parte, tava vendo tudo de dentro de casa e não fez nada? — Rian cruzou os braços.
—É, eu ia enfrentar a minha mãe? — Arthur deu de ombros — e além do mais, eu nem conhecia eles, só sei que são meus vizinhos da frente.
—Ta aí uma oportunidade de conhecer eles — Rian sugeriu.
—Pra que? Você viu a garota? Ela é esquisita, eles nem parecem que são irmãos — Arthur apontou — eles nem se parecem.
—Verdade, por que será? — Rian percebeu — tá aí um motivo pra se aproximar deles pra descobrir.
—Eu lá quero saber da vida deles, Rian! — reclamou seu colega de turma.
—E quem não quer saber da vida um do outro? — quem tinha sugerido a ideia riu — vamo lá!
—Vai você se quiser — Arthur fez uma careta, irritado, e deixou o amigo para trás.
Uma situação diferente aconteceu no caso de Lucas. Tamires continuou sendo gentil o suficiente para convidá-lo para passar o recreio com ela e a amiga, caso ela quisesse.
—Olha, isso é muito legal — ele fez questão de dizer, enquanto ajeitava o boné, olhando diretamente para ela — mas eu acho que vou encontrar com os meus irmãos, acho melhor, mas a gente vai se falando.
Tamires ficou um tanto chateada, mas tentou disfarçar com um dos seus sorrisos adoráveis.
—Tá tudo bem, eu entendo, eu também tenho um irmão que estuda aqui — ela contou — e além disso, a gente é vizinho, né? Podemos se ver outra hora.
—É, verdade, então até mais — Lucas se despediu dela, para procurar pelos irmãos — até mais, Laís.
—Até — Laís respondeu, também sendo bastante educada.
Porém, quando o garoto saiu, ela deixou um suspiro irritado sair de sua garganta, direcionado para sua amiga.
—O que foi isso? Você ia chamar ele pra passar o recreio com a gente? Eu não quero ser chata, não é isso... — ela retomou fôlego — ele parece ser legal, mas tem cara de encrenqueiro, e além disso, o recreio é nosso momento juntas.
—Tá bom, parou com o drama e o ciúme, Laís — Tamires a cortou, mas com paciência.
—Tá pode ser que eu tô com ciúme de você me trocar pelo seu vizinho — Laís confessou — mas tá na cara que você tá a fim dele. Não acha que é rápido demais?
—Que? Que a fim dele o que! — Tamires riu, mas se sentido sem graça — eu achei ele bonitinho, confesso, mas eu só tava tentando ser gentil, é que, a minha mãe escorraçou ele lá do quintal dela.
—Que história é essa? — Laís se espantou — agora que vai fazer mais sentido ainda ele não tá com a gente no recreio, porque eu preciso saber.
Com empolgação e interesse, ela empurrou Tamires gentilmente pra fora da sala, querendo ouvir sobre como sua amiga conheceu Lucas.
—E aí galera? — ele cumprimentou os irmãos mais velhos, longe das meninas, em outro lado do pátio — que cara é essa Karla? Não gostou do lanche da mamãe?
—Eu tô bem, sério, é só que... — ela suspirou — tô tendo dificuldade pra me adaptar, eu não gostei de um colega de turma.
—O amigo do Rian? — Natan completou o comentário — sei, eu também achei ele desconfiado, tava olhando demais pra você — ela revirou os olhos — que foi? Não tô falando que ele tá interessado em você, não pra namoro ou coisa do tipo, mas...
—Natan, eu entendi, já chega, mano — ela o cortou, suspirando de novo, tentando se sentir melhor de alguma forma.
—Só relaxa, maninha, as coisas vão melhorar — Lucas foi empático, chegando a afagar o braço dela mais próximo.
—Valeu — ela ao menos conseguiu esboçar um pequeno sorriso.
—Sabe o que eu acho que pode te animar? Pedir uma pizza depois da escola, o que acha? — Natan tentou animar a irmã também.
—Mesmo se for de alho com brócolis? — Karla sugeriu seu sabor favorito, tendo um paladar peculiar.
—Eu posso fazer esse sacrifício por você, minha querida irmã — Lucas prometeu, com uma mão no peito.
—Brócolis não é tão ruim — Natan garantiu.
—Você gosta de agradar todo mundo, sr. perfeitinho — Lucas o provocou, mas num tom de brincadeira.
—Ah nem vem! — o irmão mais velho o cortou, mas ainda bem humorado — gente, vocês viram a Tai por aí? Eu achei que ela ia encontrar com a gente.
—Quer que eu dou uma olhada pra ver se encontro ela? — Karla se ofereceu — eu posso ir.
Seus irmãos assentiram e ela foi. Deu uma volta rápida pelo pátio, sentindo mais olhares sobre ela. Sua insegurança e irritação bateram de novo, mas ela apenas balançou a cabeça, pensando que o motivo para os outros fazerem isso era só porque ela era aluna nova.
Depois de mais algum tempo, ela avistou a irmã mais nova, empolgada, dividindo seu bolo de chocolate com uma aluna da idade dela, de cabelos cacheados pretos e usando óculos. Karla teve que sorrir diante da fofura da cena. Ela acenou para Tai, que a notou de volta. A pequena sorriu e acenou, mostrando que estava tudo bem. Dos quatro, com certeza era ela que estava mais à vontade ali.
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