No dia seguinte à chegada de Spider, os Sulis aproveitaram a manhã para organizar mais um dia na praia, dessa vez, estava mais para tarde na praia.

—Eu espero que você curta sol, areia e água salgada — recomendou Karla.

—Você foi muito vaga — apontou seu amigo — não é possível que seja tão ruim assim.

—Não é, eu só acho que não gostei tanto — ela tentou se explicar, vagamente.

—Eu achei que você tinha curtido a vibe de maresia e calmaria — comentou Lucas — você meio que tava meditando uma hora.

—E como é que você notou isso se estava ocupado demais aprendendo a surfar com a Tamires? — ela rebateu de volta.

—Ai, Karlinha, vou ficar te devendo uma resposta à altura — Lucas não aceitou muito bem a provocação.

—Não briguem, por favor — Natan, sensato como sempre, pediu — Spider, de verdade, você é livre pra fazer o que quiser na praia e tirar suas próprias conclusões.

—Valeu pelo conselho, Natan — Spider agradeceu.

Assim, eles foram até a praia, sendo levados por Tiago dessa vez. Tamires, Arthur, Rian e Laís os encontrariam lá.

O lugar era muito bonito, foi a primeira coisa que Spider notou. A segunda foi o cheiro salgado que vinha da brisa, podia ser um pouco forte demais para quem não estava acostumado. No entanto, as ondas eram convidativas e ele teve que ceder à tentação de dar um mergulho.

—Você se importa se eu nadar? — ele achou melhor perguntar à amiga.

—Sem problemas, cara, não me importo — ela deixou claro — você pode mesmo fazer o que quiser.

—Valeu — ele sorriu e correu até o mar, com os dreads ao vento.

Karla não conseguiu evitar sorrir. Não demorou muito para que, para a surpresa dela, Tainara se sentasse ao seu lado. Estava toda molhada pelo mar, o cabelo curto pingando e o sorriso satisfeito de orelha a orelha. Karla se encolheu, numa tentativa frustrada de evitar o contato molhado da irmã, mas Tainara acabou a abraçando mesmo assim.

—Tudo bem, Tai — a irmã mais velha cedeu.

—Você parecia que estava precisando de um abraço — declarou a irmãzinha.

—Eu não sei como você adivinhou — a mais velha sorriu outra vez, olhando para a menor.

—Estava na sua cara — Tainara apontou para o óbvio — por que você nunca entra no mar? Você tem medo?

—Talvez eu tenha um pouco de medo, sim — Karla admitiu — medo de... acabar gostando demais daqui e esquecer de Omaticaia.

—Não tem como esquecer de Omaticaia — Tainara falou olhando bem para a irmã, falando com toda certeza do mundo — ainda mais com o Spider por aqui, e se você esquecer, pode ir visitar a cidade.

—Eu sei, valeu por me lembrar disso — Karla sorriu de alívio.

—Mas se você não quiser ir nadar, eu posso ficar aqui com você — a mais nova se ofereceu.

—Tá tudo bem, você pode ir se divertir — instruiu a mais velha.

—Não, eu vou ficar um pouco aqui, mas depois eu vou — decidiu Tainara.

—Tudo bem — concordou Karla.

As duas irmãs fizeram companhia uma à outra mais um pouco, enquanto seus irmãos estavam ocupados. Lucas continuava se divertindo ao lado de Tamires, que tentou ensinar Spider a surfar, também sem muito sucesso, mas isso não impediu que o garoto se divertisse.

Natan fez companhia a Laís, achando a conversa que estavam tendo mais interessante do que entrar no mar.

—Eu amo ficção científica, mas também amo mitologia — ele contou à garota, que parecia muito interessada na conversa.

—Sério? Qual mitologia? Tem uma preferida ou gosta de todas? — Laís quis saber.

—Bom, tenho um fraco por mitologia grega, afinal é a mais falada de todas — ele deu de ombros — mas recentemente me interessei por mitologia nórdica.

—Por causa dos filmes do Thor? — ela pensou na hipótese.

—É, um pouco foi por causa deles, sim, mas tem muito mais coisa interessante além dele — ele argumentou.

Ele continuaria falando se não fosse por um som agudo e alto vindo direto do mar interromper o momento. A vibração foi tão profunda que todos sentiram o chão tremer.

—O que tá acontecendo? É um terremoto? — Natan ficou legitimamente assustado, logo ele olhou de um lado para o outro, procurando ver se os irmãos estavam bem.

Apesar do susto inicial, uma outra ideia se passou pela cabeça de Laís.

—Não é possível... — ela murmurou — achei que isso nunca mais aconteceria.

—O que? — seu amigo ficou mais alarmado, mas ela acabou sorrindo.

Laís apenas o segurou pela mão e o levou para mais perto da água. Na praia, Tainara e Karla ficaram de pé, olhando para o mar.

Já Lucas, Spider, Tamires e Arthur, ficaram imóveis em suas pranchas, esperando para ver se era seguro ficar na água.

Quando o mesmo som apareceu de novo, os jovens avistaram a certa distância dali a enorme nadadeira de uma baleia. O animal saltou de maneira magnífica, mas os surfistas não puderam admirar a visão por muito tempo. O movimento provocou uma onda enorme, que eles só conseguiriam driblar se a surfassem. Foi o que fizeram, logo saindo da água.

—Elas apareceram de novo, não dá pra acreditar! — Tamires disse animada.

—Quer dizer que é comum baleias aparecerem por aqui? — Spider perguntou, curiosíssimo.

—Eu nem sabia disso — Lucas comentou, espantado.

—Na maioria dos anos, uma ou duas aparecem nessa época, mas nem sempre — ela explicou — fomos muito sortudos hoje.

—Verdade, não achei que vir visitar vocês ia me fazer ver baleias de verdade — Spider disse ao amigo.

—Pois é, somos amigos com muitas vantagens — Lucas brincou, rindo.

Eles acabaram se reunindo com os outros, esperando que a baleia desse mais uma aparição espetacular, no entanto, as coisas se acalmaram por um tempo.

Isso até uma movimentação das pessoas na praia agitar tudo.

—Tudo bem, já é coisa demais pra um dia só — Karla comentou, um pouco impaciente — o que é que está acontecendo dessa vez?

—Dessa vez, a gente não sabe — Arthur comentou — vamos ter que ir até lá pra descobrir.

—Será que não é perigoso? — Natan levantou a questão.

—Só vamos saber se a gente for até lá, mano — Lucas o incentivou — eu prometo voltar se for perigoso.

—Eu acho bom mesmo — Natan cobrou do irmão, mas também indo na direção da multidão.

O grupo todo se juntou a eles.