Supremos Kings - A Saga
2 Eu só queria respostas...
Notas iniciais
Amanda venceu o medo e aos poucos foi abrindo os olhos. Havia algo ali que não estava antes. Uma espécie de parede, parecia de vidro e era translúcida. Amanda foi aos poucos abaixando os braços, e aquela parede foi se desfazendo em centenas de bolinhas cintilantes que caiam lentamente até o chão, onde desapareciam. Seria uma cena surreal para a Amanda, se ela não estive tão assustada.
—O que você fez, SEU MONSTRO?! — A fúria tomava conta dos olhos do pai. — O que é isso?! Vai se rebelar agora, é? Pensa que vai me intimidar com esse truquezinho?!
—Eu não fiz nada... — Seus olhos começaram a encher-se d’água.
Ele andou rápido em direção à Amanda.
—TÁ BRINCANDO COM A MINHA CARA?! — Agarrou com força o pescoço da Amanda. — QUEM VOCÊ PENSA QUE É?!
—Tá... M-me machucand... — Amanda estava sufocando, tentava se soltar das mãos do pai.
—É PRA MACHUCAR MESMO! PRA VOCÊ APRENDER A ME RESPEITAR!
—Para p... p-pai... m... machucando... — Amanda já não respirava direito, sentia as lágrimas escorrerem por seu rosto, tentava com todas as forças se libertar.
—SUA INÚTIL!
—P-pai... por fav... pai... — Ela apertava com força o pulso do pai, em vão.
—PÁRA DE ME CHAMAR DE PAI! Odeio isso! Você não é minha filha! É isso mesmo, bastarda!
—CHEGA! — Amanda gritou com toda sua força.
O pai ficou abismado quando viu seu pulso ser coberto por algo que saía das mãos da Amanda, parecia vidro, mas era gelado. Assustado, ele solta o pescoço dela e se desespera.
—O que você fez comigo? O QUE VOCÊ FEZ COMIGO?! — Tanto o pai quanto a Amanda ficaram horrorizados com o que aconteceu. — O QUE VOCÊ FEZ, MONSTRO?! MONSTRO!
Amanda recua e começa a correr para seu quarto, mesmo com a visão embaçada, passou em disparada pela escada, fechou a porta do quarto logo que passou por ela, e gritou horrorizada quando viu a maçaneta do mesmo jeito que estava o pulso do pai. Tropeçou em seus próprios pés e caiu sentada, porém se levantou rápido quando percebeu que o chão que ela tocara também estava ficando com aquele mesmo aspecto. Ela estava em choque. Não queria tocar em nada. “O que está acontecendo?” ela pensava desesperada. Seu corpo tremia enquanto ela olhava para suas mãos.
Amanda foi para cima da cama, se encolheu no canto mais distante possível e abraçou suas pernas. Chorava muito. Pensava: “O que foi que aconteceu? Eu não fiz nada... Por que isso tá acontecendo?...Eu não quero machucar ninguém... O que foi que eu fiz? Por que eu fiz? Eu sou mesmo um monstro?...O que iria acontecer dali para frente? Por que meu pai falou aquilo? Será que foi por causa da raiva? Ou... eu não sou filha dele mesmo?”. Seu peito doía, a dor que ela estava sentindo era pior do que qualquer dor que ela já sentiu, era uma dor na alma. "Eu não quero mais ficar aqui... Nunca me senti bem aqui... Aqui nunca foi meu lugar... E será que existe um lugar para mim?". Seus pensamentos só pioravam. Um calafrio percorria sua espinha toda vez que pensava que ninguém gostaria de ficar perto de uma aberração.
—Você não é um monstro. — Disse uma voz masculina que ela não conhecia.
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