Supremos Kings - A Saga
8 Estou... bem?
Notas iniciais
...O mundo não gira em torno de mim, não sou o centro das atenções... mas, ainda posso fazer a diferença. Posso fazer alguém sorrir..."
Amanda sentiu seu corpo ficar rígido, e por instinto, fechou com força seus olhos.
O barulho da serra gigante cessa. Amanda leva um susto quando abre seus olhos e se depara com a afiada serra à centímetros de seu rosto. Um compartimento do alto do tórax do robô se abre, revelando um rosto familiar.
—Gamer over.
—Einstein?! — A face de Amanda estampava espanto e confusão.
O gelo de sua mão se desfez aos poucos em vários flocos de neve.
—Não se mexa que o equipamento vai realizar o raio-X. — Einstein falava com Amanda como se ela fosse uma criança.
Parecia que a garota ainda ia passar muito pela enfermaria da base. Einstein insistiu que ela fizesse um raio-X, o impacto que ela recebeu no abdômen poderia ter fraturado alguma costela.
—Então aquele robô era um protótipo? —Amanda se lembrava da conversa que tiveram na saída do galpão. Ela ficou um pouco irritada em saber que era o Einstein que estava comandando o robô, entretanto ela sabia que fazia parte do treino.
—Não se mexa. —Einstein ergueu as sobrancelhas para Amanda, respirou fundo e sorriu de canto. —Eu não tenho “habilidades de ação” naturalmente como vocês, por isso eu exploro meu dom da melhor forma, — O sorriso dele se alarga. —também quero sair para vigiar a cidade!
—Traduzindo, —Esticado observava escorado na entrada da sala. —ele também quer arrancar uns dentes dos bandidos na base da porrada!
—Também não é assim, Esticado! —Einstein se dirigia até ele, rindo. —E pode ir saindo daqui. Amanda, fique parada. —Ele deu uma última olhada para a garota que estava sobre a maca, antes de sair da sala.
Enquanto o aparelho fazia a radiografia, a garota recordava do comentário que Velox havia feito: “Sei que essa foi a sua primeira vez treinando, mas até o Esticado foi melhor que você”. Ele não falou menosprezando a Amanda, foi uma crítica sincera, mesmo assim, aquelas palavras feriram o ego dela. A garota não estava acostumada ir mal nas coisas que fazia.
Nesse momento ela percebeu que se ela era uma das melhores, era por que ela havia se esforçado para aquilo. Na escola, ela era a melhor da turma, não trazia vantagens como a popularidade, porém a deixava mais próxima de seu objetivo: Medicina. Ter excelentes notas tinha se tornado normal.
“Se eu quiser realmente ser útil na equipe, preciso me dedicar mais... Não quero ser um ‘peso’, eu quero realmente ajudar, e pra que isso aconteça, tenho que me esforçar pra ser a melhor no que eu faço...” Amanda se perdia em pensamentos.
—Amanda! —Einstein estava na porta da sala com as sobrancelhas levemente unidas.
Ela desperta levantando o tronco abruptamente e sente uma dor no abdômen.
—Ai! —Amanda levou sua mão direita até a sua barriga, onde começava surgir uma coloração arroxeada.
—O que foi, Amanda? —Einstein olhava uma prancheta.
—Nada de mais, é que eu me levantei rápido... —Ela desceu da maca e acompanhou o Einstein para fora da sala.
—Estou olhando seus exames... —Einstein andava em direção a um armário na enfermaria. —...não vejo nada anormal...
—Isso é bom? —No fundo Amanda temia que não fosse.
—Acho que sim. —Ele abre o armário à procura de algo. —Você tem que beber mais água, está desidratada, mas isso é comum, não tem com o que se preocupar. —Einstein se volta para Amanda, sorrindo, e estende a mão onde segurava um pote branco. —Tirando a parte que vai aparecer mais hematomas pelo seu corpo, esse gel vai ajudar.
Amanda acaba tocando na mão de Einstein quando pega o pote de gel.
—Nossa! Como sua mão tá gelada! —Ele unia as sobrancelhas demonstrando preocupação.
Ela olhou para sua mão e depois para a do Einstein, estava com medo que tivesse machucado ele. O garoto tocou a testa da Amanda, e sua expressão ficou mais enrugada.
—Você está muito gelada... —A expressão de Einstein se suavizou. —...se fosse uma pessoa comum já teria morrido de hipotermia, mas não vou medir sua temperatura agora, é bom você comer algo, depois descanse.
—Vou tomar um banho, não estou com fome. —Amanda olha para o pote em sua mão, depois sorri para Einstein enquanto saía da enfermaria.
Antes de entrar em seu quarto, Amanda olha a porta do final do corredor, o quarto do Velox, ele provavelmente estava lá. A garota andava pelo seu quarto com passos pesados, parecia que quanto mais ela se aproximava da banheira, mais o seu corpo ficava indisposto. Quando ela entra no banheiro, liga a torneira da banheira e começa se despir. Acaba encontrando mais marcas arroxeadas e algumas em uma tonalidade vermelha. Enquanto ela tomava banho imersa na banheira, sentia as dores pelo seu corpo à medida que relaxava os músculos, porém isso não a incomodava. Ela estava lembrando do treino, mais especificamente do momento em que revestiu a sua mão com o gelo. Amanda ergue sua mão fechando-a em punho, sente um formigamento pelo seu braço, e diante de seus olhos, sua mão foi delicadamente envolta pelo gelo. Ela não pôde deixar de ficar impressionada.
De repente um alarme toca, assustando a Amanda, com o coração ainda acelerado, ela sai da banheira, veste rapidamente um roupão e sai apressada do quarto. Ao chegar à cúpula, Amanda vê o Velox e o Einstein em frente ao painel principal. Eles escutavam uma freqüência da policia e observavam imagens de alguma câmera. O som agudo cessa.
—Está atrasado. —Velox olhava em direção de Amanda.
Por um momento os batimentos cardíacos dela voltaram a acelerar.
—Foi mal, —Esticado passa ao lado de Amanda. —eu estava dormindo. —Ele olha para trás e sorri para a Amanda.
—Assalto com refém. —Einstein resume a situação. —Preparado?
—O quê?! Sério?! —Esticado estava pasmo, com os olhos arregalados.
—Vamos antes que eu me arrependa. —Velox volta olhar a tela.
Esticado passa apressado ao lado de Amanda, dando passos largos.
—Amanda, você vai ficar, —Velox olha para ela, seu tom de voz era sério. —não vamos demorar, espero que não destrua nada enquanto estivermos fora.
—Velox! —Einstein repreendia o mascarado. —Ela não é o Esticado! —Ele olha para Amanda. —É que uma vez saímos, o Esticado ficou só, e quando voltamos, ele havia danificado parte do painel de controle e começado um incêndio na cozinha.
—Estavam falando de mim? Vamos! —Esticado reaparece com uma mascara no rosto, que deixava só o seu sorriso à amostra. —Estou pronto!
Ele vestia um traje preto, que se assemelhava a uma roupa de mergulho, usava uma bota de cano curto azul escuro e luvas no mesmo tom, sua máscara também continha traços de azul. “Como será que ele enxerga com essa máscara?...”
Einstein mexeu em alguns botões do painel e uma passagem se revelou na parede à direta. Amanda nunca imaginaria que ali havia um elevador. Os três entraram apressados.
—Não vai demorar muito para você vir com a gente. —Velox disse antes da porta do elevador se fechar, ele parecia sorrir.
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