Suplício

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa fic vai de presente para Mayana, simplesmente porque a amo de montão, e sem ela para jogar comigo, Posi e Hades não formariam o casal tão lindo que são, e que cada dia crescem mais em nossos joguinhos de fujoshis ♥ Ashiteru roxinha.Também dedico a todos aqueles que acompanham minhas fics, e aos que lerão. Obrigada ♥Espero que gostem. Boa leitura :* Ps: Os trechos em italico são lembranças.

A panqueca subia e descia no ar, sem nem mesmo ameaçar cair no chão, ele era bom no que fazia em tudo o que fazia. — Ai, droga! — Mesmo quando se queimava fazendo panquecas.

O cheiro de maresia o perseguia por cada cômodo da casa, até mesmo fora deles, o que seria completamente normal, se ele morasse próximo à praia e não na cidade. Vez ou outra, quando o vento ficava mais forte, assim como o cheiro do mar, poderia jurar que sentia cócegas em seu rosto, mal sabia ele que eram beijos do homem travesso que o protegia nas sombras, ou no esquecimento de sua mente, que já não mais podia lembrar que aqueles lábios de mar, já beijaram todo seu corpo, e da boca carnuda profetizaram juras de amor, mas Hades, já não mais se lembrava disso.

...

Sentou na sala de jantar esperando o moreno, nunca entendeu porque a mesma era tão grande, na mesa havia tantas cadeiras. Achava aquilo tudo estranho já que o imperador não recebia visitas, essas quando insistiam em aparecer eram muito poucas, com certeza nem chegaram aquele cômodo, exceto ele, que era teimoso e não tinha um pingo de vergonha na cara. Olhou de soslaio para o homem que já não o expulsava mais de seu castelo e deu um meio sorriso.

Hades sabia que aquele marina não tinha jeito, ele parecia um parasita quando se apegava a alguém. Não confessaria a ninguém, mas gostava disso, do jeito atrevido dele, no entanto, soube que era traído diversas vezes. O Imperador o amava não podia deixa-lo ir, engoliu seus ciúmes e sua decepção.

O deus dos mares ainda o fitava com certa curiosidade, ternura e admiração, para ele o amor não necessitava de fidelidade, não da parte dele.

— O que tanto olha marina estúpido? — Falou ao sentar-se a mesa, fazendo um gesto para os criados servirem o jantar. — Chegou cedo hoje.

O rei dos mares sorriu ao ouvir o típico tom arrogante do outro. — O que sempre venho fazer aqui? Ver você. O mar estava calmo hoje, por isso vim mais cedo. — Se afastou um pouco para que o criado o servisse.

— O mar... Claro. — Retrucou descrente, começando sua refeição e vendo o marina fazer o mesmo, mas sem muita vontade.

— Eu te amo Hades...

— Seu amor é estranho. — Fechou os olhos ao sentir os lábios do outro encostar-se aos seus, nem percebera quando o deus havia se aproximado. Não resistiu, ele nunca resistia. Mais uma vez foi parar na cama com ele.

...

“Você me ama como ama todos os outros”... — Não é verdade. — Respondeu Poseidon à sua lembrança, as últimas palavras de Hades antes de pedir para esquecer, para ser humano e não viver mais aquela vida triste e sombria, ao lado do amor que tanto o fazia sofrer por conta da infidelidade.

— Eu te amo tanto, me perdoa. — Implorava para o moreno, que ria assistindo á um filme de comédia, sem nem ao menos saber que ele estava ali ao seu lado, sem poder interferir, esse foi o acordo.

Os dias seguiam normais para o imperador, trabalhava e quando voltava ia cuidar de seus assuntos pessoais e descansar, alguns dias o cheiro de maresia o abandonava, era o tempo que Poseidon passava cuidando do mar e do submundo junto com Zeus, ambos dividiam essa tarefa agora que o imperador tinha tirado “férias”, isso porque quando o corpo humano dele viesse a falecer, o mesmo retornaria a sua posição de deus e Imperador do submundo, mesmo que para um divino o tempo de vida do homem seja curto, para o Marina, ele estava pagando todos os seus pecados longe daquele que amava, e que agora sabia o quanto tinha causado o seu sofrimento. Estava certo de que nunca mais o trairia, mas essa certeza não valia para o perdão de Hades.

A época mais bonita do ano havia chegado, era noite de natal e o ex- imperador se arrumava para uma confraternização em seu trabalho.

— Porque se arruma tanto? Você nunca foi disso! — O investigava encarando-o e não gostava do que via. Ele nunca se preocupava em se arrumar, e seus sorrisos não eram distribuídos com tanta felicidade como estavam sendo naquela vida, seu coração pesou, e seus ciúmes aumentaram. — Vou com você a essa festinha! — Retrucou o deus enciumado que mais parecia uma alma penada.

— Credo. Que frio. — Reclamou Hades ao sentir uma sensação estranha, terminando de se arrumar e partindo para a festa, acompanhado de seu guarda costas invisível.

...

— Eu sinto muito, eu não vou mais fazer isso! Hades eu juro. — O abraçou.

— Não me toque! Você só me faz sofrer. Eu te entreguei o que tinha de mais precioso, algo que eu nem mesmo acreditava possuir, e o que você fez? Esmagou meu coração. Eu nunca devia ter dito que te amava, ter acreditado em você quando me disse isso. — Decepção e arrependimento estavam estampados em seu rosto.

— Eu não menti, eu apenas... Só mais uma vez me perdoe. Eu te amo... — A voz saiu mansa e gentil.

— Eu também te amo seu idiota. — Se deixou ser abraçado e reconfortado pelo outro, sentindo os beijos quentes descerem pelo seu corpo, céus, como amava aquele toque e o cheiro de mar tão suave, o beijou, os corpos se entrelaçaram, as respirações se misturaram, e o deus frio ficou quente e leve. A noite foi longa.

...

Os enfeites de natal estavam por todo prédio, a música já rolava há algum tempo no ambiente, onde sorrisos eram trocados, a árvore no canto da sala principal no térreo, onde seria a confraternização, estava repleta de presentes. O moreno se aproximou da árvore a comtemplando por um tempo e deixando o presente do seu amigo oculto ali, e logo se juntando aos colegas de trabalho, foi bem recebido por todos, em especial por um, que tinha longos cabelos azuláceos e sorriso maroto, mas esse não era Poseidon, apesar de muito se assemelhar ao mesmo.

Dizem que todo mundo tem de dois a três sósias espalhados pelo mundo, isso não era diferente com os deuses. Talvez fosse o inconsciente de Hades que fez ele se aproximar do colega de trabalho tão parecido com o marina, ou de certo ele tinha fraco por aquele tipo.

Ao longe o deus queimava de ciúmes, vendo os dois conversarem de forma íntima, como pôde deixar aquilo passar despercebido?!

— Onde pensa que vai seu idiota? Será que sempre tem que ser vigiado? Deixe-o em paz ao menos nessa vida. — Esbravejou o loiro que segurava o marina pelos cabelos.

— O que faz aqui Zeus? Largue-me seu bastardo! — Lutava em vão para arrancar aquele mortal de perto do seu Imperador. Irritou-se ainda mais ao ouvir o riso debochado de Zeus.

— Hades só pode ter um enorme mau gosto. Venha. — Saiu arrastando Poseidon para longe dali. — Deixe-o viver. Prefiro vê-lo com outro a estar com você, ele não estaria passando por isso se estivesse comigo. – Sumiu dali levando consigo o deus dos mares.

Assim que se viu livre de Zeus, tornou ao apartamento de Hades, sentou ao lado da cama vazia e ainda arrumada, o moreno havia passado a noite fora, e Poseidon provou do seu próprio veneno. Os olhos azuis cor do mar, estavam opacos e com olheiras, era tarde e ele não tinha voltado, não percebeu quando a porta do apartamento foi aberta.

— Entra... — Falou à voz que o deus conheceu de imediato, junto à outra, que sorria alto.

— Perfeito... — Falou o azulado da confraternização, sim, ele estava ali no quarto, se agarrando com Hades, só não sabiam que havia um espectador a espreita.

Os fios negros que Poseidon tanto amava, espalharam-se sobre a cama, se misturando com os azuis que não eram seus, aos ouvir os primeiros gemidos, o deus se levantou e foi até lá, com toda a fúria de que era capaz, a mão em cheio no pescoço do maldito sósia, no entanto, aconteceu o que acontecia quando tentava tocar no moreno, não conseguiu tocá-lo.

— Você tem problemas ou o quê? Quantas vezes devo-lhe dizer que não pode interferir? — Falou Zeus, que estava na outra extremidade do quarto. — Vamos sair daqui, não tem para quê ver isso. — Até ele desaprovava a cena, também amava Hades, mas nunca chegou tão perto e nunca ouviu um eu te amo, como Poseidon ouviu.

O marina o acompanhou derrotado e de coração partido, nada falou apenas o seguiu tentando controlar as lágrimas que escapavam de seus olhos. Provou da dor que causara. Nesse dia o mar ficou violento como ninguém jamais viu.

Dias, meses, anos se passaram. Hades firmou seu relacionamento, agora vivia junto com o azulado humano, Pierre, esse era seu nome. O cheiro de maresia e as sensações estranhas que sentia cessaram, raras eram as vezes que as sentia.

Tudo o que o Imperador queria viver com Poseidon, estava concretizando com Pierre, o que o deus dos mares não sabia, e que Zeus fizera questão de omitir, era que o moreno só estava e se sentia feliz por que aquele homem se parecia com o Marina, se fosse diferente, tamanha felicidade não havia existido. Para Hades foi sorte, para o deus dos mares, talvez tivesse sido o destino que nem mesmo os deuses podem interferir, lhe dando uma dura e cruel lição.

Agora, o azulado passava mais tempo no submundo do que em seu próprio reino, queria deixar o tempo passar sem que visse, esperando de forma incansável e ansiosa, pela volta do Imperador, pelo dia em que poderia implorar seu perdão. Cuidava das obrigações que foram do outro, com zelo, para que ele encontrasse tudo em ordem. Mudou, não era mais o cafajeste de antes, mas seu castigo ainda tinha um longo tempo para acabar, se é que acabaria um dia.

Não tinha como ficar sem vê-lo de vez em quando. Às vezes quando estava sozinho Hades podia sentir o cheiro de maresia, suave, acariciando seu rosto, como se ele estivesse bem pertinho do mar.

— Poderia ser você ali com ele. — Zeus observava junto com o irmão, Hades passear com Pierre. — Sabe o que é mais irônico? Você teve tudo isso e não aproveitou, preferia viver a vida de orgias e álcool. Eu tenho pena de você.

— Eu sei... — Deixava que o irmão mais novo destilasse seu veneno.

...

— Nunca mais vai me ver... — Ditou Hades de forma seca. — Quero que você sinta minha falta, quero que você sofra tudo o que sofri, sinta o gosto amargo que estou sentindo agora. Eu queria nunca ter o amado. Mas agora é tarde, se não posso viver sem você, o único jeito é esquecê-lo. — Não permitiu que Poseidon falasse, sumiu diante de seus olhos.

...

— Você está feliz de tê-lo feito esquecer? — Perguntou a Zeus, que o olhou com surpresa.

— Não. — Falou sorrindo, um sorriso vazio, porém sem segundas intenções.

— Por quê? — O fitou sem entender.

— Porque ele ainda o ama, mesmo sem saber, eu nunca poderei ter isso. Vê se não faz besteira de novo quando ele voltar. — sumiu dali.

Poseidon não soube explicar o que tinha sentido ao ouvir aquelas palavras, mais o que ele sentiu foi esperança de ter o moreno de volta. Um dia.

— Eu te amo... E dessa vez é verdade. —­­­­­­ Essa foi à última vez que Hades conseguiu sentir aquele típico cheiro de maresia que o perseguia naquela vida. E sentiu seu coração bater mais forte e feliz, como quando descobriu que amava certo marina.

FIM

Notas finais
Reviews é sempre bom, criticas serão bem aceitas, mais com carinho kkk.Obrigada pela leitura ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!