Suplício
12 Fim de Jogo, Parte 1
— você tem quinze minutos do meu tempo, então aproveite, pois não é todo mundo que ganha essa barganha – disse Guilhermina ao entrar na sala de reuniões com Sônia.
— como você bem pode ver aí na foto, Laura está traindo o teu filho. Como eu já tinha te alertado a dez anos, a Laura não ama o Pedro, ela ama é o dinheiro de vocês.
— e eu imagino que você não veio aqui apenas pra dizer “eu te avisei”, estou certa?
— não, eu vim aqui pedir sua ajuda, pois embora você seja arrogante e prepotente eu sei que você é uma pessoa justa.
— muita coragem sua vir dentro da minha empresa me chamar de prepotente e arrogante – disse Guilhermina, demonstrando que havia perdido a paciência.
— você vai me arrumar quinze minutos com a Laura, é só o que eu te peço, quinze minutos cara a cara com a Laura em um lugar onde ninguém possa nos interromper – o tom de Sônia era firme.
— estou ouvindo – disse Guilhermina demonstrando interesse.
***
“Você foi a culpada disso?” dizia a mensagem de Patrícia e Raquel sabia muito bem do que ela estava falando, então ela respondeu “estou tão surpresa quanto você”. Então, ela pegou o telefone e ligou para Marcos, ela sabia que os dois precisavam conversar.
— por que você fez isso? — peguntou Raquel a Marcos. Ele havia chegado a sua casa a pouco tempo.
— porque eu não acho justo ficar com a Lívia pensando em outra mulher, do mesmo modo que você, eu também quero poupar a Lívia de sofrimento.
— mas ela está sofrendo!
— só que eu não consigo pensar como você Raquel, eu não ficarei preso a Lívia a vida toda, eu não vou ser infeliz a vida toda para que ela possa ser feliz.
— mas então porque não terminou antes? Antes de se envolver com outra pessoa?
— porque infelizmente eu estava confuso tá bem, eu infelizmente sou humano e erro.
— e o que você espera com isso? — Raquel não conseguia entender o motivo de ele ter terminado o novado com Lívia.
— eu não amo mais a Lívia mas isso não significa que não me importo com ela. É mais digno que eu termine com ela e dê a chance dela superar do que continuar enganando ela.
Raquel ficou sem palavras.
— quem sabe logo possamos ficar juntos.
— Marcos, eu não quero ser cruel e o futuro a Deus pertence sabe, mas eu acho que nós não vamos poder ficar juntos nunca, a Lívia nunca conseguiria conviver com isso.
— e até quando você vai viver a sua vida esperando que a sua felicidade dependa da felicidade alheia?
Raquel ficou com esse nó na garganta.
***
Laura chegou em casa e não havia ninguém. Pedro havia ligado avisando que demoraria para chegar em casa pois Guilhermina havia dado-lhe muito trabalho que precisava ser revolvido ainda naquele dia e não havia ninguém dos empregados da casa.“Mas que diabos está acontecendo aqui? Será que a Guilhermina surtou e trocou toda a criadagem?” pensou Laura, mas nem deu importância.
Ela foi até o quarto e largou sua bolsa, então foi até a cozinha e pegou um copo de água e quando cruzou a cozinha, quando ela chegou na sala, seu copo caiu no chão estilhaçando-se e molhando o chão e ela ficou embasbacada com o que acabara de ver. Sônia estava em pé lá com a arma em punhos.
— oi Laura, sentiu saudade?
— como você entrou aqui? — perguntou ela incrédula.
— acho que não é essa a pergunta que você quer me fazer, acho que o que você quer me perguntar é “como é que você está viva depois que eu queimei a casa com você dentro”, acertei?
Laura ficou sem palavras.
— eu sei que foi você sua cadela, nem precisa perder tempo negando.
— eu não ia negar, só queria saber por que você não queimou junto com aquele barraco nojento. O que aconteceu, o inferno tá cheio e o capeta de chutou de volta?
— pensa bem no que você vai dizer hein, não é uma ideia muito inteligente irritar uma mulher com uma arma na mão – disse Sônia, então ela ergueu a arma e mirou na cabeça de Laura.
— o que você quer sua flagelada? — Laura tentava aparentar coragem, porém ela estava apavorada.
— nós temos dez anos de contas pra acertar sua infeliz. Você é culpada de eu ter ido pra cadeira, você é a culpada pela morte da minha mãe, você é culpada pela minha filha estar em uma cama de hospital, você é culpada por eu estar longe do homem eu que amei, você é a responsável pela morte da minha melhor amiga, esqueci de alguma coisa?
— cadê a Guilhermina? Ela sempre está em casa nesse horário – disse Laura olhando ao redor.
— eu mandei ela pro inferno. Ela foi na frente pra avisar pro Diabo te esperar porque você está indo daqui a pouco.
Laura gargalhou.
— duvido Sônia, você nunca teria coragem de atirar em alguém ainda mais… — a fala de Laura foi interrompida pelo disparo feito por Sônia que atingiu o vaso que havia sobre a mesa de centro.
— você acabou com a minha vida, você fez de mim um ser infeliz igual a você, eu estou disposta a tudo pra me vingar sua cadela, eu vou te mandar pro inferno traste! — Sônia gritou e deu mais um disparo.
—vai me mandar pro inferno é? Então larga essa arma e vem me enfrentar feito mulher.
— mas não precisa se preocupar não, com a Guilhermina eu tive misericórdia, meti logo uma bala na cabeça dela pra mandar ela pro inferno mas você eu não vou matar com a arma não querida, você eu vou matar com as minhas mãos, a arma é só pra gente se divertir, mas antes vamos ao que interessa sua cadela, eu quero ouvir da tua boca como é que você me mandou pra cadeia daquela vez, eu preciso saber como foi.
— não faço ideia do que você está falando.
— a jura? Então eu vou refrescar a tua memória, aquele dia no aeroporto a minha mãe te viu na saída dando dinheiro pra alguém, foi essa pessoa que implantou drogas na minha bolsa?
— não sei do que você está falando – Laura notou que havia alguma coisa errada ali.
— eu vou ser mais específica – Sônia foi até Laura e encostou a arma em seu pescoço – você armou pra mim naquele dia e eu quero saber com a ajuda de quem além da Guilhermina porque depois que eu fazer você se arrepender do dia em que nasceu e te mandar pro inferno, eu vou atrás dos demais responsáveis.
— quem armou pra você foi a Guilhermina, eu não tenho nada a ver com isso – insistiu Laura.
— eu vou perguntar apenas mais uma vez – ela fez pressão com a arma contra o pescoço de Laura – ou você me conta como foi cada passo da tua armação ou o que eu planejei pra você vai ser muito pior.
— foi a Guilhermina, eu não tive nada a ver com isso, eu juro. Eu nunca gostei de você e estava com muita raiva porque você havia me agredido alguns dias antes, mas eu não seria capaz de te mandar pra cadeia – disse Laura, então uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
— mas é muito atriz mesmo – Sônia afastou-se de Laura e esticou o braço colocando ela na mira, então ela engatilhou a arma – bom, então vamos começar a diversão – então Sônia fez a expressão mais crua que conseguiu, deixando claro todo o seu ódio e desprezo por Laura, e no momento em que ela atiraria, Laura a interrompeu.
— tá bom, tá bom, não atira. Eu molhei as mãos da responsável pela revista, ela mesma foi quem colocou a droga e fez a vistoria depois, foi muito simples.
— e por que você fez tudo isso?
— eu fiz por amor, eu amo o Pedro.
— amor? Interessante você falar em amor – Sônia tirou uma folha dobrada que havia em seu bolso e jogou no rosto de Laura – e esse aí, você ama também?
Laura abriu a folha e viu que era a foto do momento em que ela chegava acompanhada ao motel.
— como você conseguiu isso? — Laura estava apavorada.
— você não acha que eu levo jeito pra fotografa? Estive até pensando em levar elas pra algum lugar pra publicar, um jornal, quem sabe até uma revista.
— e o que você quer com tudo isso? — gritou Laura.
— eu quero ouvir da tua boca, eu quero ouvir você confessar que você é uma vadia desgraçada que fez tudo isso por dinheiro.
Houve alguns segundos de silêncio.
— anda cadela, fala – bradou Sônia.
— meus pais estavam falindo, eu não ia suportar ser pobre – gritou Laura, então ela baixou o tom de voz – e quando o Pedro me largou pra ficar com você eu fiquei sem chão, ao contrário de você que foi pobre a vida toda, eu nunca soube e nem precisei fazer nada, eu ia passar fome. Tá feliz agora, eu acabei com a sua vida pra não ter que passar pelo inferno que você passou a vida toda.
— e a Guilhermina, você nunca gostou dela né, você só usava ela pra chegar onde queria.
— Guilhermina nunca foi minha cúmplice, eu não sou burra, eu sempre agi sozinha, além do mais a Guilhermina é uma dondoca impossível de lidar, eu venho massageando o ego dela a anos só pra não me incomodar, se pudesse, quem tinha dado um tiro nela era eu.
— tá vendo Guilhermina, eu te falei – disse Sônia.
Laura ficou sem entender nada. Com quem Sônia estava falando? Então ela notou que haviam movimento atrás dela e virou-se, dando de cara com Guilhermina.
— eu vou acabar com você sua desgraçada, eu vou te meter na cadeia mais imunda desse país e garantir que você apodreça lá pelo resto da sua vidinha miserável – disse Guilhermina. Poucas vezes ela havia sentido tanto ódio na vida.
— você armou pra mim? — disse Laura, virando-se em direção a Sônia, então ela voltou-se para Guilhermina – isso é tudo mentira, eu só falei isso tudo pra não morrer, pelo amor de Deus Guilhermina, você me conhece e sabe que eu não teria coragem de fazer nada disso!
Guilhermina deu um tapa na cara de Laura.
— cala a boca sua rameira!
Laura então virou-se para Sônia.
— você sabe muito bem do que eu sou capaz e você vai me pagar – ela gritou.
Laura virou-se em direção a porta e começou a andar mas Guilhermina a segurou pelo braço e a fez parar.
— onde você pensa que vai sua safada? Você vai repetir tudo o que acabou de dizer na frente do Pedro.
— fim de jogo – disse Sônia com sorriso nos lábios – você perdeu Laura, dessa vez você perdeu.
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