Supervisor

2 Capítulo 02


Notas iniciais
Bem, obrigada a quem está lendo! Espero que gostem!

– Ei, espere! — Jason gritou enquanto passava pela porta da Casa Grande em um pulo. — Que história é essa de "vou embora no fim do verão"? — Ele perguntou alcançando Nico que descia a colina de volta aos chalés.

– Quíron mesmo falou que os semideuses com o tempo saem do acampamento por conta própria. — Nico respondeu simplesmente sem nem encarar o outro.

– Sim, eu sei, mas para onde você vai? — Nico olhou-o pelo canto do olho, o garoto parecia preocupado enquanto alternava o olhar de Nico para o chão por onde andava. — Você vai sozinho? É perigoso e...

Nico parou-o, pondo as mãos em seus braços. Mesmo que o loiro fosse muito mais alto, Nico não se intimidava.

– Eu sei me cuidar sozinho, obrigado! — Nico disse para só então continuar a andar e deixa-lo para trás.

– Nico! — Jason chamou-o, mas o garoto ignorou-o. — Nico!

–x-

Nico não apareceu para o jantar nem para a fogueira naquele dia. Jason estava preocupado. E se ele tivesse inventado de ir embora sem falar nada para ninguém?

– Ah, eu adorei essa música! Você gostou? — Piper agarrou ao braço do namorado, sorrindo contente pela melodia recém terminada. — Jason? — Ela chamou sua atenção.

– Oi? — Ele voltou a si encarando a namorada, que não mais sorria. — O que disse? — Jason tentou sorrir e ignorar a sua falta de atenção anterior, mas Piper encarou-o preocupada.

– Está tudo bem? Você parece preocupado. Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou reconfortando-se nos braços de Jason. Ele negou com a cabeça e beijou o topo da cabeça dela.

– Não foi nada, só estou um pouco cansado. Se importa se eu for para o meu chalé mais cedo? — Ele perguntou suspirando pesadamente para provar como estava cansado. Piper negou com um sorriso e beijou o namorado antes que ele pudesse ir.

– Te vejo amanhã! Eu vou ficar mais um pouco. — Ela falou antes de se juntar a Leo e uma das irmãs dele.

Jason caminhou pelo caminho um tanto quanto solitário, já que a maioria dos campistas estavam na fogueira ainda. Mas ele não se importou. Estava cansado e preocupado com Nico. Mesmo estando ali há alguns meses, ele parecia um visitante, um convidado, mas nunca um campista. Andava armado como se fosse embora a qualquer minuto. E ainda mais, recusava-se a socializar com os colegas.

Jason desconfiava que ele era a pessoa que mais falava com Nico e olha que ele só conseguia isso quando corria atrás dele para saber como estava indo. Mas, na verdade, o loiro não sabia porque se importava tanto com ele. Desde o que aconteceu em Roma, com todo o lance do cupido, Jason percebeu que era importante apoia-lo. Não por pena, mas sim porque ele precisava de um amigo. E Jason estava disposto a tentar, Nico é que não estava.

Inconscientemente, ele andou até o chalé 13, o chalé de Hades. Queria verificar se ele ainda estava ali ou se tinha fugido. Por fora, o chalé era feito de mármore negro com colunas enfeitadas por caveiras e no topo havia uma tocha que não se apagava. Ao entrar, Jason se encantou com a escuridão do local. A única fonte de luz era um tocha fraca no fim do quarto. Não havia muita coisa para se olhar ali. O quarto possuía apenas uma beliche velha e surrada de madeira preta.

A cama de baixo estava desarrumada e não havia ninguém nela. Ele fugira. Jason devia ter desconfiado antes. Ele era um garoto muito incerto e com certeza não concordaria ser supervisionado por ninguém. Se não deixassem fazer o seu trabalho do seu jeito, não faria.

Foi então que algo brilhou na luz das chamas vindo debaixo da cama. Parecia um feixe de metal. E era. Jason puxou o objeto e percebeu que era uma mochila de couro. O único pertence de Nico. Piper havia dado a ele há algum tempo, afirmando que ele precisava guardar suas coisas quando fosse viajar para algum canto.

Pelo jeito ele não gostou muito do presente, já que ele jogara debaixo da cama. Porém, ela estava cheia. Dentro havia uma muda de roupa, suprimentos de socorro e alguns papeis. Jason não quis se intrometer mais e largou a mochila, colocando de volta ao local onde estava. Ele não havia ido embora, se tivesse ido teria levado aquela mochila. Aquilo era tudo que ele tinha.

Mas se ele não estava no seu chalé, onde ele estava? Jason saiu dali e andou pelo acampamento a procura do garoto. Não estava no pavilhão do refeitório, nem adiantaria ir ao anfiteatro, pois ele não estava lá mais cedo. Quem sabe ele tenha entrado na floresta, entre os pinheiros. Mas seria suicídio, principalmente a noite. A arena? Jason andou até lá e enquanto se aproximava ouvia ruídos de espadas chocando-se. Ele estava sendo atacado? Ou estava atacando alguém. Jason correu até lá.

Mas estava tudo bem. O garoto magricela apenas descontava sua raiva em um dos brinquedos de Leo, o boneco cinco-braços.

– Eu posso senti-lo. — Nico disse para Jason, que mesmo estando de costa para a entrada, podia sentir a presença do garoto ali, devido a seus poderes de filho de Hades. Mas mesmo assim continuou com os ataques contra o braço-machado do boneco.

– O que está fazendo? — Jason perguntou sentando-se no primeiro andar da arquibancada. Ficaria ali para observá-lo e conversar. Nico precisava de um amigo.

– Treinando. — Nico respondeu irritado. Não era obvio o que estava fazendo ali? O que Jason queria agora?

– Para mim parece que está descontando a raiva nos bonecos. — Jason ironizou com um sorriso.

Nico parou de bater e olhou para o seu espectador. Seus olhos tremiam e ferviam em puro negro de raiva. Sua respiração pesada fazia o suor escorrer mais rápido.

– É melhor do que descontar em você. — Nico disse e esperou uma resposta que não veio. Lançou um golpe com mais força contra o braço do machado que fez com que o metal brandisse. — O que você quer?

– Pensei que tivesse ido embora. — Jason explicou levantando-se e aproximando-se. — Fui no seu chalé perguntar se estava bem, não o vi no jantar hoje.

– Eu cumpro minha palavra, Jason! — Nico falou arfando. — Eu não apareci porque estava treinando. Na verdade, ainda estou, se me der licença!

Jason com um ataque surpresa jogou uma força de ar, derrubando Nico no chão. Rapidamente, o loiro pegou a espada de ferro estigio de suas mãos.

– Está maluco? Ai. — Nico reclamou ao sentir uma pontada nas costas.

– Você está cansado e sobrecarregado, deveria comer alguma coisa, senão sua energia vai se esgotar. — Jason ajudou-o a se levantar.

– Eu já passei muito tempo sem comer antes, estou bem! — Nico insistiu enquanto acariciava a lateral do tórax.

– Se estivesse bem teria conseguido se desviar do ataque. — Jason argumentou e Nico encarou-o irritado pois estava certo. Jason devolveu-lhe a espada, Nico recolocou-a na bainha. — Descanse por hoje, não há necessidade de você se sobrecarregar aqui dentro.

Jason deu-lhe as costas. Queria ajudar Nico, ser seu amigo, mas também não poderia força-lhe a isso. Teria que ir devagar.

– Espere! — Jason se virou para encará-lo. — Você sabe aonde eu arranjo comida a essa hora? — No segundo seguinte, como se para comprovar, a barriga de Nico roncou.

Notas finais
E então? O que acharam? Me digam se, por acaso, ficou confuso ou algo do tipo. Ficou um pouco pequeno porque eu quis dar um pouco do ponto de vista do Jason. O próximo não vai demorar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.