Supernova
2 Ascenção
Notas iniciais
Na rua, as pessoas me olhavam curiosas, meus pais haviam sido demitidos depois da explosão da mídia sobre o que eu havia feito. Papai provavelmente brigaria com meu avô, ele que havia me ajudado a montar o discurso.
Na escola, havia tido um concurso de redações que acontecia anualmente, e eu havia sido a escolhida para falar na abertura da Assembleia. Aquilo era o exercício do direito e oportunidade dos jovens terem sua voz nela, já que a abertura só permitia que maiores de vinte e dois anos fizessem parte da Assembleia.
Dentro de mim, eu ria. Era engraçada tanta atenção de uma hora para outra, era perceptível que meu discurso chamara mais atenção que o do Supremo Líder.
E isso era melhor ainda, nunca havia gostado dele. Ele sempre levava causas em benefício próprio, ou até de sua própria opinião para serem debatidos na Assembleia.
Era eu que chamava a atenção, não ele. Não queria imaginar como estava se u humor. Na saída, acompanhada dos meus pais, que nem sequer me olharam nos olhos era fria, as várias pessoas me apontando também não ajudava, de vez enquanto, papai bufava, fazendo com que um ar branco saísse de sua boca, mamãe continuava sem expressão, acho que ela ainda ponderava se concordava comigo. Eu percebi que não me importava com suas opiniões, vovô havia me dito que a minha era a mais importante, e ela com certeza, estaria do meu lado.
Chegando em casa, observo mais uma vez, cada uma das mobílias brancas em perfeita sincronia, passando a mão para o lado, uma tela de luz se abre, minha caixa de mensagens está cheia, tanto de professores quanto de curiosos. É a minha vez de bufar.
Meu avô é um cientista, ou provavelmente é assim que vocês chamariam ele.
Ele me contou como nos aperfeiçoamos a medida do tempo, e nos deterioramos, destruímos centenas de outras pequenas civilizações, e ninguém parecia incomodado com isso. Sobre como dilaceramos nossas florestas e animais, e qualquer coisa que nos ocupasse tempo útil. Incluindo as chuvas e os sentimentos.
Sobre como construímos objetos, casas e cidades que conversavam perfeitamente, mas não mantínhamos diálogos com as pessoas que eram importantes, por que isso ocuparia seu tempo útil.
Eu formulei todo um plano de reabilitadão, quebrado com os argumentos do meu avô.
Um deles era que se morrêssemos, podíamos nos redimir, e começar de novo. E esta era a ideia.
Meu avô tinha fórmulas de bombas e sabia programar DNA a seu bel prazer.
Estava tudo pronto, incluindo o discurso, e então chegada a hora o fiz. Todos escutaram, na metade, alguns saíram e outros começaram a rir, perto do fim, jornalistas chegaram, e trataram de anotar cada frase.
Em casa, passadas poucas horas depois do incidente.
Um telefonema. Eu atendo, com meus pais atrás.
Um holograma se projeta no centro da sala. Eles fizeram uma votação e irão realizar minha vontade.
Durante a programação que meu avô, havia tido outra ideia, adicionar a capacidade de sensibilidade e irritabilidade. E algo além, ao invés de ser apenas uma raça, pedi que criasse uma única semente, que mutaria centenas de outras variadas espécies até chegar em uma nova versão da nossa, uma mais pura.
E assim foi feito.
Minha última visão foi uma bela estrela explodindo, sabendo que ela formaria novos elementos e novas galáxias.
Era uma boa visão.
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