II

Minha visão foi escurecendo, a imagem dela se tornava cada vez mais distante...até que eu apaguei por completo.

Quando acordei, estava no meu quarto. Uma fresta na cortina deixava um fio de luz tênue entrar através da janela até minha cama. Olhei ao redor ainda atordoado. Esses sonhos estavam se tornando cada vez mais frequentes. O silêncio tomava conta do ambiente, até que uma coisa chamou minha atenção, eu não estava sozinho na cama.

Um arrepio correu meu corpo, paralisei, não sabia o que devia fazer. Quem estava lá comigo?

Tentei olhar com o canto do olho mas o cobertor cobria a pessoa até a cabeça, me levantei sem fazer muitos movimentos bruscos e parei em pé em frente a cama. Olhei por um tempo, analisei a silhueta e não fazia a mínima ideia de quem era.

Com um reflexo puxei o cobertor. Era ela, a menina do sonho, loira e radiante como sempre. "Espera...quer dizer que o sonho na verdade não era sonho?" pensei.

Fiquei por um tempo tentando entender o que tinha acontecido, até que ela acordou e me olhou com cara de desdém.

– Você de novo... — ela disse.

– Essa é minha casa, o que você tá fazendo aqui? — respondi.

– Parece que você tem os nervos de uma garotinha ein!? Desmaiei ontem a noite e você desmaiou junto. Quando acordei, você tava lá, até roncando. Então, decidi te trazer pra cá. Belo quarto!

– Não sei decidir o que foi real ou não. Já que você tá aqui, esclareça as coisas pra mim.

Ela levantou e se sentou na beirada da cama.

– Quanto menos você souber, melhor. — ela respondeu.

– NÃO VEM COM ESSE PAPO DE QUANTO MENOS EU SOUBER MELHOR. — gritei dando um murro na parede.

Ela abaixou a cabeça e começou a chorar.

Uma batida suave atrás da porta chamou minha atenção.

– Nate querido, está tudo bem? Eu ouvi gritos. — minha mãe disse.

– Está tudo bem mãe, tive um pesadelo e acordei assustado. — respondi.

"Minha mãe deve pensar que eu sou um frangote, primeiro os desmaios e agora isso." pensei.

Me perdi nos meus pensamentos (como sempre), e esqueci da existência da menina loira. Quando voltei a realidade ela ainda estava chorando baixinho. Ela olhou pra mim e eu desviei o olhar.

Comecei a observar a janela lá fora, o dia estava tão bonito, o sol nunca esteve tão claro, pássaros estavam seguindo pelo horizonte, e minhas vistas doeram de tanto olhar pro além.

Recobrei minha consciência. E ela ainda estava lá.

Um silêncio inquietante tomava conta do local. Ainda com a cabeça baixa ela soluçava e eu fiquei sem saber o que fazer. Me aproximei mais um pouco e levantei seu rosto com minha mão, sua pele era tão macia quando talco de bebê e agora seus olhos me encaravam com uma expressão que não conseguia decifrar.

De repente ela quebrou o silêncio:

– Meu nome é Sky, vim de uma estrela conhecida como Paládia, sou uma Híbrida.

"Sky, Paládia, Híbrida". Essas três palavras ressoavam na minha cabeça, do que ela estava falando?

– Vim parar no seu planeta acidentalmente, aquela mulher que você viu ontem era uma Treviana, nossas espécies são inimigas. Em nosso planeta, as criaturas são divididas em criaturas de luz e das trevas. Porém, existem os híbridos, que nasceram da junção de luz e trevas. De acordo com as leis planetárias de Paládia, esse tipo de junção é um crime contra os Deuses galáticos.

Ela parou de falar e olhou fixamente para mim. Vinte segundos se passaram até que eu pudesse processar tudo o que tinha ouvido, e a única coisa que consegui fazer foi rir.

Dei uma das gargalhadas mais acentuadas que já tinha dado em minha vida. E de repente parei.

– Você tá me zoando né? Que papo é esse de viver em outro planeta, luz e trevas. Eu não vou cair nessa.

– É sério, eu vivia em um pequeno vilarejo na floresta de Ghor, nós Híbridos eramos obrigados a viver escondidos das duas monarquias do planeta. Nem o lado da luz, nem as trevas nos aceitavam. Até que um dia, eu estava procurando alimento com meus amigos e um guarda das trevas me viu. Ele percebeu nesse momento que eu era uma híbrida.

– Como eles conseguiram descobrir que você era uma "Híbrida"?!? — Eu disse com ar de sarcasmo.

– Nossa aparência é totalmente diferente da dos Trevianos e Luzianos. Quem nasceu na luz, tem os cabelos negros, pele branca e olhos roxos, e quem nasceu pras trevas sempre tem cabelos vermelhos, olhos cinzas e pele mais escura. Assim que ele me viu, disparou sua arma contra mim e aí começou minha corrida para sobreviver.

– Deve ter sido muito difícil se virar sozinha né? — Continuei com o ar de sarcasmo.

Ela parou de falar, olhou pra mim e se levantou virando de costas e se dirigindo até a porta.

– Espera, onde você pensa que vai?

– Você não acredita em mim, não tenho motivos pra te explicar da minha história e nem te devo satisfações.

– Satisfações??? Isso é o que você mais me deve, primeiro você aparece e não diz quem você é e depois dorme no meu quarto? O que você mais me deve são satisfações.

Puxei ela pelo braço e ela se virou bruscamente pegando meu braço e torcendo-o.

– Escuta aqui, nunca mais ouse falar comigo desse jeito, você entendeu?

Fiquei sem palavras e não respondi.

Ela me soltou mas não abriu a porta.

– Você quer saber como eu vim parar aqui ou não?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.