Supernatural
1 Novatos
Notas iniciais
Alina desceu as escadas do seu quarto rapidamente. Sua mãe já lhe esperava no carro, para deixá-la na escola. A loira trancou a porta principal e correu em direção ao carro, que tinha uma porta aberta já para ela entrar e então irem em direção a sua escola. Nessa pressa toda, Alina havia esquecido até mesmo de pentear suas madeixas. Bem, isso não seria problema... era só ela pegar o cabelo de um jeitinho, enrolar e formar um coque, mesmo que bagunçado. Era seu primeiro dia de aula e não queria chegar atrasada. Como sempre.
— Avisei para não ir dormir tarde ontem, mas você nunca me ouve! — Bellynda disse, olhando para a pista a sua frente.
— Desculpe. Mas já estamos a caminho, não estamos? Os portões se fecham apenas 07:20, teoricamente, levamos cerca de dez minutos para chegar na escola. Nos preocupamos por nada. — A loira explicou enquanto arrumava algumas mechas soltas de seus cabelos, olhando por um pequeno espelho que tinha pegado da bolsa.
— Certo, certo. Só não queria que chegasse atrasada no primeiro dia.
— Eu também não. — Guardou seu espelho.
Durante os minutos seguintes, as duas ficaram caladas. Até o momento em que chegaram a escola. Bellynda despediu-se da filha ainda sentada onde estava, enquanto Alina saia do carro. Para não perder tempo, a mulher soltou um beijo de longe, que a loira retribuiu. A porta do carro foi fechada pela mesma, que virou de costas para o automóvel logo em seguida, fitando por um momento a grande construção. New Valley High's School estava do jeito que se lembrava no ano passado.
Sem perder mais tempo, ajeitou a alça de sua bolsa no ombro e começou a andar em direção a entrada do lugar, dando suas belas passadas de sempre. Chegou no corredor dos armários e foi direto para o seu, abrindo-o com a chave e retirando seu caderno juntamente com alguns livros. Em seu ombro, a bolsa que havia levado para a escola ainda se mantinha, iria sim levá-la para a aula, por ter canetas e outras coisas úteis para ela. Ao terminar ali, Alina fechou a porta do armário e virou para o lado, assustando-se com uma figura feminina que havia aparecido repentinamente.
— Há novatos na escola! — A figura ruiva dizia animada. Era Angie, a melhor amiga de Alina.
— Sério? Quantos? — Alina encostou seu ombro no armário bem ao seu lado. — Diga que são garotos.
— São dois irmãos. Apenas um deles é garoto... a outra é menina, bem, pelo menos eu acho. — Ela riu da própria piada, mas a loira não riu.
Seu olhar focou-se além da garota a sua frente, garota essa que virou de costas para ver o que era que Alina estava vendo. Duas figuram vinham andando pelo corredor, um garoto e uma garota. Eram até parecidos de certa forma... provavelmente aqueles eram os novatos que Angie estava falando anteriormente. Ela focou no garoto, é claro. Olhando-o de cima a baixo. E então o rosto dele virou e encontrou o de Alina, claramente percebeu que a loira estava olhando-o e assim olhou também. Em nenhum momento ela desviou o olhar, mas ele sim, para falar algo para a irmã.
A morena ao lado do garoto também olhou para Alina. Agora eram dois olhares sob ela, e mesmo assim não se acanhou. Ainda mantinha os olhos cravados na dupla. Ela viu a morena franzir a testa e devolver a fala para seu irmão, que olhou uma última vez para Alina e depois focou-se no espaço a sua frente. Nos seus pensamentos, eles iram passar direto, mas pararam na fileira de armários que ficava em frente ao de Alina.
— Angie, vamos. — Disse simplesmente, virando-se para a ruiva e pegando-a pelo braço. Ela não discutiu e apenas seguiu sua amiga.
***
Benjamin agradeceu mentalmente pelo cheiro que vinha da loira de olhos azuis começar a ficar mais fraco. Ele se permitiu olhar para trás, onde ela estava anteriormente com uma ruiva. Provavelmente era seu armário, ou poderia ser o da amiga. A segunda opção era a que ele mais queria. Assim que pisou na escola, sentiu um cheiro diferente no ar, um cheiro que ele não sentia a algum tempo. Sobrenaturais. O garoto virou o rosto para a irmã, que estava pegando algumas coisas em seu armário, e nem precisou dizer nada, a morena foi logo tomando a frente.
— Pode estar enganado. — Disse ela, já fechando o armário.
— E se eu não tiver? Ela tem o cheiro de um sobrenatural, e onde há sobrenaturais... há caçadores!
— Não necessariamente. Pulamos de cidade em cidade e algumas não tinham caçadores.
— Mas aqui é diferente... — O moreno tentou competir com a irmã, mas era ela quem sempre colocava o ponto final.
— Vamos esquecer isso e nos preocupar com o que importa agora: parecer com adolescentes normais. — Annelise começou a andar em direção a onde deveria ser sua sala de aula.
— De qualquer forma, quero ficar longe dela. — O garoto virou-se e foi atrás da irmã.
Os gêmeos foram juntos até a sala onde teriam suas aulas pelo resto do ano letivo. Nenhum dos dois estava animado com aquilo, pelo contrário. Iriam passar o mesmo ano letivo tentando convencer seus pais de que a escola era uma má ideia. E talvez até fosse.
Antes de chegarem na porta da sala, Benjamin novamente sentiu o cheiro da garota loira. Annelise o olhou, entregando que também havia sentido, mas então revirou os olhos e andou um tanto mais rápido, chegando na sala de aula, e na sequência, entrando no local. Benjamin apareceu logo atrás dela. A morena deu duas batidas na porta apenas para chamar atenção do professor que já estava na sala.
— Oh, vocês chegaram! Entrem, entrem. — O homem ordenou e os gêmeos obedeceram — Turma, esses vão ser seus novos colegas de classe. Benjamin e Annelise Hale, sejam bonzinhos com eles. Agora, vocês dois, sentem-se ali perto da Srta. Martin.
Annelise olhou para onde o professor havia apontado. Era uma cadeira ao lado da loira que eles haviam visto antes, e a outra cadeira era atrás desta mesma. Sem enrolar muito, Annelise começou a andar até lá e sentou-se na cadeira do lado da loira, agora nomeada Alina, deixando o irmão ficar atrás de si. Apesar de não demonstrar, a morena estava tão preocupada quanto irmão, aquela garota realmente exalava um cheiro de gente sobrenatural. Ela percebeu que, enquanto pensava, estava olhando para a loira, e tratou de desfazer isso, olhando para frente.
— Vais ser um longo ano. — Annelise murmurou desgostosa.
— Eu concordo. — Seu irmão disse, atrás dela.
Enfim, a aula começou. A matéria que o professor ensinava era chata e entediante, pelo menos para Annelise, já Benjamin parecia começar a ficar animado. Parece que tinha esquecido a história da garota loira. Mas agora era Annelise quem não parava de pensar no assunto. Passou as aulas seguintes distraída e distante, afundada com seus pensamentos, e, os deixou de lado apenas quando seu nome foi chamado. A nova professora que estava na sala, havia feito uma pergunta, que ela não havia ouvido.
— O que disse? — A morena perguntou para a professora.
— Disse para você me responder esta questão. — Respondeu, apontando para a lousa, onde uma pergunta sobre Geografia estava escrita. "As veredas têm um papel fundamental no equilíbrio hidrológico dos cursos de água no ambiente do Cerrado, pois:".
— Eu não me voluntariei para responder. — Protestou, não querendo responder a pergunta.
— Sei que não. Mas quero que me responda mesmo assim. — A mulher insistiu, o que deixou Annelise levemente irritada. Ela cravou as unhas nas bordas de sua carteira, unhas estas que naquele momento estavam como garras.
— As garras, Annelise. As garras! — Benjamin colocou o corpo para frente e sussurrou no ouvido da irmã, que logo se acalmou e as garras voltaram para o lugar. Assim, ela soltou a carteira.
— Elas constituem um sistema represador da água na chapada. — Alina, vendo que a morena ao seu lado estava com dificuldades, resolveu responder por ela. Ela lançou os olhos azuis para Annelise e soltou um sorriso, como quem dizia "De nada".
Antes que a professora pudesse reclamar com a loira por ter respondido a pergunta, um sinal ecoa nos ouvidos de todos presentes. Intervalo.
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