Superfície
1 One Shot
Fechei os olhos e afundei lentamente em mim, senti aquele frio congelante correndo dentro das minhas veias me avisando que não era mais necessário continuar respirando. Já era um outro tempo, uma outra coisa, algo que de certa forma me esperava já que eu não parava quieto, não cultivava o medo, brincando e dançando por aí como se o mundo fosse meu e estivesse de acordo com as minhas vontades...
Eu devia alguma coisa, semicerrei os olhos num quase breu, quase deitando no fundo me concentrei naquele brilho tão distante de mim, e agora tinha medo, muito medo, o motivo eu não sei bem, seria mais fácil esperar minhas recompensas pela vida, a glória de afundar por alguém, mas, não sei, a estrela era tão bonita, não me permitia fechar os olhos tão depressa assim. Me vi tentando recobrar o que aconteceu, o medo aumentando, tentando puxar algum ar, só que não tinha ar, não tinha nada além de um ponto reluzente, não conseguia mais pensar, me contorcendo e batendo as pernas e braços em direção ao que restou do mundo mas já não sentia o meu corpo, estava virando uma mancha mais escura que o próprio escuro, torpor.Até que senti um choque calcinante no meio das costas que se espalhou pelo meu corpo tão rápido quanto fui lançado pra frente, pra cima, pra luz. Aquele ponto foi ficando maior assim como a minha dor que era puro gelo agora, não era o primeiro frio mas lá em cima parecia ainda mais gelado e eu estava cada vez mais alto, arregalei os olhos para aquela bola perfeitamente polida de gelo. Era a Lua, era ela brilhando pra mim, mais intensa do que aquela bola de fogo que vejo quando acordo, dessa vez estava com a Lua quando abri os olhos, estava deitado nela e ao mesmo tempo ela estava deitada em mim, eramos uma vastidão perolada cobrindo o céu e a água e não doía mais, o ar era congelante mas não me machucava, na verdade, parecia sair de mim toda aquela frieza. E de repente, o frio é a primeira coisa de que me lembrava ter, ela me mostrou isso, disse no pé do meu ouvindo que eu seria a neve de todas as manhãs daqui pra frente e quando a Lua diz algo, você deve acreditar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor