Super Unicórnio e o Pégaso que não voa
2 A praça e a rua sete.
Amanda tirou seu antigo pijama do guarda-roupa.
Sua mãe, depois de fazer uma viajem pelo Japão, lhe comprou um pijama estranho de unicórnio que a filha tinha se interessado. Sua mãe lhe havia dito que aquilo se chamava kigurumi, mas como o nome era bem difícil de se pronunciar para uma criança de 7 anos, preferiu chamar de pijama.
Era branco, com um vestido curto grudado a uma calça que as pontas imitavam cascos. Conforme ela andava, o rabo balançava suavemente pelo ar. Um gorro escondido atrás do pijama revelava que em cima, havia um bonito e comprido corno de unicórnio.
Calçando suas sapatilhas pretas, Amanda correu – ou trotou – alegremente até o pequeno potro negro parado no quintal de sua casa. Magro e pequeno, mas forte e alto o suficiente para aguentar Amanda, que certamente teria o tamanho de uma Alice de quatro anos.
— Com cuidado, querida. – Disse o pai, a ajudando a sentar em cima da pequena sela.
Logo, Amanda estava em cima de Pégaso, trotando devagar, guiado por uma corda presa a ele e ao pai, em direção a praça que ligava várias ruas do pequeno bairro.
— Uou! – Disse Alice, espantada ao ver a amiga. – Eu cheguei a pensar que você estava brincando em relação ao cavalo!
Amanda riu.
— Não sou de mentir, Alice. Quer montar nele?
E assim se passaram horas e horas com Amanda e Alice brincando. Ao fim da tarde, Alice ganhou um ar completamente misterioso, se aproximando da amiga e cochichando em seu ouvido:
— Já ouviu falar da lenda da Mansão da Rua 7? – Disse Alice, com uma voz meio rouca.
Amanda parou de brincar um pouco, assustada com a amiga.
— Não gosto de lendas, Alice!
— Todos estão contando sobre essa lenda na escola, Amanda! Dizem que no fundo da rua tem uma mansão amaldiçoada. Algumas pessoas falam que um casal de velhinhos moravam ali, mas então um ladrão os matou. Desde então, eles assombram a mansão. Bu! – Disse Alice, virando-se para a amiga e a assustando, enquanto a vira em direção de uma rua estranha.
Amanda parou, olhando para a rua. Ao contrário das outras, ela parecia mais morta. As árvores velhas e com folhas secas se encurvavam tentando esconder a rua, fazendo um túnel que tapava a luz da lua. Perto da entrada, uma placa velha e desgastada torta pendiam letras enferrujadas, algumas faltando, mas que parecia dizer “Rua Sete”.
Amanda parecia paralisada, encarando a rua, até o focinho de Pégaso, cutucando seu braço, avisando que já estava tarde.
Amanda voltou para casa, assustada demais para olhar para trás.
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